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sábado, 5 de novembro de 2011

Frei Luis Quadrelli da Pietrasanta, fundador da Pequena Fraternidade Franciscana de Santa Isabel da Hungria.



Frei Luís Quadrelli de Pietrasanta, cujo nome de batismo é Estevão Quadrelli, nasceu em Pietrasanta, Lucca, no dia 01.09.1897, filho de Rafael Quadrelli e de Cesira Pasquini.Recebeu o hábito capuchinho a 24.07.1913, fez a primeira profissão em 26.07.1914 e profissão perpétua no dia
13.09. 1921. Recebeu a ordenação presbiteral no dia 17.03.1923.Terminou os seus estudos e foi enviado a Borgo São Lourenço (1924) para o curso de Sacra Eloquência, uma preparação para assumir o ministério pastoral.
Foi nomeado diretor da Terceira Ordem Franciscana a Poppi (Arezzo) e alí permaneceu por 8 anos (1925-1933).Depois de um breve periodo a Prato (1934) em 1935 foi chamado a dirigir a Fraternidade da Terceira Ordem Franciscana de Montughi. Em 1936 foi nomeado primeiro delegado e depois Secretário Provincial para a Terceira Ordem Franciscana.Desde o ano de 1938 ao 1948 foi Definidor Provincial. No dia 01 de março de 1940 recebeu do Ministro Geral o cargo de Visitador Nacional da Terceira Ordem Franciscana Secular.
Em 1935 consagrava as primeiras quatro irmãs do grupo que viria a ser a "Pequena Companhia de Santa Isabel da Hungria", alguns anos depois em 1938 aconteceu a ereção da primeira casa. No dia 31 de maio de 1943 obteve a aprovação eclesiastica do Cardeal Elia Dalla Costa. De 1954 ao 1961 foi Secretário Nacional para a Terceira Ordem Franciscana e de 1961 ao 1968 foi o Visitador Nacional da Terceira Ordem Franciscana para os seminários e o clero italiano.
No ano de 1968 retorna em Provincia e recomeça a sua direção da Terceira Ordem de Montughi, e no ano de 1970 já estava em precárias condições de saúde, então se retira a Casa da Pequena Companhia de Santa Isabel, com o objetivo de viver uma vida de recolhimento, sofreu uma trombose celebral, e morreu no dia 10.02.1974 as 6.45 da manhã.
O seu funeral foi celebrado na Igreja de São Francisco em Montughi na tarde do dia 12 .02.1974. Seu corpo repousa no cemitério de Trespiano.






Frei Emerson Aparecido Rodrigues, OFMcap.

Virtuosidade




Frei Vitório Mazzuco, OFM*
    
    A pessoa humana vale não pelo que acumula de material, mas pelos princípios, valores e virtudes que possui, que cultiva e que deixa transparecer em sua vivência e práticas. A finalidade desta nossa reflexão, neste nosso percurso é despertar para a constante motivação em alcançar o desenvolvimento espiritual e humano; elevar a uma reta compreensão, uma reta aspiração, a um  reto falar e o reto agir. A retidão é colocar novamente o humano em pé; torná-lo forte, convicto; espécie muito diferenciada; reencantar o “homo erectus”, aquele  que não rasteja, não decai, e não perde a sua vitalidade. A pessoa virtuosa vive a reconstrução diária da sua vida e, por isso, a sua alma virtuosa está acima de tudo.

    Como dizíamos na introdução desta reflexão, é preciso buscar uma original qualidade pessoal (ética), despertar cada momento a força divina que adormece em nós  (espiritualidade) e viver uma transformação (a evolução do humano). Esta é a função da Virtuosidade: acordar, provocar, fazer crescer  na busca incansável do bem. É transmitir vida intensamente! Gosto demais da fala do Mestre Hindu, Bhagwan Shree Rajneesh, quando diz: “Se você coloca uma rosa num aposento... aquele aposento nunca mais será o mesmo; porque a rosa tem a sua aura, o perfume, o seu vigor próprio, a forte presença”. Assim também é a permanência da pessoa virtuosa.  A pessoa virtuosa é uma presença qualificada e especial; ela é uma resposta de que é possível o humano , ao buscar virtudes que elevam a  sua vida,  subir para o patamar mais elevado da sua existência,  tornando mais potente a sua energia e mais intenso o seu brilho e o ensinamento que pode oferecer. A virtuosidade faz a pessoa florescer por dentro, e a sua beleza interior salta para fora mudando pessoas e o ambiente.

    Quando você encontra e vive a virtude, ela aparece em todos os escritos, em todos os exemplos, em todos os ensinamentos e em todas as pessoas que marcam sua história. Quando você se mede com as virtudes, percebe que nem sempre esteve no melhor caminho; porém não existe virtude que não se reerga sem que tivesse havido um extravio, uma perambulação, um perder-se. É no perder-se que se dá uma forte experiência do encontro. O prefácio pascal tem seu brado: “Feliz culpa que mereceu um Salvador!” A busca virtuosa traz a beleza do reencontro com a  experiência do melhor. Tudo é belo! As experiências são bem-vindas. Até o pecado tem a sua expressividade porque dá profundeza para voltar às trilhas da santidade. Grandes santos e santas sempre se julgaram grandes pecadores. Nos seus limites, buscaram a sabedoria do caminho virtuoso e tornaram-se mestres da pureza original e da beleza única. Não se detiveram na culpa, mas fizeram dela trampolim para um grande salto, o salto qualitativo, o mergulho no esvaziamento de si, para deixar que o Divino tomasse conta do ser. Não criaram barreiras para a qualidade da vida entrar no mais íntimo  e saísse pelos poros onde suaram as boas obras. Para que a luz das virtudes e o conjunto delas,  que cria a virtuosidade , se derrame no ser, é preciso exercício, esforço, persistência, busca incansável da constante atenção aos valores maiores. É a ascese de quem quer se superar. É a disciplina focada em moldar o melhor do humano. Este esforço traz um profundo conhecimento, e este modo de conhecer traz um modo de ser. A virtuosidade se encarna em pessoas reais. O humano é um espírito que se fez carne, como a Carne do Verbo que se fez carne na carne do humano. Por isso, só podemos conhecer verdades encarnadas, virtudes encarnadas em alguém. Há no ser humano uma representação concreta do Divino que trouxe para ele uma proposta de boa nova, de mudança das estruturas, da beleza do “Eu sou!”

Não precisamos desesperar se não conseguirmos chegar de imediato à virtuosidade, isto é, a um conjunto ideal de virtudes. Basta viver uma virtude para vivermos todas. É preciso estar numa virtude, e, através dela ouvir e abraçar todas as outras. O dom é natural; a virtude é conquistada. A virtude é sempre o dom de uma conquista, de um lançar-se, de uma disciplina determinada. As virtudes nos fortalecem. Enfraquecemos quando não temos o vigor de buscar o melhor. Não podemos nivelar a nossa vida por baixo.  Não podemos viver na mediocridade. Betinho, o grande profeta da cidadania, o nosso eterno Hebert de Souza, dizia pouco antes da sua morte: “Se aprendi algo com os cristãos, é que a vida cristã não é para medíocres”.

    O tema de hoje é a Virtuosidade. Mas o que é a Virtuosidade? É aprender a ser; é criar uma personalidade moral; é ter bases sólidas para formular um juízo de valor. A virtuosidade ajuda a construir uma identidade honesta e leal que leva a uma conduta fundamentada em valores. A virtuosidade dá força ao indivíduo e brilho a sua singularidade.

    A virtuosidade encarnada nas pessoas transborda e energiza o social. Individualidades fortes criam grupos  humanos fortes; indivíduos criam uma moral social. A virtuosidade nos leva a perguntar: Qual o critério fundamental da nossa vida? Qual é o fundamento do nosso existir? Não estamos prontos ainda. Existe ainda uma verdade, uma virtude não conquistada e não realizada. A virtuosidade é a fome e a sede de ser. É a tecitura onde vamos moldando a vida e o vigor de existir que nos leva a ser mais humanos. É dinamismo de uma conquista diária; um impulso de amor que faz viver numa determinada direção.

    A legenda medieval franciscana, conhecida como o Anônimo Perusino, no Capítulo 6,27, diz: “E assim se esforçavam por contrapor  aos vícios cada uma das virtudes”. Cada virtude combate vigorosamente os vícios. É a força moral diante das forças contrárias. Como diz São Francisco de Assis, nas suas Admoestações 27, cujo título é  “A virtude que afugenta o vício”:

“Onde há caridade e sabedoria, aí não há temor nem ignorância. Onde há paciência e humildade, aí não há nem ira nem perturbação. Onde há pobreza com alegria, aí não há ganância nem avareza. Onde há quietude e meditação, aí não há preocupação nem divagação. Onde há o temor do Senhor para guardar seus átrios, aí o inimigo não tem lugar para entrar. Onde há misericórdia e discernimento, aí não há nem superfluidade nem rigidez”.

    Voltemos mais uma vez à pergunta: O que é a Virtuosidade? É caminho em busca da identidade humana; ter um ideal humanista na construção da qualidade. É a maneira de dominar a quantidade em favor da qualidade. É criar uma personalidade espiritual e social; é construir uma estética de sensibilidade, leveza, delicadeza, gentileza nas atitudes e relações. O que faz alguém feliz? É o seu modo de proceder em consonância com as virtudes abraçadas. Ser feliz e realizado é uma necessidade moral. É a liberdade de agir a partir do princípio do melhor. Quem age a partir do princípio do melhor é eticamente bom.

    É preciso semear virtudes na horta da virtuosidade para colher os melhores frutos do humano bom; e através da detalhada semente, buscar a semente da inteireza. Temos que trabalhar com a semente inteira que somos; assim ela pode crescer frondosa, buscar as alturas, revelar-se na aridez do mundo do antivalor. Uma vez que abraçamos a virtuosidade como caminho para buscar a riqueza interior, não há nada comparável no mundo exterior. “Se você negar a semente, como aplaudir a árvore?” A pessoa humana é uma semente que pode ser uma grande árvore. Ela tem que desabrochar divinamente. Pelos caminhos da virtuosidade, cada ser humano pode ser sagrado. Não podemos sufocar a semente; temos que dar a ela a oportuna chance e cuidado para o crescimento. Ser semente é já ser uma força! Como diz um provérbio árabe: “Ser semente já é o gosto de ser árvore!”


* Frei Vitório Mazzuco cursou Teologia e Filosofia, em Petrópolis, e fez pós-graduação em Teologia Espiritual, na Pontificia Università Antonianum, em Roma, obtendo o mestrado. Sua tesina, publicada em forma de livro, leva por título: “Francisco de Assis e o modelo de amor cortes-cavaleiresco: elementos cavaleirescos na personalidade e espiritualidade de Francisco de Assis” (Vozes 1994). Atualmente, ele é reitor do Santuário de Santo Antônio, no Largo da Carioca, na cidade do Rio de Janeiro, professor de Franciscanismo, em Piracicaba, no Rio de Janeiro e em Petrópolis. Também é pesquisador do IFAN (Instituto Franciscano de Antropologia), entidade ligada à Universidade São Francisco de Assis, em Bragança Paulista, e dedicada às áreas de Franciscanismo, Teologia e Ciências da Religião, Estudos Humanísticos, Estudos da Cultura Moderna e Pastoral. 

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Da privação de toda consolação

Não é dificultoso desprezar as consolações humanas, quando gozamos das divinas. Grande coisa, porém, e de muito mérito, é poder estar sem nenhuma consolação, tanto divina como humana, sofrendo de boa mente o desamparo total do coração, sem em nada buscar-se a si mesmo, nem atender ao seu próprio merecimento.

Que maravilha será estar alegre e devoto, quando nos assiste a graça! De todos é almejada esta hora. É muito suave andar, levado pela graça de Deus. E que maravilha não sentir a carga aquele que é sustentado pelo Onipotente e acompanhado do guia supremo!

Gostamos de ter qualquer consolação, e é penoso ao ser humamo despojar-se de si mesmo. O glorioso mártir São Lourenço venceu o mundo em união com seu pai espiritual, porque desprezou todos os atrativos do século e sofreu com paciência, por amor de Cristo, que o separassem do Supremo Pontífice São Xisto a quem ele muito amava! Assim, com o amor de Deus, ele subjugou o amor da criatura, e ao alívio humano preferiu o beneplácito divino. Daí devemos aprender a deixar, às vezes, por amor de Deus, um parente ou amigo querido. Nem tanto mos aflijir se mos abandonar algum amigo, sabendo que todos, finalmente, nos havemos de separar uns dos outros.

Só com renhido e longo combate interior aprende o ser humano a dominar-se plenamente e pôr em Deus todo o seu afeto. Quando a pessoa confia em si, facilmente desliza nas consolações humanas. Mas o verdadeiro amigo de Cristo e fervoroso imitador de suas virtudes não se inclina às consolações nem busca tais doçuras sensíveis; antes, procura exercícios austeros e sofre por Cristo trabalhos penosos.

Quando, pois, Deus nos mandar consolação espiritual, devemos receber com ações de graças, mas lembrando-nos sempre que é favores de Deus, e não merecimento nosso. Com isto, porém, não nos desvaneceremos, nem nos entregaremos a excessiva alegria ou a vã presunção; seremos antes mais humilde pelo dom recebido, mais prudente e timorato em nossas ações, pois passará aquela hora e voltará a tentação. Quando nos for tirada a consolação, não desesperaremos logo, aguardaremos, pelo contrário, com humildade e paciência, a visita celestial; pois Deus é bastante poderoso para restituir-nos maior graça e consolação. Isto não é novo nem estranho aos que são experientes nos caminhos de Deus; porque nos grandes santos e antigos profetas houve muitas vezes esta mudança.

Por isso um deles, sentindo a presença da graça, exclamava: Eu disse em minha abundância: não serei jamais abalado (Sl 29,7). Sentindo, porém, retirar-se a graça, acrescenta: Desviastes de mim, Senhor, o vosso rosto, e fiquei perturbado (v.8). Entretanto não desespera, mas com mais instância roga ao Senhor, e diz: A vós, Senhor, clamarei, e ao meu Deus rogarei (v.9). Alcança, afinal, o fruto de sua oração e atesta ter sido atendido, dizendo: Ouviu-me o Senhor, e compadeceu-se de mim, o Senhor se fez meu protetor (v.11). Mas em quê? Convertestes, diz ele, meu pranto em gozo, e me cercastes de alegria (v.12). Se isto sucedeu aos grandes santos, não devemos desesperar nós mesmos, fracos e pobres, por nos sentirmos umas vezes com fervor, outras vezes com frieza porque vai e vem o espírito de Deus, segundo lhe apraz. Por isso diz o santo Jó: Senhor, visitais o homem na madrugada, e logo o provais (7,18).

Em que podemos, pois, esperar ou em que devemos confiar, senão na grande misericórdia de Deus e na esperança da graça celestial? Porque, mesmo que nos assistam homens justos, irmãos devotos e amigos fiéis, ou livros santos e formosos tratados, ou cânticos e hinos suaves, tudo isso de pouco nos serve e pouco nos agrada, quando estamos desamparado da graça e entregue à mossa própria pobreza. Não há então melhor remédio que Deus.

Nunca encontrei homem tão religioso e devoto, que não sofresse, às vezes, a subtração da graça e sentisse o arrefecimento do fervor. Nenhum santo foi tão altamente arrebatado e esclarecido que, antes ou depois, não fosse tentado. Porque não é digno da alta contemplação de Deus quem por Deus não sofreu alguma tribulação. Costuma vir primeiro a tentação, como sinal precursor da próxima consolação; porque aos provados pela tentação é prometido o celeste consolo. A quem tiver vencido, diz o Senhor, darei a comer o fruto da árvore da vida (Apc 2,7).

Dá Deus a consolação, para fortalecer o homem contra as adversidades. Segue-se então a tentação, para que não se desvaneça a felicidade. O demônio não dorme, nem a carne está morta; por isso, não devemos nunca cessar de aparelhar-nos para a peleja, porque à direita e à esquerda estão nossos inimigos que nunca descansam.

O que é Espiritualidade?




Frei Vitório Mazzuco, OFM* 

     O objetivo destas nossas reflexões é recuperar valores para qualificar a vida. Precisamos reencantar em nós o entusiasmo, alegria, verdade, perseverança, paciência, cuidado, minoridade e todo um conjunto de virtudes que iremos propor. Virtudes são as nossas forças interiores. O enfoque sobre as virtudes será sob o filtro da Espiritualidade.

    O que é Espiritualidade? O conceito de espiritualidade tem a sua raiz na palavra  “spiritus” que quer dizer: respiração, sopro ( ruah ), energia vital, hálito, vida, purificação. É o movimento de  inspirar, isto é, trazer para dentro (  uma grande inspiração ) e expirar, soltar para fora, lançar em determinada direção, projetar( uma grande prática).  É  vida segundo o ritmo do espírito. É viver no espírito e para o espírito. É um modo de ser, viver e fazer sob uma grande inspiração.

     Espiritualidade , mística, inspiração  são um  Caminho  e não uma doutrina. O franciscanismo, por exemplo, não é uma religião, é uma espiritualidade. É uma família que há 800 anos respira o mesmo Espírito! São Francisco descobriu que o Espiritual é mais forte que qualquer força material, e por isso se fez desapegado, desapropriado, pobre.  Filho de uma época de buscas e ambição, misturou-se ao povo com sua inspiração, e o povo de sua época e em todas as épocas, aprendeu com ele a respirar e reconhecer  a presença do espírito em todas as coisas.

    Espiritualidade é conhecimento, experiência, vivência e prática , caminho de empenho, de todos os meios que conduzem à  Via Perfectionis. Este nosso encontro aqui, chamado Curso, nos recorda  exatamente isto:  curso, percurso, via, estrada, senda que devemos percorrer no  “per+facere”, isto é, no  por fazer-se, no trabalhar-se, no moldar-se a si mesmo. A  Via da Perfeição  não é o pronto, o acabado, o definido,   mas é a arte de esculpir um humano pleno a cada instante de nossa vida. O Papa Paulo VI dizia que   “a Espiritualidade é a arte das artes”. É viver a vida com cuidados de artista, como aquele que em cada estrutura de sua existência, em cada detalhe da sua jornada, percebe e dá espaço para a profundidade.

    Espiritualidade  também é matéria de estudo enquanto  Teologia Espiritual, ciência da fé que procura compreeender com os olhos do Espírito;  que  vê e conhece a vida de santos e santas,  que bebe nas fontes da Sagrada Liturgia e nas Escrituras, que lê literatura de edificação, que estuda Espiritualidade como estamos fazendo neste momento.

     Espiritualidade é  empenho ativo, um esforço de traduzir em ato o conhecimento do sagrado. É trabalho de buscar a perfeição cristã, ou a espiritualidade presente em todas as experiências religiosas. Podemos buscar a floração magnífica dos dogmas, das doutrinas, da moral , dos ensinamentos e colher daí o melhor para a vida  para traduzir numa prática.

    Espiritualidade é respirar o Evangelho. A Boa Nova é plena de preceitos e conselhos. Os Conselhos Evangélicos. O caminho da perfeição cristã se liga  à estes conselhos. A Perfeição é essencialmente observar de um modo ( per-feito) os preceitos ( especialmente o Amor, Fé, Esperança, Caridade, Pobreza, Obediência e Pureza de Coração ) que são a síntese para todos os outros conselhos que brotam do Evangelho. A perfeição é superar obstáculos que se oponham ao  seu exercício. O Anônimo Perusino, uma legenda medieval franciscana, diz em seu capítulo 6, “que é preciso opor aos vícios, virtudes”.

     Espiritualidade aqui em nosso encontro é o exercício de aprofundar a Vida Espiritual como uma ciência espiritual. O Espírito tende ao aperfeiçoamento. Deus não se basta, está sempre dando um acabamento íntimo à todo Ser Criado. Quando alguém é verdadeiro,  é plasmado de Amor e se torna necessariamente uma central de energia. A Espiritualidade é esta força que deve brotar e transmitir luz. O mundo inteiro se iluminou da Presença de Deus em Francisco de  Assis. Deve se iluminar também a partir da nossa vida. Espiritualidade é caminho de Iluminação!

    Como dizíamos  Espiritualidade é Caminho. Cada experiência é um passo. Na vida espiritual tudo começa por um passo. É a mística de Santiago de Compostela.  É busca. Cada experiência de buscar Deus é uma peregrinação à Casa do Pai e poder dizer um dia: “ finalmente cheguei!” Esta não é uma viagem feita com as pernas, mas sim com  o coração. O que falta na formação espiritual é trabalhar bem o afeto. Cada um se torna aquilo que ama e busca. A escolha fundamental que cada um faz é que o caracteriza. O Amor edifica sempre. Depois que Francisco descobre que o Amor não é amado, começa a reconstruir a casa da civilização do amor. Quanto maior o Amor e a Espiritualidade, maior é a obra completa.

     Neste nosso per-Curso vamos trabalhar a Espiritualidade como Palavra que é  permanente presença; vamos refletir a Palavra como nítida imagem diante de nós. E que tudo isto tome forma em nosso coração. O que toma conta do nosso coração toma conta do corpo inteiro. Para a Espiritualidade o órgão do conhecimento não é o intelecto mas  o coração. Nós somos o que colocamos no coração. Cada vez  que você ama esta busca  e a traz para o coração, você se torna uma Fonte.

* Frei Vitório Mazzuco cursou Teologia e Filosofia, em Petrópolis, e fez pós-graduação em Teologia Espiritual, na Pontificia Università Antonianum, em Roma, obtendo o mestrado. Sua tesina, publicada em forma de livro, leva por título: “Francisco de Assis e o modelo de amor cortes-cavaleiresco: elementos cavaleirescos na personalidade e espiritualidade de Francisco de Assis” (Vozes 1994). Atualmente, ele é reitor do Santuário de Santo Antônio, no Largo da Carioca, na cidade do Rio de Janeiro, professor de Franciscanismo, em Piracicaba, no Rio de Janeiro e em Petrópolis. Também é pesquisador do IFAN (Instituto Franciscano de Antropologia), entidade ligada à Universidade São Francisco de Assis, em Bragança Paulista, e dedicada às áreas de Franciscanismo, Teologia e Ciências da Religião, Estudos Humanísticos, Estudos da Cultura Moderna e Pastoral.

Falai, Senhor, que o vosso servo escuta.

Falai, Senhor, que o vosso servo escuta.

Sou o vosso servo, daí-me entendimento para que eu conheça vossos ensinamentos.

Inclinai o meu coração às palavras de vossa boca; desçam elas sobre mim, como orvalho.

Diziam outrora os filhos de Israel a Moisés: Fala-nos tu, que te ouviremos; não nos fale o Senhor, para que não suceda que morramos.

Não, Senhor; não é essa a minha prece; antes, como o profeta Samuel, humilde e ansioso vos peço: Falai, Senhor, que o vosso servo vos escuta.

Não me fale Moisés ou algum dos profetas; mas falai-me vós, Senhor Deus, inspirador e oráculo dos profetas; porque vós, sem els, podeis, perfeitamente, instruir-me; ao passo que eles, sem vós, de nada me valerão.

Podem, de fato, proferir palavras, mas não podem comunicar o espírito.

Transmitem letras; mas vós manifestais o espírito ; propõem os mistérios; vós desvendais a significação das figuras.

Promulgam vossos mandamentos; mas vós nos ajudais a cumpri-los.

Mostram o caminho de vós, porém, nos advém a força para segui-lo.

Atuam exteriormente; mas vós instruis e iluminais os corações.

Regam a superfície, vós dais a fecundidade.

Clamam com palavras; vós concedeis inteligência para compreendê-las.

Não me fale,pois, Moisés, mas vós, Senhor Deus meu, Verdade eterna; para que não
morra e fique sem fruto, se for apenas de fora advertido e não abrasado por dentro.

Não me sirva de condenação vossas palavras ouvidas e não praticadas; conhecidas e não amadas; crida e não observada.

Falai, pois, Senhor, que o vosso servo vos escuta, porque tendes palavras de vida eterna.

Falai-me para consolação de minha alma, emenda da minha vida, para louvor, glória e honra perpétua vossa.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

CREIO





















O SÍMBOLO DA FÉ

Abraça, cuidadoso, unicamente a fé que agora a Igreja te entrega para aprendê-la e confessá-la, protegida pelos muros de toda a Escritura. Já que nem todos podem ler as Escrituras, uns por falta de preparo, outros por qualquer ocupação que os impede de conhecê-la, para que não pereçam por ignorância, encerramos nos poucos versículos do símbolo todo o dogma da fé.

Exorto-te a tê-lo como viático durante a vida inteira e não admitir nenhum outro mais. Nem se nós próprios, tendo mudado, dissermos algo contrário ao que ensinamos agora, nem mesmo se um anjo adverso, transfigurado em um anjo de luz, te quiser arrastar ao erro. Pois ainda que nós ou um anjo do céu vos anuncie coisa diferente do que agora recebestes, vos seja anátema (Gl 1.8).

Ouves neste momento apenas simples palavras, mas guarda na memória o símbolo da fé. Em tempo oportuno receberás a confirmação de cada versículo tirado das Sagradas Escrituras. Porque não foi a bel-prazer dos homens que este resumo da fé foi composto, mas selecionados dentre toda a Escritura, os tópicos mais importantes perfazem e abraçam a única doutrina da fé. Da forma como a semente de mostarda num pequenino grão contém muitos ramos assim este símbolo em poucas palavras encerra como num seio materno o conhecimento de toda a religião contida no Antigo e no Novo Testamento.

Considerai, portanto, irmãos, e mantende as tradições que recebestes agora e gravai-as no fundo de vosso coração. Observai-as religiosamente, não aconteça que o inimigo em qualquer lugar venha a espoliar os covardes e negligentes, ou um herege alterar algo do que vos foi entregue. A fé é depositar no banco o dinheiro que vos confiamos. Mas Deus vos pedirá contas do depósito. Peço-vos, assim diz o Apóstolo, diante de Deus, que tudo vivifica, e de Cristo Jesus que deu o seu belo testemunho sob Pôncio Pilatos (Cf. 1Tm 6,13), que conserveis imaculada esta fé entregue a vós, até que apareça nosso Senhor Jesus Cristo.

Agora te foi dado o tesouro da vida. O Senhor exigirá seu deposito por ocasião de seu aparecimento, que no tempo preestabelecido o bem-aventurado e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, manifestará. Ele, o único a possuir a imortalidade, que habita em luz inacessível, a quem ninguém jamais viu nem pode ver (Cf. 1Tm 6,15-16). A ele glória, honra e império pelos séculos dos séculos. Amém

Paz e Bem!

Fonte: Das Catequeses de São Cirilo de Jerusalém, bispo. - (Cat. 5, De fide et symbolo, 12-13;PG 33,519-523) (Séc.IV)



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terça-feira, 1 de novembro de 2011

PARA UM PERFEITO DISCERNIMENTO





















PARA UM PERFEITO DISCERNIMENTO...

Por que me olhas só em minha visibilidade?
Assim, jamais verás o meu eu original...
Porque ele te é invisível aos olhos naturais...
Aprende isto, Deus, nosso Pai, nos criou infinitos...
Ou seja, à sua “imagem e semelhança”...

Porquanto, há certa discrepância entre o que vês e o que sou,
Isto porque a alma humana é transparente, imaterial...
E jamais pode ser alcançada pela visibilidade natural...
Todavia, a constatamos em nós mesmos,
porque somos o que somos...

Difícil entender isso?
Não! Na verdade é só assumirmos o que somos...
Filhos de Deus...
Não criados só para o tempo...
Mas, sim, para a eternidade...
Porque o essencial é invisível aos olhos da carne...

Pelo sim e pelo não, creio que seja de praxe,
olharmos primeiro a aparência...
e depois fazermos algum tipo de julgamento...
Ora, mas isso acontece, porque no mais das vezes,
nos ligamos inconsequentemente a tudo e a todos que encontramos...
E por isso, nos travamos e falhamos quanto ao perfeito discernimento...

Logo, o cristão deve sempre está ligado em Deus...
E a partir dos dons que Dele recebeu...
Fazer o verdadeiro discernimento com isenção e respeito...
E faz assim, porque sabe que a verdade permanece sempre...
E que a inocência é a maior credora da liberdade...


Portanto, seja aonde for,
Esteja com quem estiver...
Fazendo o que aprouver...
Nunca se desligue de Deus...
Porque só permanecendo Nele...
é que somos livres e felizes...
E capazes do mais perfeito discernimento...

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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