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sábado, 13 de novembro de 2010

O desafio de conciliar ecologia e fé

Nós podemos mudar. Mais que o tema do Seminário sobre questões climáticas e a vida no planeta que ocorreu nesta sexta-feira, em Porto Alegre, a frase retrata a esperança dos que querem ser multiplicadores do amor e do respeito ao planeta. Pessoas de todo o Estado aprenderam que não basta olhar o Governo tratar das questões ambientais, mas é preciso trazê-las para dentro das igrejas, da espiritualidade, da vida da sociedade. O seminário marcou o fim da Semana da Solidariedade e o início das comemorações do Ano Jubilar da Cáritas RS, que completará 50 anos em 2011.

O salão de eventos da Igreja Nossa Senhora do Rosário da Pompéia, localizado em uma movimentada rua da capital gaúcha, ficou tomado de estandes com amostras de trabalhos realizados pelas Cáritas espalhadas pelo Estado. Nas paredes, vários cartazes da Semana da Solidariedade que traz a imagem dos olhos de uma criança e a pergunta: “Qual o nosso olhar?”.





“Eu vii a opressão do meu povo no Egito, ouvi os gritos de aflição diante dos opressores e tomei conhecimento dos seus sofrimentos”.
Esse foi o trecho bíblico escolhido para guiar as reflexões ao longo do Seminário, que também contou com momentos de música e descontração. Após a oração inicial, foi apresentado um apanhado histórico sobre a Cáritas no Estado. Figuras importantes nessa caminhada, como Dom Helder Câmara e Dom Ivo Lorscheiter, não foram esquecidos. Durante a tarde, foram realizadas quatro oficinas que tiveram como tema o desenvolvimento sustentável.

Entretanto, a principal atividade do dia foi a palestra do monge beneditino Marcelo Barros. Teólogo e biblista, Barros trabalha a junção entre ecologia e espiritualidade. A religiosa Lourdes Dill saiu com outras cinco companheiras às 3h30min para chegar a Porto Alegre a tempo de escutar o monge. “Ele é um profeta”, resumiu. Há mais de 25 anos, Lourdes atua na Cáritas, promovendo ações de inclusão social e economia solidária, principalmente junto aos catadores de lixo da região Central do RS. Para ela, a Cáritas é uma peça fundamental na caminhada da Igreja no Rio Grande do Sul.

Caty Griebeler, 70 anos, é moradora de Porto Alegre e trabalha na Pastoral da Educação. Durante o seminário desta sexta-feira, ela procurava mais subsídios para falar sobre ecologia com educadores e estudantes. “É um tema sempre presente na sala de aula. A próxima Campanha da Fraternidade será um desafio para nós”, afirmou. A CF 2011 tem como tema Fraternidade e a vida do planeta.

Há 18 anos, Cláudio Roberto Schaab participa da Cáritas da Diocese de Novo Hamburgo e ajudou a levar o trabalho a 37 paróquias. Ao longo desses anos, Cláudio viu nascerem oito empreendimentos solidários, que hoje geram emprego e renda. Ele acompanhou também a inclusão das questões ambientais na pauta da Cáritas. O voluntário não escondia a tristeza ao falar sobre a nova mortandade de peixes no Rio do Sinos, preocupação presente na Cáritas da região de Novo Hamburgo. “Viemos aqui buscar novas forças”, afirmou, antes de acompanhar a palestra de Marcelo Barros.

Odete Silveira saiu de Passo Fundo para comparecer ao evento na capital. Ela e algumas companheiras não abriram mão de rezar pelos próximos 50 anos da Cáritas. “Queremos continuar com esse espírito alegre, de caminhada e partilha.” A Cáritas tinha apenas oito anos de existência no Rio Grande do Sul quando Ivo Guizardi começou a participar. Há 42 anos, ele atua como voluntário. “Estou aqui para celebrar este grande feito da Igreja e do homem.”

Integrantes da Cáritas de Bagé acabaram se perdendo e rodaram por mais de uma hora em Porto Alegre até encontrar o local do seminário. “Estamos firmando um compromisso com as questões climáticas. Precisamos cuidar da terra, das pessoas, da vida”, disse Nilzamar de Macedo.

O sistema atual de desenvolvimento é insustentável

Marcelo Barros tem um tom de voz suave, uma tranquilidade característica do povo do norte do país. Entretanto, quando começa a falar sobre o descaso que o povo tem com o meio ambiente, muda de feição e as palavras ganham contundência. Muitos dos que ali estavam o chamavam de “companheiro de muitas lutas”. “Pelos pobres, pelos desfavorecidos, pela terra, pela vida”, afirmou a assessora da Cáritas Brasileira – Regional do Rio Grande do Sul, Loiva de Oliveira, ao apresentá-lo.

Era madrugada quando o avião do religioso pousou em solo gaúcho. Após descansar durante algumas poucas horas, ele se dirigiu ao salão de eventos da Igreja Nossa Senhora do Rosário da Pompéia. Ao meio-dia, embarcaria para São Paulo, sendo que, na próxima semana, passará também por Brasília e Argentina, onde tem vários compromissos, para só depois retornar ao Recife.

Segundo Barros, medidas técnicas e políticas precisam ser tomadas em relação ao meio ambiente. Entretanto, o mais importante é que a sociedade modifique sua forma de lidar com a natureza. “Caso contrário, todas as ações serão paliativas.” O monge deixou a plateia impressionada quando afirmou que a Terra já perdeu a capacidade que tinha de se regenerar. “A lógica do capitalismo assassina o povo e o meio ambiente.”

Religiões como o budismo e o hinduísmo, de acordo com Barros, sempre defenderam a vida. Porém, a Igreja Católica tem uma dívida grande com o meio ambiente. “A ecologia não pode ser tratada como apêndice. Tem de ser algo fundamental, central da fé”, disse. “Qual carta papal fala sobre ecologia? Há apenas um parágrafo ou outro, sempre de um jeito marginal. Acaba a Campanha da Fraternidade e o meio ambiente é esquecido” completou.

Para o monge, a situação é mais preocupante do que se imagina. “Precisamos mudar. O sistema atual de desenvolvimento é insustentável. A terra sobrevive sem o homem. O homem não sobrevive sem a terra.”

Extraído de http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=38306 acesso em 13 nov. 2010.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

SEM MIM NADA PODEIS










SEM MIM NADA PODEIS

Em se tratando de poder,
todos nós o temos em pequena ou larga escala...
Poder de ser e existir no mundo...
Poder de decisão, pois, nada fazemos sem antes decidirmos...
Poder de pensar livremente e de expressar o que somos...
Poder de ir e vir, desde que não o percamos...
Mas, tudo isso em termos pessoais...

Porém, a partir desse poder pessoal,
temos os poderes constituídos...
Por exemplo: poderes político e jurídico,
baseados nas leis positivas, isto é, criadas pelo homem...
Poder monetário, midiático...
Poder de compra e venda...
baseado nas leis de mercado...
E todos os demais poderes que regem nossa sociedade...

Todavia, existem poderes com os quais os homens lidam...
mas nem sempre podem dominá-los...
O poder da natureza com suas surpresas...
muitas vezes desagradáveis por meio das catástrofes...
O poder do universo ainda muito além do ser humano...
O poder dos elementos físico-químicos com suas variantes...
E os inquietantes poderes ocultos invisíveis...
somente perceptíveis pelo discernimento espiritual...
Isto é, pelas almas em estada de graça...

Enfim, o Poder de Deus que sustenta todos os poderes...
Mas de todos exige o bem e somente o bem...
Porque foi para o bem que os criou em seu amor...
E ai de quem não cumpre seu desígnio bom e eterno...
Porque vai ater-se no inferno da negação do bem que deixou de cultivar...

Daí não tem como voltar...
visto que o arrependimento é agora...
Porque agora é a hora da graça do perdão
que nos livra da danação que está prestes a chegar...
Por isso, vem Senhor, vem nos salvar...
Porque sem Ti nada somos, nada podemos...
Porque somente em Ti...
é que haveremos de ser eternamente...

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


Bento XVI : Beata Ângela de Foligno

PAPA BENTO XVI AUDIÊNCIA GERAL
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 13 de Outubro de 2010
[Vídeo]

Beata Ângela de Foligno

Estimados irmãos e irmãs

Hoje gostaria de vos falar sobre a Beata Ângela de Foligno, uma grande mística medieval que viveu no século XIII. Geralmente, ficamos fascinados diante dos ápices da experiência de união com Deus que ela conseguiu alcançar, mas talvez sejam considerados demasiado pouco os primeiros passos, a sua conversão e o longo caminho que a levou desde o ponto de partida, o «grande medo do inferno», até à meta, que é a união total com a Trindade. A primeira parte da vida de Ângela não é certamente a de uma fervorosa discípula do Senhor. Tendo nascido por volta de 1248 numa família abastada, ela permaneceu órfã de pai e foi educada pela mãe de modo bastante superficial. Muito cedo, foi introduzida nos ambientes mundanos da cidade de Foligno, onde conheceu um homem com o qual casou aos vinte anos e do qual teve alguns filhos. Levava uma vida despreocupada, a ponto de se permitir desprezar os chamados «penitentes» — muito difundidos naquela época — ou seja, aqueles que para seguir Cristo vendiam os próprios bens e viviam na oração, no jejum, no serviço à Igreja e na caridade.

Alguns acontecimentos, como o violento tremor de terra de 1279, um furacão, a prolongada guerra contra Perúsia e as suas duras consequências incidem na vida de Ângela, que progressivamente adquire consciência dos próprios pecados, até chegar a um passo decisivo: invoca São Francisco, que lhe aparece em visão, para lhe pedir conselho em vista de uma boa Confissão geral que devia realizar: estamos no ano de 1285; Ângela confessa-se a um frade em São Feliciano. Três anos mais tarde, o caminho da conversão conhece mais uma mudança: a dissolução dos vínculos afectivos porque, em poucos meses, à morte da mãe seguem-se a do marido e de todos os seus filhos. Então, vende os seus bens e, em 1291, adere à Terceira Ordem de São Francisco. Falece em Foligno no dia 4 de Janeiro de 1309.

O livro da Beata Ângela de Foligno, em que está contida a documentação a propósito da nossa Beata, narra esta conversão; indica os meios necessários para isto: a penitência, a humildade e as tribulações; e descreve as suas passagens, a sucessão das experiências de Ângela, que começaram em 1285. Recordando-as, depois de as ter vivido, ela procurou narrá-las através do Frade confessor, que as transcreveu procurando sucessivamente dispô-las em etapas, às quais chamou «passos ou mudanças», mas sem conhecer ordená-las plenamente (cf. Il Libro della beata Angela da Foligno, Cinisello Balsamo 1990, pág. 51). Isto porque a experiência de união para a Beata Ângela é um envolvimento total dos sentidos espirituais e corporais, e daquilo que ela «compreende» durante as suas êxtases só permanece, por assim dizer, uma «sombra» na sua mente. «Ouvi verdadeiramente estas palavras — confessa ela depois de um arrebatamento místico — mas aquilo que eu vi e compreendi, e que Ele [ou seja, Deus] me mostrou, não sei nem posso dizê-lo de qualquer modo; não obstante, revelaria de bom grado aquilo que entendi com as palavras que ouvi, mas foi um abismo absolutamente inefável». Ângela de Foligno apresenta a sua «vivência» mística, sem a elaborar com a mente, uma vez que são iluminações divinas que se comunicam à sua alma de maneira repentina e inesperada. O próprio Frade confessor tem dificuldade em descrever tais acontecimentos, «também por causa da sua grande e admirável discrição em relação aos dons divinos» (Ibid., pág. 194). À dificuldade que Ângela tem de descrever a sua experiência mística, acrescenta-se inclusive a dificuldade para os seus ouvintes de a compreender. Uma situação que indica claramente como o único e verdadeiro Mestre, Jesus, vive no coração de cada crente e deseja tomar posse total do mesmo. Assim ocorreu em Ângela, que escrevia a um dos seus filhos espirituais: «Meu filho, se tu visses o meu coração, serias absolutamente obrigado a fazer tudo quanto Deus deseja, porque o meu coração é o de Deus, e o coração de Deus é o meu». Ressoam aqui as palavras de São Paulo: «Já não sou eu que vivo; é Cristo que vive em mim» (Gl 2, 20).

Então, consideremos aqui unicamente alguns «passos» do rico caminho espiritual da nossa Beata. O primeiro, na realidade, é uma premissa: «Foi o conhecimento do pecado — como ela mesma esclarece — a seguir ao qual a alma teve um grande medo de ser condenada; neste passo, chorou amargamente» (Il Libro della beata Angela da Foligno, pág. 39). Este «medo» do inferno corresponde ao tipo de fé que Ângela tinha no momento da sua «conversão»; uma fé ainda pobre de caridade, ou seja, do amor de Deus. Arrependimento, medo do inferno e penitência abrem a Ângela a perspectiva do doloroso «caminho da cruz» que, do oitavo ao décimo quinto passo, a levará depois pelo «caminho do amor». O Frade confessor narra: «Então, a fiel disse-me: tive esta revelação divina: “Depois daquilo que foi escrito, manda escrever que quem quiser conservar a graça, não deve afastar os olhos da alma da Cruz, tanto na alegria como na tristeza que lhe concedo ou permito”» (Ibid., pág. 143). Mas nesta fase, Ângela ainda «não sente o amor»; ela afirma: «A alma sente vergonha e amargura, e ainda não experimenta o amor, mas sim a dor» (Ibid., pág. 39), e sente-se insatisfeita.

Ângela sente que deve dar algo a Deus para reparar os seus pecados, mas lentamente compreende que nada tem para lhe oferecer, aliás, que «não é nada» diante dele; entende que não será a sua vontade que lhe dará o amor de Deus, porque ela só pode dar-lhe o seu «nada», o «desamor». Como ela mesma dirá: apenas «o amor verdadeiro e puro, que vem de Deus, está na alma e faz com que ela reconheça os próprios defeitos e a bondade divina [...] Tal amor leva a alma a Cristo e ela compreende com segurança que não se pode verificar nem haver qualquer engano. A tal amor não se pode misturar algo deste mundo» (Ibid., págs. 124-125). Abrir-se única e totalmente ao amor de Deus, que tem a máxima expressão em Cristo: «Ó meu Deus — reza ela — tornai-me digna de conhecer o mistério excelso, que o vosso amor ardentíssimo e inefável realizou, juntamente com o amor pela Trindade, ou seja, o mistério altíssimo da vossa santíssima encarnação por nós [...] Ó amor incompreensível! Acima deste amor, que fez com que o meu Deus se tenha feito homem para me fazer Deus, não existe amor maior» (Ibid., pág. 295). Todavia, o coração de Ângela traz sempre as feridas do pecado; mesmo depois de uma Confissão bem feita, ela sentia-se perdoada mas ainda angustiada pelo pecado, livre mas condicionada pelo passado, absolvida mas carente de penitência. E inclusive o pensamento do inferno a acompanha, pois quanto mais a alma progredir pelo caminho da perfeição cristã, tanto mais ela se há-de convencer não só que é «indigna», mas que é merecedora do inferno.

E eis que, ao longo do seu caminho místico, Ângela compreende de modo profundo a realidade central: aquilo que a salvará da sua «indignidade» e do «merecimento do inferno» não será a sua «união com Deus», nem a sua posse da «verdade», mas sim Jesus crucificado, «a sua crucifixão por mim», o seu amor. No oitavo passo ela diz: «Contudo, eu ainda não entendia se era um bem maior a minha libertação dos pecados e do inferno, e a conversão à penitência, ou então a sua crucifixão por mim» (Ibid., pág. 41). Trata-se do equilíbrio instável entre amor e dor, que ela sentia em todo o seu difícil caminho rumo à perfeição. Precisamente por isso, contempla de preferência Cristo crucificado, porque em tal visão ela vê realizado o equilíbrio perfeito: na cruz está o homem-Deus, num supremo gesto de sofrimento que é um acto supremo de amor. Na terceira Instrução, a Beata insiste sobre esta contemplação, afirmando: «Quanto mais perfeita e puramente virmos, tanto mais perfeita a puramente amaremos [...] Por isso, quanto mais virmos Deus e o homem Jesus Cristo, tanto mais seremos transformados nele através do amor [...] Aquilo que eu disse do amor [...] digo-o também da dor: quanto mais a alma contempla a dor inefável de Deus e do homem Jesus Cristo, tanto mais sofre e é transformada em dor» (Ibid., págs. 190-191). Identificar-se, transformar-se no amor e nos sofrimentos de Cristo crucificado, identificar-se com Ele. A conversão de Ângela, que teve início com aquela Confissão de 1285, só alcançará o amadurecimento quando o perdão de Deus aparecer na sua alma como a dádiva gratuita de amor do Pai, nascente de amor: «Ninguém pode desculpar-se — afirma ela — porque todos podem amar a Deus, e Ele só pede à alma que o ame, uma vez que Ele a ama e é o seu amor» (Ibid., pág. 76).

No itinerário espiritual de Ângela, a passagem da conversão para a experiência mística, daquilo que se pode expressar para o que é inefável, tem lugar através do Crucificado. É o «Deus-homem apaixonado» que se torna o seu «mestre de perfeição». Toda a sua experiência mística consiste, portanto, em tender para uma «semelhança» perfeita com Ele, mediante purificações e transformações cada vez mais profundas e radicais. A este maravilhoso empreendimento, Ângela dedica-se inteirtamente, de alma e corpo, sem se poupar a penitências e tribulações, desde o início até ao fim, desejando morrer com todos os sofrimentos padecidos pelo Deus-homem crucificado, para ser transformada totalmente nele: «Ó filhos de Deus — ela recomendava — transformai-vos totalmente no Deus-homem apaixonado, que vos amou a ponto de se dignar morrer por vós com uma morte extremamente ignominiosa, total e inefavelmente dolorosa, de modo penosíssimo e amarguíssimo. E isto somente por amor a ti, ó homem!» (Ibid., pág. 247). Esta identificação significa também viver aquilo que Jesus viveu: pobreza, desprezo e dor, porque — como ela afirma — «através da pobreza temporal, a alma encontrará riquezas eternas; mediante o desprezo e a vergonha, ela alcançará a suma honra e uma glória excelsa; através de um pouco de penitência, feita com esforço e dor, possuirá com infinita docilidade e consolação o sumo Bem, Deus eterno» (Ibid., pág. 293).

Da conversão à união mística com Cristo crucificado, ao inefável. Um caminho elevadíssimo, cujo segredo é a oração constante: «Quanto mais rezares — afirma ela — tanto mais serás iluminado; quanto mais fores iluminado, tanto mais profunda e intensamente verás o sumo Bem, o Ser sumamente bom; quanto mais profunda e intensamente O vires, tanto mais O amarás; quanto mais O amares, tanto mais serás feliz; e quanto mais fores feliz, tanto mais compreenderás e serás capaz de o compreender. Em seguida, chegarás à plenitude da luz, porque entenderás que não podes compreender» (Ibid., pág. 184).

Estimados irmãos e irmãs, a vida da Beata Ângela começa com uma existência mundana, bastante distante de Deus. Mas depois, o encontro com a figura de São Francisco e, finalmente, o encontro com Cristo crucificado, desperta a alma para a presença de Deus, para o facto de que somente com Deus a existência se torna verdadeiramente vida porque se torna, na dor pelo pecado, amor e alegria. E assim nos fala a Beata Ângela. Hoje todos nós corremos o perigo de viver como se Deus não existisse: Ele parece tão distante da vida contemporânea. Mas Deus tem mil modos, para cada um o seu, de se fazer presente na alma, de mostrar que existe, que me conhece e me ama. E a Beata Ângela quer chamar a nossa atenção para estes sinais, com os quais o Senhor sensibiliza a nossa alma, atentos à presença de Deus, para aprendermos assim o caminho com Deus e rumo a Deus, na comunhão com Cristo crucificado. Oremos ao Senhor para que nos torne atentos aos sinais da sua presença, que nos ensine a viver realmente. Obrigado!

Extraído de http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2010/documents/hf_ben-xvi_aud_20101013_po.html acesso em 9 nov. 2010.
Ilustração: Angela of Foligno. XVIIth century print. Disponível em http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Angela_of_Foligno_1.jpg acesso em 9 nov. 2010.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Bento XVI : Clara de Assis

PAPA BENTO XVI 
AUDIÊNCIA GERAL
Sala Paulo VI
Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010
[Vídeo]

Clara de Assis
Prezados irmãos e irmãs

Uma das Santas mais amadas é, sem dúvida, Santa Clara de Assis, que viveu no século XIII, contemporânea de São Francisco. O seu testemunho mostra-nos como a Igreja inteira é devedora a mulheres intrépidas e ricas de fé como ela, capazes de dar um impulso decisivo para a renovação da Igreja.

Portanto, quem era Clara de Assis? Para responder a esta pergunta, dispomos de fontes seguras: não apenas das antigas biografias, como a de Tomás de Celano, mas também das Actas do processo de canonização promovido pelo Papa só poucos meses depois da morte de Clara e que contém os testemunhos daqueles que viveram ao seu lado durante muito tempo.

Tendo nascido em 1193, Clara pertencia a uma família aristocrática e rica. Renunciou à nobreza e à riqueza para viver humilde e pobre, seguindo a forma de vida proposta por Francisco de Assis. Embora os seus parentes, como acontecia nessa época, começavam a programar para ela um matrimónio com uma personalidade importante, Clara, com 18 anos de idade, com um gesto audaz inspirado pelo profundo desejo de seguir Cristo e pela admiração que tinha por Francisco, deixou a casa paterna e, em companhia de uma das suas amigas, Bona de Guelfuccio, uniu-se secretamente aos frades menores na pequena igreja da Porciúncula. Era a tarde do Domingo de Ramos de 1211. Na comoção geral, foi levado a cabo um gesto profundamente simbólico: enquanto os seus companheiros seguravam nas mãos algumas tochas acesas, Francisco cortou-lhe os cabelos e Clara vestiu o rude hábito penitencial. A partir daquele momento, ela tornou-se a virgem esposa de Cristo, humilde e pobre, consagrando-se totalmente a Ele. Como Clara e as suas companheiras, inúmeras mulheres ao longo da história ficaram fascinadas pelo amor a Cristo que, na beleza da sua Pessoa divina, enche o seu coração. E a Igreja inteira, por intermédio da mística vocação nupcial das virgens consagradas, mostra-se como sempre será: a Esposa bonita e pura de Cristo.

Numa das quatro cartas que Clara enviou a Santa Inês de Praga, filha do rei da Boémia, que desejava seguir os seus passos, fala de Cristo, seu amado Esposo, com expressões nupciais que podem causar admiração, mas que comovem: «Amando-o, és casta, tocando-o, serás pura, deixando-te possuir por Ele, és virgem. O seu poder é mais forte, a sua generosidade é mais elevada, o seu aspecto é mais excelso, o amor é mais suave e todas as graças mais sublimes. Já foste conquistada pelo seu abraço, que ornamentou o seu peito com pedras preciosas... coroando-te com um diadema de ouro, marcado com o sinal da santidade» (Primeira Carta: FF, 2862).

Principalmente no início da sua experiência religiosa, Clara encontrou em Francisco de Assis não apenas um mestre cujos ensinamentos devia seguir, mas inclusive um amigo fraterno. A amizade entre estes dois santos constitui um aspecto muito bonito e importante. Com efeito, quando se encontram duas almas puras e inflamadas pelo mesmo amor a Deus, elas haurem da amizade recíproca um estímulo extremamente forte para percorrer o caminho da perfeição. A amizade é um dos sentimentos humanos mais nobres e elevados que a Graça divina purifica e transfigura. Como São Francisco e Santa Clara, também outros Santos viveram uma profunda amizade no caminho rumo à perfeição cristã, como São Francisco de Sales e Santa Joana Francisca de Chantal. E é precisamente São Francisco de Sales que escreve: «É bom poder amar na terra como se ama no céu, e aprendermos a amar neste mundo como havemos de fazer eternamente no outro. Aqui não me refiro ao simples amor de caridade, porque temos que ter este amor por todos os homens; refiro-me à amizade espiritual, no âmbito da qual duas, três ou mais pessoas permutam entre si a devoção e os afectos espirituais, tornando-se realmente um só espírito» (Introdução à vida devota, III, 19).

Depois de ter transcorrido um período de alguns meses no interior de outras comunidades monásticas, resistindo às pressões dos seus familiares que inicialmente não aprovaram a sua escolha, Clara estabeleceu-se com as primeiras companheiras na igreja de São Damião, onde os frades menores tinham organizado um pequeno convento para si mesmos. Naquele mosteiro ela viveu por mais de quarenta anos, até à morte, ocorrida em 1253. Dispomos de uma descrição de primeira mão, sobre o modo como estas mulheres viviam naqueles anos, nos primórdios do movimento franciscano. Trata-se do relatório admirado de um bispo flamengo em visita à Itália, D. Tiago de Vitry, que afirma ter-se encontrado com um grande número de homens e mulheres, de todas as classes sociais que, «deixando tudo por Cristo, fugiam do mundo. Chamavam-se frades menores e irmãs menores e são tidos em grande consideração pelo Senhor Papa e pelos cardeais... As mulheres... vivem juntas, em diversos hospícios não distantes das cidades. Nada recebem, mas vivem do trabalho das suas próprias mãos. E sentem-se profundamente amarguradas e incomodadas, porque são honradas mais do que desejariam por clérigos e leigos» (Carta de Outubro de 1216: FF, 2205.2207).

Tiago de Vitry tinha reconhecido com perspicácia uma característica da espiritualidade franciscana, à qual Clara era muito sensível: a radicalidade da pobreza, associada à confiança total na Providência divina. Por este motivo, ela agiu com grande determinação, obtendo da parte do Papa Gregório IX ou, provavelmente, já do Papa Inocêncio III, o chamado Privilegium paupertatis (cf. FF, 3279). Com base nisto, Clara e as suas companheiras de São Damião não podiam possuir qualquer propriedade material. Tratava-se de uma excepção verdadeiramente extraordinária em relação ao direito canónico então em vigor, e as autoridades eclesiásticas daquela época concederam-no, valorizando os frutos de santidade evangélica, que reconheciam no estilo de vida de Clara e das suas irmãs. Isto demonstra que, também nos séculos da Idade Média, o papel das mulheres não era secundário, mas considerável. A este propósito, é útil recordar que Clara foi a primeira mulher na história da Igreja que compôs uma Regra escrita, submetida à aprovação do Papa, para que o carisma de Francisco de Assis fosse conservado em todas as comunidades femininas, que se iam estabelecendo em grande número já naquela época e que desejavam inspirar-se no exemplo de Francisco e de Clara.

No convento de São Damião, Clara praticou de maneira heróica as virtudes que deveriam distinguir cada cristão: a humildade, o espírito de piedade e de penitência, a caridade. Não obstante fosse a superiora, ela queria servir pessoalmente as irmãs enfermas, sujeitando-se inclusive a tarefas extremamente humildes: com efeito, a caridade ultrapassa qualquer resistência, e quem ama realiza todo o sacrifício com alegria. A sua fé na presença real da Eucaristia era tão grande que, por duas vezes, se verificou um acontecimento milagroso. Só com a ostensão do Santíssimo Sacramento, ela afugentou os soldados mercenários sarracenos, que estavam prestes a invadir o convento de São Damião e a devastar a cidade de Assis.

Também estes episódios, assim como outros milagres dos quais se conservava a memória, impeliram o Papa Alexandre IV a canonizá-la apenas dois anos depois da sua morte, em 1255, delineando um seu elogio na Bula de canonização, em que lemos: «Como é vivo o poder desta luz e como é forte a resplandecência desta fonte luminosa! Na realidade, esta luz mantinha-se fechada no escondimento da vida claustral, enquanto fora irradiava clarões luminosos; recolhia-se num mosteiro angusto, enquanto fora se difundia em toda a vastidão do mundo. Conservava-se dentro e propagava-se fora. Com efeito, Clara escondia-se, mas a sua vida era revelada a todos. Clara calava-se, mas a sua fama clamava» (FF, 3284). E é precisamente assim, estimados amigos: são os Santos que mudam o mundo para melhor, que o transformam de forma duradoura, infundindo as energias que unicamente o amor inspirado pelo Evangelho pode suscitar. Os Santos são os grandes benfeitores da humanidade!

A espiritualidade de Santa Clara, a síntese da sua proposta de santidade é condensada na quarta Carta a Santa Inês de Praga. Santa Clara recorre a uma imagem muito difundida na Idade Média, de ascendências patrísticas: o espelho. E convida a sua amiga de Praga a reflectir-se naquele espelho de perfeição de todas as virtudes, que é o próprio Senhor. Ela escreve: «Sem dúvida, feliz é aquela a quem é concedido beneficiar desta sagrada união, para aderir com o profundo do coração [a Cristo], Àquele cuja beleza é admirada incessantemente por todas as bem-aventuradas plêiades dos céus, cujo afecto apaixona, cuja contemplação restabelece, cuja benignidade sacia, cuja suavidade satisfaz, cuja recordação resplandece suavemente, diante de cujo perfume os mortos voltarão à vida e cuja visão gloriosa tornará bem-aventurados todos os cidadãos da Jerusalém celeste. E dado que Ele é esplendor da glória, candura da luz eterna e espelho sem mancha, olha todos os dias para este espelho, ó rainha esposa de Jesus Cristo, e nela perscruta continuamente o teu rosto, para que assim tu possas adornar-te inteiramente no interior e no exterior... Neste espelho refulgem a bem-aventurada pobreza, a santa humildade e a inefável caridade» (Quarta Carta: FF, 2901-2903).

Gratos a Deus que nos doa os Santos que falam ao nosso coração e nos oferecem um exemplo de vida cristã a imitar, gostaria de concluir com as mesmas palavras de bênção que Santa Clara compôs para as suas irmãs de hábito e que ainda hoje as Clarissas, desempenhando um papel precioso na Igreja com a sua oração e a sua obra, conservam com grande devoção. São expressões em que sobressai toda a ternura da sua maternidade espiritual: «Abençoo-vos na minha vida e após a minha morte, como posso e mais do que posso, com todas as bênçãos com as quais o Pai da misericórdia abençoou e há-de abençoar no céu e na terra os filhos e as filhas, e com as quais um pai e uma mãe espiritual abençoaram e hão-de abençoar os seus filhos e as suas filhas espirituais. Amém!» (FF, 2856).
Extraído de http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2010/documents/hf_ben-xvi_aud_20100915_po.html acesso em 9 nov. 2010.
Ilustração: Bleiglasfenster in der Kapelle (Seitenschiff) des Couvent des Franciscains in Paris (7, rue Marie-Rose im 14. arrondissement), Darstellung: hl. de:Clara von Assisi / foto de GFreihalter. 2010. Disponível em http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Paris_Chapelle_des_Franciscains136.JPG acesso em 9 nov. 2010.

sábado, 6 de novembro de 2010

Blog das Irmãs Franciscanas Filhas dos Sagrados Corações de Jesus e Maria

No dia 30 de outubro de 2010,
a congrgação das
Irmãs Franciscanas Filhas dos Sagrados Corações de Jesus e Maria
completou 150 anos de missão.
Fundada Por Madre Clara Pfander,
a congregação iniciou sua missão na Alemanha
e se espalhou por diversos países.
A missão do Brasil que faz parte da provincia dos EUA.

Irmã Dineva Vanuzzi: radicalidade do Evangelho da Libertação

Luiz Augusto Passos, professor da Universiade Federal do Mato Grosso, recorda a vida da Irmã Dineva Vanuzzi.
Eis o artigo.

"Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes" (I Cor. 1, 27 ss)

Chega a nós o anúncio da morte da Irmã Dineva Vanuzzi, 73. Irmã Dineva nascida em Selbach, no Rio Grande do Sul, entrou na Congregração das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, e, fiel à sua fundadora, não foi indiferente a nenhuma luta que valesse a pena em favor dos pobres e oprimidos. Figura ímpar, cáustica e apaixonada, revolucionou sempre o seu tempo, e, por onde andou, estabeleceu um novo tipo de presença da vida religiosa feminina engajada nos movimentos sociais, em todas as dimensões da política, e as grandes causas do povo na perspectiva da Teologia da Libertação. Trabalhou em Rosário Oeste e regiões junto à educação escolar.

Esteve no Araguaia junto à equipe Pastoral da Prelazia do São Felix sob a coordenação do Bispo D. Pedro Casaldáliga, que nutria imenso respeito e estima por Dineva.

Veio para Cuiabá, de onde, no colégio das Irmazinhas, ao lado da Igreja Nossa Senhora do Rosário e São Benedito atuou como professora concursada na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), da qual era professora aposentada. Exerceu, durante o mandato em que Serys Slhessarenko era Secretária de Educação, a Coordenação do Fundo Estadual de Educação. Trabalhou durante anos na Secretaria Municipal de Educação.

Teve importante contribuição na participação direta nas lutas sociais, com vínculo especial à luta do Movimentos dos Trabalhadores Sem Terra. Formou uma equipe de voluntários que tinham presença marcante na pastoral da Igreja do Rosário, Arivonil que deixou saudades; Lourenço Fernandes, Jesuíta Padre José Ten Cate e Maria Benvinda todos já falecidos, eram, com Dineva, alma do apoio ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. Dineva esteve à frente do Movimento de Educação Popular Integral Fé e Alegria, e construiu, com apoio de sua congregação, no seu espaço de residência das irmãzinhas, um trabalho de horta comunitária e escolarização de crianças e adolescentes em frente à Rodoviária onde hoje, em Cuiabá, está o CENE, espaço de encontros da CNBB regional.

Dineva era pessoa fiel na luta pela verdade e justiça. Muitas vezes teve sua vida ameaçada e perseguida de morte, na medida em que defendia qualquer pessoa que sofresse perseguição por parte dos poderosos e, de modo especial, quando a perseguição do Estado atingia crianças e jovens, e, muitos dos quais, foram desaparecidos pela ação da Secretaria de Segurança, atingindo o Movimento de Meninos e Meninas de Rua.

Dineva assumira o papel ativo nas estratégias de luta do Centro de Direitos Humanos Henrique Trindade e a todas as redes e movimentos sociais que tinham repercussão libertadora. Foi tão fiel a seus amigos, quanto foram aqueles que se tornaram adversários, dada a rapidez da palavra aliada à ação direta e atrevida; capacidade de denúncia permanente de toda opressão, que a fez pessoa indispensável por onde quer que tenha andado. Portadora de uma leucemia durante anos, sem ter contudo seus maus efeitos, não perdeu sua presença nos grandes eventos no Partido dos Trabalhadores no qual era filiada, no Sindicato (ADUFMAT) ao qual pertencia, presente nas articulações do Fórum Social Mundial. Justa homenagem lhe foi prestada, quando em 2008 foi impresso um livro no qual narra parte de suas lutas. Pessoa absolutamente de bem com a vida, feminista assumida, foi exemplar no que tange à sua autonomia, à vivência da laicidade da vida religiosa, à inserção nos meios sociais onde trabalhou. Não lhe faltaram criatividade para inventar formas de mobilização e denúncia – eficaz, por vezes até espalhafatosa-, imprescindível para a ocasião do cerceamento da injustiça pelo silêncio imposto. Disciplinada em passar noites sem dormir quando necessário, radicalidade que sempre a fez temida, e por isso inspira a todos nós, a amizade celebrada com alegria, o anúncio do evangelho da liberdade, a luta pela democracia e o humanismo com todas as suas consequências.

Dineva dava imperssão de jamais ter pensamentos que não tivesse revelado! Maliciosa, astuta, todos sabiam muito bem, nos conflitos, de que lado Dineva estava! Temida por isso por seus adversários, sobretudo os Secretários de Segurança que utilizaram de violência sistemática contra a criança e adolescentes e o povo da rua. Sofria, com imensa generosidade, por isso, a intimidação permanente não divulgada dos carros sem placa que a seguiam na rua, violência por vezes, explícita e anunciada, por vezes, nos jornais por parte das autoridades constituídas. Atuou como educadora em grandes projetos de currrículo inovador, na perspectiva freireana. Tinha a doce e cruel “malícia das serpentes” que Jesus elogiara em todos aqueles que abandonavam o estado desprezível do equilíbrio insosso. Vi Dineva, pela última vez, quando foi dar seu voto à Dilma.

Faleceu, dia 2 de novembro por volta do meio dia, não há de lhe faltar flores, que tanto gostava! Foi para Deus de alma lavada pela primeira mulher que a representaria também como presidenta do Brasil. Mencionava, quando a vi, a preocupação com uma igreja desfibrada, voltada para as sacristias, para o mundo intímista e a perda de fogo do arrojo que o Evangelho reclama e seu escândalo e tristeza com os movimentos reacionários que apoiavam em nome de Deus, um projeto antipopular. Sobrava-lhe a grandeza da humanidade e a combustão do Espírito que também a consumia, no mais charmoso e indispensável anarquismo. "O Reino dos céus sofre violência e só os violentos o arrebatam" (Mt 11,12) Dineva deve ter subido ao céu no turbilhão de fogo que levou Elias, que nos deixe pequena parte da força do seu espírito!

Extraído de http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=38075 acesso em 06 nov. 2010.

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