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terça-feira, 30 de agosto de 2022

O QUE É A VERDADE?


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 4,31-37)(30/8/22)


Caríssimos, no diálogo que Pôncio Pilatos teve com Jesus no Pretório antes de condena-lo, ele fez uma pergunta conclusiva: "És, portanto, rei? Respondeu Jesus: Sim, eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz." (Jo 18,37). 

Pilatos reagiu à essa resposta de Jesus com uma pergunta que ele mesmo respondeu com sua atitude: Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade?... Falando isso, saiu de novo, foi ter com os judeus e disse-lhes: Não acho nele crime algum." (Jo 18,38). Ou seja, a Verdade é inocente sempre mesmo que a condenem injustamente como se fosse culpada.

No momento em que o Senhor afirma: "Eu sou a Verdade", ele estabelece-se como o critério último da verdade para a humanidade e a única referência. Ao dizer que ele é "a Verdade", afirma simultaneamente que ele é a possibilidade de comunicação autêntica entre Deus e o homem.

E é precisamente isto que a multidão que segue e ouve Jesus experimenta, como nos diz Marcos: "Depois de Jesus ter ordenado ao diabo que deixasse em paz um homem possuído; a multidão expressa um espanto vibrante com a forma de ensinar do Mestre: 'O que é isto? Um ensino novo, dado com autoridade! Ele comanda até os espíritos impuros e eles lhe obedecem!" (Mc 1,27).

Como e por que é que o ensino dado pelo Mestre é "novo"? - Porque atua nas profundezas do seu interlocutor. "Novo" não significa apenas que propõe coisas nunca antes ouvidas, mas significa que a sua mensagem renova a vida, regenera o mundo interior de quem a recebe. 

"Novo" porque a verdade recebida faz uma ruptura com o passado na pessoa e mergulha-a numa realidade nunca antes experimentada, e que a descobre como autêntica, verdadeira e desejada. 

Em suma, é uma novidade total. Perante isto, tudo o resto está desatualizado, inútil e velho. Com a sua intervenção e a sua palavra criativa, Jesus reconduz o homem ao seu encanto original, ao frescor, à juventude de espírito, à novidade absoluta." (Pe Ubaldo Terrinoni).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

A VERDADE SÓ INCOMODA OS MENTIROSOS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mc 6,17-29)(29/8/22)


Caríssimos, a Igreja hoje celebra a memória do martírio de são João Batista, o último dos profetas que foi enviado por Deus como o precursor do Messias. "João foi escolhido por Deus para preparar o caminho diante de Jesus, e indicou-o ao povo de Israel como o Messias, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (cf. Jo 1,29). 

João consagrou todo o seu ser a Deus e ao seu enviado, Jesus. Mas, no final, o que aconteceu? Ele morreu pela causa da verdade, quando denunciou o adultério do rei Herodes e Herodíades. De certo, "Há muitas pessoas, cristãos e não-cristãos, que "perdem as suas vidas" pela verdade. E Cristo disse: "Eu sou a verdade", por isso quem serve a verdade serve a Cristo." (Papa Francisco - Angelus 23/6/2013).

Com efeito, a vingança é a causa da morte eterna de muitos, que o diga Herodiades que mesmo alertada pelo justo João Batista não reconheceu seu pecado, não se arrependeu, mas alimentou o ódio do demônio do adultério que a possuía e por isso pediu a cabeça do inocente João que por falar a verdade foi eliminado deste mundo que não é digno dele. De fato, a verdade incomoda imensamente os que se deixam dominar pela mentira.

"A memória do justo deve ser exaltada; mas a ti, João Precursor, bastou-te o testemunho do Senhor. Na realidade, tu és o mais venerável de todos os profetas, porque foste considerado digno de batizar nas águas do Jordão Aquele que os outros profetas apenas tinham anunciado. Por isso, depois de teres lutado pela verdade, foste anunciar ao mundo dos mortos Deus aparecido na carne, Aquele que tira o pecado do mundo (cf Jo 1,29) e nos dá a sua imensa piedade.

O glorioso martírio do Precursor foi uma etapa na obra da salvação, uma vez que até na pátria dos mortos ele foi anunciar a vinda do Salvador. Que Herodíades gema agora, ela que reivindica este assassinato ímpio, porque o que ela amou não foi a lei de Deus nem a vida eterna, mas as ilusões que apenas duram um momento." (Liturgia bizantina).

Portanto, caríssimos, quem segue a mentalidade deste mundo perde-se com ele, e para evitar isso, são João nos ensina: "Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. 

Porque tudo o que há no mundo - a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida - não procede do Pai, mas do mundo. O mundo passa com as suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente." (1Jo 2,15-17).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

O ÚLTIMO LUGAR...


 Homilia do 22°Dom do Tempo Comum (Lc 14,1.7-14)(28/8/22)


Caríssimos, vivemos numa sociedade em que dificilmente alguém escolhe o último lugar, em outras palavras, vivemos numa guerra competitiva, cada um por si e que ganhe o mais forte, o mais competitivo, o mais preparado que se acha o melhor de todos. E o resultado nefasto dessa competitividade é a falta de amor, de humildade e compreensão, que culmina com o desprezo do próximo. 

Com efeito, nesta liturgia de hoje o Senhor Jesus inverte todos esses falsos atitudes, mostrando "que a vitória coincide com a aparente derrota; e a sua força está naquilo que os outros consideram uma fraqueza. Revela-nos que a verdadeira riqueza está na pobreza, que a verdadeira liberdade no fazer-se escravo, e que a vida se realiza quando a perdemos." (MR).

Comentando esse Evangelho disse o Papa Emérito Bento XVI: "O Senhor não pretende dar uma lição sobre etiqueta, nem sobre a hierarquia entre as diferentes autoridades. Ele insiste antes num ponto decisivo, que é o da humildade: "quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado" (Lc 14,11).

Esta parábola, num sentido mais profundo, também indica a posição do homem em relação a Deus. O "último lugar" pode de fato representar a condição da humanidade degradada pelo pecado, uma condição da qual só a encarnação do Filho Unigênito a pode elevar. É por isso que o próprio Cristo "tomou o último lugar no mundo - a cruz - e precisamente por esta humildade radical ele nos redimiu e nos ajuda constantemente" (Enc. Deus caritas est, 35).

No final da parábola, Jesus sugere ao líder dos fariseus que convide à sua mesa não os seus amigos, parentes ou vizinhos ricos, mas as pessoas mais pobres e marginalizadas, que não têm como retribuir (cf. Lc 14,13-14), para que o presente seja gratuito. A verdadeira recompensa, de fato, no final, será dada por Deus, "que governa o mundo. Só o servimos na medida do possível e enquanto ele nos der força". (Encíclica Deus caritas est, 35). 

Mais uma vez, então, olhemos para Cristo como um modelo de humildade e gratuidade: d'Ele aprendemos a paciência na tentação, a mansidão na ofensa, a obediência a Deus na dor, esperando por Aquele que nos convidou a dizer: "Amigo, aproxima-te mais" (cf. Lc 14,10); pois o verdadeiro bem é estar perto d'Ele." (Angelus 29/8/2010).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 27 de agosto de 2022

O QUE ESTAMOS FAZENDO COM O TEMPO QUE NOS É DADO?


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 25,14-30)(27/8/22)


Caríssimos, o exibicionismo e o querer aparecer a todo custo em busca de fama, dinheiro e poder ultimamente tem se tornado uma tentação quase que irresistível do ponto de vista midiático, principalmente com o advento da Internet, e isso tem afastado muitos da prática da fé. 

Com efeito, se o tempo dado aos celulares e às redes sociais fosse dado em maior proporção à vida de oração, à meditação da Palavra de Deus, à prática dos Sacramentos e das obras de misericórdia, certamente teríamos muitos santos e santas entre nós. De fato, o mau uso da Internet tem levado muitos à perdição eterna, o que não é de se admirar, pois ela tem se tornado a porta larga da qual nos fala o Senhor Jesus no Evangelho (cf. Mt 7,13).

Na primeira leitura são Paulo nos mostra que a Sabedoria Divina é contrária à sabedoria deste mundo: "Deus escolheu o que para o mundo é sem importância e desprezado, o que não tem nenhuma serventia, para assim mostrar a inutilidade do que é considerado importante, para que ninguém possa gloriar-se diante dele." (1Cor 1,28-29). Ou seja, "as escolhas divinas seguem um critério alheio a toda possibilidade de autoglorificação e vaidade dos homens." (MR).

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus conta a Parábola do patrão que indo viajar entregou os seus bens aos seus servos, os quais trataram de multiplica-los; um deles, porém, ao invés, preferiu enterra-lo com a desculpa de que teve medo porque julgou que o seu senhor era severo por demais; no entanto, tal desculpa o condenou, pois, foi chamado de "Servo mau e preguiçoso!"

Portanto, caríssimos, a vida que temos com todas os talentos que recebemos são para a nossa salvação e a salvação de todos, por isso, em hipótese alguma podemos nos desculpar diante de Deus pelo tempo perdido e pelo mau uso que dele fizermos. 

Destarte, multiplicar os talentos significa usar as virtudes recebidas para que todos tenham vida e a tenham em abundância, é essa a nossa grande missão.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

A SANTIDADE SEGUNDO A VONTADE DE DEUS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 24,42-51)(25/8/22)


Caríssimos, a santidade é um dom eterno que nos é dado no batismo, por isso, todos os batizados têm o dever de viver santamente neste mundo em preparação para o Reino dos céus, e isso só é possível mediante a prática da vontade de Deus que nos faz viver na sua presença em santidade e justiça todos os dias de nossa vida. Ou seja, a santidade é a vontade de Deus realizada a cada passo dado para a eternidade.

São Paulo na primeira leitura agradece a Deus por ver acontecer essa graça na comunidade de Corinto: "Dou graças a Deus sempre a vosso respeito, por causa da graça que Deus vos concedeu em Cristo Jesus: Nele fostes enriquecidos em tudo, em toda palavra e em todo conhecimento, à medida que o testemunho sobre Cristo se confirmou entre vós." (1Cor 1,4-6). Ou seja, sinal de que a vivência da fé entre eles dava muitos frutos.

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus nos ensina que a vigilância e a fidelidade no serviço ao Reino de Deus nos faz evitar cair na tentação do relaxamento na vivência da fé e dos bons costumes. Quando Ele se refere a isso numa linguagem matemática significa que os dons recebidos e multiplicados para o bem de todos nos faz alcançar grandes méritos quando da sua vinda gloriosa.

Por outro lado também mostra o que acontece com os que fazem pouco caso e até desprezam as graças recebidas: "Mas, se o empregado mau pensar: ‘Meu senhor está demorando’, e começar a bater nos companheiros, a comer e a beber com os bêbados; então o senhor desse empregado virá no dia em que ele não espera, e na hora que ele não sabe. Ele o partirá ao meio e lhe imporá a sorte dos hipócritas. Ali haverá choro e ranger de dentes”. (Mt 24,48-51).

Portanto, caríssimos, é dever de todos os batizados multiplicar as graças recebidas sempre em comunhão com o Senhor Jesus no cumprimento da nossa missão na realização da sua Santa Vontade; caso contrário, nos perdemos por não multiplicar os dons recebidos.

Destarte, firmemos então este propósito em nossas almas de sermos santos como o Senhor é Santo, e lhe peçamos, pela intercessão de Nossa Senhora e de são José, a graça da perseverança final nesse propósito.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

VIGIAI COM AS VOSSAS LÂMPADAS ACESAS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Mt 25,1-13)(26/8/22)


Caríssimos, a liturgia de hoje trata do discurso escatológico do Senhor Jesus, em que anuncia o fim do mundo e a sua segunda vinda. E como sempre o Senhor nos fala em parábola facilitando com isso o nosso entendimento e a prática do seu ensinamento. De certo, nesse discurso o Senhor Jesus nos alerta para a importância da vigilância como preparação para a sua chegada.

Com efeito, "Neste mundo, somos peregrinos a caminho do Reino de Deus. E nossa caminhada requer vigilância. Jesus, a fim de nos fazer compreender como deve ser essa vigilância, apresenta-nos a parábola das dez virgens que vão ao encontro do noivo com suas lâmpadas. Cinco delas não levam óleo de reserva e assim vêem suas lâmpadas apagar-se. 

O noivo chega e apenas cinco vão ao seu encontro com as lâmpadas acesas; as outras permanecem do lado de fora em frente à porta fechada com uma palavra muito dura da parte do noivo aos seus ouvidos: "Não vos conheço". 

As cinco virgens sábias identificam-se com as suas lâmpadas: cada uma é uma pessoa-lâmpada, acesa e brilhante para o encontro com o noivo. Não só transportam as lâmpadas, mas também o óleo que permite, através de sua queima, continuar iluminando. 

Trazem consigo fé, esperança e caridade para o encontro há muito esperado e cheio de alegria. Porém, essas virtudes não podem ser emprestadas. Cada um deve providência-las para si. De fato, o bem não pode ser comercializado, isto é, comprado ou vendido. Todos têm a grande tarefa de decidir se devem ser insensatos ou sábios. Disso depende se faremos ou não parte da festa. 

De certo, no Evangelho, Jesus nos chama à vigilância. Tal vigilância é motivada pela incerteza sobre a data da sua chegada. Cabe a nós alcançar a sabedoria da vida, viver sempre preparado, sempre pronto. Não sabemos quando o Senhor virá, nem como virá, mas uma coisa é certa, sabemos que Ele virá.

Portanto, não deve haver curiosidade na espera, mas sim vigilância. Essa é uma bela imagem que apresenta o cristão como alguém que espera por Alguém. Que espera não com os braços cruzados, com o risco de adormecer, mas sim com uma espera ativa, laboriosa e inteligente, preparando-se para o encontro que é certo e decisivo." (Mons. Angelo Spina).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

FESTA DE SÃO BARTOLOMEU...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 1,45-51)(24/8/22)


Caríssimos, a palavra "encontro" nos diz muito porque revela o que precisamos dar e receber daquilo que há de mais precioso em nós e naqueles que encontramos. De certo, na vivência da fé o nosso encontro com o Senhor Jesus é fundamental para gozarmos da sua amizade e da sua companhia de forma que possamos compartilhar com outros a graça de te-lo em nossa vida.

No Evangelho de hoje Filipe foi ao encontro de Natanael e lhe anunciou o Senhor Jesus, porém, a princípio o anúncio não foi tão profícuo, no entanto, Filipe foi incisivo em seu convite como relata são João: "Filipe encontrou-se com Natanael e lhe disse: “Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na Lei, e também os profetas: Jesus de Nazaré, o filho de José”.
Natanael disse: “De Nazaré pode sair coisa boa?” Filipe respondeu: “Vem ver!”. (Jo 1,45-46).

De fato, por vezes também usamos de certos provérbios ou ditos populares para mantermos distância de quem não conhecemos ainda, mesmo recebendo baos referências. No entanto, quando nos deparamos com as surpresas que Deus nos preparou desde toda eternidade, logo, o reconhecemos naqueles que Ele nos envia.

"Jesus viu Natanael que vinha para ele e comentou: “Aí vem um israelita de verdade, um homem sem falsidade”. Natanael perguntou: “De onde me conheces?” Jesus respondeu: “Antes que Filipe te chamasse, enquanto estavas debaixo da figueira, eu te vi”. Natanael respondeu: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel”. (Jo 1,47-49). 

Com efeito, o Senhor Jesus nos conhece totalmente e ao revelar quem somos nos leva à convicção de ter encontrando o que mais procurávamos, ou seja, o verdadeiro sentido da vida, e que de agora em diante nada nos poderá afastar da sua divina companhia. E foi exatamente isso o que aconteceu com Natanael que se tornou seu Apóstolo e por Ele e o Evangelho deu a vida.

Portanto, caríssimos, todas as graças que Deus nos dá tem como objetivo a nossa salvação eterna, todavia, Ele nos ensina que o exemplo do Seu Filho Jesus é o perfeito caminho que nos leva para o céu. Por isso, precisamos segui-lo com o mesmo amor com que o seguiram todos os santos e santas que o encontraram no seio da Sua Santa Igreja.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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