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quarta-feira, 23 de abril de 2008

Bíblia, Juventude e Ecologia => Parte I

Olá, pessoas!!!

É com aquela (perfeita) alegria franciscana que, a partir de hoje, integro-me ao rol de colaboradores deste espaço. Até então, eu utilizava apenas o blog que partilho com minha esposa: osperegrinos.

Estou assessor do CEBI-RS (Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos - Região de Rio Grande do Sul) e sinto-me honrado pelo convite.

Para iniciar, escolhi uma série de reflexões desenvolvidas para um curso a ser ministrado em Ijuí-RS, cujo tema era: BÍBLIA, JUVENTUDE e ECOLOGIA.

Creio que primeiramente convém dizer o que entendo por Bíblia, Juventude e Ecologia. E por isso chamo o primeiro texto de: AFINANDO CONCEITOS.

Pois bem... Há uma definição oficial, comum, que não permite nenhuma ligação entre estes 3 termos. E outra, que não só permite, como os considera inseparáveis. Vejamos:

BÍBLIA => É o Livro da Lei... Certo??? Bom... De certa forma, sim!!! Mas não nos esqueçamos das palavras de Paulo: “A letra mata; o espírito vivifica” (2Cor 3,6), baseadas nestas outras, de Cristo: “O espírito é que vivifica... As palavras que vos tenho dito são espírito e vida” (Jo 6,63). Não é por acaso que a Bíblia começa com a narrativa da Criação (Gn 1). Em seu primeiro relato, a Bíblia já deixa claro o seu objetivo, como explica Cristo, quando afirma a que veio: “Eu vim para que as ovelhas tenham vida; e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Diante disso, mais que ser da Lei, podemos afirmar que A BÍBLIA É O LIVRO DA VIDA.

JUVENTUDE => É o futuro!!! Bem... Com certeza, é!!! Afinal, o(a) jovem tem muita vida ainda. Vai passar mais uns 20 ou 30 anos e os(as) jovens de hoje ainda terão a capacidade de tomar e executar as decisões que conduzirão o mundo. Mas eles(as) já têm essa capacidade hoje. Talvez falte experiência... Ou talvez falte espaço. O fato é que a Juventude é alvo da mídia, da moda e das prateleiras de supermercado. E isso por quê??? Porque os(as) jovens são a maioria da população. Ora, tudo o que conduz o nosso cotidiano é voltado para a juventude; falta aos adultos é vontade de admitir isso e dizer ao(à) jovem que ele(a) tem força sim de mudar o rumo da nossa história. Se a Juventude é capaz de determinar o que vende e o que não vende (vale lembrar que as leis regentes da sociedade atual são as do Mercado Internacional), então ela é que tem o Poder nas mãos. Só não descobriu isso ainda... Portanto, mesmo que por enquanto seja de uma forma potencial, A JUVENTUDE É O PRESENTE!!!

ECOLOGIA => É a ciência que estuda o cuidado com a nossa “casa” (eco = oykos = casa), que é o meio ambiente. Well... Aqui não se trata de discutir definições. Afinal, contra a etimologia (= origem das palavras) não há argumentos. O que devemos discutir aqui é a defesa da Ecologia como solução para os problemas do nosso meio ambiente. A ciência estuda, fala, orienta... Mas não é, em última instância, quem age. Precisamos aliar à Ecologia uma atitude, uma ECOFILIA. Filia = phylia = amor, amizade. Precisamos redescobrir o nosso papel na Natureza. Graças a uma interpretação antropológica de mundo, fruto do Humanismo ("O Homem é a medida de todas as coisas"), até a Bíblia é usada como justificativa para explorarmos a Terra, em vez de cuidar e dela tirar o sustento. Exemplo: O que nos vem à mente, ao ler: “enchei a terra e submetei-a” (Gn 1,28)? Esta frase, solta, descontextualizada, o que tem a nos dizer hoje? Sem entender o sentido original do texto -- e lendo-o à luz da cultura atual --, fica muito fácil usar a Bíblia para justificar o agronegócio, as monoculturas, o hidronegócio etc. Mas quem ama a Terra, o ecófilo, não explora a Terra; antes, com ela se integra, pois sabe muito bem que, diante do Universo, a humanidade e a Mãe Terra formam um único CORPO, um SER VIVO em órbita, transitando pelo espaço sideral, a bordo da Via Láctea.

Enfim... Sobre estes 3 termos era isso... A partir da próxima postagem, vamos entrar no tema propriamente dito. Para tanto, utilizarei o recorte proposto pelo CEBI, ano passado, em suas reflexões sobre Ecologia; a saber: Gênesis 1 a 12.

Aproveito para reiterar meu agradecimento pela oportunidade de escrever neste espaço, com o qual me identifico, graças ao carisma franciscano.

Paz & Bem!!!

José Luiz Possato Junior.
São Leopoldo-RS

terça-feira, 22 de abril de 2008

"O pão nosso de cada dia nos dai hoje"

"Eu sou o Pão de vida: aquele que vem a mim não terá fome, e aquele que crê em mim jamais terá sede". (Jo. 6,35).

O ser humano em sua naturalidade está sempre dependendo; assim sendo, dependemos do ar que respiramos, da comida que comemos e da água que bebemos; a isso chamamos de necessidades naturais; porém, a nossa dependência vai além das necessidades naturais; logo que nascemos somos um dos únicos seres que dependemos em tudo de nossos pais de forma que, com isso, temos uma forte ligação psíquica emocional com nossos genitores e isso demonstra a nossa fragilidade e ao mesmo tempo a nossa fortaleza, pois se dependemos em tudo também somos amados e defendidos por aqueles que nos deram a vida. E mesmo se um pai ou mãe abandona sua prole, Deus jamais nos abandonará: "Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Não ter ternura pelo fruto de suas entranhas? E mesmo que ela o esquecesse, eu não te esqueceria nunca". (Is 49,15).

Ora, refletindo sobre essa nossa realidade humana, nos perguntamos: como pode ser de filhos de Deus vivendo nestas condições? Se vemos tanta miséria na face da terra, isso se dá porque não assumimos que somos filhos de Deus e irmãos uns dos outros. Daí o desastre nas relações humanas; as divisões e guerras de toda espécie devido à ganância que ocupa os corações daqueles que buscam egoisticamente construir seus impérios às custas da infelicidade dos menos favorecidos.

Viver a condição de filhos e filhas de Deus é deixar-nos conduzir pelo Espírito Santo no seguimento de Jesus Cristo o Filho de Deus por excelência. Quando dizemos: "Dai-nos", isto implica dizer que "é bela a confiança dos filhos e filhas que tudo esperam de seu Pai. Pois "Ele faz nascer o seu sol igualmente sobre maus e bons e faz cair a chuva sobre justos e injustos" (Mt 5,45) e dá a todos os seres vivos "o alimento a seu tempo" (Sl 104,27). Jesus nos ensina a fazer este pedido, que glorifica efetivamente nosso Pai, porque reconhece como Ele é bom para além de toda bondade.

"Dai-nos" é ainda expressão da Aliança: pertencemos a Ele e Ele pertence a nós e age em nosso favor. Mas esse "nós" significa reconhecê-lo também como o Pai de todos os homens, por isso, lhe pedimos por todos eles, em solidariedade com suas necessidades e sofrimentos.

"O pão nosso". O Pai, que nos dá a vida, não pode deixar de nos dar alimento necessário à vida, todos os bens "úteis" matérias e espirituais. No Sermão da Montanha, Jesus insiste nesta confiança filial que coopera com a Providência de nosso Pai (Cf. Mt 6,25-34). Não nos exorta a nenhuma passividade (Cf. 2Ts 3,6-13), mas quer libertar-nos de toda inquietação e de toda preocupação. É esse o abandono filial dos filhos de Deus: "Aos que procuram o Reino e a justiça de Deus, Ele promete dar tudo por acréscimo. Com efeito, tudo pertence a Deus: a quem possui Deus, nada lhe falta, se ele próprio não falta a Deus" (São Cipriano, Dom. orat. 21: PL 4,534)".

Caríssimos irmãos e irmãs é louvável a iniciativa do nosso Presidente da República começar seu governo atacando um dos males que mais envergonha a nossa sociedade que é a fome e a miséria em que se encontra a grande maioria de nossa população menos favorecida.

Peçamos a Deus que lhe dê sabedoria e discernimento para que esse princípio de justiça de seus atos de governo seja alento para a população que será assistida pelos órgãos governamentais e que o Senhor todo poderoso o ilumine e oriente para que seja um instrumento de fraternidade e solidariedade na solução dos nossos problemas sociais.

Vem, Senhor Jesus! Aqui estamos e te esperamos na certeza de que o Reino de Deus e sua Justiça, que se faz presente no meio de nós, chegará em toda sua Plenitude com a tua segunda vinda.

Paz e Bem!

Frei Fernando, OFMConv.

sábado, 19 de abril de 2008

As Admoestações de São Francisco de Assis - 4

4. Admoestação: Quem ninguém considere como propriedade sua o cargo de prelado.

“Não vim para ser servido, mas para servir” (Mt 20,28), diz o Senhor. Os que estão constituídos sobre os outros não se vangloriem dessa superioridade mais do que se estivessem encarregados de lavar os pés aos irmãos. E se a privação do cargo de superior os perturba mais que a privação do encargo de lavar os pés, amontoam para si tanto mais riquezas com perigo para sua existência. (Escritos de S. Francisco).

Caríssimos irmãos e irmãs, nada temos que seja nosso, todo dom pertence a Deus; tudo o que Dele recebemos, recebemos para a nossa salvação e para o bem do próximo. Nenhum cargo nos é concedido para nos gloriarmos, mas para servirmos o Senhor. Precisamos aprender muito com Jesus, que “veio para fazer a vontade D’aquele que lhe enviou”.

A respeito desse assunto eis o que encontramos no Evangelho de São Marcos: “Jesus chamou os discípulos e deu-lhes esta lição: Sabeis que os que são considerados chefes das nações dominam sobre elas e os seus intendentes exercem poder sobre elas. Entre vós, porém, não será assim: todo o que quiser tornar-se grande entre vós, seja o vosso servo; e todo o que entre vós quiser ser o primeiro, seja escravo de todos.

Porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em redenção por muitos”. (Mc 10, 42-45).
São Paulo bem aprendeu a lição de seu Mestre Jesus Cristo e assim se expressou: “Embora livre de sujeição de qualquer pessoa, eu me fiz servo de todos para ganhar o maior número possível. Para os judeus fiz-me judeu, a fim de ganhar os judeus. Para os que estão debaixo da lei, fiz-me como se eu estivesse debaixo da lei, embora o não esteja, a fim de ganhar aqueles que estão debaixo da lei.

Para os que não têm lei, fiz-me como se eu não tivesse lei, ainda que eu não esteja isento da lei de Deus - porquanto estou sob a lei de Cristo -, a fim de ganhar os que não têm lei. Fiz-me fraco com os fracos, a fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, a fim de salvar a todos. E tudo isso faço por causa do Evangelho, para dele me fazer participante”. (1Cor 9,1923).

Isto quer dizer que quando damos sentido ao nosso serviço ele torna-se meio de salvação para muitos, pois aquele que serve é mais importante do que aquele que manda; Deus não quer líderes, mas servidores do Seu Reino; Deus não quer mandatários, mas servos humildes: “Vede, irmãos, o vosso grupo de eleitos: não há entre vós muitos sábios, humanamente falando, nem muitos poderosos, nem muitos nobres.

O que é estulto no mundo, Deus o escolheu para confundir os sábios; e o que é fraco no mundo, Deus o escolheu para confundir os fortes; e o que é vil e desprezível no mundo, Deus o escolheu, como também aquelas coisas que nada são, para destruir as que são. Assim, nenhuma criatura se vangloriará diante de Deus. É por sua graça que estais em Jesus Cristo, que, da parte de Deus, se tornou para nós sabedoria, justiça, santificação e redenção, para que, como está escrito: quem se gloria, glorie-se no Senhor”. (Jr. 9,23). (1Cor 2,26-31).

Prezados irmãos, servir é amar e quem ama é plenamente feliz porque o amor é o próprio Deus. Quando tudo estiver consumado, quando a glória eterna do Senhor se fizer em toda a sua plenitude, haveremos de gozar as alegrias daquilo que plantamos em nossa fé para que essa glória divina resplandecesse nos corações: “Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto o veremos como ele é”. (1Jo 3,2).

Amém! Assim seja! Vem Senhor Jesus!

Paz e Bem!

Frei Fernando, OFMConv.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

“Seja feita a Vossa vontade assim na terra como no céu”.

“É Vontade de nosso Pai que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade” (1Tm 2,3-4).

Essa oração que pede ou suplica a Vontade de Deus leva-nos a compreender o nosso desligamento dessa Santa Vontade pelo pecado, que infiltrado em nossas entranhas, nos faz reféns de nós mesmos e dos nossos caprichos. Antes do pecado o ser humano tinha total acesso à Vontade de Deus, gozava dos Seus frutos e se entretinha com o seu Criador face a face. Esse deleite humano foi perdido com a pretensão de querer ser como deuses, conhecedores do bem e do mal (Cf. Gn 3,1-4). Isso fez com que nossos primeiros pais e nós hoje experimentássemos a infelicidade e a morte como fruto de nossa desobediência. A desordem da criação que vemos atualmente nada mais é do que a desarmonia humana pela não adesão ao querer e ao agir do Senhor nosso Deus.

Querer a Vontade Divina novamente é voltar à originalidade daquela comunhão perdida no Éden, é mergulhar no mistério da vida e gozar mais um vez da felicidade dos filhos de Deus. Mas o que é ou quem é mesmo a Vontade de Deus? Vejamos o que São Paulo escreve na Carta aos Efésios: “Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto do céu nos abençoou com toda a benção espiritual em Cristo, e nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, diante de seus olhos.

No seu amor, nos predestinou para sermos adotados como filhos seus por Jesus Cristo, segundo o beneplácito (consentimento) de sua livre Vontade, para fazer resplandecer a sua maravilhosa graça, que nos foi concedida por ele no Bem Amado. Nesse Filho, pelo seu sangue, temos a redenção, a remissão dos pecados, segundo as riquezas da sua graça que derramou profusamente sobre nós, em torrentes de sabedoria e de prudência”. (Ef. 1,3-8).

“Ele nos manifestou o misterioso desígnio de sua Vontade, que em sua benevolência formara desde sempre, para realizá-lo na plenitude dos tempos – desígnio de reunir em Cristo todas as coisas, as que estão nos céus e as que estão na terra. Nele é que fomos escolhidos, predestinados segundo o desígnio daquele que tudo realiza por um ato deliberado de sua Vontade, para servimos à celebração de sua glória”. (Ef. 1,9-12 a).

Constatado, pois, qual seja a Vontade do Senhor nosso Deus, ou seja, nossa adesão a Jesus Cristo, o seu Filho amado. O que fazer? “Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a Vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito”. (Rm 12,1-2). “Aderindo a Cristo, podemos tornar-nos um só espírito com ele, e com isso realizar sua Vontade; dessa forma ela será cumprida perfeitamente na terra como no céu”. (Orígenes, Or. 26).

Vem, Senhor Jesus! MARANA THA!

Paz e Bem!

Frei Fernando, OFMConv.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

As Admoestações de São Francisco de Assis - 3

3. Admoestação: Da Obediência Perfeita

“Diz o Senhor no Evangelho: ‘Quem não renuncia a tudo o que possui não pode ser meu discípulo’ (Lc 14,33), e: ‘Quem quiser salvar sua alma, perdê-la-á’ (Mt 16,25)”. Abandona tudo quanto possui e perde o seu corpo aquele que a si mesmo abandona inteiramente à obediência nas mãos do seu prelado. E tudo o que faz e diz, sabendo que não contraria a vontade dele, e sendo bom o que faz, é obediência verdadeira. E se acaso o súdito vê algo melhor e mais útil à sua alma do que aquilo que o prelado ordena, sacrifique a Deus o seu conhecimento voluntariamente, e se aplique com firmeza a cumprir as ordens do prelado, pois nisto é que consiste a verdadeira obediência feita por amor, que satisfaz a Deus e ao bem do próximo.

Entretanto, se o prelado der ao súdito alguma ordem contrária à alma, este todavia não se separe dele, mas não é lícito obedecer-lhe. E se por esse motivo tiver de suportar perseguições da parte de alguém, que então o ame ainda mais por amor de Deus. Pois aquele que prefere aturar perseguições a querer ficar separado de seus irmãos, permanece verdadeiramente na perfeita obediência, porque “dá a sua vida pelos irmãos”. (Jo 15,13).

Há efetivamente muito religiosos que, sob o colorido de verem coisas preferíveis às que os prelados ordenam, “olham para trás” (Lc 9,62) e “voltam a vômito de sua vontade própria” (Pr 26,11). Esses tais são homicidas e, por seus maus exemplos causam a perdição de muitas almas. (Escritos de S. Francisco).

Prezados irmãos e irmãs, só obedece quem é livre; quem é escravo do que faz fora da graça de Deus, torna-se preso ao seu fazer pecaminoso e com isso enche-se de revolta e dor, jamais conhecera a misericórdia e a verdade. “E Jesus dizia aos judeus que nele creram: Se permanecerdes na minha palavra, sereis meus verdadeiros discípulos; conhecereis a verdade e a verdade vos livrará. Replicaram-lhe: Somos descendentes de Abraão e jamais fomos escravos de alguém. Como dizes tu: Sereis livres? Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: todo homem que se entrega ao pecado é seu escravo. Ora, o escravo não fica na casa para sempre, mas o filho sim, fica para sempre. Se, portanto, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres”. (Jo 8,31-36).

O Padroeiro de nossa Província, São Maximiliano Maria Kolbe dizia: “Caso o meu prelado em algum momento me diga um ‘sim’ eu digo sim com ele; caso noutro me diga um ‘não’, também acolho o não em obediência a ele e não digo que errei, pois na obediência livre está a mão de Deus”.

Portanto, caríssimos irmãos e irmãs, a glória de Deus só é alcançada quando exercitamos com empenho essa virtude do Espírito Santo; pois, o próprio Senhor a exerceu até o fim de sua vida terrena como bem o disse São Paulo: "Embora fosse Filho de Deus, aprendeu a obediência por meio dos sofrimentos que teve". (Hb 5,8). E ainda: “Dedicai-vos mutuamente a estima que se deve em Cristo Jesus. Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz”. (Fl. 2,5-8).

Que venha o Reino, que venha a glória, aqui estamos Senhor à tua espera. Amém! Assim seja!

Paz e Bem!
Frei Fernando,OFMConv.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

"Venha a Nós o Vosso Reino"

“VENHA A NÓS O VOSSO REINO”.
“Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e a sua justiça e todas as coisas vos serão dadas em acréscimo”. (Mt 6,33).

Não há dúvida que o Reino de Deus e sua vinda formam o tema central da pregação de Jesus. Para Jesus o Reino de Deus é Deus mesmo, agindo no mundo de forma decisiva, manifestando-se a Si mesmo e ordenando sua criação por meio Dele que é o seu Filho amado. É por isso, que Jesus inclui o “Venha a nós o vosso Reino” na oração do Pai nosso, pois para Jesus a oração é o poder de Deus em nossa vida que libera as graças necessárias para a nossa salvação e, o Reino de Deus é a verdadeira salvação, lugar comum dos filhos e filhas do Altíssimo, morada eterna onde a verdadeira justiça se faz presente em todos os sentidos.

Caríssimos irmãos e irmãs vivemos num mundo onde a nossa liberdade é influenciada pela ação do mistério da iniqüidade de tal forma que a desarmonia e a desordem advinda do pecado torna a vida humana sobre a terra um verdadeiro inferno. Vivemos em meio a toda espécie de malícia, perversidade, cobiça, maldade; inveja, homicídio, contenda, engano e malignidade, e mesmo assim cultivamos a esperança de uma vida melhor, onde haja a igualdade, onde o amor reine em toda a sua plenitude e onde Deus seja tudo em todos. Ora irmãos e irmãs, esse desejo do Reino dos Céus não é uma utopia (algo inatingível), é a vontade de Deus expressa por Jesus para todos aqueles que servem a Deus “em santidade e justiça, em sua presença, todos os dias de sua vida”.

Escrevendo às primeiras comunidades São João assim se Expressa: “Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato. Por isso o mundo não nos conhece, porque não o conheceu. Caríssimos, desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que, quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto o veremos como ele é. E todo aquele que nele tem esta esperança torna-se puro, como ele é puro”. (1Jo 3,1-3). Com isto, São João anunciava o Reino de Deus que consiste nessa comunhão perfeita de amor, pois “Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele”.

Por outro lado, a vinda do Reino de Deus também significa o cumprimento da Justiça Divina, isto é, o julgamento de todos os homens e mulheres desde o princípio da criação. São João Batista pensava o Reino de Deus como julgamento divino que estava para acontecer em breve e por isso anunciava o batismo e a conversão como única forma de salvação. Jesus, porém, começa sua missão salvífica anunciando: “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo: fazei penitência e crede no Evangelho”. (Mc 1,15). Portanto, é urgente a nossa adesão ao plano de salvação que o Senhor nos propõe, pois sua vinda é iminente (está próxima).

“Venha a nós o vosso Reino”, essa expressão da Oração do Senhor, trata de seu retorno, de sua vinda gloriosa no fim dos tempos. Por isso, “considerai qual deve ser a santidade de vossa vida e de vossa piedade, enquanto esperais e apressais o dia de Deus, esse dia em que se hão de dissolver os céus inflamados e se hão de fundir os elementos abrasados! Nós, porém, segundo a sua promessa, esperamos novos céus e um nova terra, nos quais habitará a justiça. Portanto, caríssimos, esperando estas coisas, esforçai-vos em ser por ele achados sem mácula e irrepreensíveis na paz”. (2Pd 3,11b-13).

“Vem, Senhor Jesus!” MARANA THA!

Paz e Bem!

Frei Fernando, OFMConv.

sábado, 12 de abril de 2008

"Santificado seja o vosso nome"

“SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME”.
“Santo, santo, santo é o Senhor Deus do universo! A terra inteira proclama a sua glória!”
(Is 6,3).

“Depois de nos ter posto na presença de Deus, nosso Pai, para adorá-lo, amá-lo e bendizê-lo, o Espírito filial faz subir de nossos corações sete pedidos, sete bênçãos. Os três primeiros nos atraem para a Glória do Pai; os quatros últimos, como caminhos para Ele, oferecem nossa miséria à sua Graça. “Um abismo grita a outro abismo” (Sl 42,8).

A primeira série de pedidos nos leva em direção a Ele, para Ele: vosso Nome, vosso Reino, vossa Vontade! É próprio do amor pensar primeiro naquele que amamos. Em cada um destes três pedidos não nos mencionamos, mas o que se apodera de nós é “o desejo ardente”, “a angústia” até, do Filho bem-amado para a Glória de seu Pai. “Seja santificado... Venha... Seja feita...”: essa três súplicas já foram atendidas pelo Sacrifício do Cristo Salvador, mas se elevam doravante, na esperança, para seu cumprimento final, enquanto Deus ainda não é tudo em todos”. (CIC).

“Santificado seja o vosso nome”, é um fato que nos liga diretamente a Deus por meio do nosso batismo; é no batismo que nos tornamos filhas e filhos prediletos do Senhor e por esse motivo temos a obrigação moral de santificar o nome de Deus que está em cada um de nós. O reino de Deus é um reino de santos, pois a santidade é um atributo divino porque é próprio de Deus ser Santo; por isso, não temos outra missão aqui na terra a não ser a de nos santificarmos pelas graças recebidas do Senhor de nossas vidas. Vejamos o que São Paulo escreveu a esse respeito: Na água do Batismo fomos “lavados, santificados, justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito de nosso Deus” (1Cor 6,11).

Ainda na Carta aos Éfésios: “Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto do céu nos abençoou com toda benção espiritual em Cristo, e no escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, diante de seus olhos. No seu amor, nos predestinou para sermos adotados como filhos seus por Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua livre vontade, para fazer resplandecer a sua maravilhosa graça, que nos foi concedida por ele no Bem Amado. Nesse Filho, pelo seu sangue, temos a redenção, a remissão dos pecados, segundo as riquezas da sua graça que derramou profusamente sobre nós, em torrentes de sabedoria e prudência”. (Ef 1,3-8).

“Durante toda nossa vida, nosso Pai ´nos chama à santidade` (1Ts 4,7). E, já que é ´por ele que vós sois em Cristo Jesus, que se tornou para nós santificação` (1Cor 1,30), contribui para a sua Glória e para nossa vida o fato de seu nome ser santificado em nós e por nós. Essa é a urgência de nosso primeiro pedido”. (CIC).

“Quem poderia santificar a Deus, já que é Ele mesmo quem santifica? Mas, inspirando-nos nesta palavra: ´Sede santos porque eu sou Santo` (Lv 11,44), nós pedimos que, santificados pelo Batismo, perseveremos naquilo que começamos a ser. E pedimo-lo todos os dias, porque cometemos faltas todos os dias e devemos purificar-nos de nosso pecados por uma santificação retomada sem cessar... Recorremos, portanto, à oração para que esta santidade permaneça em nós”. (São Cipriano).

Senhor Pai Santo, Justo, Misericordioso e Bom tende piedade de nós pecadores e lavai as nossas culpas com o Sangue de vosso Filho Jesus Cristo e mantenhais em nós a vossa santidade eterna. Amém! Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando, OFMConv.

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