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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

POEMA DE AMOR














POEMA DE AMOR

Amar o Amor...
É a razão de ser da vida...
É saber que a dor será vencida...
Porque o amor...
“é mais forte do que a morte”...

Amar o amor...
É saber-se amado primeiro...
e por isso se doar por inteiro...
Num dar e receber infinito...

Amar o Amor...
É desde já experimentar o céu aqui na terra...
Porque o céu é o Trono de Deus...
E a terra é o escabelo de seus pés...
Porém, tudo Ele fez e faz por amor...

De fato, não podemos medir o amor...
Porque o Amor não tem limites...
Visto que o amor consiste em dar a vida...
E a vida é eterna porque fruto do amor...

...
POS SCRITUM:

“Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus, e todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor. Nisto se manifestou o amor de Deus para conosco: em nos ter enviado ao mundo o seu Filho único, para que vivamos por ele. Nisto consiste o amor: não em termos nós amado a Deus, mas em ter-nos ele amado, e enviado o seu Filho para expiar os nossos pecados”.

“Caríssimos, se Deus assim nos amou, também nós nos devemos amar uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus. Se nos amarmos mutuamente, Deus permanece em nós e o seu amor em nós é perfeito. Nisto é que conhecemos que estamos nele e ele em nós, por ele nos ter dado o seu Espírito. E nós vimos e testemunhamos que o Pai enviou seu Filho como Salvador do mundo. Todo aquele que proclama que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele e ele em Deus”.

“Nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem para conosco. Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele. Nisto é perfeito em nós o amor: que tenhamos confiança no dia do julgamento, pois, como ele é, assim também nós o somos neste mundo”. (cf. 1Jo 4,7-17).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

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Viver a Pobreza em Fraternidade

Frei Miguel de Negreiros.OFMCAP - (freifrancesco.ofmcap@bol.com.br): in Cadernos de Espiritualidade Franciscana, nº 9, pp. 24-33. Conferência proferida no Curso Complementar de Formação Franciscana. Fátima, Julho de 1997.


Sendo a pobreza evangélica um dos aspectos principais da nossa vida franciscana, lembrei-me de a comparar a uma casa espiritual que devemos edificar, no ambiente da nossa fraternidade.


E logo me ocorreu o que disse Jesus: Quem escuta as minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edifica a sua casa sobre a rocha... Quem ouve as minhas palavras e não as põe em prática é semelhante ao homem néscio que edifica a sua casa sobre a areia (Mt 7,24-27).


Se compararmos esta casa com o nosso projecto de pobreza evangélica, também podemos afirmar: aquele que ouve o convite do Senhor vem e segue-Me e, na verdade, deixa tudo e todos para seguir os passos de Jesus, esse edifica a casa do seu voto de pobreza, sobre a rocha!


Aquele, porém, que ouve o convite do Senhor: vem, e vai, mas sem partir da sua terra, ou seja, sem abandonar tudo quanto o envolve - família, parentela, amizades, posição social, a casa paterna e toda aquela teia das suas relações de cidadão deste mundo, etc., esse edifica a sua pobreza sobre a areia!


Do mesmo modo, aquele que ouve o convite de Jesus: segue-Me, e dispõe-se a segui-Lo mas sem deixar radicalmente todos os seus bens e tudo quanto tem, quanto adquiriu, quanto herdou, ganhou e recebeu, ou virá a adquirir, a herdar e a receber, esse edifica a sua pobreza sobre a areia.


Assim, também, o que ouve o convite do Senhor: vem e segue-me mas não se resolve decididamente a renunciar a si mesmo: aos seus critérios, aos seus pontos de vista, à sua mentalidade, à sua mundivisão, às suas inclinações naturais, ao seu amor próprio e à idolatria do seu eu, esse edifica a casa da pobreza sobre a areia.


Aquele, porém, que edifica a pobreza sobre o seguimento da pessoa adorável de Jesus que ele conhece, ama, e a quem se entrega apaixonadamente de alma e coração, esse resiste a todas as intempéries.


Cai a chuva da sociedade de consumo que inunda todos os escaparates da nossa praça.


Engrossam os rios dos bens supérfluos que nos alagam com a sua abundância. Sopram os ventos de todas as vaidades e de todas as modas, e de tudo quanto reluz e encanta os sentidos.


Mas a casa da pobreza não cai porque está fundada sobre a rocha.


Aquele que edifica o seu projecto de pobreza, unicamente sobre uma certa simpatia por um estilo de vida pobre que outros colegas ou amigos já adoptaram e que segundo as leis implica uma certa renúncia ou parcimónia no comer, no vestir e no habitar, mas sem uma referência inspiracional e vital, e profunda à pessoa de Jesus pobre e crucificado, esse não resiste às intempéries e investidas da riqueza.


Cai a chuva da sociedade de consumo, e ele deixa-se tentar por tantas coisas que seduzem aqueles que ainda são presa fácil dos bens materiais.


Engrossam os rios da abundância dos bens supérfluos, que estão muito para além das verdadeiras necessidades e reais carências da vida humana, e ele deixa-se enredar por um sem número de objectos pessoais de que não precisa para viver mas de que não se consegue libertar!


Sopram os ventos de todas as novidades e curiosidades que vêm rechear o nosso teor de vida - no comer, no vestir, no calçar, no passear, no divertir-se, no conviver - e lá somos nós atraídos para dar nas vistas e perdemos muito da nossa simplicidade e austeridade, devorados pelos últimos gritos da moda.


E a nossa Casa da Pobreza desmorona-se e é grande a sua ruína.


Concluímos que viver a pobreza em fraternidade é, antes de mais, seguir a doutrina e exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo, que diz: Se queres ser perfei­to, vai e vende quanto tens e dá o seu preço aos pobres, e terás um tesouro no Céu, e vem e segue-me. (Mt 19,2 1; 1 Reg. 1,2).


Continuando a comparar a nossa pobreza à casa que devemos construir e onde queremos viver, podemos atender a cinco aspectos fundamentais da mesma casa: a planta, a cor, as janelas, as portas e o telhado.


Se a vemos de longe, é a configuração do telhado que primeiramente nos é dado observar. Se a vemos de perto, o que mais imediatamente nos fere a sensibilidade é a luminosidade da sua cor: mais clara ou mais escura; mais viva ou mais mortiça; mais agressiva ou mais discreta, ou, então, a total ausência de cor!


Em segundo lugar, damo-nos conta das linhas da sua planta: maior ou mais pequena; mais linear ou complicada; mais tradicional ou mais ousada; com ou sem varandas e escadas!


A seguir, reparamos nas suas janelas: mais rasgadas ou menos abertas; mais desenhadas ou mais rectangulares; em maior ou menor número, em proporção à medida da planta.


Finalmente, detemo-nos a observar as portas: se largas ou mais estreitas; mais altas ou mais baixas; mais fortes ou mais frágeis; com desenhos de alto relevo ou mais lisas.


Vendo-a de fora, não conseguimos apercebermo-nos do recheio e da mobília. Mas tanto de fora como de dentro, há uma coisa que não conseguimos ver: os seus alicerces. O mais fundamental não se vê. E nos alicerces há um elemento ainda mais importante: a pedra angular.


Se o mais fundamental não se vê, nem por fora nem por dentro, o mais precioso só se vê por dentro: a beleza da decoração e a preciosidade da mobília.


Comparando a pobreza a esta casa, podemos dizer que a pedra angular que dá coeo aos alicerces e firmeza a todo o edifício é a pessoa adorável de Jesus! É Ele quem toma possível e dá fundamento à pobreza evanlica! Quem usufruir da sua amizade pessoal encontrou o tesouro escondido cujo valor supera infinitamente todos os outros valores.


A decoração e o recheio da mobília que só se vêem penetrando no interior da casa, significam a pobreza espiritual com todo o recheio das bem-aventuranças. É toda a riqueza dos dons do Espírito Santo. A felicidade e a alegria que estes dons nos transmitem fazem com que nos sejam supérfluas e incómodas todas as riquezas materiais. O Esrito de Jesus que nos inunda e se nos oferece enche-nos de vida, e vida em abundância!


Assim como quem se deleita com a beleza e a maravilha interior da casa ­ aposentos próprios, cozinha, lareira, dispensa recheada, sala dei jantar, sala de estar, conforto físico e acolhedor, alimenta<


Extraído de http://www.promapa.org.br/2006/index.php?pag=artigos&exibartigo=153 acesso em 21 nov. 2009.

Ilustração: São Francisco de Assis / Raffaello Sanzio. ca. 1504. Dulwich Picture Gallery, London, UK. Disponível em http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Raffaello_Sanzio_-_St._Francis_of_Assissi.jpg acesso em 21 nov. 2009.

sábado, 21 de novembro de 2009

200 Assinantes via FeedBurner

Dia 12 fev. p.p.
com alegria anunciei
que eramos 100 assinantes via FeedBurner.


Pois bem
com renovada felicidade informo
que em 9 meses dobramos este número
e agora somos 200.


Agradeço à todos
pelo prestígio que nos oferecem
e espero continuar
a atender vossas necessidades informativas
e reflexivas sobre cristianismo e franciscanismo.

A dimensão horizontal da Igreja

Publicamos a seguir um trecho do livro do vaticanista norte-americano John L. Allen Jr. (foto), intitulado "The Future Church: How Ten Trends Are Revolutionizing the Catholic Church" [A Igreja do futuro: Como dez tendências estão revolucionando a Igreja católica] (Ed. Doubleday Religion, 2009). O texto foi publicado no sítio National Catholic Reporter, 10-11-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

O jesuíta e sociólogo norte-americano Pe. John Coleman observou que, apesar de seus ricos recursos intelectuais e humanos, o Catolicismo desempenhou um curioso papel "subalterno" em grande parte dos debates contemporâneos sobre globalização, com a única exceção talvez no Jubileu do ano 2000, com a campanha pelo cancelamento da dívida. Na tentativa de dar conta desse desajuste entre o potencial da Igreja e seu impacto real, Coleman cita um estudo sobre ONGs de 1998, intitulado "Activists Beyond Borders" [Ativistas além das fronteiras], de Margaret Keck e Kathryn Sikkink, que defende que hoje os atores mundiais de sucesso geralmente são redes políticas frouxamente organizadas e sem múltiplas camadas de comando. Talvez, sugere Coleman, o modelo de organização hierárquico do Catolicismo não possui a flexibilidade necessária para se manter no intenso ritmo em que as coisas mudam em um mundo globalizado.

Para ser franco, o Catolicismo tem sim uma ampla variedade de atores horizontais de sucesso, na forma de ordens religiosas, movimentos leigos e uma ampla variedade de coalizões de base. Quando esses sujeitos somam forças, eles podem produzir resultados surpreendentes. Um exemplo disso surgiu nos debates nos Estados Unidos sobre o destino de Terri Schiavo, a mulher da Flórida em um estado vegetativo persistente que morreu em 2005 depois que seu suporte vital foi removido. Grande parte da energia católica em favor de manter Schiavo viva veio não das lideranças oficiais da Igreja, mas sim de uma ampla variedade de grupos pró-vida e movimentos formados largamente pela Internet para esse fim. Independentemente do posicionamento que se possa ter sobre essa instância, o fato ilustra a capacidade de um Catolicismo horizontal energizado mobilizar opiniões e obter resultados. Nesse caso, o movimento não evitou a morte de Schiavo, mas gerou um exame de consciência nacional em torno de questões sobre o fim da vida, que ainda é um trabalho em andamento.

Porém, Coleman indica que essa dimensão horizontal do ativismo católico continua subdesenvolvida, pelo menos em comparação com as estruturas verticais da Igreja. Remediar esse déficit não é primeiramente uma tarefa para a hierarquia. De fato, em muitos casos, sua contribuição mais valiosa pode ser ficar fora do caminho. A construção de um setor horizontal mais convincente e articulado na Igreja sobre questões esboçadas acima depende de uma parcela crescente de católicos leigos, especialmente da ampla maioria que não pertence a nenhum movimento ou grupo formais, que assumam sobre si a tradução de sua fé em ação. O autêntico Catolicismo horizontal não pode vir à existência por meio de um "fiat" hierárquico. Ele deve brotar das bases, refletindo uma determinação popular para que algo seja feito.

Esperar que o Vaticano ou os bispos ajam, ou culpá-los por fazer da forma errada, não é suficiente. É o cúmulo do clericalismo acreditar que tudo na Igreja depende de seu clero, ou que nada de útil pode ser feito até que Roma vire uma nova página. Essa posição lê erroneamente tanto a teoria quanto a prática de como a mudança funciona na Igreja. Quando todo o resto é removido, a responsabilidade principal da hierarquia é assegurar que, quando Cristo voltar, a fé ainda possa ser encontrada sobre a Terra. Por definição, de muitas maneiras, esse é um papel conservador, cauteloso, defensivo. Esperar também que a hierarquia seja o "agente de mudança" primordial no Catolicismo, a fonte principal de sua visão e de sua nova energia, é tanto injusto quando irreal. Emprestando-me de uma metáfora esportiva, é como esperar que a defesa marque todos os pontos. Quando um bispo se apresenta como um visionário, deveríamos receber isso como uma graça, mas esperar que isso seja o curso normal dos fatos é uma prescrição de azia.

Na realidade, a mudança no Catolicismo infiltra-se tipicamente pelas bases e então é sujeita a um longo período de discernimento teológico e espiritual em múltiplos níveis, bem antes de ser ratificada e assimilada pela hierarquia. A Igreja gerou ordens medicantes nos séculos XII e XIII, por exemplo, não por causa de um decreto papal que assim determinou, mas porque indivíduos criativos como São Domingos e São Francisco viram uma necessidade emergente e responderam a ela. Da mesma forma, a grande explosão de novos ensinamentos e ordens missionárias no século XIX foi o trabalho de católicas e católicos visionários que aproveitaram a iniciativa, geralmente lutando pelas suas vidas com superiores e bispos recalcitrantes, preocupados sobre aonde as coisas iriam parar.

A realidade simples é que, se o Catolicismo deve gerar a imaginação requerida para enfrentar os desafios das tendências que pesquisamos, essa não é principalmente uma tarefa para a hierarquia. Ela deve ser desenvolvida em comunhão com as lideranças da Igreja, claro, mas não pode depender delas. Pensar de outra forma é sucumbir a uma espécie de "eclesiologia lilás", na qual a Igreja é reduzida aos seus bispos. Sim, os bispos às vezes podem abusar de sua autoridade e podem reprimir artificialmente energias criativas. Sua precaução natural às vezes se traduz em rigidez ou fechamento. Em última instância, porém, o tempo e as marés não podem ser parados, e as boas ideias irão perdurar independentemente de qual seja a sua recepção inicial pelos poderes.

A questão real, entretanto, não é se os bispos estão à altura dos desafios do século XXI. A questão é se o resto de nós está.

Extraído de http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=27687 acesso em 21 nov. 2009.

CERTEZA ABSOLUTA


















CERTEZA ABSOLUTA

De uma coisa nós temos certeza absoluta, não estamos parados no tempo nem aqui é o nosso lugar definitivo, mesmo que queiramos. Nenhum ser natural existe em si e por si mesmo, essa é outra máxima que constatamos em nós por causa de nossa dependência mútua. Estamos no tempo, mas não somos do tempo, podemos até ser com o tempo, porém, devido à nossa realidade passageira, sabemos que ele é escasso e por isso não podemos perder tempo.

A vida que palpita em nós, nos impulsiona a crer e aceitar que nossa origem é divina, por isso mesmo, é para essa origem que nos dirigimos a cada instante que passa; a cada palpitar do coração; a cada sensação vivida no intímo de nossas almas. A única coisa que não passa em nosso meio são os valores eternos, porque eles nos perpetuam à medida que os cultivamos; assim sendo, a verdade, o amor, a bondade, etc. nos fazem viver a realidade em que estamos de maneira tão transparente que transpomos os limites de nossa contingência. Isto se dá porque esses valores vêem de Deus e nos une a Ele que nos faz, por seu Filho Jesus Cristo, participantes de sua natureza divina.

Discorrendo sobre o plano de Deus para a nossa salvação, são Paulo escreve: “Sede contentes e agradecidos ao Pai, que vos fez dignos de participar da herança dos santos na luz. Ele nos arrancou do poder das trevas e nos introduziu no Reino de seu Filho muito amado, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados. Ele é a imagem de Deus invisível, o Primogênito de toda a criação”.

“Nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as criaturas visíveis e as invisíveis. Tronos, dominações, principados, potestades: tudo foi criado por ele e para ele. Ele existe antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem nele. Ele é a Cabeça do corpo, da Igreja. Ele é o Princípio, o primogênito dentre os mortos e por isso tem o primeiro lugar em todas as coisas. Porque aprouve a Deus fazer habitar nele toda a plenitude e por seu intermédio reconciliar consigo todas as criaturas, por intermédio daquele que, ao preço do próprio sangue na cruz, restabeleceu a paz a tudo quanto existe na terra e nos céus”.

“Há bem pouco tempo, sendo vós alheios a Deus e inimigos pelos vossos pensamentos e obras más, eis que agora ele vos reconciliou pela morte de seu corpo humano, para que vos possais apresentar santos, imaculados, irrepreensíveis aos olhos do Pai. Para isto, é necessário que permaneçais fundados e firmes na fé, inabaláveis na esperança do Evangelho que ouvistes, que foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, fui constituído ministro”. (Col 1,12-23).

Caríssimos, não podemos esquecer que Deus é Amor; e quando vivemos o seu amor e praticamos o bem que Ele nos dá a praticar (cf. Ef 2,8-10), revelamos com o nosso proceder a presença do Seu Reino no meio de nós; “porque é em Deus que nós vivemos, nos movemos e somos” (At 17,28); sabemos, porém, que o nosso mundo não correspondeu e nem está correspondendo a esse amor de Deus por nós; por isso, o Senhor enviou o seu Filho para nos tirar da celeuma que causamos a nós mesmos, com o nosso modo de ser, de pensar e agir muito distante do seu propósito eterno; porque, de fato, nossa humanidade está vivendo como se Deus não existisse, como tudo se resumisse à loucura que atualmente presenciamos na face da terra.

Portanto, nós que vivemos a fé em Cristo Jesus e cultivamos a esperança na vida eterna, temos que manter viva essa nossa fé católica, porque como disse o Senhor: “Levantar-se-ão muitos falsos profetas e seduzirão a muitos. E, ante o progresso crescente da iniqüidade, a caridade de muitos esfriará. Entretanto, aquele que perseverar até o fim será salvo”. (Mt 24,11-13). Ora, “A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê”. (Heb 11,1). De fato, não vemos ainda, mas é Deus mesmo quem nos dá experimentar a Ressurreição do seu Filho como nossa ressurreição, fazendo-nos conhecer que somente a sua Vontade prevalece para sempre e que toda maldade tem um fim escatológico, ou seja, “o tanque de fogo e enxofre, a segunda morte”. (cf. Apo 21,8).

Quanto à salvação eterna dos justos, escreve São João no Apocalipse: “Vi, então, um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra desapareceram e o mar já não existia. Eu vi descer do céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a nova Jerusalém, como uma esposa ornada para o esposo. Ao mesmo tempo, ouvi do trono uma grande voz que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com eles e serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição. Então o que está assentado no trono disse: Eis que eu renovo todas as coisas. Disse ainda: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras”. (Apo 21,1-5). “Aquele que atesta estas coisas diz: Sim! Eu venho depressa! Amém. Vem, Senhor Jesus!” (Apo 22,20).

“A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós!” (2Cor 13,13).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Cristianismo e capitalismo: incompatíveis

"Há uma objetiva necessidade de superar a práxis predatória: estamos andando em meio à própria sobrevivência da espécie humana, ameaçada pela incidência de uma crise ecológica que o próprio sistema contribuiu fortemente para criar. Tal sistema também poderá sobreviver por um pouco de tempo, mas se tornará sempre mais claro que mantê-lo em vida se configura sempre mais como uma ‘tenacidade terapêutica’. Como cristão, ficarei verdadeiramente feliz se também as autoridades eclesiásticas se decidissem a retirar sem hesitação este doloroso espinho.”

Essa é a opinião do economista italiano e estudioso da globalização Cesare Frassineti, em artigo para a Agência Adista, 09-11-2009. A tradução é de Benno Dischinger.

Eis o texto.

A leitura da Encíclica de Bento XVI "Caritas in veritate" suscitou em mim uma série de considerações e uma in-terrogação de fundo.

Acima de tudo causou-me prazer que um documento dedicado às temáticas sociais tenha sido promulgado num momento de enorme sofrimento para a humanidade, sofrimento gerado pelo desencadeamento da crise econômica mais grave após a Grande depressão de 1929, da qual, não seja esquecido, se saiu de maneira substancial somente com a segunda guerra mundial (60 milhões de mortos).

Pareceu-me poder interpretar o evento como a busca de uma tradução na prática daquela “Caritas” à qual é dedicado o texto: uma convicta afirmação de solidariedade perante todos aqueles (veja os cem milhões de desempregados ou desocupados) que experimentam na própria pele os efeitos devastadores da crise. Considerei plenamente compartilhável a severidade da leitura do conjunto de degenerações produzidas pelas modalidades, com excessiva frequência perversas, com que veio se desenvolvendo o processo de globalização, sendo artífices as sociedades multinacionais e a indiscriminada liberdade de movimento dos capitais financeiros. Muito empenhativo e, ao meu juízo, indispensável é também o apelo (p. 34) ao princípio de gratuidade, à vida percebida como dom, da qual segue que “o ser humano é feito para o dom que exprime e atua a dimensão de transcendência”. Talvez o homem moderno esteja erroneamente convencido de ser o único autor de si mesmo, de sua vida, da sociedade”. (...).

Prosseguindo na leitura e entrando no mérito das modalidades de resposta ao desastre sócio-econômico, considerei muito interessante o apelo ao princípio de “subsidiaridade” (p. 61), segundo o qual é oportuno que se possa desenvolver da melhor forma tudo o que os cidadãos podem realizar através da auto-organização. A este respeito é certamente o caso de compartilhar a clarificação referida à p. 58, ou seja, que o princípio de subsidiaridade seja mantido em estreita conexão com o princípio de solidariedade, e vice-versa, porque, se a subsidiaridade sem solidariedade descamba para o particularismo social, também é verdade que a solidariedade sem a subsidiaridade decai no assistencialismo que humilha o portador da necessidade.

Estamos naquele vasto e interessante arquipélago de experiências associativas que vai sob a denominação de “terceiro setor” ou “privado social”, ao qual a Encíclica dedica um desenvolvimento temático muito extenso e favorável.

A esse respeito, ao concordar com esta concepção positiva, sinto, todavia, dever relevar – também por experiência direta no setor – que os valores dos quais é portador “o terceiro setor” estão em clara antítese com os do sistema econômico ainda dominante, isto é, o capitalismo: segue que todo propósito de consolidação e difusão do “terceiro setor” só pode conectar-se a um processo de superação dos paradigmas neoliberais.

A “terceira via” da Igreja oficial

Minha convicção em relação à inelidibilidade desta superação me induz a colocar a pergunta de fundo: por que a Igreja católica oficial jamais chegou a uma condenação clara e inequívoca do sistema capitalista?

Tento uma síntese rapidíssima do pensamento sócio-econômico expresso pela Igreja de Roma.

Desde a primeira encíclica social em sentido moderno, A "Rerum Novarum" de Leão XIII (1891), veio se delineando aquela que permanecerá como estrada mestra, ou seja, a elaboração de uma “terceira via” entre a cultura liberal e a socialista.

A dignidade da pessoa humana, entendida como sujeito único, destinado à eternidade e consequentemente chamado a relações de solidariedade com o próximo, está no centro da reflexão: preocupação constante é a de evitar, de um lado, exaltações acentuadas de interesse pessoal e, do outro, a convicção da absoluta prioridade do interesse coletivo.

Este percurso se vai aos poucos integrando com as sucessivas encíclicas sociais, como:

  • “Quadragesimo anno” de Pio XI (1931), que enuncia em particular o princípio de subsidiaridade;
  • “Pacem in terris” de João XXIII, que denuncia sem meios termos a iniqüidade da distribuição das riquezas: i-niquidade que pode induzir à guerra, da qual ele pronuncia uma das mais convincentes e severas condenações, definindo-a como “manifestação de loucura”.
  • “Populorum progressio” de Paulo VI, que acentua com determinação a condenação da miséria na qual vive a maioria dos homens e repisa com força a condenação da guerra;
  • “Centesimus Annus” de João Paulo II, na qual se enfrenta expressamente o tema do capitalismo, chegando, em extrema síntese, à conclusão de condenar a versão “selvagem” do capitalismo e de considerar, ao invés, aceitável o assim chamado “capitalismo de face humana”, quer dizer a liberdade de mercado num contexto de regras adequadas.

Sobreveio-me então esta consideração: do momento em que a opção da “Centesimus Annus”, na qual também Bento XVI se inspira, é em substância a que ainda segue a maioria dos economistas, poderia parecer lícito perguntar por que alguém, a começar por quem escreve, se surpreenderia e se interrogaria a propósito da adequação da Igreja oficial ao ponto de vista da maioria.

A resposta que sinto dever dar é também ela uma interrogação, isto é: do momento em que Jesus de Nazaré é a figura central de referência da Igreja e morreu na cruz, teria ele talvez sofrido este trágico fim para se adequar às orientações da maioria de seu tempo?

Contra as orientações da ordem constituída

Segundo o testemunho dos Evangelistas, a mensagem e a experiência de vida de Jesus se desenvolveram segundo linhas de radical contestação das linhas de poder consolidadas na Palestina de seu tempo.

  • À prepotência do ocupador romano, fundada no direito do mais forte, ele opôs os princípios revolucionários do “Sermão da Montanha”: “bem-aventurados os pobres, os sedentos de justiça, os construtores da paz” (Lc 6,20-25), e deixou aos discípulos um mandamento conturbador: “amai os vossos inimigos” (Lc 6,27-28).
  • Ao formalismo degenerando em hipocrisia da casta sacerdotal de Jerusalém, Jesus opôs a mensagem à samaritana: “Já não adorareis Deus sobre este monte e neste tempo, mas em espírito e verdade” (Jo 21, 23).

E, a propósito de Deus, Jesus, no silêncio das perguntas e da escuta das longas noites de oração (Lc 6/12), intuiu ser de estirpe divina tanto sua própria natureza como a de todos os homens: daqui deriva o apelativo afetuosamente familiar de Pai com que se dirige, de fato, a Deus. E, é precisamente nesta intimidade filial que o Nazareno consegue perceber e comunicar-nos as conturbadoras modalidades de amor pela justiça com que este Pai se manifesta aos próprios filhos, a começar pelos últimos: “derrubou os poderosos dos tronos,/ elevou os humildes;/ cumulou de bens os famintos,/ afastou de mãos vazias os ricos” (Lc 1, 52-53).

Como não sentir de qual conturbação das categorias do mundo Jesus se sente portador? É o que ele chama o advento do “Reino de Deus”, ou seja, a realização sobre a terra, para atualizar o Céu, dos valores fundantes da justiça e da não violência: e é por fidelidade ao “Reino” que Jesus morre crucificado como um sublevador da ordem constituída.

Mas então, caso se consiga demonstrar que o sistema capitalista (qualquer que seja sua qualificação) é, por sua própria natureza, injusto e violento, se teria implicitamente a resposta à pergunta de fundo em relação à compatibilidade do próprio sistema com a mensagem cristã.

A violência do capitalismo

Procuro aventurar-me na tentativa de desenvolver a demonstração que segue: o âmbito de referência é uma sintética análise do contexto e das modalidades com e pelas quais se determinou a crise economômico-financeira que estamos sofrendo.

1. Quanto ao contexto, é importante recordar que, desde a queda do muro de Berlim, “o mundo ocidental”, em particular o anglo-saxão, é atravessado por uma espécie de delírio de onipotência: reduziu-se o perigo de que um sistema alternativo ao capitalismo possa conquistar as massas mundiais e se tornar dominante. Os “animal spirits” do sistema vencedor tem à sua disposição o mundo inteiro e se esbaldam sem hesitação através de:

a) a absoluta liberdade de mercado, em obséquio à dogmática neoliberal que atribui à tutela do interesse pessoal o melhor critério para otimizar as escolhas;

b) a afirmação axiomática que economia real e finanças (consumos e lucros) devem expandir-se ao infinito, com as aberrantes consequências da precarização do fator trabalho – para inchar a acumulação – e da rapina dos recursos naturais;

c) a privatização selvagem das atividades econômicas e de serviço (veja-se a água) geridas pelos Entes Públicos;

d) uma estratégia fiscal em favor das classes possuidoras;

e) uma desregulamentação acelerada, principalmente no campo financeiro, com o efeito deletério de favorecer o comportamento audacioso das estruturas operativas do setor, até o limite do código penal (vejam-se os paraísos fiscais);

f) uma intensa concentração das empresas para fazer frente à dimensão mundial dos mercados, a assim dita globalização, da qual se tornam protagonistas aqueles dinossauros denominados corporation (multinacionais): um dos efeitos mais preocupantes é que, precisamente em virtude da força obtida (através da criação de oligopólios), as multinacionais, em muitíssimas realidades nas quais operam – a começar pelos Estados Unidos – conseguiram, em termos de dinâmicas de poder, afirmar de modo invasivo a própria vontade com respeito à prevalência do poder político estatal.

De quanto precede deriva um cenário social todo empostado sobre a tutela dos interesses poderosos que, precisamente por suas lógicas internas, só podiam gerar uma concentração escandalosa de riqueza, e portanto de poder, em detrimento de um substancial empobrecimento da maioria da população mundial, mesmo tomando em conta as mudanças determinadas pela surpreendente realidade chinesa e indiana.

  • É sintomático o andamento divergente das curvas dos lucros em relação às dos salários, em ascensão os primeiros, com lucro raso os segundos. Bastem estas duas considerações:
  • Para ganhar quanto os top manager das multinacionais, um trabalhador ocidental com um salário médio anual de 25.000 euros, deveria trabalhar entre 400 e 1.000 anos (nos anos 60 teriam bastado 40 anos): talvez seja de mau gosto perguntar-se quantos séculos deveriam trabalhar aqueles mais de 1,3 bilhões de pessoas que, ganhando dois dólares ao dia, não superam a linha de pobreza?
  • Em nível mundial se estima que os 20% mais ricos desfrutam dos 86% da riqueza produzida, enquanto os 40% mais pobres devem contentar-se com míseros 3%.

Ainda deixa margem de incerteza o conteúdo de injustiça e de violência do capitalismo? Mas, prossigamos.

2. Quanto às modalidades, assume particular relevo o assim chamado processo de financiarização da economia, vale dizer a desmesurada dilatação da atividade financeira em relação à produtiva. Como mencionamos mais acima, o sistema capitalista sobrevive somente numa lógica de crescimento contínuo: deve persegui-la a todo custo, também ao custo da guerra.

No decurso dos anos 70 se determinou um exaurimento das bases tecnológicas e econômicas do assim chamado fordismo, ou seja, da produção em massa de bens de consumo em mastodônticas estruturas produtivas (como de montagem, etc.). E, a progressiva saturação do mercado foi acompanhada pelo declínio da taxa de lucro. Assim, os patrões, para reconduzir ao alto os lucros – além de apostar na automação e robotização de processos produtivos inteiros sem redução das horas de trabalho, no deslocamento dos centros produtivos para áreas de salários achatados, em máximas acelerações fiscais, na liberdade de contaminação/poluição, na precarização acelerada do fator trabalho, com deletérios efeitos de alienação – embocaram sempre mais decididamente na estrada, precisamente, da financiarização.

“Isso quer dizer que, para compensar os lucros insatisfatórios da economia real, se organizaram (ver C. Marazzi, “Finanças queimadas” [Finanza bruciata], ed Casagrande, pp. 77 ss.) “dispositivos de produção e captação do valor produto no exterior dos processos diretamente produtivos”.

Vale dizer que, para acrescer o retorno do capital, se tornaram prioritários os valores de Bolsa em relação à multiplicidade dos “portadores de interesse” das empresas, como os assalariados, os fornecedores, os consumidores, o ambiente e as gerações futuras. As empresas se tornam sempre mais dependentes da produção de rendimentos (geração de dinheiro por meio de dinheiro) como opção para manter altos os lucros.

De outra parte, a progressiva instauração de situações de excesso de capacidade produtiva (valendo para todo o setor automobilístico) tornou necessário estimular o consumo através de paradoxais estruturas publicitárias, principalmente através de facilitações sempre mais voltadas ao endividamento, até aquela desolação técnica e moral representada, nos EUA, pelos assim ditos empréstimos sub prime, que concorreram de modo significativo para desencadear a crise em curso. (...)

Como se pode deduzir do precioso texto de L. Gallino “Con i soldi degli altri” [Com o dinheiro dos outros] (ed. Einaudi), é impressionante o peso dominador que as finanças vêm assumindo: uma massa enorme de poupança da ordem de 53.000 bilhões de dólares (aproximadamente igual ao PIB do mundo) é gerida por entes financeiros privados (Fundos de investimento, Fundos de pensões, Companhias de seguros, Fundos especulativos, etc. (...), chamados investidores institucionais que tem orientado o emprego do dinheiro recolhido em troca da aquisição de ações e obrigações. Determinou-se assim uma situação na qual mais da metade do capital acionário das primeiras cem empresas por valor bolsístisco nos EUA, na França, Alemanha e Reino Unido se encontra na carteira destes investidores institucionais, cujos representantes nos Conselhos de Administração das sociedades partícipes tem recebido o mandato de indicar os 15% como rendimento mínimo do capital investido, a se realizar preferivelmente no breve prazo. Neste quadro, é bastante evidente que os investidores não se fazem escrúpulo se esses rendimentos são assegurados por sociedades que traficam em armas ou por multinacionais empenhadas no desflorestamento da Amazônia. (...)

O sistema capitalista, em relação às debilidades da eco-nomia real, procurou salvar-se com a “financiarização”. Mas, também esta última, por suas dinâmicas internas, gera instabilidades nos mercados: a gestão do dinheiro e dos seus títulos representativos não tem as ancoragens objetivas de referência da economia real, enquanto se ressente fortemente das reações humorais dos operadores: o coeficiente de risco dos títulos financeiros, enquanto construídos sobre sofisticadíssimos cálculos matemáticos, não consegue cobrir a totalidade das possíveis reações subjetivas aos estímulos externos.

Uma demonstração empírica desta instabilidade deriva da constatação que, desde quando as finanças chegaram a posições de domínio sobre os mercados (em torno da metade dos anos 80), aproximadamente a cada dois anos e meio se verificou uma crise financeira, até aquela que estamos vivendo, a qual, por sua carga devastadora, absolutamente não pode ser confrontada com as precedentes, configurando-se como verificação histórica de uma progressiva falência do sistema.

Obviamente os interesses constituídos fazem todo esforço para tornar crível a tese que antes ou depois tudo voltará a ser como antes, salvo a necessidade de controles mais eficazes. E, nesta ótica conseguiram obter vagões de dólares e variados valores para “fazer recuperar a operacionalidade” de bancos, investidores institucionais e empresas: o absurdo é que, quanto maiores são as falências, tanto maior é a probabilidade de sobrevivência, porque tanto é o que paga Pantaleão, o tão esconjurado e ineficiente Estado. É a enésima situação do engano, do furto tornado institucional, segundo o qual os úteis pertencem ao privado e as perdas à coletividade.

Há uma objetiva necessidade de superar esta práxis predatória: estamos andando em meio à própria sobrevivência da espécie humana, ameaçada pela incidência de uma crise ecológica que o próprio sistema contribuiu fortemente para criar. Tal sistema também poderá sobreviver por um pouco de tempo, mas se tornará sempre mais claro que mantê-lo em vida se configura sempre mais como uma “tenacidade terapêutica”. Como cristão, ficarei verdadeiramente feliz se também as autoridades eclesiásticas se decidissem a retirar sem hesitação este doloroso espinho.

Extraído de http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=27676 acesso em 20 nov. 2009.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

AINDA BEM...
















AINDA BEM...

A vida em sua formosura...
É ternura de Deus para conosco...
É beleza infinda...
Porque só Deus conhece a vida como ela é...
Porém, nos dá a viver esse Seu Mistério...
para que participemos do Infinito de Sua Liberdade...

Porém, aqui nesse nosso mundo...
os homens, infelizmente, ainda não entenderam...
as intenções do nosso divino autor...
Por esse motivo a vida para eles não vale nada...
Trocam-na por paixões depravadas...
Trocam-na por migalhas de emoções...
Sentimentos banais e más intenções...
E por isso vivemos em uma sociedade de marginais...
Onde impera a mentira e a violência...
Como se fôssemos seres irracionais...

É triste constatar tudo isso...
É triste ver os homens em precipício...
desperdiçando tantos dons excepcionais...
É triste ver criaturas tão lindas...
perdidas nas esquinas da vida...
mergulhadas em terríveis vícios...
Sem contar outros comportamentos infernais...

E o que dizer da natureza que está sendo vilipendiada?
Essa destruição resulta da ganância exacerbada...
que dilacera dia e noite, noite e dia...
Nossas matas...
Nossos rios...
pelo simples desvario...
de criaturas que foram criadas somente para amar...
mas, por causa da cegueira espiritual...
não percebem o mal que fazem...

O que fazer, então?
Porque ao que parece não há mais solução...
para que haja salvação nesse nosso habitat natural...
Visto que,
os homens lhe causam tanta mal e desperdício...
que não sabemos como contê-los...
nesse intento perverso e destruidor...

Pensando bem, realmente estamos perdidos...
porque deixamos as Leis de Deus de lado...
para cultivarmos o pecado como única herança...
Logo...
não há mais bonança...
que possa nos salvar...


Senhor, socorre-nos em teu amor...
Porque, infelizmente, a vida não é mais vida...
Ela parece mais uma coisa esquecida...
Que foi posta de lado por causa da ganância...
e de todo pecado que se comete cá em nosso meio...
como seres em agonia terminal...
por fazerem tanto mal a si mesmos...
e ao resto da criação...

Não quero ser pessimista...
Não quero proclamar oráculos escatológicos...
Mas tenho que ser realista...
Esse nosso mundo está em vias de dar o último suspiro...
E o que dizer de tudo isso?
Ainda bem, caso contrário,
não sobraria ninguém entre nós para a Nova Criação...
que está prestes a emergir...
como fruto do resto dos justos...
que ainda está aqui...


Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

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