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domingo, 19 de setembro de 2021

Homilia do XXV DOM do Tempo Comum...


 Homilia do XXV Dom do tempo comum (Mc 9,30-37)(19/09/31)


Caríssimos, quando se busca fazer a própria vontade se cai facilmente na tentação de querer aparecer sempre, de se achar melhor que os outros, de querer os primeiros lugares e ser servidos, de buscar o sucesso custe o que custar; e para atingir os objetivos traçados pouco importa os outros e as suas necessidades. Ora, é essa a realidade com que nos deparamos ao longo da história humana.


Com efeito, esta liturgia de hoje nos ensina que o verdadeiro sentido da vida vai muito além dos objetivos pessoais, pois, o seguimento de nosso Senhor Jesus Cristo requer de nós o abandono dos próprios interesses para nos dedicarmos à salvação de todos, basta olharmos o testemunho dos santos e santas que seguiram o Senhor em todas as vocações.


No Evangelho de hoje enquanto o Senhor Jesus anunciava a sua paixão, morte e ressurreição; os Apóstolos discutiam entre si quem seria o maior no Reino dos céus. Ao que o Senhor respondeu: “Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos!


Em seguida, pegou uma criança, colocou-a no meio deles e, abraçando-a, disse: “Quem acolher em meu nome uma destas crianças, é a mim que estará acolhendo. E quem me acolher, está acolhendo, não a mim, mas àquele que me enviou”. (Mc 9,35-37). Ou seja, precisamos nos despojar do egoísmo, da malícia e de todo o mal, para que inocentes como as crianças, fazermos tudo segundo a vontade de Deus.


Portanto, caríssimos, todos estamos a caminho da eternidade, e não existe outra alternativa para entrarmos no Reino dos céus fora da cruz do Senhor Jesus, bem como Ele nos ensinou: "Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perde-la-á; mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por minha causa, recobra-la-á.


Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai com seus anjos, e então recompensará a cada um segundo suas obras." (Mt 16,24-27).


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

sábado, 18 de setembro de 2021

A SEMENTE DA PALAVRA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 8,4-15)(18/9/21)


Caríssimos, a didática divina é maravilhosa, porque nos comunica de modo esclarecedor o conteúdo da fé; e ainda que apareça alguma dúvida, logo é esclarecida à medida que vamos nos exercitando no seu conteúdo cujo único objetivo é a nossa salvação eterna, por nos comunicar com exatidão a vontade de Deus, nosso Pai.


Na primeira leitura são Paulo exorta seu discípulo Timóteo a permanecer firme no conteúdo da fé que lhe foi comunicada certo de que a esperança nele gerada alcançará pleno êxito com a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo, "bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, o único que possui a imortalidade e que habita numa luz inacessível, que nenhum homem viu, nem pode ver. A ele, honra e poder eterno. Amém."


No Evangelho de hoje o Senhor Jesus usando a didática da parábola do semeador nos ensina onde e como acolher as sementes da Sua Divina Palavra para darmos os frutos da redenção que Ele nos veio trazer; para isto Ele nos apresenta quatro tipos de terrenos: a beira do caminho, o solo pedregoso, o espinheiro, e por fim o solo fecundo. 


E explicando aos Apóstolos o sentido da Parábola disse: "A semente é a Palavra de Deus. Os que estão à beira do caminho são aqueles que ouviram, mas, depois, vem o diabo e tira a Palavra do coração deles, para que não acreditem e não se salvem. Os que estão sobre a pedra são aqueles que, ouvindo, acolhem a Palavra com alegria. Mas eles não têm raiz: por um momento acreditam; mas na hora da tentação voltam atrás.


Aquilo que caiu entre os espinhos são os que ouvem, mas, com o passar do tempo são sufocados pelas preocupações, pela riqueza e pelos prazeres da vida, e não chegam a amadurecer. E o que caiu em terra boa são aqueles que, ouvindo com um coração bom e generoso, conservam a Palavra, e dão fruto na perseverança."


Portanto, caríssimos, tudo em nosso viver depende das nossas escolhas e decisões, e quando fazemos isso exercitando a fé, cujo único objetivo é a santificação de nossas almas, então, é a Vontade de Deus que se cumpre em nossa vida como num solo fecundo que acolhe a semente da Sua Palavra e dá os frutos esperado pelo divino semeador, nosso Senhor Jesus Cristo.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

A QUEM MUITO AMOU, MUITO SE PERDOOU...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Lc 7,36-50)(16/09/21).

Caríssimos, tudo na vida de quem ama a Deus e ao próximo como a si mesmo, aponta para o céu, pois, quem ama procura sempre fazer a vontade de Deus em todos os sentidos do viver. Ora, sabemos que aqui neste mundo, tudo tem limite menos as virtudes eternas com as quais Deus nos criou para permanecermos em comunhão com Ele, de modo que o nosso testemunho de vida seja verdadeiro.

De fato, atingimos tal estado de alma por meio de um permanente processo de conversão, que consiste na mudança interior em nossa relação com Deus, com o próximo e com toda a criação. Bem como nos ensina são Paulo ao aconselhar Timóteo na primeira leitura: "Caríssimo, ninguém te despreze por seres jovem. Pelo contrário, serve de exemplo para os fiéis, na palavra, na conduta, na caridade, na fé, na pureza." (1Tim 4,12).

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus foi convidado para jantar na casa de um fariseu, porém, não foi recebido devidamente por ele e ainda foi julgado por permitir que uma pecadora pública lavasse seus pés com as lágrimas, os enxugasse com os cabelos, os beijasse e os perfumasse; e por fim o Senhor a perdoou os pecados, porque ela muito amou. 

Ora, essa atitude do Senhor Jesus aos olhos do fariseu e dos seus convidados pareceu muito estranha, por pensarem em seus corações: “Quem é este que até perdoa pecados?” Mas Jesus disse à mulher: “Tua fé te salvou. Vai em paz”. De fato, Deus nos conhece por dentro, por isso, o que importa realmente é o nosso arrependimento acompanhado do desejo de sermos perdoados.

Portanto, caríssimos, alguns detalhes desta liturgia de hoje nos chama a atenção: o primeiro deles consiste em sermos sinceros no nosso encontro com o Senhor; o outro diz respeito à tentação que sofremos de julgar os outros por suas atitudes; e por último não podemos esquecer que Deus sempre nos trata com misericórdia e por isso requer de nós o mesmo tratamento para com os nossos semelhantes.

Destarte, peçamos humildemente ao Senhor Jesus que nos dê a graça de ama-lo de todo coração e amarmos uns aos outros como Ele nos ensinou, desse modo, as nossas ações falarão mais alto que as nossas palavras.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

NOSSA SENHORA DAS DORES...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 19,25-27)(15/09/21)


Caríssimos, a vida que vivemos não é feita somente de alegrias, muitas vezes ela é mesclada de dores, de forma que em certos momentos tais dores são imensas, e pensamos: quem dera que a vida fosse feita somente de alegrias, de paz, harmonia, leveza, e felicidade sem fim.


De fato, se não existisse o pecado não sofreríamos nenhum tormento, todavia, como nos ensinou são Paulo: "Mas, onde abundou o pecado, superabundou a graça." (Rm 5,20b). E é exatamente isso que nos enche de esperança, pois, Deus, nosso Pai, quiz sofrer as nossas dores por Seu Filho, Jesus Cristo e sua santa Mãe, a Virgem dolorosa, para nos dar a felicidade eterna no seu Reino. 


Com efeito, enquanto existírmos neste mundo teremos em Jesus e Maria os modelos perfeitos de como vencer os sofrimentos se entregando totalmente nas mãos de Deus, nosso Pai, que sempre nos consola em meio às aflições deste mundo, como o fez com todos os santos e santas que seguiram o seu Filho Jesus em seu caminho de cruz. 


Desse modo, a fé nos leva a perceber que não existe dor sem alívio, principalmente quando sofremos como inocentes, certos de que o nosso sofrimento é redentor, porque é o Senhor Jesus quem sofre em nós e conosco. À esse respeito escreveu são Paulo: "Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada." (Rm 8,18).


De fato, ao contemplarmos Maria Santíssima junto a cruz de Jesus percebemos quanto as suas dores foram atrozes, por sentir-se impotente diante de tamanha maldade dos seus algozes, no entanto, foi consolada por seu Filho ao receber a missão de gerar a nova humanidade em meio às dores que padeceu junto a Ele na cruz.


Portanto, caríssimos, peçamos à Virgem Mãe dolorosa a consolação em nossas dores, para que o nosso calvário seja para todos que o contemplarem um sinal da ressurreição do seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 14 de setembro de 2021

FESTA DA EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 3,13-17)(14/09/21)


Caríssimos, hoje a Igreja celebra a Festa da Exaltação da Santa Cruz, sinal eterno da nossa libertação e salvação do pecado, da morte e do inferno, como também de todo mal. De modo que, ao traçarmos sobre nós o sinal da cruz, tal gesto significa a nossa pertença a Cristo e a permanente garantia da nossa redenção pelo seu sangue derramado em expiação dos nossos pecados.


Com efeito, Deus poderia escolher um outro meio para nos salvar, no entanto, Ele mesmo quis assumir a nossa miserável condição, menos no pecado, por meio do Seu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo, que padeceu, foi crucificado, morreu e ressuscitou para nos libertar definitivamente e nos acolher no Seu Reino de justiça e paz. Desse modo, nos ensinou que não existe meio mais eficaz pelo qual devamos ser salvos.


De fato, a cruz é o grande mistério do amor de Deus por nós, como Jesus nos ensinou: "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos." (Jo 15,13). E são Paulo completa: "Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo, e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz." (Fl 2,6-8).


De certo, como entender que Deus infinitamente poderoso se deixou dominar e ser morto numa cruz como se um bandido fosse; de modo que, sem nenhuma reação, entregou-se nas mãos dos pecadores que lhe impuseram os mais terríveis tormentos e morte humilhante? Só o amor explica isso, como Ele mesmo disse no Evangelho de hoje: "Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna." (Jo 4,16).


Portanto, caríssimos, crer no Senhor Jesus, é ama-lo, é segui-lo fielmente sem jamais se lamentar quando passamos por nossos momentos de cruz que são os sofrimentos advindos dos nossos pecados e dos pecados dos outros. Ora, o Senhor Jesus totalmente inocente foi barbaramente crucificado; e nós que somos culpados, o que dizer? Olhemos, então, para a cruz do Senhor porque ela é a nossa única consolação e esperança de vida eterna.


Destarte, rezemos com amor esta belíssima oração em honra da Santa Cruz que nos ensinou são Francisco de Assis: "Nós vos adoramos Santíssimo Senhor Jesus, aqui e em todas as Igrejas que estão no mundo inteiro e vos bendizemos, porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo."


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

SENHOR EU NÃO SOU DIGNO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA

(Lc 7,1-10)(13/09/21).


Caríssimos, na vivência da fé e em nossas orações temos muito a aprender, e isso porque, no mais das vezes, rezamos conforme os nossos desejos, querendo que se faça a nossa vontade. Todavia, precisamos aprender que Deus é Deus e nós somos simples criaturas, e exatamente por isso, é um imenso privilégio encontra-lo e falar com Ele cheios de reverência, como vimos no Evangelho de hoje, isto é, com humildade e confiança inabalável.


Com efeito, a nossa interação com o Senhor Jesus sem dúvida acontece por meio da oração como encontro, isto é, um diálogo amoroso, em que falamos com Ele, mas também o escutamos, e não apenas expondo o que queremos, mas sim, desejando fazer a vontade do Pai como Ele fez.


Muitos dizem: eu rezo tanto e não recebo, porém, não percebem que rezar não é só pedir, mas sim, interagir, dialogar, louvar, agradecer, adorar, ter consciência da infinita grandeza de Deus, e reconhecer que sem Ele nada somos, nada podemos, e que só existimos por causa da Sua Divina Misericórdia. E por isso, precisamos ama-lo de todo o nosso coração, querendo sempre o que Ele quer.


De certo, escutemos o que escreveu são Pedro a esse respeito: "Humilhai-vos, pois, debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele vos exalte no tempo oportuno. Confiai-lhe todas as vossas preocupações, porque ele tem cuidado de vós." (1Pd 5,6-7). Pois, como nos ensinou o Senhor Jesus: "Porque todo aquele que se exaltar será humilhado, e todo aquele que se humilhar será exaltado." (Lc 14,11).


Desse modo, nossas orações são atendidas porque nascem da necessidade de amar a Deus sobre todas as coisas e ser amados por Ele como filhos e filhas. De fato, sem essa postura interior nos pomos diante de Dele como se Ele dependesse de nós; e não nós dependêssemos Dele.


Portanto, caríssimos, rezar é como respirar; pois, assim como a vida natural depende cem por cento do ar que respiramos, de igual modo, a vida sobrenatural depende do ar da graça do Espírito Santo, que vem até nós pelos pulmões de nossa oração; quem não reza, morre de inanição espiritual, porque não encontra Deus, não interage com Ele, não o ama e nem se deixa amar por Ele.


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

HOMILIA DO XXIVDOM DO TEMPO COMUM...


 Homilia do XXIVDom do Tempo comum (Mc 8,27-35)(12/09/21)


Caríssimos, por mais segurança que alguém tenha advinda dos bens materiais, isso não é nada, pois, tudo o que é perecível não passa de uma frágil estabilidade que a qualquer momento se esvai. De fato, devido a nossa finitude queremos que tudo esteja sob o nosso controle, porém, como isso não é possível, por conta dos imprevistos deste mundo, tendemos a perder a fé por confiarmos mais em nós mesmos do que em Deus.


No Evangelho de hoje o Senhor Jesus pergunta aos discípulos quem Ele é aos olhos do povo, e aos olhos deles. Só que a resposta do povo não corresponde a quem Ele é; por outro lado, Pedro pleno de fé responde corretamente: “Tu és o Messias”. Ou seja, o Cristo, o enviado do Pai, o Salvador prometido, aquele que devia vir a este mundo.


No entanto, apesar de ter dado a resposta satisfatória, Pedro logo caiu em contradição por repreender o Senhor Jesus assim que revelou os sofrimentos e a morte que padeceria por conta dos anciãos do povo, dos Sumos Sacerdotes e dos doutores da Lei, por não aceitarem a sua mansidão e humildade, isto é, por não corresponder às suas espectativas.


De certo, a resposta do Senhor Jesus a Pedro e aos demais discípulos de todos os tempos, serve de alerta para toda a humanidade: "Então chamou a multidão com seus discípulos e disse: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, vai salvá-la”. (Mc 8,34-35).


Portanto, caríssimos, depois do primeiro pecado este mundo deixou de ser um paraíso para se tornar um campo de batalha espiritual onde definimos o nosso devir, isto é, o nosso vir a ser eterno, todavia, a misericórdia de Deus e o sacrifício do Seu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo, nos dão a vitória sobre todo o mal, contanto que renunciemos à nós mesmos, para fazermos em tudo a Sua Santa Vontade.


Destarte, rezemos esta belíssima oração de santo Agostinho: "Inquieto, ó Senhor, está o nosso coração enquanto não repousar em Ti." E no salmo responsorial digamos com o salmista: "O Senhor libertou minha vida da morte, enxugou de meus olhos o pranto e livrou os meus pés do tropeço. Andarei na presença de Deus, junto a Ele na terra dos vivos." (Sl 114).


Paz e Bem!


Frei Fernando Maria OFMConv.

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