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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O SIM DE MARIA...


O SIM DE MARIA...

De todas as graças derramadas sobre a humanidade a maior e mais sublime delas foi e é o sim da Santíssima Virgem Maria, pois por este sim, Deus renovou todas as coisas, porque o sim de Maria é Jesus de Nazaré, o Messias, o Filho amado de Deus, que se fez homem pela ação do Espírito Santo, no seio virginal da santa mãe de Deus. Assim como Deus criou a primeira mulher, a virgem Eva, sem pecado num paraíso; também criou a Virgem Maria no Espírito Santo, a segunda Eva, também sem pecado; só que há uma grande diferença entre elas; a primeira Eva disse não a Deus, mesmo criada num paraíso com todas as condições para dizer sim a Ele; enquanto que a segunda Eva, Maria, também criada no ventre-paraíso de sua mãe Ana (cf. Jo 1,12-13), disse sim ao seu Senhor e Salvador: “Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”. (Lc 1,38). Ou seja, Maria não teve nenhum diálogo ou contato com o mal, mas somente com Deus. Desse modo, pelo sim incondicional da Santíssima Virgem Mãe, Deus gerou o seu Filho, Jesus Cristo, e fez por ele nova todas as coisas.

Então, o que é o sim de Maria? É o sublime acontecimento que fecha e sela o Antigo Testamento com o cumprimento de todas as suas profecias; e por sua vez, abre o Novo Testamento com o Nascimento do Messias prometido, o Emanuel, isto é, o Deus conosco, o Cristo Senhor; o Rei que se sentaria eternamente sobre o trono de seu pai, o rei Davi; o Redentor nosso, e de toda a obra da criação, o Novo Adão. Assim, todos os acontecimentos do Novo Testamento até os dias de hoje, como plano salvífico do Senhor, começaram a partir do sim da Virgem Maria. Seu sim é o marco divisor da antiga e da nova criação; da antiga e da nova aliança; da queda e do soerguimento da humanidade; da vida temporal e da vida eterna.

Tudo o que Deus fez é bom, belo e eterno; e não vai ser o demônio nem sua vontade maléfica, que vai atrapalhar o desígnio criador e redentor do nosso Deus e Pai. A princípio, o mal conseguiu ludibriar Adão e Eva, mas ficou só nisso; porque com o advento do Filho de Deus feito homem, Novo Adão, no ventre da Nova Eva, a Virgem Maria, a humanidade conheceu o seu novo destino eterno, a salvação pela remissão dos pecados. Para isto, Deus deu o seu Filho Jesus em sacrifício vivo de expiação de todos os pecados da humanidade. E só perde este benefício quem não reconhece Jesus Cristo como Senhor e Salvador, Aquele que nos torna Um em sua Igreja, que é o seu Corpo Místico (cf. Cl 3,18; Ef 5,21ss), a parte visível do Reino de Deus neste mundo; fundada sobre os apóstolos tendo sua Santa Mãe entre eles, no Cenáculo no dia de Pentecostes (cf. At 1,12-14).

Desde então, a Igreja se mantém firme no propósito salvífico do Senhor, ou seja, ser o Sacramento universal da salvação, tendo no Santo Padre, o Papa (Pedro apóstolo, príncipe dos apóstolos), o regente escolhido por Cristo (cf. Mt 16,17-17; Jo 21,15-19) para conduzir suas ovelhas ao Reino dos Céus, sob a permanente assistência do Espírito Santo, tendo Maria (Nova Eva) como a mãe de todas as almas redimidas por seu sacrifício de cruz (cf. Jo 19,26-27).

Eis, a seguir, uma das mais belas meditações sobre o sim da Virgem Maria, feita por São Bernardo, em uma de suas homilias:

O mundo inteiro espera tua resposta ó Maria... (*)

Ouviste, ó Virgem, que vais conceber e dar à luz um filho, não por obra de homem – tu ouviste – mas do Espírito Santo. O Anjo espera tua resposta: já é tempo de voltar para Deus que o enviou. Também nós, Senhora, miseravelmente esmagados por uma sentença de condenação, esperamos tua palavra de misericórdia. Eis que te é oferecido o preço de nossa salvação; se consentes, seremos livres. Todos fomos criados pelo Verbo eterno, mas caímos na morte; com uma breve resposta tua seremos recriados e novamente chamados à vida.

Ó Virgem cheia de bondade, o pobre Adão, expulso do paraíso com a sua mísera descendência, implora a tua resposta; Abraão a implora, Davi a implora. Os outros patriarcas, teus antepassados, que também habitam a região da sombra da morte, suplicam esta resposta. O mundo inteiro a espera, prostrado a teus pés. E não é sem razão, pois de tua palavra depende o alívio dos infelizes, a redenção dos cativos, a liberdade dos condenados, enfim, a salvação de todos os filhos de Adão, de toda a tua raça.

Apressa-te, ó Virgem, em dar a tua resposta; responde sem demora ao Anjo, ou melhor, responde ao Senhor por meio do Anjo. Pronuncia uma palavra e recebe a Palavra; profere a tua palavra e concebe a Palavra de Deus; dize uma palavra passageira e abraça a Palavra eterna.

Por que demoras? Por que hesitas? Crê, consente, recebe. Que tua humildade se encha de coragem, tua modéstia de confiança. De modo algum convém que tua simplicidade virginal esqueça a prudência. Neste encontro único, porém, Virgem prudente, não temas a presunção. Pois, se tua modéstia no silêncio foi agradável a Deus, mais necessário é agora mostrar tua piedade pela palavra.

Abre, ó Virgem santa, teu coração à fé, teus lábios ao consentimento, teu seio ao Criador. Eis que o Desejado de todas as nações bate à tua porta. Ah! se tardas e ele passa, começarás novamente a procurar com lágrimas aquele que teu coração ama! Levanta-te, corre, abre. Levanta-te pela fé, corre pela entrega a Deus, abre pelo consentimento. Eis aqui, diz a Virgem, a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1,38).

Paz e Bem!

(*) Das Homilias em louvor da Virgem Mãe, de São Bernardo, abade
(Hom. 4,8-9: Opera omnia, Edit. Cisterc. 4, [1966], 53-54)(Séc. XII)

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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

DEVOÇÃO DA ORDEM FRANCISCANA À IMACULADA CONCEIÇÃO


DEVOÇÃO DA ORDEM FRANCISCANA A IMACULADA CONCEIÇÃO

Devoto é aquele que acende a chama da devoção em seu coração, por reconhecer as maravilhas de Deus nos filhos e filhas que Ele santificou, ou seja, é aquele que procura honrar com profundo amor as almas escolhidas e santificadas por Deus, pedindo sua intercessão para que se cumpra em sua vida o plano da salvação que o Senhor traçou para toda humanidade.

Nosso Seráfico pai, São Francisco, muito contribuiu para a devoção mariana com o seu exemplo de fé na Mãe de Deus. São Boaventura, na sua Legenda Maior, assim escreveu sobre sua devoção: “Seu amor para com a bem-aventurada Mãe de Cristo, a puríssima Virgem Maria, era de fato indizível, pois nascia em seu coração quando considerava que ela havia transformado em irmão nosso o próprio Rei e Senhor da glória e que por ela havíamos merecido alcançar a divina misericórdia. Em Maria, depois de Cristo, punha toda sua confiança. Por isso, a escolheu para advogada sua e de seus irmãos e jejuava com muita devoção em honra dela desde a festa dos apóstolos Pedro e Paulo até à festa da Assunção.” (LM IX,3,1-2). Também o primeiro Biógrafo de São Francisco, Beato Tomás de Celano, escreveu o seguinte: «Rodeava de um amor indizível a Mãe de Jesus, por ter feito irmão nosso o Senhor de toda a majestade. Em sua honra cantava louvores especiais, arguia-lhe súplicas, consagrava-lhe afetos, tantos e tais que nenhuma língua humana os conseguiria exprimir.» (Vida Segunda: 198,1-2). Uma dessas expressões de louvor de São Francisco se encontra na Antífona “Santa Virgem Maria” no Ofício da Paixão do Senhor, composto por ele: “Santa Virgem Maria, não veio a este mundo mulher semelhante a ti, filha e serva do Rei altíssimo, o Pai celeste, mãe de nosso santíssimo Senhor Jesus Cristo, esposa do Espírito Santo, roga por nós juntamente com São Miguel Arcanjo e todas as Virtudes do céu e todos os Santos, a teu santíssimo e dileto Filho, nosso Senhor e Mestre”.[1] Logo, seu amor e devoção à Santíssima Virgem, tornou-se fonte de inspiração e exemplo para toda a Ordem e os fiéis em geral que o escutava e seguia seus passos devocionais fielmente.

Com efeito, como herança dessa santa devoção, lembramos a nossa querida e amada Coroa Franciscana, que trata da oração em honra das sete alegrias que Maria Santíssima viveu aqui na terra. Segundo o irmão Luke Wedding,[2] historiador franciscano, essa devoção começou em 1422 com um jovem noviço muito piedoso que por uma visão recebeu a incumbência de divulgá-la a pedido da Mãe do Senhor, e logo se difundiu tal devoção por toda a Família Franciscana. Esta devoção é favorecida com muitas indulgências concedidas pelos Papas, são ganhas pelos Franciscanos e os fiéis devotos que rezarem a Coroa Franciscana.

Daí, concluímos que a devoção da Ordem Franciscana à Imaculada Virgem Maria, baseia-se na ardente devoção de São Francisco. Ele é tão eloquente em sua devoção para com a “Mãe do Senhor” que consagrou as três Ordens que fundou aos seus cuidados. A primeira Ordem teve início justamente aos pés de Nossa Senhora dos Anjos, ou seja, numa capelinha dedicada à Mãe do Senhor, chamada Porciúncula, em Assis. É por isso, que nos registros dos Frades Menores Conventuais, em sua Cúria Geral em Roma, todos os frades recebem o nome de Maria como complemento no nome próprio, em sinal dessa consagração da Ordem à Virgem Imaculada, Mãe do Senhor e nossa Mãe.

Por fim, em sua mensagem, por ocasião do Capítulo da OFM em Assis (10/05/2003), o Beato João Paulo II, exortou ao Ministro Geral e todos os frades, dizendo: “Dirigi-vos todos os dias à "Virgem que se fez Igreja" (Francisco Saudação à Bem-Aventurada Virgem Maria: FF 259), à Rainha dos Apóstolos, à "Advogada da Ordem" (Celano, Vita seconda, CL, 198: FF 786), com a oração do Rosário, oração extraordinariamente evangélica e franciscana”.[3]

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.






















[1] Escritos de São Francisco de Assis, Ofício a Paixão do Senhor, pag 140
[2] http://www.pvsantoantonio.com.br/oracaocatolica/corm10.html (14/02/2011).
[3]http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/2003/june/documents/hf_jpii_spe_20030604_frati-minori_po.html (05/11/ 2013)

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sábado, 30 de março de 2013

AS INVOCAÇÕES DA LADAINHA DE NOSSA SENHORA (XXIV)





AS INVOCAÇÕES DA LADAINHA DE NOSSA SENHORA (XXIV)

Rainha dos Apóstolos

O Messias é carne de minha carne e sangue do meu sangue, gerado pelo Espírito Santo em meu seio virginal. Somente Maria Santíssima pôde proclamar essa verdade, como Verdade Definitiva (cf. Lc 2,1-21), e a Igreja a confirmou (cf. LG, Cap. VIII); pois foi por essa verdade que toda a humanidade conheceu Deus pessoalmente, por meio do seu Filho, Jesus Cristo. Assim, pelo sim de Maria, o Verbo se fez Carne e habitou no meio de nós; fundou a Igreja, seu Corpo Místico, sob os apóstolos e sua Mãe, presentes no dia de Pentecostes quando o Espírito Santo foi enviado de sua parte, conforme prometera. Desse modo, Maria é a mãe da Igreja, mãe dos apóstolos e de todos os filhos da Igreja que nasceram do Sacramento do batismo.

Ora, no Evangelho de São João, antes de sua morte, Jesus já havia anunciado essa verdade que se cumpriu em Pentecostes:”Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: 'Mulher, eis aí teu filho'. Depois disse ao discípulo: 'Eis aí tua mãe'. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa”. (Jo 19,25-27). Portanto, Jesus é o soberano do céu e da terra e Maria, sua mãe, é a Rainha, não somente dos apóstolos, mas também de todos os filhos e filhas de Deus, participantes do Reino dos Céus.

Rainha dos Mártires

A grandeza dos mártires se encontra no seu testemunho de sangue, pois são capazes da dá a vida pela causa que defendem, por isso, não temem a morte, porque sabem que sairão vitoriosos dessa batalha espiritual, por sua total doação a Deus. Maria Santíssima, em seu martírio de dor, sofreu o martírio com seu Filho, Jesus, oferecendo-o ao Pai em expiação pelos nossos pecados. Todos os mártires têm no martírio de Jesus e de Maria o seu fundamento; porque ser mártir não é uma simples decisão pessoal, mas é uma escolha divina que lhes dá a honra de imitar perfeitamente Jesus Cristo em sua morte de cruz.

O Reino de Deus é também Reino dos Mártires, e Jesus, por ser o Rei dos Mártires, nos deu sua Mãe, mártir consigo em seu suplício de dor, para ser a Rainha de todos os que dão a vida pela causa do Reino; nesse sentido, todo aquele que se entrega a Deus sofre com Jesus e Maria, o martírio da fé, pois renunciam a si mesmos para carregar sua cruz com Jesus. Eis o que escreveu São Paulo na Carta aos Romanos:”Ou ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte?” (Rom 6,3). Assim, o batismo nos torna mártires da fé por seguirmos o mesmo propósito de Jesus e de sua Mãe santíssima, a obediência perfeita à Vontade do Pai.

Rainha dos Confessores

Confessar a fé é dizer com suas palavras e confirmar com sua vida que Jesus Cristo é o Senhor, a quem ama, adora e serve publicamente sem receio algum nesse seu seguimento. O testemunho mais perfeito da união com Jesus e do seu seguimento o deu Maria Santíssima, pois, é isso que ela nos ensina, quando disse:”Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”. (Lc 1,38). E ainda:”Fazei o que ele vos disser”. (Jo 2,5). No tempo dos mártires de sangue, estes eram chamados confessores, porque eram martirizados por confessarem a fé em Jesus Cristo publicamente e morrerem por ela; hoje, tempo dos mártires da fé, são confessores todos os que confessam sua fé em Jesus Cristo, quer por palavras quer por obras; pois não baste dizer que Jesus é o Senhor, mas é preciso também apresentar as virtudes eternas que nos levam a permanecer nele pela santidade de vida. Maria santíssima é a Rainha dos confessores, porque confessou ardentemente por sua vida e palavras que seu Filho amado é o Emanuel, Deus conosco, Senhor do Céu e da terra; e com isso, tornou-se modelo de perfeição para todos os que confessam que Jesus Cristo é o Senhor, que vive e reina para sempre. Amém!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.

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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O SIM DE MARIA SANTÍSSIMA





O SIM DE MARIA SANTÍSSIMA

Todos nós podemos dizer sim a Deus, porém, de que forma e com que objetivo? E, em que resulta este nosso sim? Como podemos saber isto? Todo sim dado a Deus tem uma história de vida por trás dele, isto significa que os acontecimentos de nossa existência não são por acaso. De fato, por termos origem divina, tudo em nosso ser e existir transpõe os limites de nossa natureza, por isso, o nosso viver depende das escolhas e decisões que tomamos, baseados nos dons que de Deus recebemos. Todavia, não podemos nunca excluir Deus dessas escolhas e decisões, pois se o fizermos fatalmente nos destinamos à ruína eterna, visto que sem Deus nada subexiste  por muito tempo, porque somente em Deus permanecemos eternamente. 

Bem nos ensinou São Paulo a esse respeito, quando disse: "O Deus, que fez o mundo e tudo o que nele há, é o Senhor do céu e da terra, e não habita em templos feitos por mãos humanas. Nem é servido por mãos de homens, como se necessitasse de alguma coisa, porque é ele quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas. Ele fez nascer de um só homem todo o gênero humano, para que habitasse sobre toda a face da terra. Fixou aos povos os tempos e os limites da sua habitação. Tudo isso para que procurem a Deus e se esforcem por encontrá-lo como que às apalpadelas, pois na verdade ele não está longe de cada um de nós. Porque é nele que temos a vida, o movimento e o ser..." (At 17,24-28a). 

De fato, segundo as Sagradas Escrituras, como vimos, a história humana começou com Adão e Eva, e depois do pecado destes, prosseguiu com seus descendentes até Deus Pai escolher um povo, na pessoa de Abraão, para amá-lo e servi-lo, e fazer nascer dele um salvador para toda a humanidade e toda criação; cumprindo assim, a promessa de salvação que havia feito aos nossos primeiros  pais, Adão e Eva, depois que pecaram (cf. 3,15). Desse modo, "quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, que nasceu de uma mulher e nasceu submetido a uma lei, a fim de remir os que estavam sob a lei, para que recebêssemos a sua adoção" (Gal 4,4-5). Ora, se Deus quis assim se fazer cumprir a sua vontade na Obra da Criação, é porque não quis fazer nada sem a nossa cooperação.

Agora, meditemos sobre o Sim de Maria, pois ele é o que há de mais original, em termos de cooperação com Deus, na história da salvação. O Sim da Virgem Mãe significa que nela se cumpriu todas as promessas que Deus havia feito aos Antigos Patriarcas, dos quais ela descende. Pois, com os Patriarcas Deus fez alianças, lhes deu uma Lei Sagrada, uma terra prometida e todos os favores para permanecerem fiéis e em comunhão com Ele. Mas, como não observaram suas leis e mandamentos, o Senhor enviou seus profetas que lhes anunciou com mais ênfase ainda a vinda do salvador prometido. Com efeito, o Profeta Isaías, assim profetizou: "Ouvi, casa de Davi: Não vos basta fatigar a paciência dos homens? Pretendeis cansar também o meu Deus? Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco". (Is 7,13-14). 

Com efeito, em cumprimento a essa profecia de Isaías, Deus enviou o Anjo Gabriel para anunciar à virgem Maria o nascimento de Seu Filho, Jesus Cristo (cf. Lc 1,26-38); este fato nos mostra claramente que os céus e a terra estão unidos, pois Deus veio habitar no meio de nós. Desse modo, podemos afirmar com toda convicção, que todos os acontecimentos que se deram depois da Encarnação do Verbo, tem seu fundamento na Vontade de Deus por meio do Sim de Maria:"Eis a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra". Assim, a partir desse Fiat (faça-se) da Santíssima Virgem, o Espírito Santo gerou Jesus em seu ventre, e o Deus Conosco  (Emanuel), tornou-se carne de sua carne e sangue de seu sangue (cf. Lc 1,26-38). Também a partir desse sim de Maria, Jesus foi apresentado ao Pai, por Simeão, no templo de Jerusalém; João Batista o apontou como o "Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (cf. Jo 1,29). Enfim, e por sua intercessão materna Jesus fez o primeiro milagre, antecipando sua hora de manifesta-se como o Messias enviado por Deus (cf. Jo 2,1012).

E confirmando ainda mais o seu Sim, em seu mais sublime ato de amor ao Pai, Maria ofereceu seu amado Filho, Jesus Cristo, no altar da Santa Cruz como nosso Redentor, assumindo com Ele o múnus sacrifical, e recebendo Dele a missão de Mãe da humanidade, como a Nova Eva (cf. Jo 19, 23-27). E vivendo mais intensamente o seu Sim, Maria Santíssima com os Apóstolos no Cenáculo, assistiu o nascimento da Igreja com a vinda do Espírito Santo na Teofania de Pentecostes (cf. At 1,12-14; 2,1-13); acompanhou a evangelização dos Apóstolos, o nascimento dos primeiros escritos destes; o crescimento do rebanho do Senhor; até que foi elevada ao céu em corpo e alma, conforme a vontade de Deus (cf. At 2,31).

O que dizer ainda mais do Sim de Maria? Todos os milagres de Cristo e dos Apóstolos; a revelação do Reino de Deus e de sua Justiça anunciada por Jesus; a pregação da Palavra em todo mundo conhecido; o perdão dos pecados estendido à todos os pagãos; a instituição dos Santos Sacramentos, em especial, a Eucaristia, o sacerdócio e a Santa Missa, enfim, todos os homens e mulheres que se santificaram ao longo da história da Igreja, tiveram sua gênese no Sim de Maria, ela que se fez "a serva do Senhor". Tudo o que vimos no seu Filho, tudo o que Ele fez e faz hoje e sempre, nasceram do Sim da Teotokos (Mãe de Deus).

Portanto, o Sim de Maria é o Sim fundacional da Nova Criação, da Nova Humanidade. Maria é para nós o milagre vivo de Deus; ela é a porta do céu, por onde Deus entrou no seio da humanidade e permanece conosco até o fim dos tempos. E mais ainda, em Maria e em seu Filho Jesus Cristo, Deus Pai nos deu não somente o Modelo Perfeito que sempre quis para a humanidade, mas também o Dom do Espírito Santo no novo nascimento na ordem da graça pelo batismo, para que assim fôssemos adotados como seus filhos e filhas amados. 

Destarte, meditemos mais um pouco sobre o Sim de Maria, Mãe de Jesus e nossa mãe, com suas próprias palavras: 

"E Maria disse: Minha alma glorifica ao Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem. Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes. Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos. Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia, conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre". (Lc 1,46-55).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.



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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

ALEGRAI-VOS, Ó CHEIA DE GRAÇA, O SENHOR É CONVOSCO





ALEGRAI-VOS, Ó CHEIA DE GRAÇA, O SENHOR É CONVOSCO


O santo, que nascer de ti, será chamado Filho de Deus (cf. Lc 1,35), fonte de sabedoria, o Verbo do Pai nas alturas! Este Verbo, através de ti, Virgem santa, se fará carne, de modo que aquele que diz: Eu no Pai e o Pai em mim (Jo 10,38), dirá também: Eu saí do Pai e vim (Jo16,28).

No princípio, diz João, era o Verbo. Já borbulha a fonte, mas por enquanto apenas em si mesma. Depois, e o Verbo era com Deus (Jo 1,1), habitando na luz inacessível. O Senhor dizia anteriormente: Eu tenho pensamentos de paz e não de aflição (cf. Jr 29,11). Mas teu pensamento está dentro de ti, ó Deus, e não sabemos o que pensas; pois quem conheceu a mente do Senhor ou quem foi seu conselheiro? (cf. Rm 11,34).

Desceu, por isto, o pensamento da paz para a obra da paz: O Verbo se fez carne e já habita em nós (Jo 1,14). Habita totalmente pela fé em nossos corações, habita em nossa memória, habita no pensamento e chega a descer até a imaginação. Que poderia antes o homem pensar sobre Deus, a não ser talvez fabricando um ídolo no coração? Era incompreensível e inacessível, invisível e inteiramente impensável; agora, porém, quis ser compreendido, quis ser visto, quis ser pensado.

De que modo, perguntas? Por certo, reclinado no presépio, deitado ao colo da Virgem, pregando no monte, pernoitando em oração; ou pendente da cruz, pálido na morte, livre entre os mortos e dominando o inferno; ou ainda ressurgindo ao terceiro dia, mostrando aos apóstolos as marcas dos cravos, sinais da vitória, e, por último, diante deles subindo ao mais alto do céu.

O que não se poderá pensar verdadeira, piedosa e santamente disto tudo? Se penso algo destas realidades, penso em Deus e em tudo ele é o meu Deus. Meditar assim, considero sabedoria, e tenho por prudência renovar a lembrança da suavidade que, em essência tão preciosa, a descendência sacerdotal produziu copiosamente, e que, haurindo do alto, Maria trouxe para nós em profusão.

Não há quem seja semelhante a vós, Virgem Maria, entre as filhas de Sião. Sois a Mãe do Rei dos reis, sois dos anjos a Senhora e dos céus sois a Rainha. Sois bendita entre todas as mulheres desta terra e bendito é o fruto que nasceu de vosso ventre! Maria, alegrai-vos, ó cheia de graça, o Senhor é convosco.

Paz e Bem!

Fonte: Dos Sermões de São Bernardo, abade (Sermo de Aquaeductu: Opera omnia, Edit. Cisterc. 5[1968],282-283) (Séc.XII)

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

AS INVOCAÇÕES DA LADAINHA DE NOSSA SENHORA (XIX)



AS INVOCAÇÕES DA LADAINHA DE NOSSA SENHORA (XIX)

Rosa mística

Mística é o modo de ser da alma imersa na graça santificante do Senhor; diz-se ainda da alma piedosa conduzida pelo Espírito Santo e totalmente obediente à vontade de Deus. Assim, gozando da intimidade do Altíssimo, segue os seus conselhos fielmente e se deixa tomar por seu infinito amor para amar o Senhor acima de todas as coisas e amar ao próximo como a si mesmo, isto é, como Deus quer.

Ora, pela experiência que temos em nossa naturalidade, sabemos da delicadeza das flores, seu perfume, sua beleza e esplendor. Pois, o que seria da natureza sem as flores e sua beleza esplendorosa? Sem o odor agradável que elas nos trazem? Também, em nossos relacionamentos e forma de expressão, as flores estão presentes desde o nosso nascimento aos mais diversos acontecimentos de nossa vida; até mesmo nas coroas que enfeitam os esquifes, desde os mais pobres aos mais ricos. E, sem dúvida alguma, a rosa é a flor que mais se destaca entre as demais. Na verdade, a rosa é a rainha das flores. É aquela que possui de forma mais definida e esplêndida tudo quanto caracteriza uma flor. Igualmente Nossa Senhora, no campo da vida espiritual ou mística, possui de forma mais primorosa tudo aquilo que representa a perfeição.

Assim, Maria Santíssima é Rosa Mística, porque em sua delicadeza de filha amada, esposa do Espírito Santo e Mãe do Filho de Deus, deixou-se tomar pelo Perfume Odorífico de Seu Senhor e Pai Eterno, para ficar na história da humanidade como a Nova Eva, mãe da Nova Criação. Maria é de fato, a mais Bela flor do Jardim de Deus, aquela que exalou o mais agradável Odor de nossa Salvação, pelo Filho amado que trouxe em seu ventre e nos libertou do pecado e de toda escravidão.

Ó Mãe Santíssima, és a Rosa Mística que embeleza o novo Jardim do Éden, onde não mais existe pecado algum nem a presença do mal; onde todos os teus filhos e filhas, em santidade e justiça, embelezam, quais flores redimidas por teu Filho Jesus Cristo, os canteiros do Jardim da Glória de Deus por toda a eternidade. Amém!

Torre de Davi

“Lemos na Sagrada Escritura que o rei Davi tomou a fortaleza de Jerusalém dos Jebuseus e edificou a cidade em torno dela. "E Davi habitou a fortaleza, e por isso se chamou cidade de Davi" (1Cro 11,7). Naturalmente, o rei Davi fortificou a cidade, para torná-la inexpugnável, e a dotou de forte guarnição. A Igreja Católica é a nova Jerusalém, e nela temos uma torre ou fortaleza que nenhum inimigo pode invadir ou destruir, que é Nossa Senhora”, porque onde não há pecado, não há lugar para o mal nem para os inimigos da fé. Por isso, ela constitui o ponto de maior resistência e melhor defesa da nossa fé Católica.  “Assim, nesta invocação, honramos a Virgem Santíssima reconhecendo que nunca houve, nem haverá quem melhor proteja os fiéis e defenda a honra de Deus do que Ela”.

Torre de Marfim

O marfim é um material que tem características raras na natureza. Ele é ao mesmo tempo muito forte e muito claro”. Igualmente Nossa Senhora é espiritualmente fortíssima, a maior inimiga dos inimigos de Deus, e de uma pureza e santidade alvíssima. “Assim Ela contraria a falsa ideia de que as coisas de Deus devam ser sempre muito doces, suaves e fracas, ou que a verdadeira força têm-na os impuros”.

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

AS INVOCAÇÕES DA LADAINHA DE NOSSA SENHORA (VIII)



AS INVOCAÇÕES DA LADAINHA DE NOSSA SENHORA (VIII)


VASO ESPIRITUAL


Normalmente pensamos vasos como invólucros onde colocamos aquilo que é específico para o qual foram criados. Mas, quando tratamos da fé e daquilo que diz respeito à Deus e aos seus desígnios de amor, não tem como não usar de analogia (comparação) para dizermos algo que se refira à vontade de Deus e ao seu plano para a nossa salvação. De fato, Jesus muito usou de analogias em suas parábolas para revelar, não só a presença de Deus em suas ações, mas também o modo como Deus age na criação, para beneficiar nossas almas, libertar-nos do pecado, do poder do maligno e da morte, dando-nos assim a vida eterna para a qual nos criou.

Em Maria santíssima, Vaso espiritual, o nosso salvador encontrou tudo o que a criatura amada pode lhe oferecer para a realização do Plano de Deus para a nossa salvação. (cf. Lc 1,26-28). E nela, Ele, o Verbo de Deus, se fez carne e habitou entre nós; e a ela deu viver permanentemente habitada e conduzida pelo Espírito Santo, para fazer em tudo, a Santa Vontade de Deus Pai. De todas as criaturas, Maria santíssima é, de fato, o único Vaso infinitamente santo, pois nela não há pecado nem nunca houve; porque trabalhada pelo Oleiro Divino desde toda a eternidade, em vista de Seu Filho Santo, assim foi criada para que trouxesse a este mundo Aquele que nos santificaria com sua vinda bendita.

VASO DIGNO DE HONRA


Honrar é reconhecer o que de fato é. Ora, tudo o que é autentico é permanente, porque revela a fonte que gerou o que é. Todos os seres que Deus criou são únicos, porque não existem cópias no Reino de Deus. Sem dúvida alguma, nós, seres humanos, trazemos em nossas entranhas a unicidade do nosso criador e é isto que nos faz ser suas imagens e semelhanças autênticas. Diante de Deus ninguém pode se gloriar, mas podemos reconhecer a glória de Deus que se manifesta em seus filhos e filhas pela prática das virtudes eternas.

Assim sendo, quando honramos a Virgem Mãe de Jesus, reconhecemos nela a perfeição das graças que Deus lhe prodigalizou. Vejamos os exemplos a seguir: sua perfeita obediência para com o Criador ao aceitar ser a Mãe do Verbo Encarnado (cf. Lc 1,38); a perfeita sintonia com seu Filho amado na antecipação de sua hora no milagre das bodas (cf. Jo 2,3-5); a perfeita oferta que fez do seu Filho no patíbulo da cruz quando recebeu dele a maior de todas a graças, ser a mãe da Nova Criação (cf. Jo 19,25-27); e a perfeita sintonia com o Espírito Santo quando de sua vinda, conforme a promessa de Jesus, sobre toda a Igreja (cf. At 1,6-8.12-14). Por tudo isso, ó Virgem Santíssima, recebe a nossa honra e o nosso louvor “porque o Senhor fez em ti maravilhas, Santo é o Seu Nome”. “Ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria”; mãe nossa, senhora nossa! Amém!

Vaso insigne de devoção


A verdadeira devoção tem como marca principal, a comunhão de coração, a participação no Plano Salvífico de nossa redenção, a vida vivida em permanente estado de graça, ou seja, totalmente conduzida pelo Espírito Santo de Deus. Então, quem é o verdadeiro devoto, devota? É alguém que ama a Deus profundamente, alguém que lhe obedece fielmente e se dedica a Ele de todo coração, e por isso, se põe ao Seu serviço, procurando viver em tudo Sua Santa Vontade.

Neste sentido, a Mãe de Deus e nossa Mãe, pela graça santificante do Senhor fez valer, por sua devoção ao Pai Celeste e ao Seu Filho amado, as palavras que Ele mesmo dissera: “Sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito.” (Mt 5,48). Portanto, admiramos a Santa Mãe do Senhor por sua devoção e total consagração ao Pai celestial e ao seu Filho, Jesus Cristo; procuremos, pois, imitá-la em sua santa devoção; porque nela são notáveis todas as qualidades divinas com as quais o Espírito Santo a cumulou e quer nos cumular também. Ó Maria, vaso insigne de devoção, rogai por nós!

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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segunda-feira, 13 de agosto de 2012

AS INVOCAÇÕES DA LADAINHA DE NOSSA SENHORA (VII)



AS INVOCAÇÕES DA LADAINHA DE NOSSA SENHORA (VII)


Espelho de justiça

A justiça é tão importante para a unidade e o bem estar da humanidade, que o Senhor reservou uma bem-aventurança só pra ela: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!” (Mt 5,6). De fato, não existe paz, alegria, amor, felicidade, onde a injustiça impera, por isso, a justiça é condição “sini qua non” (sem a qual não pode ser) para que haja equilíbrio em nossa sociedade, para que a verdade e a igualdade prevaleçam e sejam fundamentos de nossas mútuas relações.

Deus é infinitamente Justo e quando quis revelar sua Divina Justiça, fez vir a este mundo o Seu Filho, Justo e Santo, nascido do ventre santo de Maria, para justificar, pelo derramamento de Seu Sangue, todo homem nascido neste mundo, como nos ensinou São Paulo: ”Deus o destinou para ser, pelo seu sangue, vítima de propiciação mediante a fé. Assim, ele manifesta a sua justiça; porque no tempo de sua paciência, ele havia deixado sem castigo os pecados anteriores. Assim, digo eu, ele manifesta a sua justiça no tempo presente, exercendo a justiça e justificando aquele que tem fé em Jesus.” (Rom 3,25-26). Desse modo, compreendemos que Maria santíssima, reflete como num espelho, qual aurora vespertina, a Justiça do Altíssimo, trazendo-a visivelmente a este mundo na pessoa do seu Filho, Jesus Cristo, concebido do Espírito Santo. Em Maria, a serva fiel e justa, brilha a luz da Justiça divina, porque ela é a primeira justificada e redimida pelo Messias, que veio a este mundo, por meio dela, para nos salvar.

Sede da sabedoria

A Sabedoria de Deus, o Divino Espírito Santo, pela Vontade do Altíssimo, desde a concepção imaculada da Virgem Maria, passou a conduzi-la e a fez, pelo seu sim, conceber Jesus. A partir de então, Maria Santíssima, passou também a ser Sede da Sabedoria de Deus, e a expressou ao mundo como Tesouro Inesgotável de Justiça e Santidade, pela ação do mesmo Espírito Santo que nela passou a habitar definitivamente, pois, Jesus é o Emanuel, Deus conosco e no meio de nós, Aquele que nos ensina como chegar ao Reino dos Céus, à Glória de Deus Pai.

Com efeito, assim escreveu o hagiógrafo no Livro de Sabedoria: “Há nela, um espírito inteligente, santo, único, múltiplo, sutil, móvel, penetrante, puro, claro, inofensivo, inclinado ao bem, agudo, livre, benéfico, benévolo, estável, seguro, livre de inquietação, que pode tudo, que cuida de tudo, que penetra em todos os espíritos, os inteligentes, os puros, os mais sutis. Mais ágil que todo o movimento é a Sabedoria, ela atravessa e penetra tudo, graças à sua pureza. Ela é um sopro do poder de Deus, uma irradiação límpida da glória do Todo-poderoso; assim mancha nenhuma pode insinuar-se nela”.

“É ela uma efusão da luz eterna, um espelho sem mancha da atividade de Deus, e uma imagem de sua bondade. Embora única, tudo pode; imutável em si mesma, renova todas as coisas. Ela se derrama de geração em geração nas almas santas e forma os amigos e os intérpretes de Deus, porque Deus somente ama quem vive com a sabedoria! É ela, com efeito, mais bela que o sol e ultrapassa o conjunto dos astros. Comparada à luz, ela se sobreleva, porque à luz sucede a noite, enquanto que, contra a Sabedoria, o mal não prevalece”. (Sab 7,22-30).

Causa da nossa alegria

A alegria é um sinal de vitória, ela expressa a felicidade que nos invada e torna nossa vida um mar sem fundo, transparente, límpido, pleno de satisfação. A alegria verdadeira é fruto do Espírito Santo na alma humana, ela é dom inefável da glória do Altíssimo presente nos corações obedientes que o amam e o servem dia e noite sem cessar. (cf. Sl 1,2). Quando tratamos das alegrias de nossa Senhora, tratamos também da nossa, pois ela é a causa de nossa alegria eterna, porque por ela nos veio o salvador de nossas almas, Aquele que nos dá a alegria da ressurreição, da vida eterna.

Nós, franciscanos, temos a felicidade de celebrarmos na coroa franciscana as alegrias de nossa Senhora, justamente porque Maria é Mãe e modelo da perfeita alegria. Portanto, sábio é todo aquele que, como Maria, se deixa tomar pela Sabedoria Divina e a expressa, quer seja por suas palavras, quer seja por uma vida digna que saboreia as graças inefáveis de Deus e as transbordam quais torrentes cristalinas.

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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