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sábado, 18 de janeiro de 2014

A LÓGICA DA GRAÇA...


A LÓGICA DA GRAÇA...

Tudo o que é autêntico, é verdadeiro, é honesto, é bom, é puro e nos foi dado somente para o bem. Assim é a vida e tudo o que a mantém; perder essa autenticidade é perder tudo é perder a própria vida. E quando perdemos tudo até a própria vida é porque perdemos Deus, pois nenhuma criatura subsiste por muito tempo sem a graça de Deus.

No princípio Deus criou todas as coisas e por fim criou o homem e a mulher como “imagem e semelhança” sua, e isto num paraíso; deu-lhe o perfeito estado de graça que consistia viver em comunhão com Ele, seu Criador e Pai; e para que não perdesse esse estado de graça deu-lhe o dom do trabalho e o único preceito: Podes comer do fruto de todas as árvores do jardim; mas não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal; porque no dia em que dele comeres, morrerás indubitavelmente.” (Gn 2,16). Desse modo, o homem tinha todos os bens para fazer uso fruto deles; e deu-lhe o estado de graça permanente, a visão beatífica do Senhor, e o poder de governar a terra, como um paraíso, contanto que obedecesse e assim se multiplicasse, permanecendo fiel ao Boníssimo Senhor e Deus de toda vida.

Mais aí veio a tragédia do pecado e o inferno que ele trouxe para dentro do homem e para todas as suas ações. Assim o homem começou a governar a terra a partir do pecado, e o seu estado de alma ficou comprometido pela presença e o domínio do inimigo, pois toda vez que o homem peca, fica submetido e oprimido pelo mal que praticou; como o Senhor mesmo disse: “Em verdade, em verdade vos digo: todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo”. (Jo 8,34).

Com efeito, como Deus não deixa inacabada a obra de suas mãos, por isso, não deixou o homem a mercê do pecado nem do inimigo que lhe transmitiu tal pecado, mas enviou seu Filho amado, Jesus Cristo, para nos libertar do castigo da morte que o pecado trouxe, e do inferno no qual o homem se precipitou quando se submeteu ao mal pela desobediência praticada. É exatamente isso que nos ensinou São Paulo na carta aos Romanos: ”De agora em diante, pois, já não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo. A lei do Espírito de Vida me libertou, em Jesus Cristo, da lei do pecado e da morte. O que era impossível à lei, visto que a carne a tornava impotente, Deus o fez. Enviando, por causa do pecado, o seu próprio Filho numa carne semelhante à do pecado, condenou o pecado na carne, a fim de que a justiça, prescrita pela lei, fosse realizada em nós, que vivemos não segundo a carne, mas segundo o espírito”. (Rm 8,14).

Todavia é preciso que nos deixemos conduzir pelo Espírito Santo, do qual nascemos no Batismo, para que não voltemos à prática do pecado que é porta de entrada do mal em nossa vida. Pois assim escreveu, São Paulo, nessa mesma carta: “Portanto, irmãos, não somos devedores da carne, para que vivamos segundo a carne. De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis, pois todos os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus”. (Rm 8,12-14). Ou seja, o Batismo nos conferiu o estado de graça perfeito, que antes tinha sido perdido no paraíso por Adão e Eva; e nos conferiu a participação na natureza divina, e o dom do Espírito Santo para nos conduzir à plena comunhão com a vontade de Deus, isto é, à perfeita obediência vivida e ensinada por Jesus Cristo, nosso Senhor, e Salvador de nossas almas.

Portanto, o homem foi criado em estado de graça para viver em estado de graça permanentemente, isto é, para viver fazendo sempre a vontade de Deus. Como ele perdeu esse estado de graça pela desobediência, Deus mesmo veio ao seu encontro por meio do Seu Filho, Jesus Cristo, “que foi obediente até a morte e morte de cruz”, para que o homem voltasse a fazer, por meio dele, a sua santa vontade e assim obtivesse a vida eterna em um novo paraíso, o Reino dos Céus. Logo, não há autenticidade na vida se a vontade de Deus não é vivida. Pois, quem faz a vontade de Deus, expressa em seus mandamentos, tem a Deus no comando de sua vida e de suas ações, e tudo o que empreende prospera, porque tudo o que é comandado pela sabedoria divina, é obra autêntica das mãos de Deus, que leva o homem à realização completa e à felicidade plena aqui e eternamente no Reino dos céus.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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sábado, 2 de novembro de 2013

QUAIS SÃO OS TORMENTOS ETERNOS, PARA AQUELES QUE ESCOLHERAM O CAMINHO DO INFERNO PARA SEGUIR?


QUAIS SÃO OS TORMENTOS ETERNOS, PARA AQUELES QUE ESCOLHERAM O CAMINHO DO INFERNO PARA SEGUIR?...


Primeiro, precisamos compreender qual seja a finalidade desta meditação, evitar o mal e a condenação eterna das almas. E para melhor compreender isso, perguntamos: quais são os caminhos do inferno? São todos os pecados mortais cometidos com o consentimento humano, isto é, são os pecados cometidos contra as Leis de Deus, tanto as naturais quanto as eternas, e isto a partir de nosso livre arbítrio, ou seja, a partir de nosso poder de escolha e decisão; tais pecados também são chamados de obras da carne. Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas vos previno, como já vos preveni: os que as praticarem não herdarão o Reino de Deus”! (Gl 5,19-21). E São Paulo ainda repete, nos adverte e admoesta: Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus? Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus. Ao menos alguns de vós têm sido isso. Mas fostes lavados, mas fostes santificados, mas fostes justificados, em nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de nosso Deus. Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma”. (1Cor 6,9-12).

Por isso, o hagiógrafo do Livro de Sabedoria nos exorta: “Não procureis a morte por uma vida desregrada, não sejais o próprio artífice de vossa perda. Deus não é o autor da morte, a perdição dos vivos não lhe dá alegria alguma. Ele criou tudo para a existência, e as criaturas do mundo devem cooperar para a salvação. Nelas nenhum princípio é funesto, e a morte não é a rainha da terra, porque a justiça é imortal”. (Sab 1,13-15). E também São Paulo, na Primeira Carta a Timóteo, nos exorta: “Acima de tudo, recomendo que se façam preces, orações, súplicas, ações de graças por todos os homens, pelos reis e por todos os que estão constituídos em autoridade, para que possamos viver uma vida calma e tranquila, com toda a piedade e honestidade. Isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade”. (1Tm 2,1-4).

Ora, se Deus quer que todos os homens sejam salvos, por que existe o inferno? Porque o inferno é uma decisão pessoal irrevogável tomada por aqueles que decidem por ele, isto é, por aqueles que decidem dizer não a Deus e sim ao mal, pelos pecados mortais que decidiram cometer. Nada em nossa vida acontece sem a nossa decisão. Com efeito, assim nos ensinou o Senhor: Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e numerosos são os que por aí entram. Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho da vida e raros são os que o encontram”. (Mt 7,13-14). Por outro lado o Senhor também nos ensina: “Eu vim como luz ao mundo; assim, todo aquele que crer em mim não ficará nas trevas. Se alguém ouve as minhas palavras e não as guarda, eu não o condenarei, porque não vim para condenar o mundo, mas para salvá-lo. Quem me despreza e não recebe as minhas palavras, tem quem o julgue; a palavra que anunciei julgá-lo-á no último dia. Em verdade, não falei por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, ele mesmo me prescreveu o que devo dizer e o que devo ensinar. E sei que o seu mandamento é vida eterna. Portanto, o que digo, digo-o segundo me falou o Pai”. (Jo 12,46-50). E ensinou ainda: “Digo-vos que assim haverá maior júbilo no céu por um só pecador que fizer penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento. Digo-vos que haverá júbilo entre os anjos de Deus por um só pecador que se arrependa”. (Lc 15,7.10). Ou seja, a misericórdia do Senhor é infinita como Ele e o seu Reino de Amor, ela é um santo convite a todos nós pecadores para que nos arrependamos e voltemos ao seu convívio amoroso e santo.

Então, há alguma possibilidade de rejeição desse convite de Deus? Depende de cada ser humano, pois, todos são chamados ninguém escapa desse convite (cf. Is 40,26;Sl 138), assim, só o fato de existir aqui neste mundo, já é o convite feito para  experimentarmos a divina misericórdia, ele é inato. E pelo o que vemos na face da terra, tem sido elevadíssimo o número daqueles que têm rejeitado esse convite de Deus. E o que acontece com os que se entregam ao pecado e ao mal, como estamos constatando na face da terra? Infelizmente se desligam de Deus definitivamente. Misericórdia, Senhor, tende piedade de nós, dá-nos o dom do arrependimento sincero para que pela penitência, confissão de nossos pecados e reparação dos mesmos, nos tornemos agradáveis ao teu coração ardente de amor por nós, pois deste tua vida, derramaste o teu Sangue, para nos livrar do inferno e dos tormentos eternos.

O que é uma alma condenada e qual será o seu fim? Pelo relato da Sagrada Escritura (cf. Lc 16,19-31;Mt 25,46a;Ap 21,8), uma alma condenada é aquela que rejeitou o amor de Deus definitivamente, por isso, só traz no seu íntimo o ódio, a blasfêmia, e todos os tormentos advindos de seus inúmeros pecados. Ela nunca mais terá esperança nem alívio algum, mas somente uma agonia sufocante e um desespero interminável, por ter cultivado isso pela aparente “delícia” dos pecados praticados ao longo de sua vida terrena. Santa Faustina, numa visão que teve do inferno e das almas condenadas, cita os seguintes tormentos que elas sofrerão: “Hoje, conduzida por um Anjo, fui levada às profundezas do Inferno um lugar de grande castigo, e como é grande a sua extensão. Tipos de tormentos que vi:

Ø  Primeiro tormento que constitui o Inferno é a perda de Deus;
Ø  O segundo, o contínuo remorso de consciência;
Ø  O terceiro, o de que esse destino já não mudará nunca;
Ø  O quarto tormento, é o fogo que atravessa a alma, mas não a destrói; é um tormento terrível, é um fogo puramente espiritual, aceso pela ira de Deus;
Ø  O quinto é a contínua escuridão terrível cheiro sufocante e, embora haja escuridão, os demônios e as almas condenadas veem-se mutuamente e veem todo o mal dos outros e o seu.
Ø  O sexto é a continua companhia do demônio;
Ø  O sétimo tormento, o terrível desespero, ódio a Deus, maldições, blasfêmias.

São tormentos que todos os condenados sofrem juntos. Mas não é ó fim dos tormentos. Existem tormentos especiais para as almas, os tormentos dos sentidos. Cada alma é atormentada com o que pecou, de maneira horrível e indescritível. Existem terríveis prisões subterrâneas, abismos de castigo, onde um tormento se distingue do outro. Eu teria morrido vendo esses terríveis tormentos, se não me sustentasse a onipotência de Deus.

Que o pecador saiba que será atormentado com o sentido com que pecou, por toda a eternidade. Estou escrevendo por ordem de Deus, para que nenhuma alma se escuse dizendo que não há inferno ou que ninguém esteve 'lá e não sabe como é.

Eu, Irmã Faustina, por ordem de Deus, estive nos abismos para falar às almas e testemunhar que o Inferno existe. Sobre isso não posso falar agora, tenho ordem de Deus para deixar isso por escrito. Os demônios tinham grande ódio contra mim, mas, por ordem de Deus tinham que me obedecer O que eu escrevi dá apenas uma pálida imagem das coisas que vi.; Percebi, no entanto, uma coisa: o maior número das almas que lá estão é justamente daqueles que não acreditavam que o Inferno existisse. Quando voltei a mim, não podia me refazer do terror de ver como as almas, sofrem terrivelmente ali e, por isso, rezo com mais fervor ainda pela conversão dos pecadores; incessantemente, peço a misericórdia de Deus para eles. Ó meu Jesus, prefiro agonizar até o fim do mundo nos maiores suplícios a ter que vos ofender com o menor pecado que seja”.[1]

Portanto, “Felizes os mortos que doravante morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, descansem dos seus trabalhos, pois as suas obras os seguem”. (Ap 14,13). “Vi, então, um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra desapareceram e o mar já não existia. Eu vi descer do céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a nova Jerusalém, como uma esposa ornada para o esposo. Ao mesmo tempo, ouvi do trono uma grande voz que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com eles e serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição. Então o que está assentado no trono disse: Eis que eu renovo todas as coisas. Disse ainda: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras. Novamente me disse: Está pronto! Eu sou o Alfa e o Ômega, o Começo e o Fim. A quem tem sede eu darei gratuitamente de beber da fonte da água viva. O vencedor herdará tudo isso; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho. Os tíbios, os infiéis, os depravados, os homicidas, os impuros, os maléficos, os idólatras e todos os mentirosos terão como quinhão o tanque ardente de fogo e enxofre, a segunda morte”. (Ap 21,1-8).

Aquele que atesta estas coisas diz: Sim! Eu venho depressa! Amém. Vem, Senhor Jesus! A graça do Senhor Jesus esteja com todos. (Ap 22,20-21).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.


[1] Compilação do Diário de Santa Faustina, em PDF, disponível para dowload no site: http://sagrada.org.br/site/?p=13812 (01/11/2013).
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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O QUE É O INFERNO? O INFERNO EXISTE?



O QUE É O INFERNO? O INFERNO EXISTE?

Para responder a estas perguntas temos que perguntar antes, o que é o pecado?  Quais as suas consequências para aqueles que se deixam dominar por ele? (cf. Jo 8,34; Rm 6,23a). Em verdade, o pecado é a total rejeição ao amor de Deus, ele surge da livre e soberana decisão do ser humano (cf. Tg 1,12-16). Por isso, o seu resultado é a morte e a perdição eterna (cf. Ap 22,8). Mas, para entender isto, façamos a seguinte meditação: Deus tudo criou como expressão de Seu amor. Por isso, tudo nos revela esse seu infinito amor. Desse modo, só pode ser feliz quem ama de verdade, porque o amor é o fundamento que gera a vida e a mantém. Não podemos simplesmente conceituar o amor pondo-o numa redoma de palavras, porque o amor não é um simples conceito ou apenas um sentimento, mais do que isto, o amor é um atributo divino que nos leva à perfeição eterna. Ele é profunda afeição do Espírito Santo em nossas almas, e santifica todo o nosso ser. Em suma, o amor é a essência da vida e da salvação. Nenhum ser humano pode dizer que ama seu semelhante ou as demais criaturas se não ama a Deus acima de todas as coisas, porque Deus é amor e o único autor e Senhor de toda a criação. Logo, não amar a Deus e não amar seus filhos e filhas e suas criaturas; resulta no desligamento Dele, tendo como consequência a autodestruição, porque tudo o que não permanece em Deus, se destrói por si mesmo.

Ora, jamais pensaria ou falaria no inferno se ele não estivesse já presente aqui neste mundo. Pois, muitos o cultivam por seus pecados, por isso, o experimentam por meio de todo tipo de malícia, perversão, violência, dependência química, opressão, depressão e outras doenças psicossomáticas que têm causado tantos danos e a morte de incontáveis pessoas. Com efeito, assim nos alertou São Paulo: “Nota bem o seguinte: nos últimos dias haverá um período difícil. Os homens se tornarão egoístas, avarentos, fanfarrões, soberbos, rebeldes aos pais, ingratos, malvados, desalmados, desleais, caluniadores, devassos, cruéis, inimigos dos bons, traidores, insolentes, cegos de orgulho, amigos dos prazeres e não de Deus, ostentarão a aparência de piedade, mas desdenharão a realidade” (2Tm 3,1-5a). E ainda: “São insensatos, desleais, sem coração, sem misericórdia. Apesar de conhecerem o justo decreto de Deus que considera dignos de morte aqueles que fazem tais coisas, não somente as praticam, como também aplaudem os que as cometem”. (Rom 1,31-32).

De fato, analisando atentamente esse nosso mundo, constatamos que existem dois tipos de infernos, o temporal e o escatológico; um resulta no outro, e os dois se entrelaçam. O primeiro se revela pelo sofrimento advindo dos pecados cometidos; o segundo é a extensão eterna do primeiro. Pois o tempo está para eternidade; assim como o corpo está para a alma. Ora, toda causa gera um efeito; se a causa é boa, o efeito também é; se a causa é má, o efeito é igualmente mau. É claro, vivemos no tempo, mas se só existisse o tempo, diríamos que tudo é temporal e se resume somente ao que vivemos no tempo, e com o tempo tudo se acaba. Mas não é isto que experimentamos em nossas almas, visto que elas são atemporais e imateriais. Pois, uma vez ocorrida a morte natural, do corpo só resta o pó para o pó de onde veio; todavia, o que é atemporal e imaterial não se torna pó; mas, porque eterna permanece o que é, como nos ensina o Senhor em Sua Palavra (cf. Gn 1, 26-27; 3,19; Mt 10,28). Assim podemos afirmar: o que vivemos no tempo, para a eternidade é que vivemos, pois tudo o que pensamos, falamos e fazemos ficam gravados em nossas almas (cf. Sb 1); e como um filme, no dia eterno, tudo passará diante de nós e de nosso Criador no juízo pessoal e final (cf. Hb 9,27; Mt 25,31-46).

Com efeito, a evangelização não consiste na pregação sobre o inferno ou sobre a condenação a ele; mas sim no anúncio da salvação realizada por Jesus Cristo, o Filho de Deus (cf. Mt 28,19-20; Rm 8,1-4). É como o Senhor mesmo disse: "Há mais alegria no céu por um só pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento." (Lc 15,7). Todavia, não podemos nos esquivar desse assunto doloroso, mas sim alertar os homens para que não caiam na terrível condição eterna em que são precipitadas as almas condenadas (cf. Jo 3,16-21; Lc 16,19-31). Pois o inferno é uma realidade que infelizmente já se faz presente neste mundo. E todos aqueles que o cultivam por suas maldades já o experimentam interiormente aqui mesmo, porém, não sem a chance de se arrependerem. (cf. 1Cor 6,9-12; Mc 1,15;3,17).

Por fim, deixo este relato de São João, que nos faz exultar de alegria, mas ao mesmo tempo nos faz tremer e temer por causa dos acontecimentos que virão:

Vi, então, um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra desapareceram e o mar já não existia. Eu vi descer do céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a nova Jerusalém, como uma esposa ornada para o esposo. Ao mesmo tempo, ouvi do trono uma grande voz que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com eles e serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição. Então o que está assentado no trono disse: Eis que eu renovo todas as coisas. Disse ainda: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras. Novamente me disse: Está pronto! Eu sou o Alfa e o Ômega, o Começo e o Fim. A quem tem sede eu darei gratuitamente de beber da fonte da água viva. O vencedor herdará tudo isso; e eu serei seu Deus, e ele será meu filhoOs tíbios, os infiéis, os depravados, os homicidas, os impuros, os maléficos, os idólatras e todos os mentirosos terão como quinhão o tanque ardente de fogo e enxofre, a segunda morte”. (Ap 21,1-8).

Eis que venho em breve! Felizes aqueles que põem em prática as palavras da profecia deste livro. Disse ele ainda: Não seles o texto profético deste livro, porque o momento está próximo. O injusto faça ainda injustiças, o impuro pratique impurezas. Mas o justo faça a justiça e o santo santifique-se ainda mais. Eis que venho em breve, e a minha recompensa está comigo, para dar a cada um conforme as suas obras. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Começo e o Fim”. (Ap 22,7.10-13).

Felizes aqueles que lavam as suas vestes para ter direito à árvore da vida e poder entrar na cidade pelas portas. Fora os cães, os envenenadores, os impudicos, os homicidas, os idólatras e todos aqueles que amam e praticam a mentira!” (Ap 22,14-15).

Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos atestar estas coisas a respeito das igrejas. Eu sou a raiz e o descendente de Davi, a estrela radiosa da manhã. Aquele que atesta estas coisas diz: Sim! Eu venho depressa! Amém. Vem, Senhor Jesus! A graça do Senhor Jesus esteja com todos”. (Ap 22,16.20-21).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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sexta-feira, 11 de outubro de 2013

COMO DESCREVER O PARAÍSO? EXISTE UM PARAÍSO?



COMO DESCREVER O PARAÍSO? EXISTE UM PARAÍSO?

Caríssimos, compreender as coisas eternas sempre foi um desejo humano, pois por mais perfeito e belo que seja esse nosso habitat natural, ele é transitório como a vida que vivemos por pouco tempo, porque tudo o que há com o tempo se esvai, para onde (?) só a fé em Deus nos responde; isto porque, existe o pecado dos homens que a todo instante tenta estragar esse lindo paraíso terrestre que habitamos. Por toda bondade que há nas coisas que vemos, pelo amor com que amamos, pelo desejo de vida eterna que temos, pela felicidade que cultivamos, e pela paz que tanto queremos, entendemos que, sem dúvida alguma, há um lugar ou estado de perfeição onde todos esses valores eternos permanecerão com os que nele habitam. Não precisamos de nenhum esforço para entender que os dons de Deus, que estão em nossas almas, nos levam a experimentar a felicidade e paz de Sua divina presença; basta vivermos em estado de graça, isto é, na perfeita obediência aos seus mandamentos, para constatarmos isto.

Com efeito, o paraíso que almejamos não é aqui, mas começa aqui com a nossa existência, pois tudo em nós aponta para ele, por isso, será grande a surpresa de nossa humanidade logo que daqui partirmos; nós que estamos acostumados com o limite e a fragilidade de nossa condição, participaremos do ilimitado divino em todos os sentidos. Como seria bom que esse nosso mundo fosse sem maldade, sem injustiça, sem vícios, sem violência, sem discórdias, sem ganância, sem guerras, doenças ou morte. Creio que este seja o sonho de todo ser humano que vive em meio às contradições desta vida. Um mundo onde a verdade e o amor estejam em todos e com todos sempre; onde a bondade, a justiça e paz, não sejam apenas palavras, mas o que significam para a unidade de toda a humanidade. É esse o verdadeiro paraíso que Deus sempre quis em seu desígnio para todos nós.

Como escrevi acima, a fé que Deus pôs em nossas almas, quando nos criou, é um dom especial com o qual podemos comungar perfeitamente com Sua vontade que nos leva a experimentar o paraíso por nossa adesão a esse seu desígnio de amor. De fato, “Deus nos colocou no mundo para conhecê-lo, servi-lo e amá-lo e, assim, chegar ao paraíso. A bem-aventurança nos faz participar da natureza divina (cf. l Pd 1,4) e da vida eterna. Com ela, o homem entra na glória de Cristo e no gozo da vida trinitária”. (CIC 1721). “Este mistério de comunhão bem-aventurada com Deus e com todos os que estão em Cristo supera toda compreensão e toda imaginação. A Escritura fala-nos dele em imagens: vida, luz, paz, festim de casamento, vinho do Reino, casa do Pai, Jerusalém celeste, Paraíso. "O que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que o amam" (1Cor 2,9). (CIC 1027).

Mas, como viver desde já as virtudes que nos qualificam para a vida em Deus definitivamente? Jesus no santo evangelho nos ensina: “Bem aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus” (Mt 5,8). Ora, essa “prometida bem-aventurança nos coloca diante de escolhas morais decisivas. Convida-nos a purificar nosso coração de seus maus instintos e a procurar o amor de Deus acima de tudo. Ensina que a verdadeira felicidade não está nas riquezas ou no bem-estar [aparente deste mundo], nem na glória humana ou no poder [temporal], nem em qualquer obra humana, por mais útil que seja, como as ciências, a técnica e as artes, nem em outra criatura qualquer, mas apenas em Deus, fonte de todo bem e de todo amor”. (CIC 1723).

Infelizmente, não é isto que vemos no mundo de hoje; pelo contrário, é como escreveu o Cardeal Newman: “A riqueza é o grande deus atual; a ela prestam homenagem instintiva a multidão e toda a massa dos homens. Medem a felicidade pelo tamanho da fortuna e, segundo a fortuna, medem também a honradez... Tudo isto provém da convicção de que, tendo riqueza, tudo se consegue. A riqueza é, pois, um dos ídolos atuais, da mesma forma que a fama... A fama, o fato de alguém ser conhecido e fazer estardalhaço na sociedade (o que poderíamos chamar de notoriedade da imprensa), chegou a ser considerada um bem em si mesma, um sumo bem, um objeto, também ela, de verdadeira veneração”. “Mas, de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida?” (Mc 8,36).

Por fim, como descrever o verdadeiro paraíso? São Paulo nos deixou um relato comovente sobre este, vejamos: Conheço um homem em Cristo que há catorze anos foi arrebatado até o terceiro céu. Se foi no corpo, não sei. Se fora do corpo, também não sei; Deus o sabe. E sei que esse homem - se no corpo ou se fora do corpo, não sei; Deus o sabe - foi arrebatado ao paraíso e lá ouviu palavras inefáveis, que não é permitido a um homem repetir”. (2Cor 12,2-5). E São João, assim o descreve: “Vi, então, um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra desapareceram e o mar já não existia. Eu vi descer do céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a nova Jerusalém, como uma esposa ornada para o esposo. Ao mesmo tempo, ouvi do trono uma grande voz que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com eles e serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição.

Então o que está assentado no trono disse: Eis que eu renovo todas as coisas. Disse ainda: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeirasNovamente me disse: Está pronto! Eu sou o Alfa e o Ômega, o Começo e o Fim. A quem tem sede eu darei gratuitamente de beber da fonte da água viva. O vencedor herdará tudo isso; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho”. (Ap 21,1-7).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.
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quinta-feira, 19 de julho de 2012

O QUE DIGO, O FAÇO COM O DESEJO DO CÉU PARA TODOS...



O QUE DIGO, O FAÇO COM O DESEJO DO CÉU PARA TODOS...


Amnésia espiritual...

Ø  Para aqueles que esquecem Deus e procuram seguir outro caminho senão o caminho da ressurreição, a vida é um não que segue em direção ao nada. Porém, se voltam arrependidos o Senhor os recebe como filhos pródigos, porque sua misericórdia é infinita...

Sacrifício Sacerdotal

Ø  Ser sacerdote é viver em Deus, com Deus e para Deus toda consagração a Ele oferecida, é doar a própria vida com Jesus na Eucaristia... Ser sacerdote é ser um ser imolado com Jesus no altar cada dia... É carregar a cruz com ousadia de quem vai chegar por ela nos céus, na glória do Filho de Deus, no convívio dos santos e santas que o Senhor santificou...

Evitando julgamentos...

Ø  Quem sou eu para julgar? Porque sem a graça de Deus, quem sou eu? Nada... Deus não me fez juiz de nenhuma de suas criaturas, mas um réu como todas, assim, não posso julgar ou condenar ninguém nem a mim mesmo... (cf. 1Cor 4,1-5).

Aprendendo com o tempo...

Ø  Aprendi que o tempo é precioso como ouro, pois quando bem aproveitado, torna-se um bem eterno, especialmente quando o vivemos para glorificar a Deus com nossa vida... Pois Deus é o Senhor do tempo e da eternidade e de tudo o que há...

“Basta-te minha graça”.

Ø  Senhor, que quero eu fora de tua graça? Nada, porque somente a tua graça me basta. (2Cor 12,9-10).


Se pondo no devido lugar

Ø  “O verdadeiro humilde sempre duvida das próprias virtudes e considera mais seguras as que vê no próximo”. (Stª Tereza D’Avila). (cf. Lc 18,14b; Mc 9,35; Gal 5,26; Rm 12,3)

Cuidado com a incoerência

Ø  Nada mais asqueroso do que palavras ditas, porém, não advindas dos bons exemplos... Pois foi assim que se portaram aqueles que perseguiram e mataram Jesus... (cf. Mt 16,6.12; Lc 11,46; Tg 1,23-26).


A brevidade ou perenidade da vida...

Ø  O bom da vida é que ela é eterna se a vivemos para Deus, pois aqui neste mundo tudo passa, só permanece quem faz integralmente a sua vontade... Ora, só se vive uma vez (cf. Heb 9,27), então, que essa única vez seja realmente em conformidade com a vontade do Senhor, porque os bens que dela advêm são eternos, inclusive a própria vida...


Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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