QUARTA-FEIRA SANTA (Mt 26,14-25)(01/04/26)
1. Caríssimos, a quarta-feira da Semana Santa, é o dia em que se encerra o período quaresmal. Em algumas igrejas, celebra-se neste dia a piedosa procissão do encontro de Nosso Senhor dos Passos, com Nossa Senhora das Dores. E também algumas igrejas celebram o ofício das trevas, lembrando que o mundo já estava em trevas quando da proximidade da morte de nosso Senhor Jesus Cristo.
2. O evangelho de hoje, narra a traição de Judas, descrevendo como este foi ter com os chefes dos sacerdotes, a quem se ofereceu para trair o Senhor Jesus. Aceitando trinta moedas de prata, o preço de um escravo fugitivo, como recompensa da sua traição.
3. Meditando este Evangelho o que aprendemos para não cair na mesma tentação de Judas? Ora, a traição é o tipo de comportamento em que o ser humano perde completamente o senso do amor fraterno, gerando, com isso, o desprezo do próximo, digamos que é um mergulho no mais profundo da maldade, por isso, leva ao desespero o infrator que a comete.
4. Ora, é interessante notar que Judas conviveu intimamente com o Mestre, presenciando seus milagres e ensinamentos de amor, e ainda assim escolheu a traição. Isso revela a profundidade do livre-arbítrio; e quanto a falta de vigilância leva à perda do mesmo.
5. De fato, Deus não anula a nossa vontade, mesmo quando decidimos seguir caminhos de autodestruição; a traição não foi algo imposto, mas uma escolha cultivada no silêncio do coração do traidor. Ou seja, quem se desliga do essencial que recebe, perde a perfeita comunhão com Deus seu doador. O inferno nada mais é do que a total ausência de Deus na alma.
6. Por fim, vemos nessa narração uma advertência severa sobre o destino do traidor, afirmando que "teria sido melhor não ter nascido". Ora, aqui não se trata de uma condenação vingativa, mas de uma constatação da tragédia existencial de quem se fecha totalmente ao amor e ao perdão.
7. Destarte, a traição de Judas serve como um espelho para as nossas traições pessoais, convidando-nos à vigilância e à lealdade. Lembrando-nos que a eternidade que desejamos, nós a estamos vivendo a partir das nossas escolhas e decisões usando para isso o nosso livre arbítrio.
Paz e Bem!
Frei Fernando Maria OFMConv.
Nenhum comentário:
Postar um comentário