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sexta-feira, 2 de março de 2012

Franciscanos no Grão-Pará e Maranhão: 1622-1750

Uma tese que poderá interessar quem estuda Historia do Franciscanismo no Brasil:

Título: A missionação franciscana no estado do Grão-Pará e Maranhão (1622-1750) : agentes, estruturas e dinâmicas

Autora: Amorim, Maria Adelina, 1958-

Resumo: Esta Tese pretende analisar, partindo do conhecimento da sua estrutura interna, o modo como a Ordem Franciscana se implantou no antigo Estado do Grão-Pará e Maranhão, e aí exerceu o seu munus durante três séculos. Sistematiza-se, à luz de abundante documentação inédita, a orgânica desta Ordem Mendicante, os seus principais agentes, com destaque para Frei Cristóvão de Lisboa, e o seu percurso histórico na Amazónia colonial portuguesa. Explicam-se os mecanismos e dinâmicas de que os Menores, sobretudo os da Província de Santo António, responsável primeira desse processo, se serviram no decurso do seu apostolado, relacionando-a com outras instituições e agentes, tanto no terreno, desde os moradores, índios ou brancos, aos membros de governação local e às outras ordens regulares e clero secular, como no Reino, desde a Coroa às instâncias que regulavam a vida eclesiástica e a missionação. Parte-se, assim, do entendimento do sentido de Missão da Ordem Franciscana nas suas bases arcanas, e a orgânica das estrutura daí decorrentes, tomando como pressuposto que, se não houvesse essa matriz fundadora – o desiderato de evangelizar, propagar a fé cristã, divulgar a mensagem, pregar o Evangelho –, a própria existência desta organização no antigo Estado colonial do Norte brasileiro estaria comprometida. Seguindo a exportação de práticas evangelizadoras e de modelos pedagógicos, a acção dos Franciscanos antoninos no espaço amazónico nos séculos XVII e XVIII foi uma história marcada por duas vertentes distintas e complementares: a fidelidade a valores de identidade e a um lugar de pertença, ou seja, uma instituição com Regra, estatutos e jurisdição próprios, e a aplicação desta, tantas vezes de forma contraditória e conflitual. Tal explica o papel identitário dos antoninos, e também os conflitos com as estruturas da governação colonial, os vários grupos laicos e religiosos e, até, os que existiram no seio da família franciscana entre os três ramos, com a chegada de frades da Piedade (1693) e a cisão com os da Conceição (1706). Tem que se entender o historial desta instituição, não só a partir da actuação no espaço colonial onde estavam integrados, mas também dentro da dinâmica da Ordem Seráfica, que foi sempre um factor determinante, fazendo valer privilégios, prerrogativas e jurisdições em qualquer lugar do antigo Império português. Importa perceber de que modo os Franciscanos actuaram, quais os processos que utilizaram, e o que tinham de diverso em relação a outras instituições afins; que marca 14 identitária lhes permitiu distinguirem-se dos outros agentes no terreno. Que diferença? Há diferença? E se a História precisa de interpretar os vestígios memoriais subjacentes, o presente estudo vem demonstrar que os Franciscanos não escreveram a sua História na areia, e que é r possível reavaliar este capítulo da historiografia luso-brasileira. É deste legado histórico, cultural, ideológico, e patrimonial, edificado pelos Franciscanos desde a formação do Estado pará-maranhense, a partir de 1621, que trata a presente dissertação.

Nota: Tese de doutoramento, História (História e Cultura do Brasil), Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras, 2012

Versão online: http://hdl.handle.net/10451/5393

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

15 de Novembro: Viva a República!

Paz e bem!

Há 121 anos
era proclamada a Republica
aqui no Brasil.

Mesmo chiando
contra algumas medidas
do governo republicano
a ICAR mais ganhou do que perdeu,
alguns exemplos:

1 Com a separação
entre Estado e Igreja,
foi o fim do regime do padroado.
Sob este regime
a criação de dioceses e paróquias
bem como a nomeação
de bispos e párocos
passava pela cora.

Ao final do império
havia muito poucas dioceses
para atender as nececidades
do catolicismo no Brasil.
Não à toa que em 25 anos
autmentou muito,
proporcionalmente, o número dioceses
e até arquidioceses.

2 A vida monástica no Brasil
voltou a respirar.

O império ambicionava
ter os bens dos mosteiros.
Para tanto,
em vez de expulsar
os monges e monjas
ou decretar sua desapropriação,
simplesmente proibiu
que se admitisse noviços e noviças;
pois quando morresse o último membro do mosteiro,
seus bens iriam para o Estado.

Com a República
acabou esta restrição.

Contudo,
devido ao pequeno número
de monges e monjas,
além de sua avançada idade;
para retomar regularmente
a vida monacal
foi necessária a vinda
de monges de fora do país.
Para senter idéia do estrago
que fora feito,
teve mosteiro
que quando os monges imigrantes chagaram
só havia um único monge brasileiro
para recebê-los.

domingo, 3 de maio de 2009

Ler a Bíblia no Brasil Hoje

Deu no Ayrton's Biblical Page:

Artigo originalmente publicado em Cadernos do Cearp n. 3 (maio de 1995), Ribeirão Preto: CEARP, p. 23-36. Atualizado em abril de 2009.

Fato incontestável é a redescoberta da Bíblia e o seu uso constante por todas as igrejas cristãs no Brasil, hoje. Este artigo quer refletir sobre algumas das muitas leituras feitas nos últimos anos. Um levantamento completo abrangeria muito mais. As limitações de quem escreve impõem, contudo, restrições objetivas e necessárias. Por isso, permaneço (quase que) só no âmbito católico e brasileiro. Embora suponha que alguns dados mencionados possam ser encontrados em outras igrejas e outros países latino-americanos. Um texto mais amplo do mesmo autor, com o título de Notas sobre alguns aspectos da leitura da Bíblia no Brasil hoje, pode ser lido na REB 50 (março de 1990), Petrópolis: Vozes, p. 117-137.

O assunto se dispõe em três partes - descrição, análise e perspectivas -, procurando responder, deste modo, a três questões:

· como se lê a Bíblia hoje?

· por que se lê a Bíblia hoje?

· para que se lê a Bíblia hoje?

1. Como se Lê a Bíblia Hoje?

1.1. A Descoberta da Bíblia no Brasil

A presença da Bíblia no Brasil, nos meios católicos, começa a ser mais significativa a partir da década de 40. Por detrás disso há um fato dos mais importantes. Refiro-me à encíclica de Pio XII, Divino afflante Spiritu [Inspirados pelo Espírito Divino], de 30 de setembro de 1943. Foi esta encíclica que permitiu a entrada, na Igreja, da moderna pesquisa exegética, superando séculos de desconfiança no uso da Bíblia. Observo que até o século XIII, a reflexão bíblica ocupava lugar importante na reflexão teológica. A Escolástica quebrou esta tradição, com a elaboração de uma teologia cada vez mais especulativa. A Reforma protestante reagiu contra esta tendência com uma volta radical à Escritura, enquanto os teólogos católicos, no contexto da Contra-Reforma, afastavam-se ainda mais da Bíblia.

Pio XII, entre outras coisas, recomendava, na Divino afflante Spiritu, o estudo das línguas bíblicas, o recurso à filologia, a busca do sentido literal dos textos, o exame do contexto, o estudo da história, da arqueologia e dos gêneros literários, o esclarecimento da condição social do autor. Leia-se, por exemplo, sobre o estudo das línguas bíblicas: Além disso são hoje tantos os meios para aprender aquelas línguas que o intérprete da Escritura, que, descurando-as, fecha a si mesmo o acesso aos textos originais, não podendo evitar a imputação de inconsideração e indolência. Ou sobre a pesquisa histórico-crítica: Procure por conseguinte o intérprete distinguir com todo o cuidado, sem descurar nenhuma luz fornecida pelas recentes investigações, qual a índole própria e condição social do autor sagrado, em que tempo viveu, de que fontes, escritas ou orais, se serviu, que formas de dizer empregou. Ou a repreensão dirigida a certas tendências que rejeitam a pesquisa moderna: Tal interpretação (...) será meio eficaz para fazer calar os que se queixam de não encontrar nos comentários bíblicos nada que eleve a mente a Deus, alimente a alma, fomente a vida interior, e por isso dizem que é preciso recorrer a uma interpretação que chamam espiritual e mística.

Perfeitamente afinado com este momento histórico, foi, entre nós, Frei João José Pedreira de Castro, exegeta franciscano, formado em Ciências Bíblicas em 1924. Um dos pioneiros na difusão da leitura e do estudo da Bíblia no Brasil. Na década de 50, por exemplo, Frei João José fundou, em São Paulo, o Centro Bíblico, através do qual incentivou a leitura da Bíblia de todas as maneiras possíveis. Durante 40 anos, Frei João José rompeu barreiras e venceu teimosos preconceitos, iniciando até mesmo um diálogo ecumênico.

Marco fundamental, naqueles tempos, foi a fundação da Liga de Estudos Bíblicos, a LEB, na I Semana Bíblica Nacional, realizada em São Paulo. A LEB reunia os exegetas católicos em amplos debates e estudos, pela primeira vez no Brasil, além de promover a divulgação da Bíblia junto à população. A partir de 1956 começou a ser publicada a Revista de Cultura Bíblica, órgão oficial da LEB. E ainda na década de 50 a LEB iniciou acurada tradução da Bíblia para o português, diretamente dos originais, atendendo aos anseios dos exegetas e aos apelos das autoridades eclesiásticas. Muitos exegetas da LEB se empenharam, desde então, na divulgação e estudo da Bíblia em vários níveis e de todos os modos: cursos, semanas bíblicas, conferências, retiros, artigos, livros e folhetos. Todo este esforço está relatado na Revista de Cultura Bíblica (RCB) n. 43-44, Loyola, São Paulo, 1987. São mais de 20 artigos que trazem depoimentos dos protagonistas, dados históricos, análises e sugestões.

1.2. À Procura do Melhor Texto

Uma das questões enfrentadas pelos católicos era a dificuldade de acesso ao texto bíblico em português. A grande maioria da população só conhecia as simplificadas - e, com frequência, simplistas - “Histórias Sagradas” do catecismo e os selecionados trechos lidos nas missas e (mal) comentados pelos padres.

Sabe-se que a primeira tradução católica moderna da Bíblia, em português, foi feita pelo Padre Antônio Pereira de Figueiredo, nascido em Macau em 1725 e morto em Lisboa em 1797. A tradução, feita sobre a Vulgata, ficou pronta em 1790. A 1a edição brasileira saiu em 1864 e desde então esta Bíblia Sagrada foi várias vezes reeditada.

Enquanto isso, a primeira tradução protestante da Bíblia para o português, a divulgadíssima João Ferreira de Almeida, fora completada já em 1753. Hoje, a tradução de João Ferreira de Almeida existe em mais de uma forma, como:

:: Almeida Corrigida e Fiel - Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil

:: Almeida Revista e Atualizada - SBB - Sociedade Bíblica do Brasil (esta versão possui grande aderência aos textos originais hebraico e grego)

:: Almeida Revista e Corrigida - SBB - Sociedade Bíblica do Brasil

Hoje, surpreende a variedade de Bíblias oferecidas pelas editoras católicas à população brasileira, como [a lista não pretende ser completa]: Biblia de Jerusalém - Edição Revisada (publicada em 2002)

:: Bíblia de Jerusalém - Paulus Editora
:: Bíblia do Peregrino - Paulus Editora
:: Bíblia Mensagem de Deus - Edições Loyola
:: Bíblia Sagrada - Ave-Maria - Editora Ave-Maria
:: Bíblia Sagrada - Edição Pastoral - Paulus Editora
:: Bíblia Sagrada de Aparecida - Editora Santuário
:: Bíblia Sagrada - Tradução da CNBB - CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
:: Bíblia Sagrada - Vozes - Editora Vozes
:: TEB - Tradução Ecumênica da Bíblia - Edições Loyola

Algumas são “traduções de traduções”, embora freqüentemente cotejadas com os originais, enquanto outras - estas muito mais interessantes - são traduções feitas a partir dos textos originais hebraico, grego [e os poucos textos em aramaico], em geral acompanhadas de úteis introduções e notas explicativas.

Lembro ainda que já existem algumas destas Bíblias disponíveis online, para leitura, audição ou download, como a Edição Pastoral, a Tradução da CNBB ou a Almeida. Sem nos esquecermos das edições eletrônicas em CD e DVD.

Outra questão que deve ser abordada é a do nível de compreensão, pelo povo, das várias traduções existentes e a diferença entre leitura e audição do texto.

Remeto tal discussão para um interessante artigo de Alberto Antoniazzi, no qual se avaliam os resultados de duas pesquisas, feitas em 1981, sobre o tema, uma em Ribeirão Preto e outra em Belo Horizonte[1].

O que preocupava os pesquisadores era:

· Uma tradução da Bíblia pode ser mais acessível (mais compreensível) ao povo que outras?

· Há diferenças na compreensão do texto bíblico lido e do texto bíblico ouvido?

· Se há dificuldades na compreensão, onde estão e como superá-las?

Duas conclusões (provisórias) são interessantes:

· É urgente uma tradução acessível da Bíblia, já que o nível de compreensão da Bíblia pelo povo é baixo.

· É preciso ter cuidado nesta questão da compreensão, pois, às vezes, tomam-se as opiniões dos padres pela manifestação do povo. Nem sempre o texto que o padre ou o agente de pastoral consideram ser mais acessível ao povo o é de fato.

[1]. Cf. ANTONIAZZI, A. O povo e as traduções da Bíblia. Primeiro resultado de uma pesquisa. Vida Pastoral, São Paulo, n. 104, p. 15-23, maio/junho de 1982.


Extraído de http://www.airtonjo.com/ler_biblia.htm acesso em 03 maio 2009.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Bispos do Brasil fazem peregrinação do ano Paulino

Cerca de 300 bispos saíram em peregrinação na tarde deste domingo, 26, da Casa de Retiros Vila Kostka, em Itaici, município de Indaiatuba (SP), para a catedral da Sé, em São Paulo (SP), que aguardava lotada os prelados. Presidida pelo núncio apostólico no Brasil, dom Lorenzo Baldisseri, a celebração concluiu o retiro da CNBB, orientado pelo bispo emérito de Uruguaiana, dom Ângelo Salvador Domingos, que proferiu a homilia na catedral de São Paulo.
Dom Ângelo trouxe o exemplo do apóstolo Paulo para os dias de hoje caracterizando-o como “dedicado missionário que possibilita a descoberta da riqueza do amor de Cristo que a nós se entregou”. Recordando a Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, que aconteceu em maio de 2007, em Aparecida (SP), o bispo emérito de Uruguaiana destacou a importância da Igreja recepcionar o Documento de Aparecida (DAp) e assumir o caráter missionário.
“Aparecida nos convida para o grande desafio de progredir e nos transformar de Igreja comunidade para Igreja Missionária, integradora. A grande diferença nesse processo é que a Igreja que antes era voltada a nós passa a voltar-se aos outros”, sublinhou o bispo.
Logo após a celebração, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Geraldo Lyrio Rocha, agradeceu a dom Ângelo pelo “inspirador retiro” e disse ser o bispo um exemplo “pela sua coragem de fé”. O núncio apostólico acentuou sua alegria com a conclusão do retiro, que contou com a participação dos fiéis de São Paulo. Já o anfitrião, o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, disse ter sido a celebração um momento de graça dos bispos e do povo da arquidiocese de São Paulo.
“Foi um momento bonito do Ano Paulino em que os bispos da CNBB puderam celebrar em peregrinação com o povo de São Paulo, na catedral onde o apóstolo é venerado como patrono da nossa arquidiocese. Portanto, é muito significativo, dentro do contexto do dia de espiritualidade da Assembleia, que falava justamentedo apóstolo Paulo e da missão do bispo. Foi um momento de graça, de estímulo e de um testemunho bonito para o nosso povo”, disse dom Odilo.
Para o bispo auxiliar da arquidiocese de São Paulo, dom Pedro Luiz Stringhini, celebrar o terceiro domingo da Páscoa, na catedral da Sé, foi um momento de muita alegria e muita graça para todos os presentes e para aqueles que acompanharam pela TV em todo o Brasil.
“Foi muito bonito os bispos e o povo se encontrarem. A iniciativa do nosso cardeal, dom Odilo Scherer, foi gratificante para os presentes e todos que acompanharam pela televisão. Dom Odilo tem sido atencioso em celebrar o Ano Paulino. Esse momento reforçou a celebração desse Ano, principalmente para nós que temos o apóstolo Paulo como padroeiro da nossa arquidiocese”, afirmou dom Stringhini.
O bispo de Catanduva (SP) e referencial do Setor Leigos da CNBB, dom Antônio Celso de Queirós, também acentuou que a peregrinação representou um momento de encontro do episcopado com o povo da arquidiocese de São Paulo. “Foi uma bela celebração com a qual o povo vibrou muito. A missa fechou muito bem o retiro dos bispos, mais do que em outros anos, que não teve uma peregrinação dessas”. Ainda de acordo com dom Celso, a peregrinação reforçou a unidade dos bispos em torno da CNBB.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Centenário de Dom Hélder

Somos povo de Deus que lembramos fazemos memoria viva na história na caminhada, nosso Deus é o Deus que se lembra e nos ensina a lembrar!

Hoje recordamos com alegria e festa nas comunidades, cantando com nosso povo que caminha os cantos da vida, os benditos felizes de jubilos pelos Cem Anos de nosso Querido Dom...Dom Helder nosso sempre Dom...Dom de Deus ele foi para a vida do mundo, salve este tempo de graça salve esta festa tão linda, e quem não se lembra daquele olhar,olhar carinhoso,solidario,otimista,compassivo,pacifico,olhar amoroso que alcançava os ultimos dos ultimos, sua opção foi aquela de Jesus Cristo opção preferencial pelos pobres,e seu olhar cheio de esperança esteve sempre nesta direção, Bendito olhar!

O Dom tinha uma olhar preucupado, sim porque o pastor se preucupa com seu povo quer ver seu povo feliz, porém esta felicidade tinha nome, para o Dom felicidade era Pão em todas as mesas, Justiça e Paz em todos os cantos do mundo,Igualdade entre os povos,que os pequenos tivessesm atenção especial dos seus pastores ,da igreja e da sociedade,sonhou e construiu um mundo novo,fiel respeitador da Dignidade da pessoa humana, ele foi uma luz que brilhou provocando uma singular transformação na vida da igreja e da sociedade.

O Dom era otimista acreditava na força da juventude tinha por estes um amor sem igual e dizia que "Jovens sempre seremos se tivermos um ideal de vida e se acreditarmos num novo céu e uma nova terra" em toda sua vida de pastor sempre se manteve fiel a sua igreja que na visão dele era muito mais que "instituição" mais acreditava numa igreja participativa, uma igreja rueira,igreja povo de Deus presente na história, esta igreja ele ajudou a construir com sua força seu dinamismo profetico e missionário, clariou as visões, abriu caminhos novos alternativas possiveis e se empenhou até o fim por uma igreja solidaria, que tivesse os mesmos sentimentos de Jesus Libertador que fosse também ela Libertadora.

Esta novidade ele nos deixou igreja do povo , povo igreja na sociedade transformadores como fermentos na massa, sal e luz anunciadores da vida, promotores da paz.

Hoje fazer memoria do cem anos do seu nascimento é reafirmar ainda mais esta novidade, esta consciencia nova que ele nos trouxe, é se empenhar constantimente em reconstruir a igreja de Jesus em nosso tempo,sendo fermento sal e luz do reino de Deus.

Aquele olhar deve nos motivar em todos os tempos,bendito seja este olhar de pastor amoroso pois o rebanho quando se vê cansado olha a figura do seu pastor e ai deve encontra alento luz e força na caminhada que não pára, mais que é sempre tempo de ser igreja caminhar juntos e participar, no meio do mundo está a igreja viva povo de Deus transformadores,construtores da paz promotores da dignidade humana, respeitadores dos direitos humanos,solidarios no espirito de comunhão fraterna, irmãos de todos, todos unidos comendo do mesmo pão e bebendo da mesma fonte que não seca jamais, Jesus Cristo Libertador.

assim viveu o Dom!
assim devemos viver e caminhar no Hoje de nossa História...o pastor da Justiça e da Paz vive em nós seus sonhos são os nossos sonhos!

VIVA O DOM!

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Pedreiros na construção da memória de Dom Helder

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=28678 acesso em 25 jul. 2007.
Eduardo
Hoonaert *

Adital - O grupo ‘Igreja Nova’, de Recife, já está se preparando para iniciar o ano preparativo ao centenário de nascimento de Dom Helder Camara que ocorrerá no dia 9 de fevereiro de 2009. No próximo mês de agosto será lançada, em Recife, por ocasião da Semana Teológica que Igreja Nova organiza cada ano, a idéia de se intensificar a memória do grande bispo por meio das mais variadas iniciativas.

Penso que esse apelo vem em boa hora. O conhecimento que se tem da figura de Dom Helder, mesmo nos meios católicos, nem de longe corresponde à importância de sua figura episcopal para o Brasil e a América Latina de hoje.

Isso se deve, principalmente, ao silêncio da grande mídia acerca dele. A cada dia que passa, percebemos melhor que ela pode ser considerada o poder público número um no mundo em que vivemos. Um poder que não pára de crescer. Somos diariamente bombardeados(as) por palavras, imagens, sinais e símbolos produzidos por um punhado de gente, mas que fazem a cabeça de milhões de pessoas, sempre sob aparências atrativas e, ao mesmo tempo, enganosas. O que aparece na TV acontece, o que não aparece na telinha não acontece. O público não toma conhecimento e ninguém fala do assunto. Perde-se aos poucos uma memória não cultivada. Diante desse quadro fica claro que não será fácil conseguir com que se propague a figura de Dom Helder por meio da grande mídia. Pois a mensagem do Dom não combina com a dos grandes meios de comunicação. Mesmo assim, figuras como Gandhi, Mandela e Madre Teresa conseguiram romper essa barreira, o que não deixa de ser um dado que merece reflexão.

Existe, é verdade, uma mídia alternativa, que se comunica com segmentos mais esclarecidos da sociedade. Revistas como Carta Capital e Caros Amigos, por exemplo, constituem uma alternativa às grandes revistas como Veja, Isto É e Época. Carta Capital consegue uma tiragem de 65.000 exemplares semanais, o que não é pouco. Essa mídia é alimentada por bons jornalistas e, por conseguinte, é capaz de colaborar com bons textos e boas imagens sobre Dom Helder, o que constitui uma possibilidade de propaganda que não pode ser desprezada.

Há também a ‘mini-mídia’ dos boletins das igrejas e dos movimentos sociais, assim como os ‘sites’ correspondentes na Internet. Essa mídia alcança um público restrito, mas dinâmico, capaz de influenciar um amplo círculo de pessoas. Penso que se faz um bom trabalho nesse nível e que surgirão na ‘mini-mídia’ interessantes iniciativas em torno do centenário de Dom Helder.

A igreja católica, de seu lado, dispõe do dispositivo da canonização, capaz de divulgar amplamente a memória de figuras que ela julga capazes de dinamizar a memória do povo católico. Embora o poder memorial da canonização tenha diminuído nos últimos tempos, mesmo assim se trata de um dispositivo não desprezível. Nos últimos quarenta anos, o cristianismo latino-americano foi beneficiado pela ação de uma geração excepcional de bispos-profetas, como Oscar Romero, Leônidas Proaño, Méndez Arceo, Luciano Mendes, Antônio Fragoso, Enrique Angelelli, Helder Camara, Manuel Larraín e outros. Mas, as atuais autoridades romanas não se mostram dispostas a celebrar a memória desses bispos.

O papa canonizou recentemente Frei Galvão, uma figura desconhecida entre nós, enquanto um mártir como Dom Romero não é contemplado. Outro bispo-mártir, Dom Angelelli (da Argentina), continua desconhecido. O processo de beatificação do padre Ibiapina, a maior figura sacerdotal da igreja brasileira, parece não avançar. Muitos católicos nem sabem quem foi Ibiapina. O mesmo acontece com o padre Cícero e o beato Antônio Conselheiro, ainda considerados - em muitos ambientes - figuras erráticas. É verdade que, no tocante a processos de beatificação e canonização, o clero diocesano está em desvantagem em relação ao clero religioso que mantém uma estrutura mais estável de ativação da memória. Nesse ponto, Dom Helder perde, em comparação com Madre Teresa ou Irmã Dulce.

Essa situação concreta constitui um apelo para nós. A memória é uma construção. Sem pedreiros, nenhuma construção se eleva do chão. Penso que somos, todos e todas, pedreiros e pedreiras (sem equívoco) da construção da memória de Dom Helder e que cada tijolo que conseguimos colocar - ou simplesmente trazer - pode ser um aporte importante.

* Historiador

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