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quinta-feira, 19 de julho de 2012

O QUE DIGO, O FAÇO COM O DESEJO DO CÉU PARA TODOS...



O QUE DIGO, O FAÇO COM O DESEJO DO CÉU PARA TODOS...


Amnésia espiritual...

Ø  Para aqueles que esquecem Deus e procuram seguir outro caminho senão o caminho da ressurreição, a vida é um não que segue em direção ao nada. Porém, se voltam arrependidos o Senhor os recebe como filhos pródigos, porque sua misericórdia é infinita...

Sacrifício Sacerdotal

Ø  Ser sacerdote é viver em Deus, com Deus e para Deus toda consagração a Ele oferecida, é doar a própria vida com Jesus na Eucaristia... Ser sacerdote é ser um ser imolado com Jesus no altar cada dia... É carregar a cruz com ousadia de quem vai chegar por ela nos céus, na glória do Filho de Deus, no convívio dos santos e santas que o Senhor santificou...

Evitando julgamentos...

Ø  Quem sou eu para julgar? Porque sem a graça de Deus, quem sou eu? Nada... Deus não me fez juiz de nenhuma de suas criaturas, mas um réu como todas, assim, não posso julgar ou condenar ninguém nem a mim mesmo... (cf. 1Cor 4,1-5).

Aprendendo com o tempo...

Ø  Aprendi que o tempo é precioso como ouro, pois quando bem aproveitado, torna-se um bem eterno, especialmente quando o vivemos para glorificar a Deus com nossa vida... Pois Deus é o Senhor do tempo e da eternidade e de tudo o que há...

“Basta-te minha graça”.

Ø  Senhor, que quero eu fora de tua graça? Nada, porque somente a tua graça me basta. (2Cor 12,9-10).


Se pondo no devido lugar

Ø  “O verdadeiro humilde sempre duvida das próprias virtudes e considera mais seguras as que vê no próximo”. (Stª Tereza D’Avila). (cf. Lc 18,14b; Mc 9,35; Gal 5,26; Rm 12,3)

Cuidado com a incoerência

Ø  Nada mais asqueroso do que palavras ditas, porém, não advindas dos bons exemplos... Pois foi assim que se portaram aqueles que perseguiram e mataram Jesus... (cf. Mt 16,6.12; Lc 11,46; Tg 1,23-26).


A brevidade ou perenidade da vida...

Ø  O bom da vida é que ela é eterna se a vivemos para Deus, pois aqui neste mundo tudo passa, só permanece quem faz integralmente a sua vontade... Ora, só se vive uma vez (cf. Heb 9,27), então, que essa única vez seja realmente em conformidade com a vontade do Senhor, porque os bens que dela advêm são eternos, inclusive a própria vida...


Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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quarta-feira, 18 de julho de 2012

UM EXEMPLO DE VIDA QUE ILUMINA NOSSA VIDA



UM EXEMPLO DE VIDA QUE ILUMINA NOSSA VIDA: BEATA CHIARA BANDANO


Chiara Badano nasceu em Sassello, cidade dos Apeninos lígures, que pertence à diocese de Acqui, no dia 29 de outubro de 1971, depois que os pais a aguardaram por 11 anos. O seu nome é Chiara (Clara, em português) e ela era assim, com seus olhos límpidos e grandes, com o sorriso doce e comunicativo, inteligente e determinado, vivaz, alegre e esportiva. Foi educada pela mãe com as parábolas do Evangelho a conversar com Jesus e a lhe dizer “sempre sim”.

Era uma menina saudável, gostava da natureza e de brincar, mas desde pequena se distinguia pelo amor que tinha por aqueles que eram considerados os “últimos”, a quem cobria de atenções e de serviços, muitas vezes renunciando a momentos de divertimento. Já no Jardim de Infância colocava as suas economias numa pequena caixa para as “crianças de cor” e sonhava em poder um dia ir à África como médica para cuidar delas.

Foi uma menina normal, mas com algo mais, com uma sensibilidade às coisas divinas. No dia da sua primeira Comunhão recebeu de presente o livro dos Evangelhos. Foi para ela um “magnífico livro” e “uma extraordinária mensagem”, como afirmou: “Para mim, é fácil aprender o alfabeto, deve ser a mesma coisa viver o Evangelho!”.

Aos 9 anos entrou como Gen (geração nova) no Movimento dos Focolares. Viveu a sua espiritualidade e pouco a pouco envolveu os pais. Desde então a sua vida foi um contínuo crescimento para colocar Deus como primeiro lugar de sua vida.

Prosseguiu os estudos até o Liceu clássico, mas aos 17 anos, de repente uma dor aguda no ombro esquerdo revelou nos exames e nas inúteis operações um osteossarcoma (tumor maligno nos ossos), que deu início a um calvário de dois anos aproximadamente. Depois que ouviu o diagnóstico, Chiara não chorou nem se revoltou: ficou imóvel em silêncio e depois de 25 minutos saiu dos seus lábios o sim à vontade de Deus. Repetirá muitas vezes: “Se é o que você quer, Jesus, é o que eu quero também”.

Não perdeu o seu sorriso luminoso; enfrentou tratamentos dolorosos e arrastava no mesmo Amor quem dela se aproximava. Ela não aceitou receber morfina para não perder a lucidez e oferecia tudo pela Igreja, pelos jovens, os ateus, pelo Movimento dos Focolares, pelas missões, permanecendo serena e forte. Repetia: “Não tenho mais nada, contudo tenho o meu coração e com ele posso sempre amar”.

O seu quarto, no hospital em Turim e em casa, era um lugar de encontro, de apostolado, de unidade: era a sua igreja. Também os médicos, até mesmo aqueles não praticantes da religião, ficavam desconsertados com a paz que se sentia ao seu redor e alguns se reaproximaram de Deus. Eles se sentiam atraídos como por um ímã e ainda hoje se recordam dela, falam sobre ela e a invocam.

Quando sua mãe lhe perguntou se ela sofria muito, Chiara respondeu: “Jesus tira de mim as manchas dos pontinhos pretos com a água sanitária e isso queima. Quando eu chegar ao Paraíso serei branca como a neve”. Estava convencida do Amor de Deus por ela. De fato, afirmava: “Deus me ama imensamente” e, depois de uma noite particularmente dura, acrescentou: “Sofria muito, mas a minha alma cantava…”.

Os amigos que a visitavam para consolá-la voltavam para casa consolados. Pouco antes de falecer, ela revelou: “Vocês não podem imaginar como é agora o meu relacionamento com Jesus… Sinto que Deus me pede algo mais, algo maior. Talvez seja ficar neste leito por anos, não sei. Interessa-me unicamente a vontade de Deus, fazê-la bem no momento presente: aceitar os desafios de Deus. Se agora me perguntassem se quero andar (a doença chegou a paralisar as pernas com contrações muito dolorosas), eu diria não, porque assim estou mais perto de Jesus”.

Chiara, pela insistência de muitos, num bilhetinho, escreveu a Nossa Senhora: “Mãezinha Celeste, eu te peço o milagre da minha cura; se isso não for vontade de Deus, peço-te a força para nunca ceder!”. E ela permaneceu fiel a este propósito.

Desde muito jovem fez o propósito de não “doar Jesus aos amigos com as palavras, mas com o comportamento”. Mas nem sempre isso era fácil e ela repetiu algumas vezes: “Como é duro ir contra a corrente!”. E para conseguir superar cada obstáculo, repetia: “É por ti, Jesus!”.

Para viver bem o cristianismo, Chiara procurava participar da missa todos os dias, quando recebia Jesus Eucaristia, a quem tanto amava. Lia a palavra de Deus e a meditava. Muitas vezes refletia sobre a frase de Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares: “Serei santa se for santa já”.

Quando viu sua mãe preocupada, pois ficaria sem ela, Chiara continuou a repetir: “Confie em Deus, pois você fez tudo”; e “Quando eu tiver morrido, siga Deus e encontrará a força para ir em frente”.

Acolhia com amabilidade quem vai visitá-la; escutava e oferecia o próprio sofrimento. Nos últimos encontros com o seu Bispo, manifestou um grande amor pela Igreja. Enquanto isso, a doença avançava e as dores aumentavam. Nenhum lamento, dos seus lábios só se ouvia: “Com você, Jesus, por você, Jesus!”.

Chiara se preparou para o encontro com Deus: “É o Esposo que vem me encontrar” e escolheu o vestido de noiva, as canções e as orações para a “sua” Missa; o rito deveria ser uma “festa”, onde “ninguém deverá chorar”.

Recebendo pela última vez Jesus Eucaristia, fica imersa Nele e pede que seja recitada a oração: “Vinde Espírito Santo, mandai do Céu um raio da tua luz”.

O nome “LUCE” (LUZ) lhe foi dado por Chiara Lubich, com quem teve um intenso e filial relacionamento desde pequena.

Não teve medo de morrer. Disse à sua mãe: “Não peço mais a Jesus para vir me pegar e me levar para o Paraíso, porque quero ainda lhe oferecer o meu sofrimento para dividir com ele ainda por um pouco a cruz”. Uma vez disse sobre os jovens: “Os jovens são o futuro. Eu não posso mais correr. Porém, gostaria de lhes passar a tocha, como nas Olimpíadas. Os jovens têm uma vida só e vale a pena empregá-la bem!”.

E o “Esposo” veio buscá-la no amanhecer do dia 7 de outubro de 1990, depois de uma noite muito dolorosa. Era o dia da Virgem do Rosário. Estas foram suas últimas palavras: “Mãezinha, seja feliz porque eu o sou. Adeus”. Ela também fez a doação das suas córneas.

O enterro foi celebrado pelo Bispo de então e dele participaram centenas de jovens e muitos sacerdotes. Os integrantes do Gen Rosso e do Gen Verde tocaram as canções escolhidas por ela.

O exemplo luminoso de Chiara atinge muitos corações de jovens e adultos, os move e os orienta a Deus.

A sua “fama de santidade” se estendeu imediatamente em várias partes do mundo, rendendo muitos “frutos”. Dom Livio Maritano, Bispo da Diocese de Acqui, no dia 11 de junho de 1999 abriu o Processo pela a Causa de Canonização. No dia 3 de julho de 2008 ela foi declarada Venerável com o reconhecimento do exercício heróico das virtudes teologais e cardeais. No dia 19 de dezembro de 2009, o Papa Bento XVI reconhece o milagre atribuído à intercessão da Venerável Chiara Badano, e assinou o Decreto para a sua Beatificação.

O bispo de Acqui, que começou o processo de estudo da vida de Chiara Luce para apresentá-la como modelo de vida cristã e a conheceu pessoalmente, justificou a sua iniciativa com as seguintes palavras: “Pareceu-me que o testemunho dela fosse significativo em particular para os jovens. Também hoje se precisa de santidade. É preciso ajudar os jovens a encontrar uma orientação, um objetivo, a superar inseguranças e solidão, os seus enigmas diante dos insucessos, da dor, da morte, de todas as suas inquietações. É surpreendente esse testemunho de fé, de força por parte de uma jovem de hoje: toca e leva muitas pessoas a mudar de vida. Temos prova disso quase todos os dias”.

Paz e Bem!


Site oficial em italiano: http://www.chiaralucebadano.it/

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quinta-feira, 12 de julho de 2012

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: É A TUA SABEDORIA SENHOR QUE NOS CONDUZ...



CRÔNICAS DE MINHA ALMA: É A TUA SABEDORIA SENHOR QUE NOS CONDUZ...

Nós cristãos somos aqueles que pela graça de Deus, trilhamos o caminho da fé para o encontro definitivo com Ele, por isso, sabemos também aonde vamos chegar, pois caminhamos rumo ao único objetivo traçado pelo Senhor, o Seu Reino de Justiça e Paz. Ora, o passaporte para chegarmos ao destino final é a santidade do Senhor presente em nossa vida e que manifestamos por meio de nossas ações, pois Deus nos deu o Seu Espírito para nos conduzir, e Ele mesmo vai à nossa frente até atingirmos a meta desejada, que para nós determinou em seu desígnio de amor. (cf. Jo 17,1-26).

Jesus, quando de sua estadia no meio de nós em sua humanidade, nos mostrou que Ele mesmo é o Caminho da perfeição que nos leva à glória de Deus Pai; também nos ensinou que é a Verdade que nos dá a vida eterna. Porquanto, ao trilharmos seu caminho de perfeição, por meio dos Santos Mandamentos, vivemos a perfeita obediência amorosa, isto porque os mandamentos são escudo de proteção que nos guarda da maldição e da morte que o pecado traz em si, visto que o pecado é um veneno letal que vai dando cabo da vida aos poucos até extingui-la totalmente; enquanto que o estado de graça advindo da obediência e da vida sacramental no mantem em perfeita sintonia com a vontade de Deus, conforme seu divino plano de amor para a nossa salvação.

Assim, por Sua Sabedoria o Senhor vai conduzindo os Seus filhos e filhas até atingirmos o Supremo Bem, a deificação de nossas almas, quando o mal será totalmente extirpado juntamente com o diabo e seus sequazes; então a justiça divina brilhará no Reino dos justos, daqueles que foram redimidos pelo Sangue precioso de Jesus, que tem todo poder sobre o céu e sobre a terra. Com Ele formaremos a unidade perfeita no seio da Santíssima Trindade, onde a felicidade não tem fim. É isso que nos ensinou São Paulo quando escreveu aos Colossenses: “Sede contentes e agradecidos ao Pai, que vos fez dignos de participar da herança dos santos na luz. Ele nos arrancou do poder das trevas e nos introduziu no Reino de seu Filho muito amado, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados”. (Col 1,12-14).

E ainda: “Jesus é a imagem de Deus invisível, o Primogênito de toda a criação. Nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as criaturas visíveis e as invisíveis. Tronos, dominações, principados, potestades: tudo foi criado por ele e para ele. Ele existe antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem nele. Ele é a Cabeça do corpo, da Igreja. Ele é o Princípio, o primogênito dentre os mortos e por isso tem o primeiro lugar em todas as coisas. Porque aprouve a Deus fazer habitar nele toda a plenitude e por seu intermédio reconciliar consigo todas as criaturas, por intermédio daquele que, ao preço do próprio sangue na cruz, restabeleceu a paz a tudo quanto existe na terra e nos céus”. (Col 1,15-20).

Portanto, precisamos permanecer fiéis e perseverantes até o fim, “porque aquele que perseverar até o fim será salvo”. (Mt 24, 13). Pois assim nos ensinou o Senhor: “Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, e eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar. Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e tomar-vos-ei comigo, para que, onde eu estou, também vós estejais”. (Jo 14,1-3). “Referi-vos essas coisas para que tenhais a paz em mim. No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo”. (Jo 16,33).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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terça-feira, 10 de julho de 2012

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: APRENDI A PENSAR EM DEUS...



CRÔNICAS DE MINHA ALMA: APRENDI A PENSAR EM DEUS...

O intelecto é uma das faculdades da alma, é nele que geramos os pensamentos, os raciocínios, todas as nossas opiniões e decisões que tomamos. Também nele armazenamos os conhecimentos adquiridos e produzimos os frutos de nosso aprendizado. Isso acontece, porque o espírito humano é como um HD (Hard Disk) onde gravamos nossas experiências, colocando-as em nossas memórias permanentes para depois trabalharmos elas e aperfeiçoa-las.

Ora, como somos seres para Deus, porque aqui no mundo não ficamos por muito tempo, precisamos aprender a conviver com Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo, e com seus anjos e santos, desde já, pois nossa naturalidade não está desligada de Sua Eternidade, ao contrário, nossa naturalidade é sustentada por Sua Eternidade. Por isso, precisamos cultivar o viver eterno a cada passo dado para Ela. Isso requer de nós uma conduta digna de quem recebeu o batismo e por ele a vida nova dos filhos e filhas de Deus, para vivermos em permanente comunhão de amor com Ele.

Desse modo, toda experiência que fazemos tem que ser uma experiência com Deus e para Deus, mesmo quando agimos naturalmente, visto que só Deus é e nunca deixa de ser; enquanto nós só o somos se vivemos Dele com Ele e para Ele, porque sem Ele nada do que existe permanece. Ora, sabemos que no Reino de Deus não há pecado, e todos os pecados que aqui existem desaparecerão, e todos os males sumirão, assim como todos os que os praticam, se não se converterem, porque em Deus só permanece o que comunga com Sua Santa Vontade, porque o Senhor é infinitamente Santo e nos quer santos como Ele É. Portanto, o pecado não pode mais fazer parte de nossa vida.

Com efeito, na minha experiência cotidiana com o Senhor, tenho me esforçado como aprendiz de santo a cada instante, suplicando que Ele me comunique Sua Graça inefável, seja pelo arrependimento sincero dos meus pecados, confissão e absolvição sacramental quando falho diante Dele; seja pela obediência incondicional aos seus mandamentos; seja ainda pelo santo temor que traduzo em profundo respeito e amor ao Senhor acima de todas as coisas. Por isso, peço que o Senhor me dê um coração manso e humilde como o Seu e me faça seu servo permanentemente e que nunca me perca de vista, porque nada mais quero neste mundo fora da vontade Dele, pois o servo só faz o que o seu Senhor manda e é pra isto que estou aqui. Suplico ainda, que o Senhor nos conceda a graça de termos como fonte de todos os nossos pensamentos a sua Divina Palavra, porque desse modo faremos com que todas as nossas ações nasçam de Sua Santa Vontade, para que ela se cumpra verdadeiramente no meio de nós.

De certo, assim aprendi a pensar no Senhor, não como se Ele estivesse lá em cima no céu e nós aqui na terra, se bem que a Sagrada Escritura revela que “o céu é a morada de Deus e a terra é o escabelo de seus pés”, todavia, a Onipotência, Onisciência e Onipresença divina me fazem crer firmemente que somos transparentes diante de Seus Olhos e que nada escapa ao seu fulgor. Por isso, também creio que vivemos sob sua constante proteção; e que isso só não acontece quando nos desligamos Dele pelo pecado mortal cometido, porque pecar mortalmente é se desligar de Deus no qual não existe nenhum vestígio de pecado e muito menos algum princípio funesto.

Destarte, façamos essa oração: Ó Senhor Deus, Tu és o Princípio e o fim de todas as coisas, em Ti tudo se firma e tudo crescer. Por Teu Amor Infinito de Pai, nos criastes à tua “imagem e semelhança” e quando pecamos, afastando-nos de Ti, quisestes nos resgatar enviando o teu Filho, Jesus Cristo, até nós, concebido pela ação Espírito Santo e nascido da Virgem Maria, para que tivéssemos o perdão dos pecados e a vida nova do mundo que há de vir, onde reinaremos eternamente com Ele, teu Cordeiro Imolado que tirou o pecado do mundo e nos gerou para a vida eterna, junto de Ti, ó Pai, que vives e reinas para sempre. Amém!

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

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Senhor, que quero eu fora de tua graça? Nada, porque tua graça me basta. “Afora vós, o que há para mim no céu? Se vos possuo, nada mais me atrai na terra. Meu coração e minha carne podem já desfalecer, a rocha de meu coração e minha herança eterna é Deus. Sim, perecem aqueles que de vós se apartam, destruís os que procuram satisfação fora de vós. Mas, para mim, a felicidade é me aproximar de Deus, é pôr minha confiança no Senhor Deus, a fim de narrar as vossas maravilhas diante das portas da filha de Sião”. (Sl 72,25-28).

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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Teologia pública

Artigo de Johan Konings

"A teologia, explicação de nossa percepção de Deus e de nossa fé, não deve ficar reservada a correligionários usando jargão inacessível. Não é só para padres e assemelhados, enquanto para os fiéis comuns bastaria o Catecismo. Aliás, o próprio Catecismo se apresenta na linguagem da teologia ensinada nos seminários... Melhor seria se fosse a da teologia pública!", escreve Johan Konings, professor de exegese bíblica na FAJE - Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, em Belo Horizonte, onde recebeu o título de Professor Emérito em 2011, em artigo publicado no sítio Dom Total, 04-07-2012.
Eis o artigo.


Já me disseram que alguns dos meus artigos caberiam melhor na rubrica ‘religião’. Não concordo.  Minhas reflexões sobre o ser cristão devem ter um lugar no espaço público, ao lado da economia e do futebol. Ainda que Deus me seja mais íntimo do que meu próprio íntimo, como disse Agostinho, o lugar onde ele manifesta sua presença é o mundo que eu habito e que me habita – e que me dá as palavras do meu dizer.

Deus não é um passageiro clandestino, confinado no espaço sagrado. A fé em Deus não é propriedade particular, mas riqueza a ser partilhada. A teologia, explicação de nossa percepção de Deus e de nossa fé, não deve ficar reservada a correligionários usando jargão inacessível. Não é só para padres e assemelhados, enquanto para os fiéis comuns bastaria o Catecismo. Aliás, o próprio Catecismo se apresenta na linguagem da teologia ensinada nos seminários... Melhor seria se fosse a da teologia pública!

Convém que a explicação da fé cristã seja oferecida no espaço público, em diálogo com os interlocutores honestos e sinceros que aí se encontrarem, crentes ou não. Em primeiro lugar, porque aquilo que não se pode explicar aos outros ‘animais racionais’ talvez não seja racional. Por racional não entendemos o raciocínio formal, silogístico, mas aquilo que razoavelmente se pode conversar com as pessoas normais, mostrando que faz sentido e não é absurdo.

Uma segunda razão para o diálogo público da teologia é que esta se insere numa tradição cultural, dela se alimenta e, por sua vez, a enriquece. Os autores bíblicos não recearam acolher, dos povos vizinhos, determinadas imagens, símbolos e conceitos que traduzissem a própria percepção de Deus –adaptando-os e marcando as devidas diferenças. Isso lhes permitia dialogar com seus semelhantes que encontravam no intercâmbio cultural, comercial etc. O grande exemplo de ‘inserção cultural’ foi a teologia dos primeiros cristãos, que traduziram os conceitos e imagens bíblicos, enraizados na cultura judaica, para o mundo grego e latino, contribuindo decisivamente para a cultura da Ásia ocidental e da Europa.

Uma terceira razão é que a teologia pode apontar para todos os dotados de razão os limites dessa mesma razão, e isso faz bem. É importante poder dizer, em termos que as pessoas em geral entendem, que nossa percepção humana não é a última palavra (nem a primeira). A teologia traduz para a compreensão universal almejada pela racionalidade – e consciente dos limites desta –, a percepção subjetiva da transcendência, a poesia e a mística, sem as quais o ser humano, crente ou não, se torna inumano.

Uma quarta razão é que a teologia fala de coisas práticas que devem ser partilhadas com os demais sujeitos no espaço humano e cidadão. Por exemplo, a questão operária. Toda a tradição bíblica judaica e cristã insiste no tratamento justo do trabalhador. “No próprio dia darás ao trabalhador seu salário, antes do pôr do sol” (Deuteronômio 24,15). Isso não pode ficar escondido no debate público em torno do trabalho. Outro exemplo: o cuidado do meio ambiente. A representação bíblica de Adão como jardineiro e cuidador do jardim do Éden (Gênesis 2,15) contém uma mensagem para o atual debate. O mesmo se diga da unidade de homem e mulher, unidos em amor constante, que se desprende de Gênesis 2,23-24. O crente não pode guardar suas convicções práticas para si, a não ser que se encapsule numa sociedade à parte. O que, hoje em dia, seria impossível, pois há muito gente se movimentando no mesmo espaço...

Na mesma linha, em vista inclusive da atual histeria em torno do ‘Estado laico’ – que já espetei e tornarei a denunciar –, não se pode excluir do espaço público, nem da discussão política, compreensões da vida humana e opções práticas inspiradas pela convicção religiosa. Esta é tão humana quanto uma ideologia política. Desde que tal convicção seja argumentada em contexto e modo democráticos.

Finalmente, importa contemplar o diálogo entre as diversas religiões e mundivisões, mesmo ateias ou agnósticas. Mas isso exige uma explanação mais ampla, que deixo para outra oportunidade.

Cristãos menos acostumados a esta abordagem talvez temam que tal teologia saia do âmbito da fé e se torne ‘secularizada’. Isso seria perigoso somente se ‘secular’ significasse alheio a Deus. Mas se se entende por secularidade o que diz respeito à realidade do mundo (‘saeculum’ em latim significa mundo), é um grande avanço para a fé, pois torna Deus mais presente no mundo que ele mesmo fez e faz surgir. A ‘encarnação’ de Deus é uma doutrina fundamental da fé cristã. Por isso, o mundo humano deve ser o mundo em que a presença e ação de Deus são ‘levados à fala’. Entre pessoas respeitosas, deve ser tão natural falar de Deus e de sua fé como falar de futebol (o que também só se deve fazer com pessoas que tenham respeito...).

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