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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

DEVOÇÃO DA ORDEM FRANCISCANA À IMACULADA CONCEIÇÃO


DEVOÇÃO DA ORDEM FRANCISCANA A IMACULADA CONCEIÇÃO

Devoto é aquele que acende a chama da devoção em seu coração, por reconhecer as maravilhas de Deus nos filhos e filhas que Ele santificou, ou seja, é aquele que procura honrar com profundo amor as almas escolhidas e santificadas por Deus, pedindo sua intercessão para que se cumpra em sua vida o plano da salvação que o Senhor traçou para toda humanidade.

Nosso Seráfico pai, São Francisco, muito contribuiu para a devoção mariana com o seu exemplo de fé na Mãe de Deus. São Boaventura, na sua Legenda Maior, assim escreveu sobre sua devoção: “Seu amor para com a bem-aventurada Mãe de Cristo, a puríssima Virgem Maria, era de fato indizível, pois nascia em seu coração quando considerava que ela havia transformado em irmão nosso o próprio Rei e Senhor da glória e que por ela havíamos merecido alcançar a divina misericórdia. Em Maria, depois de Cristo, punha toda sua confiança. Por isso, a escolheu para advogada sua e de seus irmãos e jejuava com muita devoção em honra dela desde a festa dos apóstolos Pedro e Paulo até à festa da Assunção.” (LM IX,3,1-2). Também o primeiro Biógrafo de São Francisco, Beato Tomás de Celano, escreveu o seguinte: «Rodeava de um amor indizível a Mãe de Jesus, por ter feito irmão nosso o Senhor de toda a majestade. Em sua honra cantava louvores especiais, arguia-lhe súplicas, consagrava-lhe afetos, tantos e tais que nenhuma língua humana os conseguiria exprimir.» (Vida Segunda: 198,1-2). Uma dessas expressões de louvor de São Francisco se encontra na Antífona “Santa Virgem Maria” no Ofício da Paixão do Senhor, composto por ele: “Santa Virgem Maria, não veio a este mundo mulher semelhante a ti, filha e serva do Rei altíssimo, o Pai celeste, mãe de nosso santíssimo Senhor Jesus Cristo, esposa do Espírito Santo, roga por nós juntamente com São Miguel Arcanjo e todas as Virtudes do céu e todos os Santos, a teu santíssimo e dileto Filho, nosso Senhor e Mestre”.[1] Logo, seu amor e devoção à Santíssima Virgem, tornou-se fonte de inspiração e exemplo para toda a Ordem e os fiéis em geral que o escutava e seguia seus passos devocionais fielmente.

Com efeito, como herança dessa santa devoção, lembramos a nossa querida e amada Coroa Franciscana, que trata da oração em honra das sete alegrias que Maria Santíssima viveu aqui na terra. Segundo o irmão Luke Wedding,[2] historiador franciscano, essa devoção começou em 1422 com um jovem noviço muito piedoso que por uma visão recebeu a incumbência de divulgá-la a pedido da Mãe do Senhor, e logo se difundiu tal devoção por toda a Família Franciscana. Esta devoção é favorecida com muitas indulgências concedidas pelos Papas, são ganhas pelos Franciscanos e os fiéis devotos que rezarem a Coroa Franciscana.

Daí, concluímos que a devoção da Ordem Franciscana à Imaculada Virgem Maria, baseia-se na ardente devoção de São Francisco. Ele é tão eloquente em sua devoção para com a “Mãe do Senhor” que consagrou as três Ordens que fundou aos seus cuidados. A primeira Ordem teve início justamente aos pés de Nossa Senhora dos Anjos, ou seja, numa capelinha dedicada à Mãe do Senhor, chamada Porciúncula, em Assis. É por isso, que nos registros dos Frades Menores Conventuais, em sua Cúria Geral em Roma, todos os frades recebem o nome de Maria como complemento no nome próprio, em sinal dessa consagração da Ordem à Virgem Imaculada, Mãe do Senhor e nossa Mãe.

Por fim, em sua mensagem, por ocasião do Capítulo da OFM em Assis (10/05/2003), o Beato João Paulo II, exortou ao Ministro Geral e todos os frades, dizendo: “Dirigi-vos todos os dias à "Virgem que se fez Igreja" (Francisco Saudação à Bem-Aventurada Virgem Maria: FF 259), à Rainha dos Apóstolos, à "Advogada da Ordem" (Celano, Vita seconda, CL, 198: FF 786), com a oração do Rosário, oração extraordinariamente evangélica e franciscana”.[3]

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.






















[1] Escritos de São Francisco de Assis, Ofício a Paixão do Senhor, pag 140
[2] http://www.pvsantoantonio.com.br/oracaocatolica/corm10.html (14/02/2011).
[3]http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/2003/june/documents/hf_jpii_spe_20030604_frati-minori_po.html (05/11/ 2013)

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domingo, 5 de maio de 2013

AS INVOCAÇÕES DA LADAINHA DE NOSSA SENHORA (XXV)





AS INVOCAÇÕES DA LADAINHA DE NOSSA SENHORA (XXV)

Rainha das Virgens

Ser virgem é ser consagrada(o) a Deus desde o nascimento, pois foi assim que Deus nos criou, homens e mulheres nascidos sem conhecer o pecado e é assim que deveríamos viver sempre, sem pecado algum em total comunhão com a vontade do Senhor que nos deu em seu amor tão grande virtude. Ao proclamarmos Maria sempre virgem anunciamos aquela que Deus fez vir a este mundo, totalmente imaculada, isto é, sem mancha alguma de pecado, em vista de Seu Filho amado, que realizou a nossa redenção e de toda a criação, fazendo valer o Plano Eterno da Salvação.

Com efeito, nossa vida e nossa fé se fundamentam nas virtudes divinas infundidas por Deus nos seus filhos e filhas desde toda a eternidade. Desse modo, a Virgem Santíssima, reina sobre todas as virgens, ou seja, sobre todos aqueles e aquelas que se conservam puros de corpo e alma, honrando a Deus por estas virtudes que Dele receberam. De fato, é uma grande honra para nós participarmos do reinado de Jesus Cristo e de sua Mãe, a Virgem Maria, pois aqui no mundo tudo passa, porém, na eternidade, tudo é permanece para sempre, em pleno estado de perfeição, onde a felicidade não tem fim. E, é para esse estado de graça permanente que nos conduz o Senhor.

Rainha de todos os santos

A santidade é um atributo divino, porque só Deus é Santo, infinitamente Santo; e por sua Vontade Eterna nos deu o mandamento da santidade para sermos santos como Ele é Santo (cf. Mt 5,48). O céu é a morada dos santos e santas que Deus santificou por Seu Filho amado, nos dando o perdão dos pecados, e a purificação de nossas almas. Jesus é chamado, na Sagrada Escritura, o Senhor dos senhores, o Rei dos reis, o Santo dos santos, porque todo poder foi lhe dado sobre o céu e a terra (cf. Mt 28,18). Jesus é Filho da Virgem Maria e tem como Pai, Deus, que o gerou pelo Espírito Santo (cf. Lc 1,26-35), deste modo, o mundo conheceu a Santidade do Senhor Deus por meio daquela que Ele escolheu para semear, por Seu Filho amado, a Sua Santidade à toda a humanidade. Primeiro, fez dela Sua habitação permanente; e segundo, por Seu Filho, que dela nasceu, tornou-nos participantes de Sua Natureza Divina e participantes do Reino dos céus, pois, todas as graças e bênçãos nos vieram depois do sim  que a Virgem Santíssima deu a Deus Pai.

Rainha concebida sem pecado original

O pecado nunca foi a vontade de Deus, ele aconteceu em desobediência à ordem criada; pois tudo foi feito para o bem e a felicidade de todos. O primeiro homem, Adão, e a primeira mulher, Eva, foram criados em estado de graça, isto é, sem pecado, para viverem sem pecado algum, ou seja, tendo pleno acesso a Deus e ao seu poder, porque é nisto que consiste a felicidade humana. Com o advento do pecado, a desordem entrou no mundo e com ela a morte, como punição pelo pecado, porque não era possível que a desordem trazida pelo pecado perdurasse sempre. Porém, com o pecado, veio também a promessa da redenção começando pela mulher, uma vez que o pecado só se deu com o consentimento desta e do homem que a acompanhou em sua desobediência (cf. Gen 3,15).

Portanto, nada mais justo que a graça santificante também acontecesse por meio de uma mulher em pleno estado de graça. Por isso, Deus escolheu Maria e a fez nascer sem a mancha do pecado original, em vista do nascimento do Seu Filho Santo, Jesus Cristo, e de todos os que nasceriam deles pelo santo batismo. Por isso, hoje, todas as gerações proclamam, bem aventurada aquela de cujo ventre nasceu o Salvador da humanidade e de toda a criação. Amém!

Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.


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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O SIM DE MARIA SANTÍSSIMA





O SIM DE MARIA SANTÍSSIMA

Todos nós podemos dizer sim a Deus, porém, de que forma e com que objetivo? E, em que resulta este nosso sim? Como podemos saber isto? Todo sim dado a Deus tem uma história de vida por trás dele, isto significa que os acontecimentos de nossa existência não são por acaso. De fato, por termos origem divina, tudo em nosso ser e existir transpõe os limites de nossa natureza, por isso, o nosso viver depende das escolhas e decisões que tomamos, baseados nos dons que de Deus recebemos. Todavia, não podemos nunca excluir Deus dessas escolhas e decisões, pois se o fizermos fatalmente nos destinamos à ruína eterna, visto que sem Deus nada subexiste  por muito tempo, porque somente em Deus permanecemos eternamente. 

Bem nos ensinou São Paulo a esse respeito, quando disse: "O Deus, que fez o mundo e tudo o que nele há, é o Senhor do céu e da terra, e não habita em templos feitos por mãos humanas. Nem é servido por mãos de homens, como se necessitasse de alguma coisa, porque é ele quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas. Ele fez nascer de um só homem todo o gênero humano, para que habitasse sobre toda a face da terra. Fixou aos povos os tempos e os limites da sua habitação. Tudo isso para que procurem a Deus e se esforcem por encontrá-lo como que às apalpadelas, pois na verdade ele não está longe de cada um de nós. Porque é nele que temos a vida, o movimento e o ser..." (At 17,24-28a). 

De fato, segundo as Sagradas Escrituras, como vimos, a história humana começou com Adão e Eva, e depois do pecado destes, prosseguiu com seus descendentes até Deus Pai escolher um povo, na pessoa de Abraão, para amá-lo e servi-lo, e fazer nascer dele um salvador para toda a humanidade e toda criação; cumprindo assim, a promessa de salvação que havia feito aos nossos primeiros  pais, Adão e Eva, depois que pecaram (cf. 3,15). Desse modo, "quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, que nasceu de uma mulher e nasceu submetido a uma lei, a fim de remir os que estavam sob a lei, para que recebêssemos a sua adoção" (Gal 4,4-5). Ora, se Deus quis assim se fazer cumprir a sua vontade na Obra da Criação, é porque não quis fazer nada sem a nossa cooperação.

Agora, meditemos sobre o Sim de Maria, pois ele é o que há de mais original, em termos de cooperação com Deus, na história da salvação. O Sim da Virgem Mãe significa que nela se cumpriu todas as promessas que Deus havia feito aos Antigos Patriarcas, dos quais ela descende. Pois, com os Patriarcas Deus fez alianças, lhes deu uma Lei Sagrada, uma terra prometida e todos os favores para permanecerem fiéis e em comunhão com Ele. Mas, como não observaram suas leis e mandamentos, o Senhor enviou seus profetas que lhes anunciou com mais ênfase ainda a vinda do salvador prometido. Com efeito, o Profeta Isaías, assim profetizou: "Ouvi, casa de Davi: Não vos basta fatigar a paciência dos homens? Pretendeis cansar também o meu Deus? Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco". (Is 7,13-14). 

Com efeito, em cumprimento a essa profecia de Isaías, Deus enviou o Anjo Gabriel para anunciar à virgem Maria o nascimento de Seu Filho, Jesus Cristo (cf. Lc 1,26-38); este fato nos mostra claramente que os céus e a terra estão unidos, pois Deus veio habitar no meio de nós. Desse modo, podemos afirmar com toda convicção, que todos os acontecimentos que se deram depois da Encarnação do Verbo, tem seu fundamento na Vontade de Deus por meio do Sim de Maria:"Eis a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra". Assim, a partir desse Fiat (faça-se) da Santíssima Virgem, o Espírito Santo gerou Jesus em seu ventre, e o Deus Conosco  (Emanuel), tornou-se carne de sua carne e sangue de seu sangue (cf. Lc 1,26-38). Também a partir desse sim de Maria, Jesus foi apresentado ao Pai, por Simeão, no templo de Jerusalém; João Batista o apontou como o "Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (cf. Jo 1,29). Enfim, e por sua intercessão materna Jesus fez o primeiro milagre, antecipando sua hora de manifesta-se como o Messias enviado por Deus (cf. Jo 2,1012).

E confirmando ainda mais o seu Sim, em seu mais sublime ato de amor ao Pai, Maria ofereceu seu amado Filho, Jesus Cristo, no altar da Santa Cruz como nosso Redentor, assumindo com Ele o múnus sacrifical, e recebendo Dele a missão de Mãe da humanidade, como a Nova Eva (cf. Jo 19, 23-27). E vivendo mais intensamente o seu Sim, Maria Santíssima com os Apóstolos no Cenáculo, assistiu o nascimento da Igreja com a vinda do Espírito Santo na Teofania de Pentecostes (cf. At 1,12-14; 2,1-13); acompanhou a evangelização dos Apóstolos, o nascimento dos primeiros escritos destes; o crescimento do rebanho do Senhor; até que foi elevada ao céu em corpo e alma, conforme a vontade de Deus (cf. At 2,31).

O que dizer ainda mais do Sim de Maria? Todos os milagres de Cristo e dos Apóstolos; a revelação do Reino de Deus e de sua Justiça anunciada por Jesus; a pregação da Palavra em todo mundo conhecido; o perdão dos pecados estendido à todos os pagãos; a instituição dos Santos Sacramentos, em especial, a Eucaristia, o sacerdócio e a Santa Missa, enfim, todos os homens e mulheres que se santificaram ao longo da história da Igreja, tiveram sua gênese no Sim de Maria, ela que se fez "a serva do Senhor". Tudo o que vimos no seu Filho, tudo o que Ele fez e faz hoje e sempre, nasceram do Sim da Teotokos (Mãe de Deus).

Portanto, o Sim de Maria é o Sim fundacional da Nova Criação, da Nova Humanidade. Maria é para nós o milagre vivo de Deus; ela é a porta do céu, por onde Deus entrou no seio da humanidade e permanece conosco até o fim dos tempos. E mais ainda, em Maria e em seu Filho Jesus Cristo, Deus Pai nos deu não somente o Modelo Perfeito que sempre quis para a humanidade, mas também o Dom do Espírito Santo no novo nascimento na ordem da graça pelo batismo, para que assim fôssemos adotados como seus filhos e filhas amados. 

Destarte, meditemos mais um pouco sobre o Sim de Maria, Mãe de Jesus e nossa mãe, com suas próprias palavras: 

"E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem. Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes. Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre". (Lc 1,46-55).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.



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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O QUE É SER SEM PECADO?




O QUE É SER SEM PECADO?


O homem foi criado à “imagem e semelhança” (cf. Gen 1,26-27) de Deus para permanecer em comunhão com Deus. Foi criado sem pecado, para permanecer ligado a Deus que é inacessível ao mal (cf. Tiag 1,27). Assim, percebemos que o homem foi criado pleno das virtudes divinas (amor, verdade, bondade, justiça, etc), e com discernimento e capacidade para governar a criação (cf. Gen 2,15-17), porém, em comunhão com o seu Criador. Percebemos ainda que toda a criação é boa, bela e perfeita, com suas leis naturais impressas em sua alma, ou ainda, como o código genético que carrega em suas entranhas físicas.

Mas, por que existe esse terrível desequilíbrio que ora percebemos numa obra que foi criada com tamanha perfeição e por Deus infinitamente perfeito? A resposta a essa pergunta, está na fonte do conhecimento de Deus, as Sagradas Escrituras. Pois, após o homem ter cometido o pecado de não permanecer em estado de comunhão com o seu criador (cf. Gen 3) lhe restou a comunhão com o Senhor, mas não face a face como antes, e sim pela revelação que Deus faz de si mesmo na criação e nas Sagradas Escrituras, e pessoalmente por Seu Filho, Jesus Cristo enviado para nossa salvação (cf. Heb 1,1-4). E como resposta a essa pergunta, temos a figura emblemática da face tenebrosa do mal, chamado satanás, gerador do pecado e de todo desequilíbrio causado pelos homens de todos os tempos.

De fato, conhecemos Deus a partir de nossa criação; mas antes da criação natural já existia a criação sobrenatural e um certo infortúnio causado pelos anjos decaídos, que Deus nos deu conhecer com clareza (cf. Gen 2,15-17; Is 14,12-15; 1Pd 5,8) para que nunca perdêssemos a comunhão com Ele. É como está escrito: “Ora, Deus criou o homem para a imortalidade, e o fez à imagem de sua própria natureza. É por inveja do demônio que a morte entrou no mundo, e os que pertencem ao demônio prová-la-ão”. (Sab 2,23-24).

Com efeito, como foi dito acima, Deus é inacessível ao mal, isto é, o mal nunca pode ter acesso a Deus; mas, como a criação não é Deus, ele pôde ter acesso à criação e causar o escarcéu (desordem) que causou, mesmo conhecendo a punição por ter gerado tal pecado de desobediência na obra da criação. Ao homem, porém, que não foi o causador do pecado em si, mas apenas colaborou para que este existisse, Deus ofereceu o perdão, livrando-o da punição eterna, pelo arrependimento e o novo nascimento na ordem da graça pelo batismo, com a vinda do Seu Filho Jesus Cristo. Só não tem perdão quem não se arrepende e por isso mesmo não deixa o pecado, porque todo homem que experimenta o perdão oferecido por Cristo Jesus Cristo e deixa o pecado, recebe a graça da salvação e da santificação de sua alma e passa a viver desde já como um filho de Deus.

Então, o que é um ser sem pecado? É o Ser perdoado por Deus e que permanece em estado puro, sem mácula; é o ser em plena posse da graça santificante do Senhor; é aquele que nasceu da água e do Espírito Santo pelo batismo e vive nesse estado de graça permanente, isto é, em plena comunhão com a vontade de Deus, praticando aquilo que é próprio aos filhos e filhas consagrados e destinados ao Reino dos Céus. Como nos ensinou São Paulo: “De agora em diante, pois, já não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo. A lei do Espírito de Vida me libertou, em Jesus Cristo, da lei do pecado e da morte”. (Rom 8,1-2).

Portanto, cabe a cada um de nós que somos batizados, a vivência do nosso batismo, isto é, a vivência de todas as virtudes eternas que estão em nossas almas e que dão os frutos de nossa permanência em Cristo Jesus, como ele mesmo nos ensinou: “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará; e podará todo o que der fruto, para que produza mais fruto. Vós já estais puros pela palavra que vos tenho anunciado. Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim.

Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não permanecer em mim será lançado fora, como o ramo. Ele secará e hão de ajuntá-lo e lançá-lo ao fogo, e queimar-se-á. Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis tudo o que quiserdes e vos será feito. Nisto é glorificado meu Pai, para que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos”. (Jo15,1-8).

Com toda certeza, Maria Santíssima mãe de Jesus e nossa mãe, é esse ser sem pecado, ela é imaculada por excelência, porque dela nasceu o Filho de Deus, gerado pelo Espírito Santo. Por isso, em vista de sua maternidade divina não conheceu pecado algum, pois vivia tão unida ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, que nenhuma sobra de pecado pairou sobre ela. Dos seres humanos ainda em vida, Maria Santíssima é a primeira redimida e assim permaneceu todos os dias de sua vida, por isso, Deus a elevou aos céus em corpo e alma, por não conhecer corrupção alguma. (cf. At 2,31). Assim também todo aquele que nasceu de Deus e permanece em Cristo não peca (cf. 1Jo 3,5-6), pode até cair em pecado se assim decidir, mas se permanecer em estado de graça, viverá conforme a santidade que lhe comunica o Senhor na eucaristia.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria, OFMConv.


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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

AS INVOCAÇÕES DA LADAINHA DE NOSSA SENHORA ( PARTE 2)




















AS INVOCAÇÕES DA LADAINHA DE NOSSA SENHORA (PARTE 2)

Mãe da divina graça

Quando tratamos do mistério da fé aquilo que primeiro pensamos é a graça de Deus, porque dela precisamos permanentemente. A vida humana e a vida em geral é traduzida por dependência, exatamente porque dependemos em tudo para que a vida seja plena, quer em sua naturalidade quer para além de sua naturalidade. O apóstolo São João assim escreveu em seu Evangelho: ”Todos nós recebemos da sua plenitude graça sobre graça. Pois a lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo. Ninguém jamais viu Deus. O Filho único, que está no seio do Pai, foi quem o revelou”. (Jo 1,16-18).

Ora, Maria é a mãe da divina graça porque toda a graça divina nos veio por seu Filho Jesus Cristo como escreveu o apóstolo São João. Assim também nos ensinou São Paulo: “Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto do céu nos abençoou com toda a bênção espiritual em Cristo...” (Ef 1,3). Logo, essa invocação corresponde perfeitamente à Sagrada Escritura, e a própria Virgem Mãe testifica essa verdade revelada por Deus: “porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo”. (Lc 1,49).

Mãe puríssima

Puríssima é a mãe do puro amor, ou seja, sem mancha alguma, porque somente habitada por Deus. A feliz mãe do Senhor nos dá esse testemunho de pureza, pois somente a ela foi dado o privilégio de ser a mãe do Único Filho de Deus feito homem. De fato, Deus criou o homem e a mulher em estado de graça, isto é, perfeitos, sem a mancha do pecado. Com Maria, deu-se o mesmo fenômeno, ela foi redimida desde sua concepção, por isso, ela é puríssima em todos os sentidos. É isso o que nos revela São Lucas na visitação do anjo: “Entrando o anjo disse-lhe: ‘Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo’”. (Lc 1,28). Assim compreendemos que Maria é a mais pura das criaturas em vista, como revelou São Lucas, do “ente santo”, que dela nasceu.

Mãe castíssima

A castidade é a virtude própria dos filhos e filhas de Deus, pois todos nascemos castos, isto é, consagrados naturalmente a Deus por nossa virgindade inata. Em Maria Deus elevou essa virtude à plenitude, ou seja, à dignidade de atributo, aquilo que lhe é próprio por toda vida, porque mesmo dando a luz, Maria permaneceu casta em toda a sua integridade, isto é, virgem antes, durante e depois do parto. Portanto, nunca houve contato psíquico, físico-sexual entre a mãe de Deus e qualquer criatura neste mundo, desse modo, o ser castíssimo de Maria advém de sua escolha e missão que se perpetua por toda a eternidade. Ninguém jamais receberá esse privilégio, porque a mãe do Senhor é a única que o recebeu.

Mãe Imaculada

Quando em Lourdes, na França, Maria em visão apareceu à pequenina Bernadette de Soubirous, esta a contemplou, e assim descreveu: “Uma vez finalmente, com os braços para frente, ela olhou para o céu em sinal de profunda humildade e obediência a Deus e disse-me: "EU SOU A IMACULADA CONCEIÇÃO". Ou seja, a Virgem Mãe confirmou o que as Escrituras Sagradas já havia revelado a respeito de quem era a mãe do Messias, o enviado de Deus para a salvação de toda humanidade (Cf. Is 7,14; Lc 1,26-35). Felizes de nós que também somos seus filhos por adoção, (Cf. Jo 19,26-27), porque desse modo temos no céu uma mãe imaculada que intercede por nós junto a Jesus, seu Filho e Filho de Deus muito amado.

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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