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sábado, 22 de junho de 2024

PORQUE ONDE ESTÁ O TEU TESOURO, LÁ TAMBÉM ESTÁ O TEU CORAÇÃO..


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 6,19-23)(21/6/24)

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1. Caríssimos irmãos e irmãs, devido ao mal que existe neste mundo, Deus tem um cuidado todo especial para com seus filhos e filhas, fazendo-os vencer todos os obstáculos que se apresentam contra eles, como vimos nos sofrimentos que Paulo padec eu por amor a Cristo e aos irmãos a quem ele instruia na fé (cf. 2Cor 11,24-28).
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2. Com efeito, amar a Deus sobre todas as coisas e aos nossos irmãos e irmãs como a nós mesmos significa dedicar-se totalmente a Deus e ao anúncio do seu reino como vimos acima no exemplo de São Paulo. 
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3. Aliás, precisamos entender que desde já somos herdeiros do Reino de Deus à medida que vivemos as virtudes eternas do amor, da bondade e da justiça, como um tesouro que acumulamos nos céus; porque, como disse o Senhor: "onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração." (Mt 6,21).
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4. De fato, quem se dedica ao Reino de Deus e à sua justiça, o faz porque o experimenta em sua alma e por isso mesmo nada mais busca neste mundo fora da vontade de Deus, pois, deste mundo nada levamos além das obras de misericórdia que o Senhor nos dá à praticar, como nos ensinou São Paulo: "Somos obra sua, criados em Jesus Cristo para as boas ações, que Deus de antemão preparou para que nós as praticássemos." (Ef. 2,10).
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5. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos ensina que a verdadeira requeza não é deste mundo e nem material, e que ela já se encontra em nosso coração por meio das boas ações que praticamos. São Paulo na segunda carta aos Coríntios, escreveu: "Porém, temos este tesouro em vasos de barro, para que transpareça claramente que este poder extraordinário provém de Deus e não de nós." (2Cor 4,7).
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6. Comentando o Evangelho de hoje disse o Mons. Ângelo Spina: "Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração". Na nossa maneira de falar, quando usamos a palavra coração, aludimos sobretudo à esfera afetiva, às emoções, aos sentimentos. 
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7. Na linguagem bíblica, ao contrário, o coração tem um significado muito amplo, porque designa a pessoa inteira: é a sede do pensamento, da memória, das escolhas e dos projetos; é o centro onde são tomadas as nossas decisões finais. 
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8. Para compreender o que é o bem desejado, basta ver o que ocupa os nossos pensamentos, o que nos interessa na vida, quais escolhas consideramos importantes. Jesus propõe dois tesouros: o efêmero, transitório, determinado pelas riquezas deste mundo; e o duradouro, que não falha e que ninguém nos pode tirar. 
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9. Mas se é verdade que onde está o tesouro está o coração, também é verdade que é sempre o coração que determina o tesouro que se pretende possuir como único bem. É importante que o discernimento seja claro e responsável: ver com clareza e com olhos sãos é o primeiro passo para dar a cada aspecto da vida o seu devido valor. 
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10. Se isso não acontece, Jesus prefigura uma situação dramática: se o olho é mau, não é claro, não ilumina, tudo se confunde, com o risco de não se ver os bens eternos, fixando-se apenas nos terrenos. O dinheiro pode ser roubado, as riquezas podem perder-se, pode acontecer um acidente de automóvel. Os objetos podem partir-se, as pessoas podem morrer. 
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11. Tudo o que é material vai desaparecer. Só o tesouro da alma, o tesouro celeste, é que ninguém nos pode tirar. É bom aprender a guardar tudo na alma e não ter necessidade de possuir. Enriquece a tua alma e não precisarás mais de riquezas. Tudo o que podes perder, perderás. E tudo o que não podes perder (Deus, a tua alma) será vida plena, agora e no futuro."
(Mons. Ângelo Spina, Arcivescovo di Ancona - Osimo e Vice Presidente della Conferenza Episcopale Marchigiana).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 21 de junho de 2024

VENHA A NÓS O VOSSO REINO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 6,7-15)(20/6/24)

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1. Caríssimos, no Evangelho de hoje Jesus nos ensina a rezar a oração do "Pai nosso" que Tertuliano (filósofo e apologeta cristão Sec. II) a definia como a "síntese do Evangelho", pois, nela está contido o amor incondicional que perdoa sempre, e que supera todas as nossas necessidades espirituais e temporais, tornando-se assim uma fonte permanente de paz e de comunhão com Deus e entre nós.
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2. Com efeito, logo de início o Senhor nos ensina como devemos orar, diz Ele: “Quando orardes, não useis muitas palavras, como fazem os pagãos. Eles pensam que serão ouvidos por força das muitas palavras. Não sejais como eles, pois vosso Pai sabe do que precisais, muito antes que vós o peçais." (Mt 6,7-8).
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3. E continua: "Vós deveis rezar assim: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como nos céus. O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. Perdoa as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal." (Mt 6,7-13).
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4. Ora, meditando essa oração vemos que nela há um profundo grau de intimidade com Deus, pois, Jesus no-lo apresenta como Pai que nos ama; nos dá atenção, acolhe o nosso elogio, supre as nossas necessidades, pois as conhece, nos livra do mal e nos corrige para sermos misericordiosos como Ele é misericordioso.
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5. De fato, para vivermos bem essa oração, precisamos assumir que somos filhos de Deus e que todos somos irmãos, por isso, entre nós, jamais deve haver divergência, mas somente convergência; e diante de qualquer querela, usemos do perdão para voltarmos à concórdia e a paz.
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6. No seu comentário à essa oração, assim se expressou são João Cassiano: "No segundo pedido [da oração do pai-nosso], a alma puríssima exprime o desejo de ver chegar muito em breve o reino de seu Pai. Ao dizer isto, pode visar, em primeiro lugar, o reino inaugurado em cada dia por Cristo na alma dos santos. 
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7. É isso que acontece uma vez que o diabo foi expulso do nosso coração mais os seus vícios, com os quais o infetava, e desfeito o seu império: Deus entra soberano em nós, espalhando o bom odor das virtudes, de modo que vencida a fornicação, é a castidade que reina na nossa alma; ultrapassada a raiva, reina a tranquilidade; calcada aos pés a soberba, reina a humildade.
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8. Pode também ter em vista aquilo que foi prometido para um tempo antecipadamente estabelecido a todos os perfeitos de uma maneira geral, a todos os filhos de Deus. Então, Cristo dir-lhes-á: «Vinde, benditos do meu Pai; herdai o reino preparado para vós desde a fundação do mundo» (Mt 25,34). 
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9. A alma mantém o seu olhar ardentemente fixo nesta feliz palavra, cheia de desejo e de esperança, e exclama: "Venha a nós o vosso reino". Sabe bem, porque disso lhe dá testemunho a sua consciência, que, quando o reino chegar, entrará de imediato na sua partilha."
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(São João Cassiano (c. 360-435), fundador de mosteiro em Marselha - Sobre a oração, XIX; SC 54).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv. 

quarta-feira, 19 de junho de 2024

FAZEI TUDO PARA A MAIOR GLÓRIA DE DEUS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 6,1-6.16-18)(19/6/24)

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1. Caríssimos irmãos e irmãs, a generosidade é a virtude que nos faz experimentar o quanto Deus nos ama e age em nosso favor; pois, é Ele quem nos sustenta e nos governa por Sua Divina Providência. Ora, Deus sempre cuida de nós, mas precisamos dar atenção a esse seu cuidado para não caírmos no pecado da indiferença que conduz à insatisfação e ao egoísmo.
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2. De fato, basta olharmos o sol que irradia a sua luz sobre toda a Criação; o ar que respiramos livremente como fonte de vida natural; o mar que alimenta todos os seres que dele dependem. E tudo isso é expressão do amor e da generosidade do nosso Pai celestial.
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3. Mas, por que este mundo que recebe tanto de Deus, e ainda vive na miséria? Por causa da indiferença e do egoísmo que assola as almas apegadas às coisas deste mundo; elas, deixando de cultivar os valores eternos, dentre os quais a generosidade, se perdem no labirinto dos apegos egoístas em que não existe nada mais além da famigerada corrupção que dissipa milhões de vidas.
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4. Com efeito, o exemplo de nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho amado de Deus, é de uma generosidade infinita em todos os sentidos da vida; é bem como nos ensina São Paulo: "Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus. 
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5. Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo, assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz." (Fl 2,5-8).
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6. No Evangelho de hoje Jesus nos ensina a não vivermos de aparências, mas sim, revestidos de humildade na certeza de que as obras que realizamos por graça de Deus são para a salvação de todos e à Sua maior glória; e que a prática da oração e do jejum, são encontros com o Pai, e estes se dão no coração de nossas almas, onde Ele nos escuta e nos responde quando silenciamos para escuta-lo.
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7. Comentando esse Evangelho disse o Papa Bento XVI: "Na sociedade moderna das imagens, devemos estar vigilantes, pois existe uma tentação recorrente, aquela de fazer tudo para aparecer. A esmola evangélica não é mera filantropia: é antes uma expressão concreta da caridade, virtude teologal que exige uma conversão interior ao amor de Deus e dos irmãos, à imitação de Jesus Cristo, que morreu na cruz e se entregou totalmente por nós. 
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8. Por isso, tudo deve ser feito para a glória de Deus e não para a nossa. Que esta consciência acompanhe cada gesto de ajuda ao próximo evitando que ele se torne um meio de nos destacarmos. Se, ao praticarmos uma boa ação, não tivermos como objetivo a glória de Deus e o verdadeiro bem dos nossos irmãos, mas visarmos antes um retorno de interesse próprio ou simplesmente o aplauso, colocamo-nos fora da perspetiva do Evangelho. 
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9. Decerto, como não agradecer a Deus por tantas pessoas que, no silêncio, longe dos holofotes da sociedade midiática, praticam atos generosos de apoio ao próximo necessitado com esse espírito de desapego? 

10. De pouco serve dar os bens aos outros se o coração se enche de vanglória: é por isso que não se procura o reconhecimento humano para as obras de misericórdia praticadas por aqueles que sabem que Deus "vê em segredo" e em segredo recompensará. 
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11. Sempre que, por amor a Deus, partilhamos os nossos bens com o próximo necessitado, experimentamos que a plenitude da vida vem do amor e que tudo nos é devolvido como uma bênção em forma de paz, de satisfação interior e de alegria. O nosso Pai celeste recompensa a nossa esmola com a sua alegria."
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(Bento XVI - Messagem para a Quaresima de 2008).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 18 de junho de 2024

A VITÓRIA DO AMOR SOBRE O ÓDIO...

PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 5,43-48)(18/6/24)
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1. Amados irmãos e amadas irmãs, Deus, nosso Pai celestial, se nos dá a conhecer por sua Palavra escrita, e pelo Seu Santo Espírito aos seus filhos escolhidos, nossos pastores, tendo à sua frente o Santo Padre e os bispos que formam o colégio episcopal. 
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2. Ele também nos fala pessoalmente em nossas orações, e por meio do Seu Filho Jesus Cristo presente realmente na Eucaristia, como Ele mesmo disse: "Este é o meu Filho amado, escutai o que ele diz." (Mc 9,7b).
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3. Com efeito, escutar o Senhor Jesus na liturgia de hoje é entrar em confronto direto com as forças do inimigo de nossas almas, que age por meio dos que trazem no coração o ódio e a violência e os expressam por meio de perseguições, tentando, com isso, destruir a nossa comunhão com o Senhor e entre nós. 
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4. Ora, o amor aos inimigos, aos perseguidores e aos que nos maltratam, como o Senhor Jesus nos ensina, significa, ao mesmo tempo, a nossa permanência em Deus que é amor e também nossa vitória sobre o mal que nos ataca por meio daqueles que o seguem. 
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5. De fato, os homens podem causar muitos danos uns aos outros, mas, isso somente quando permitem o pecado em suas atitudes e ações, isto porque, "O pecado desperta no coração dos homens um ressentimento surdo contra Deus, a ponto de que, se dependesse deles, desejaria que Deus não existisse." 
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6. Por isso, não leve consigo nenhum pecado em sua alma, nem seu nem dos outros, porque isso equivale a perder a paz interior e a comunhão com Deus e entre nós, pois a obra do inimigo consiste em dividir os filhos e filhas de Deus.
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7. Portanto, caríssimos, nós cristãos não nos baseamos em opiniões superficiais ou em falsos conselhos, mas sim nas Palavras eternas de nosso Senhor Jesus Cristo, pois em tudo o que Ele nos diz já está o poder para se cumprir o que nos foi dito. Desse modo, é a nossa obediência à Sua Divina Palavra que nos faz ser "santos como o nosso Pai celeste é Santo." (Mt 5,48).
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8. Meditemos com atenção estas palavras de São Leão Magno: "Quem deseja saber se em si habita Deus, perscrute por um exame sincero o fundo do seu coração e busque atentamente com que humildade é capaz de resistir ao orgulho, com que benevolência consegue combater a inveja, até que ponto não se deixa levar por palavras lisonjeiras e se se alegra com o bem dos outros. 
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9. Veja se não deseja pagar o mal com o mal e se prefere deixar sem retribuição as injúrias, em vez de perder a imagem e semelhança do seu Criador, que chama todos os homens a conhecê-lo pelos benefícios que prodigaliza a todos, fazendo «nascer o sol sobre bons e maus e chover sobre justos e injustos». (Mt 5,45).
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10. Se achar esse coração inteiramente inclinado para o amor de Deus e do próximo, a ponto de querer que os seus inimigos também recebam os bens que deseja para si mesmo, se assim for, aquele que se encontra nestas disposições não pode duvidar de que Deus o conduz e nele permanece."
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(São Leão Magno (?-c. 461), papa, doutor da Igreja - Sermão para a Epifania).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.
 

sábado, 15 de junho de 2024

SEJA O VOSSO SIM, SIM; E O VOSSO NÃO, NÃO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 5,33-37)(15/6/24)

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1. Caríssimos irmãos e caríssimas irmãs, a liturgia deste dia nos ilumine com a meditação de parte do Sermão da Montanha, célebre ensinamento do Senhor Jesus, por meio do qual ele eleva à plenitude a Lei divina do amor de Deus, dada ao povo eleito por meio de Moisés no monte Sinai. 
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2. E hoje meditamos sobre a transparência com que devemos dar o nosso testemunho de fé, por meio da prática da vida, pois esta é uma prática diária que resulta no estado de alma que temos de acordo com o bem ou o mal que fazemos, dependendo das nossas escolhas e decisões. 
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3. De uma coisa fiquemos certos a vida é uma missão e quando a cumprimos fielmente conforme a graça que nos é dada, tudo concorre para o bem de nossas almas e para a nossa felicidade eterna, como vimos na primeira leitura, em que o Profeta Elias, a pedido de Deus, chamou como servo Eliseu, para dar continuidade à missão profética que o Senhor lhe confiara.
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4. Ora, um dos fundamentos da missão é a renúncia de si mesmo, isto é, da própria vontade, pondo-se à disposição do Senhor, para realizar os seus desígnios de amor. Escutemos, então, com humildade e atenção estas palavras do Senhor Jesus: "De mim mesmo não posso fazer coisa alguma. Julgo como ouço; e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou." (Jo 5,30).
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5. De fato, muitos não são felizes porque não abrem mão da própria vontade, querem que Deus se adapte ao seu modo de viver, carregado de caprichos e apegos que não passam de entraves impostos contra a livre ação do Espírito Santo; por isso, quando as coisas não acontecem como planejaram se afastam da fé e passam a viver de acordo com a mediocridade da indiferença que cultivam. 
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6. Portanto, caríssimos, eis o que diz o Senhor no Evangelho de hoje: "Seja o vosso ‘sim’: ‘sim’, e o vosso ‘não’: ‘não’. Tudo o que for além disso vem do Maligno”. (Mt 5,37). Decerto, esta é a regra de ouro que nos firma na verdade: bem é bem; mal é mal, e nunca se misturam. Ou seja, o que é mal só vem do mal; o que é bem só vem do bem. 
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7. Por isso, muito cuidado com o bem aparente, pois este não passa de armadilha perversa que nos afasta do estado de graça, como Jesus nos ensinou: "Nem todo aquele que me diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. 

8. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não pregamos nós em vosso nome, e não foi em vosso nome que expulsamos os demônios e fizemos muitos milagres? E, no entanto, eu lhes direi: Nunca vos conheci. Retirai-vos de mim, operários maus! (Mt 7,21-23). 
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9. Eis então como discernir o bem verdadeiro: "Porque é gratuitamente que fostes salvos mediante a fé. Isto não provém de vossos méritos, mas é puro dom de Deus. Não provém das obras, para que ninguém se glorie. Somos obra sua, criados em Jesus Cristo para as boas ações, que Deus de antemão preparou para que nós as praticássemos." (Ef 2,8-10). 
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10. Por fim, escutemos atentamente este comentário de São João Maria Vianey: "Jesus Cristo recomenda-nos que tenhamos o cuidado de não nos associarmos a ninguém que seja enganador por palavras ou por obras. De fato, meus irmãos, vemos que nada é mais indigno de um cristão, que deve ser fiel imitador do seu Deus, que é a própria justiça e a verdade, do que pensar uma coisa e dizer outra. 
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11. É por isso que Jesus Cristo nos recomenda no Evangelho que nunca mintamos: "A vossa linguagem deve ser: "Sim, sim; não, não". E São Pedro diz-nos que sejamos como as criancinhas, simples e sinceras, inimigas da mentira e da dissimulação (cf. 1P 2,2).
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(São João-Maria Vianney (1786-1859), presbítero, Cura de Ars - Sermão para o 7.º Domingo depois do Pentecostes). 
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Paz e Bem! 
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Frei Fernando Maria OFMConv. 

quarta-feira, 12 de junho de 2024

A LEI PERFEITA DA LIBERDADE...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 5,17-19)(12/6/24)

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1. Caríssimos, a Palavra de Deus presente nas Sagradas Escrituras é a Sua Voz escrita falando conosco diretamente; quem a vive fielmente, a proclama com perfeição tornando-se assim seu porta voz. Pois, "A Palavra de Deus é a Verdade; Sua Lei, liberdade." Uma alma repleta da Sua Santa Palavra santifica-se cada vez que a pronuncia, pondo-a em prática. 
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2. É bem como nos ensinou São Tiago: "Sede cumpridores da palavra e não apenas ouvintes; isto equivaleria a vos enganardes a vós mesmos. Mas, aquele que procura meditar com atenção a lei perfeita da liberdade e nela persevera - não como ouvinte que facilmente se esquece, mas como cumpridor fiel do preceito -, este será feliz no seu proceder." (Tg 1,22.25).
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3. Ora, o Senhor tudo criou com perfeição por meio da Sua Palavra, e isto está presente nos mínimos detalhes que Ele nos revela ao contemplamos as suas criaturas, de modo que ninguém fora de sua vontade pode reproduzir tal perfeição.
4. Por exemplo, o Senhor nos deu dois olhos, dois ouvidos e todos os outros sentidos com os quais percebemos e discernimos naturalmente o que nos convém. Também nos deu a consciência como o coração de nossa alma, por ela conhecemos o bem e o mal, e por meio do livre arbítrio decidimos o nosso modo de ser santos seguindo os seus mandamentos.
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5. Dito isso, meditemos com as palavras de São Tiago: "Já o sabeis, meus diletíssimos irmãos: todo homem deve ser pronto para ouvir, porém tardo para falar e tardo para se irar; porque a ira do homem não cumpre a justiça de Deus. Rejeitai, pois, toda impureza e todo vestígio de malícia e recebei com mansidão a palavra em vós semeada, que pode salvar as vossas almas." (Tg 1,19-21).
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6. No Evangelho de hoje, o Senhor Jesus nos ensina: “Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas. Não vim para abolir, mas para dar-lhes pleno cumprimento. Portanto, quem desobedecer a um só desses mandamentos, por menor que seja, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será considerado o menor no Reino dos Céus. Porém, quem os praticar e ensinar será considerado grande no Reino dos Céus." (Mt 5,17-19).
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7. Meditemos então com estas palavras do saudoso Papa Bento XVI: "Quando o Senhor Jesus ensinava as multidões, não deixava de confirmar a lei que o Criador tinha inscrito no coração do homem e que depois tinha formulado nas tábuas do Decálogo.
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8. Mas Jesus mostrou-nos com uma nova clareza o centro unificador das leis divinas reveladas no Sinai, ou seja, o amor a Deus e ao próximo: "Amar [a Deus] com todo o teu coração, com toda a tua mente e com todas as tuas forças, e amar o teu próximo como a ti mesmo vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios" (Mc 12,33). 
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8. De fato, Jesus, na sua vida e no seu mistério pascal, realizou toda a lei. Unindo-se a nós através do dom do Espírito Santo, Ele leva conosco e em nós o "jugo" da lei, que se torna assim uma "carga leve" (Mt 11,30). 
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9. Neste espírito, Jesus formulou a sua lista das atitudes interiores de quem procura viver profundamente a fé: Bem-aventurados os pobres em espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os pacificadores, os perseguidos por causa da justiça (cf. Mt 5, 3-12).
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Que o Senhor na sua infinita misericórdia tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna. Amém! Assim seja!
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

NO REINO DE DEUS TUDO É GRATUITO INCLUINDO O SEU ANÚNCIO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA (Mt 10,7-13)(11/6/24)

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1. Caríssimos irmãos e irmãs, a misericórdia e o poder de Deus se manifestam na vida e nas ações daqueles que lhes são consagrados e escolhidos pelo Espírito Santo para o serviço que o Senhor lhes confia. É bem como vimos na primeira leitura (cf. At 13,2-3).
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2. Com efeito, a nossa estadia neste mundo é curta e tem como finalidade o anúncio do Reino de Deus, que se fundamenta na justiça e na paz; na justiça que consiste no julgamento deste mundo; na paz, porque pós julgamento, segue-se a renovação do mesmo, quando Cristo será tudo em todos; e porá seus inimigos por escabelo de seus pés, o último a ser destruído será a morte (cf. 1Cor 15,25-26).
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3. No Evangelho de hoje o Senhor Jesus envia seus discípulos com as seguintes recomendações: “Em vosso caminho, anunciai: ‘O Reino dos Céus está próximo’. Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. 
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4. De graça recebestes, de graça deveis dar! Não leveis ouro nem prata nem dinheiro nos vossos cintos; nem sacola para o caminho, nem duas túnicas nem sandálias nem bastão, porque o operário tem direito ao seu sustento." (Mt 10,7-10).
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5. Decerto, para muitos essas recomendações do Senhor são de difícil alcance, mas isso acontece porque vivemos num mundo onde o cultura do ter, do poder, do prazer e do aparecer tornou-se regra geral e por isso, poucos escutam e põem em prática as Palavras do Senhor. 
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5. Todavia, convém lembrar um dos ensinamentos mais práticos da fé: a felicidade eterna consiste em vivermos neste mundo como filhos e filhas de Deus, fazendo em tudo a Sua Santa Vontade (cf. Mt 7,21-27).
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6. Comentando o Evangelho de hoje disse o Mons Ângelo Spina: "Jesus envia os discípulos a anunciar o Reino sempre a caminho com quatro empenhos a realizar: curar os doentes, ressuscitar os mortos, limpar os leprosos, expulsar os demônios. Ora, para levar o anúncio do Reino aos irmãos e irmãs, para se pôr a trabalhar na vinha do Senhor, não é preciso ter muitos recursos materiais ou muito tempo. 
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7. O que Jesus pede é que se diga um "sim" generoso; Ele fará o resto. O anúncio do Evangelho, tal como é apresentado por Jesus, é gratuito: "De graça recebestes, de graça dai". Nem prata, nem dinheiro, nem cintos, nem sacos de viagem, nem duas túnicas, nem sandálias, nem cajados. 
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8. Que lindo ouvir estas palavras: "De graça recebestes, de graça dai". Esta expressão perturba a nossa concepção econômica da vida. Porque, habitualmente, dizemos: eu te dou algo se me deres algo em troca, tu começas a dar-me algo e, se me apetecer, serei generoso contigo. 
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9. O verdadeiro testemunho de vida consiste na gratuidade. Os servos de Deus não trabalham para a sua própria honra, nem para a sua própria grandeza, nem para o seu próprio enriquecimento. A gratuidade manifesta um despreendimento interior e efetivo de tudo, mesmo da procura de gratificação que muitas vezes contamina até as nossas obras santas. 
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10. A única recompensa é a que vem de Deus, a que Deus dá quando e como quer; de fato, a única recompensa é o próprio Deus. Se Deus não for tudo para nós, se não procurarmos a alegria nele, seremos sempre tentados a nos apegar às coisas ou às pessoas e, em última análise, a nós mesmos. 
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11. Dar livremente significa também não tornar pesado o nosso serviço, dar tudo sem ostentação e sem esperar qualquer reconhecimento. De fato, damos de graça não porque somos tolos e sonhadores ingênuos, mas porque damos a Deus! De graça recebestes, de graça dai e tereis um tesouro de riqueza espiritual."
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(Mons. Angelo Spina, Arcivescovo di Ancona - Osimo e Vice Presidente della Conferenza Episcopale Marchigiana).
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Paz e Bem!
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Frei Fernando Maria OFMConv.

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