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domingo, 2 de outubro de 2022

"SENHOR, AUMENTA A NOSSA FÉ"


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 17,5-10)(02/10/22).


Caríssimos, a fé é a evidência da real presença de Deus para além da evidência dos nossos sentidos; ela é dom que nos faz encontra-lo na Sua invisibilidade e com Ele interagirmos num diálogo de amor sem igual, numa convivência como que face a face para além do que podemos enchergar fisicamente; enfim, a fé é esse dom que Deus nos deu para vivermos em comunhão com Ele.

No Evangelho de hoje "os apóstolos disseram ao Senhor: “Aumenta a nossa fé!” O Senhor respondeu: “Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’, e ela vos obedeceria." (Lc 17,5-6). Ou seja, a fé é puro dom de Deus que libera o seu poder e faz acontecer a sua vontade que é sempre extraordinária. 

Existem alguns testemunhos de fé que nos faz compreender mais precisamente o que esse dom de Deus pode realizar. "São Maximiliano Maria Kolbe num campo de concentração na segunda guerra mundial decidiu dar a sua vida para salvar um pai de família que ele nem conhecia; mas 
qual a convicção que o levou a fazer isso? A fé que lhe garantiu que a vitória final pertence ao bem."

"São Charles de Foucauld, lembrando-se, depois de tantos anos, do dia da sua conversão, exclamou: 'Desde que acreditei que Deus existe, compreendi que não podia deixar de viver totalmente para Ele. Deus é infinitamente diferente de tudo o que não é Deus'. E isto é fé." Ou seja, a fé nos faz amar a Deus e nos deixar amar por Ele para muito além do que podemos por nós mesmos. 

Portanto, caríssimos, "a fé é um salto de confiança, é uma entrega cega, mas àquele que nos encherga: e este é Deus!" De fato, sentir-nos amados, acolhidos e afagados no aconchego do coração do nosso Pai celestial, nos faz deixar tudo para seguir o seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, na estrada que Ele nos abriu para o céu.

Rezemos, então, com profunda convicção pedindo ao Senhor Jesus que aumenta a nossa fé: Senhor, tu que nos ensinaste que tudo é possível ao que crê, da-nos viver essa tua palavra para que ela se cumpra na nossa vida e nos mantenha sempre unidos a Ti e aos nossos irmãos e irmãs como sinal sensível da tua presença no meio de nós. Amém! Assim seja! 

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

sábado, 1 de outubro de 2022

"EU TE LOUVO PAI, SENHOR DO CÉU E DA TERRA"


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 10,17-24)(01/10/22)


Caríssimos, contemplando a obra da criação percebemos que tudo é tão preciso que nos conduz a uma profunda admiração pela beleza e perfeição de todas as coisas e pela generosidade de Deus para conosco; por outro lado, mesmo com toda essa beleza e perfeição, algo nos chama a atenção, porque nos toca diretamente, trata-se do sofrimento, ou seja, por que sofremos?

De fato, a resposta à essa pergunta não é difícil, basta olhar a maldade que se espalha na face da terra por conta dos que seguem o maligno, e logo compreendemos o porquê de tanto sofrimento. Pois, todo ato gera seu efeito, de modo que, se o ato é mal, seu efeito é maléfico e atinge a todos; ao contrário, se o ato é bom seu efeito é benéfico e gera um bem enorme para todos. 

Na primeira leitura, depois dos mais terríveis tormentos, ao encontrar o Senhor, Jó finalmente compreende que as aflições dos justos são repletas de imortalidade, como são Paulo afirma na Carta aos Romanos: "Os sofrimentos do tempo presente não têm proporção alguma com a glória futura que nos será dada." (Rm 8,18). 

Com efeito, Deus jamais permite o sofrimento do justo sem que Ele esteja presente e o recompense, basta olharmos para o sofrimento do seu Filho, ou o que Ele mesmo disse a esse respeito: "Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes." (Mt 25,40).

No Evangelho de hoje os discípulos voltaram da missão exultando de alegria por terem triunfado sobre o maligno, no entanto, o Senhor Jesus os alerta: "Eu vi Satanás cair do céu, como um relâmpago. Eu vos dei o poder de pisar em cima de cobras e escorpiões e sobre toda a força do inimigo. E nada vos poderá fazer mal. Contudo, não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem. Antes, ficai alegres porque vossos nomes estão escritos no céu”. (Lc 10,18-20).

Comentando esse Evangelho, disse o Papa Francisco: "Não devemos gabar-nos como se fôssemos os protagonistas: o protagonista é apenas um, é o Senhor! O protagonista é a graça do Senhor! Ele é o único protagonista! E a nossa alegria é apenas isto: ser seus discípulos, seus amigos. 

Que Nossa Senhora nos ajude a sermos servos do Evangelho. Não tenham medo de se alegrar! Não tenham medo da alegria! Aquela alegria que o Senhor nos dá quando permitimos que Ele entre nas nossas vidas, e nos convide a sair para as periferias da vida a proclamar o seu Evangelho."

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

EM BUSCA DO VERDADEIRO PODER...


 EM BUSCA DO VERDADEIRO PODER...

Caríssimos, quando falamos de poder ou buscamos poder por nós mesmos quase sempre nos enganamos, porque o confundimos com uma força incomum capaz de tudo; quando na verdade, somente o Senhor Jesus tem todo o poder sobre o céu e a terra recebido do Pai justamente por ter sido crucificado como se não tivesse poder algum. E foi pelo poder do seu sacrifício que Deus nos deu a salvação eterna.

São Paulo ao passar por uma grande provação pediu ao Senhor Jesus que o libertasse, mas, em resposta Ele lhe disse: "Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força." Por isso, agradecido ele respondeu: "Portanto, prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo. Eis por que sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor de Cristo. Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte." (2Cor 12,9-10).

De fato, existe um poder maléfico que precisamos combater quase que a todo instante, porém, não o fazemos sozinhos, pois, como disse são Paulo: "Não são carnais as armas com que lutamos. São poderosas, em Deus, capazes de arrasar fortificações. Nós aniquilamos todo raciocínio e todo orgulho que se levanta contra o conhecimento de Deus, e cativamos todo pensamento e o reduzimos à obediência a Cristo.” (2Cor 10,4-5).

Por isso, não esperem de um mentiroso compunsivo que ele diga a verdade, mesmo quando a reconhece e diz professa-la. Porque, se a sua prática de vida resulta das mentiras que conta e não da verdade que aparentemente reconhece, jamais acredite no que ele diz, pois, se acreditar nele será mais um que se deixou enganar, por falta de discernimento.

Com efeito, eis o que diz o Senhor Jesus a esse respeito: "Raça de víboras, maus como sois, como podeis dizer coisas boas? Porque a boca fala do que lhe transborda do coração. O homem de bem tira boas coisas de seu bom tesouro. O mau, porém, tira coisas más de seu mau tesouro. Eu vos digo: no dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido. É por tuas palavras que serás justificado ou condenado." (Mt 12,34-37).

Portanto, caríssimos, hoje somos convidados a buscar o verdadeiro poder, não o poder mundano do dinheiro, o poder da riqueza, que não dura muito, é efêmero e destinado a morrer; mas busquemos o poder do amor de Cristo, que dura para sempre. Peçamos a intercessão dos santos arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael que nos guiem no caminho do poder do amor de Cristo que nos leva a cumprir a vontade de Deus, que nos leva para o céu.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv. 

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

"NA CASA DE MEU PAI HÁ MUITAS MORADAS"


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 10,13-16)(30/9/22)


Caríssimos, os dias passam no seu lento e constante rítimo e com ele nós também passamos, e nos aproximamos da nossa páscoa eterna. É certo que não pensamos nela como algo fatal, mas como o dia da mais perfeita alegria, em que veremos a Cristo face a face, porque essa é a promessa que Ele nos faz: "Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. 

Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, e eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar. Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e tomar-vos-ei comigo, para que, onde eu estou, também vós estejais." (Jo 14,1-3).

Desse modo, compreendemos que os critérios para a nossa salvação, não são humanos, mas sim divinos, ou seja, acreditar e pôr em prática a sua Divina Palavra, mas, também a daqueles que nos envia como suas testemunhas, como Ele mesmo disse: "Quem vos escuta a mim escuta; e quem vos rejeita a mim despreza; mas quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou”. (Lc 10,16).

No Evangelho de hoje o Senhor Jesus censura as cidades que ouviram a Sua Palavra, viram os seus muitos milagres, mas não se converteram, ao contrário, endureceram os seus corações a ponto de o perseguirem e crucificarem. No entanto, Ele ressuscitou dos mortos e continua vivo no seio da Sua Santa Igreja. 

De fato, por ser o Filho de Deus o anúncio da Sua Palavra se estende por toda a terra e todos que o escutaram dos lábios da Sua Santa Igreja nos mais de dois mil anos da sua presença no mundo, e perseveraram até o fim, foram salvos pelas graças recebidas e o testemunho que deram. 

E nós neste tempo que estamos vivendo, em que terreno acolhemos as sementes da sua Palavra que é a sua voz escrita nos falando diretamente? Qual o lugar que o Senhor Jesus ocupa em nossa vida? Quanto tempo lhe damos? Será que a nossa oração é diálogo, é escuta silenciosa, é interação amorosa com Ele? 

Cuidemos para não nos deixarmos contaminar pelos ídolos modernos, ou seja, celulares, Internet, e a febre das ideologias políticas, sejam de esquerda ou de direita. Destarte, nunca devemos misturar fé com ideologia política, porque o resultado dessa mistura é um abismo de intrigas e divisões; pois, onde não existe a unidade do Espírito pelo vínculo da paz, tudo não passa de armadilha traiçoeira do inimigo de nossas almas. 

Portanto, caríssimos, quem é isento dessa contaminação? Examinemos a nossa consciência, e perguntemos: quem ou o que ocupa os espaços da nossa mente influenciando o que somos e o que vivemos?

De fato, se as nossas respostas forem, a oração, a meditação diária da Palavra, o silêncio, a escuta, e a prática da caridade fraterna, tal qual nos ensina o Senhor Jesus, então, somos seus verdadeiros discípulos, e o anunciamos como o único que realmente nos ama e nos salva por sua Divina Misericórdia.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

FESTA DOS SANTOS ARCANJOS MIGUEL, GABRIEL E RAFAEL...


 Festa dos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael(Jo 1,47-51)(29/9/22).


Amados irmãos e amadas irmãs, não podemos falar dos anjos sem lembrar da batalha travada no céu entre São Miguel e seus anjos contra Satanás e seus sequazes narrada na primeira leitura opcional desta liturgia.


E como vimos Miguel venceu e expulsou o maligno do céu como narra são João: "E foi expulso o grande Dragão, a antiga Serpente, que é chamado Diabo e Satanás, o sedutor do mundo inteiro. Ele foi expulso para a terra, e os seus anjos foram expulsos com ele.


De fato, o risco de conflitos neste mundo é sempre muito alto, por isso é necessário ficar sob a luz de Deus, caso contrário, sem perceber, acabamos chafurdando nas trevas do diabo que adora nos deixar em suas trevas porque aí não entendemos as coisas claramente e assim nos confundimos.


Então, perguntemo-nos: somos

pessoas que une ou que divide? Vivemos na luz de Deus ou no nevoeiro e neblina do diabo?


Meditemos, então, com amor e atenção este Pequeno Sermão de Cada Dia. 

Caríssimos, a Igreja hoje celebra a Festa de são Miguel, são Gabriel e são Rafael, e nos ensina que os santos anjos manifestam o poder de Deus por meio do serviço prestado aos seus filhos e filhas de todos os tempos durante sua trajetória rumo à terra prometida, o Reino dos céus, como o fizeram com os antigos israelitas. Bem como está escrito na Carta aos Hebreus: "Não são todos os anjos espíritos ao serviço de Deus, que lhes confia missões para o bem daqueles que devem herdar a salvação?" (Hb 1,14).

"Então, o que mais nos ensina a Festa dos santos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael? São Miguel ensina-nos que ninguém é mais forte do que Deus. Que não estamos sozinhos na batalha contra o mal, mas há alguém que luta conosco para vencer o mal com o bem e para dizer com as nossas vidas que só Deus é o Senhor da nossa existência e somente a Ele devemos dar toda glória.

São Gabriel, o grande anunciador da vontade de Deus, do plano de Deus para a salvação, diz-nos como reconhecer o plano divino nas nossas vidas, como acolhe-lo sabendo que o seu anúncio é maior do que os nossos raciocínios e cálculos, é como um acontecimento inesperado que muda as nossas vidas. 

São Rafael, aquele que conduz, aquele que lidera o mundo, diz-nos que quase nunca passamos incólumes no meio dos acontecimentos da nossa história e, portanto, precisamos de cura. 

Em última análise, todos estes três arcanjos dão-nos três coisas que todos precisamos. Miguel é aquele que defende, Gabriel é aquele que proclama, e Rafael é aquele que cura. Peçamos ao Senhor que nos faça compreender verdadeiramente a sua santidade, majestade e poder, para que possamos dar-lhe glória no meio dos seus anjos." (Mons. Angelo Spina).

Amados irmãos e amadas irmãs, no Evangelho de hoje em colóquio com Natanael o Senhor Jesus nos revela como será o serviço dos anjos quando da sua vinda gloriosa: “Em verdade, em verdade eu vos digo: vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”. 

Portanto, caríssimos, supliquemos ao Senhor Jesus com profunda humildade e entrega total a sua graça santificante na certeza de que o Pai lhe deu todo poder sobre o céu e a terra, para que amparados por sua Divina misericórdia alcancemos a felicidade eterna. 

Ó Maria, Rainha dos Anjos, intercedei por nós com são José vosso castíssimo esposo. Amém! Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 27 de setembro de 2022

ESTAMOS AINDA NO TEMPO DA MISERICÓRDIA DIVINA...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 9,51-56)(27/9/22)


Caríssimos, a vida que Deus nos deu é tão maravilhosa que nada se compare à ela, mas isso quando a vivemos segundo os seus desígnios, isto é, amando-o sobre todas as coisas e amando-nos uns aos outros como a nós mesmos, porque isso significa o céu aqui na Terra; fora desse estado graça, o viver humano torna-se um fardo insuportável. 

Com efeito, entrando numa Capela para celebrar a Santa Missa, certa feita, deparei-me com uma jovem cabisbaixa e muito triste, ao sauda-la, perguntou-me: "Frei por que a vida é tão complicada?" Dei-lhe um belo sorriso e respondi: filha a vida é maravilhosa, nós é que complicamos tudo quando não a vivemos segundo os desígnios de Deus.

De fato, quando vivemos segundo os desígnios de Deus tudo em nossa vida torna-se expressão da sua presença. Como seria bom se as pessoas amassem de verdade como o Senhor Jesus nos ensina, não haveria maldade alguma, todos seríamos felizes. Mas, por causa da pecaminosidade que constatamos, a realização dos desígnios de Deus neste mundo torna-se praticamente impossível, a não ser que todos se convertam.

E isso fica mais evidente ainda ao vermos a crueldade com que os algozes assassinaram o Filho amado de Deus sem Ele ter culpa alguma. Como entender a dor e o sofrimento que causaram ao Senhor Jesus? Não tem como entender, porque jamais alguém amou como Ele nos ama; e jamais fez o bem que Ele nos faz. De fato, o que mais nos consola e nos enche de esperança, é a certeza de que o seu sacrifício de cruz não foi em vão, porque nos dá a salvação eterna.

No Evangelho de hoje frente à recusa dos Samaritanos em receber o Senhor Jesus, os irmãos Tiago e João lhe pediram: "Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para destruí-los? Jesus, porém, voltou-se e repreendeu-os." Decerto, "ao repreende-los Jesus os convida à dar o tempo necessário para a realização da conversão deles e ao progresso do Reino. A impaciência dos Apóstolos é muitas vezes a nossa impaciência." 

Portanto, caríssimos, realmente Deus tem sido muito paciente com a humanidade haja vista os horríveis pecados que homens e mulheres veem cometendo, mesmo depois de ter enviado Seu amado Filho para nos salvar. Por isso, creio que o tempo da sua Divina Misericórdia está se esgotando, e que pouco resta para que a sua justiça se manifeste, então, cada um receberá o louvor ou a punição que merece.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

QUEM QUISER SER O MAIOR SEJA O MENOR DE TODOS...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Lc 9,46-50)(26/9/22).


Caríssimos, sabemos que nem todos os acontecimentos de nossa vida são provocados por nós mesmos, alguns se dão pelas circunstâncias ou por aquilo que foge do nosso controle, outros ainda por aqueles que tentados pelo maligno agem perversamente querendo nos arruinar. Entretanto, como vimos na primeira leitura, Deus jamais nos abandona.

Com efeito, a história de Jó nos ensina que mesmo quando somos atingidos por tragédias que não provocamos, devemos permanecer fiéis até o fim, pois Deus dirige com perfeição a nossa história de vida mesmo quando não entendemos o porquê daquilo que nos acontece. 

Decerto, não sabemos quanto tempo viveremos aqui, por isso, precisamos viver em tudo segundo a vontade de Deus, porque é Ele quem nos governa pela nossa obediência, como Jó afirma na sua oração: “Nu eu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei para lá. O Senhor deu, o Senhor tirou; como foi do agrado do Senhor, assim foi feito. Bendito seja o nome do Senhor!” (Jó 1,21). 

De fato, olhando a perfeição da criação nos seus mínimos detalhes percebemos que é assim que Deus cuida de nós por Sua Divina Providência. Ou seja, Ele age no silêncio, conhece o nosso coração e as nossas ações, nos inspira, grava a sua vontade em nossas almas para que lhe obedeçamos e assim sejamos livres de todo mal. 

No Evangelho de hoje "houve entre os discípulos uma discussão, para saber qual deles seria o maior. Jesus sabia o que estavam pensando. Pegou então uma criança, colocou-a junto de si e disse-lhes: “Quem receber esta criança em meu nome, estará recebendo a mim. E quem me receber, estará recebendo aquele que me enviou. Pois aquele que entre todos vós for o menor, esse é o maior”. (Lc 9,47-48).

Portanto, caríssimos, quem deseja possuir riquezas ou algum poder sobre os outros, mas não segue os preceitos do Senhor, contraria a sua vontade, como Ele nos ensina no evangelho de hoje, e isso acontece por falta de inocência, humildade e obediência, virtudes presentes nos que se portam como crianças.

Destarte, escutemos esta exortação de são Paulo a esse respeito: "Vivei em boa harmonia uns com os outros. Não vos deixeis levar pelo gosto das grandezas; afeiçoai-vos com as coisa modestas. Não sejais sábios aos vossos próprios olhos." (Rm 12,16).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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