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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

INSATISFAÇÃO, VAZIO EXISTENCIAL, MELANCOLIA, QUAIS SÃO AS CAUSAS?




INSATISFAÇÃO, VAZIO EXISTENCIAL, MELANCOLIA, QUAIS SÃO AS CAUSAS?


Para muitos esse nosso tempo é um tempo de pavor e trevas, pois sua vida, seu passado, suas memórias, lhes trazem histórias de abuso sexual, tragédias familiares, violências, degradação dos valores humanos e religiosos, falta de bens necessários para a sobrevivência; ou consumismo exagerado por parte dos mais abastados; uma vida de vícios e contra tempos, desemprego, bullyning e outros tormentos, como traumas pela ausência do pai ou da mãe, maus tratos, etc. Enfim, uma somatória de desordens existenciais que os torna indivíduos perdidos num mundo repleto de frenesi e outros desvios comportamentais, capazes de escândalos e traumas sem proporção.

Ora, somos obras perfeitas das mãos de Deus, criados em Jesus Cristo, para as boas ações que Deus preparou de antemão para que nós as praticássemos (cf. Ef 2,8-10). E tudo isso conforme as leis do Senhor escritas em nossas almas, pois Deus imprimiu seu código santo em nossa vida, como também está impresso o código genético em nossos corpos. Porém, toda essa grandeza divina que se faz presente em nós, pode se perder caso não cultivemos as virtudes eternas que o Senhor nos concedeu em seu amor.

De fato, só tem uma coisa que nos pode levar a essa perda, é o famigerado pecado, que consiste no desligamento de Deus, porque em Deus não há pecado e nem mesmo sombra de instabilidade (cf. Tiag 1,13). Cabe a nós vivermos em comunhão com Ele pela ação do Espírito Santo, presente na alma de todo batizado; ou ainda pela fé mesmo que seja natural, que leva o homem ao encontro com Cristo Jesus, nosso Senhor, que cura, salva e faz feliz todo ser humano que o encontra e nele permanece.

Então, eis a pergunta que não quer calar, por que vivemos num mundo de tantos conflitos e confusões? Porque os homens tornaram-se inimigos de si mesmos por causa dos bens materiais, que geram conflitos raciais, religiosos, ditatoriais; por causa da corrupção e outras condutas perversas que geram revolta contra Deus e o seu Cristo; por causa dos terríveis efeitos dos pecados que tem destruído milhões vidas; por causa da impunidade tamanha; por causa da maldade que é tanta; por causa dos pecados contra a natureza; por causa da rudeza de tantos corações.

O resultado é esse mundo repleto de indivíduos mal amados, frustrados, deprimidos, endemoniados; onde suas ações revelam não só a face tenebrosa da maldade, mas o próprio mal agindo por meio deles. Eis as causas de tanto sofrimento e desespero na face da terra, que se encaminha à passos largos para o caos definitivo. Guerras, fome, peste, aquecimento global, catástrofes naturais; loucura generalizada, etc. Sem contar tantas outras práticas abomináveis, com a conivência dos poderes constituídos (político, jurídico, social), que revelam a intolerância e a incapacidade humana para resolver os problemas criados por todos que se dão a essas práticas. E assim, segue este mundo como um barco perdido em alto mar dominado por ondas revoltas, singrando sem rumo certo, prestes a afundar.

De fato, a tudo e a todos foi um tempo, que aliás, enquanto vida natural tivermos, Deus renova esse tempo todos os dias sem nunca deixar de fazê-lo. Todavia, existe o fim desse tempo e ele se cumprirá sem dúvida alguma. Ora, vemos esse fim acontecer nas coisas da vida e no viver dos outros, certamente um dia chegará a nossa vez e veremos isso acontecer conosco, mas será que estaremos preparados? Boa pergunta que requer uma boa resposta, caso contrário, é sinal de que não estamos correspondendo a tudo o que Deus tem nos dado, ao longo de nossa vida.

Com efeito, assim escreveu São Paulo: “Vigiai, pois, com cuidado sobre a vossa conduta: que ela não seja conduta de insensatos, mas de sábios que aproveitam ciosamente o tempo, pois os dias são maus. Não sejais imprudentes, mas procurai compreender qual seja a vontade de Deus. Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor: comportai-vos como verdadeiras luzes. Ora, o fruto da luz é bondade, justiça e verdade. [Por isso], Procurai o que é agradável ao Senhor, e não tenhais cumplicidade nas obras infrutíferas das trevas; pelo contrário, condenai-as abertamente. Porque as coisas que tais homens fazem ocultamente é vergonhoso até falar delas. Mas tudo isto, ao ser reprovado, torna-se manifesto pela luz. E tudo o que se manifesta deste modo torna-se luz. Por isto (a Escritura) diz: Desperta, tu que dormes! Levanta-te dentre os mortos e Cristo te iluminará (Is 26,19; 60,1)!” (Ef 5,15-17; 8-14).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria,OFMConv.



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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: A ALEGRIA DA ALMA NO SENHOR



CRÔNICAS DE MINHA ALMA

A ALEGRIA DA ALMA NO SENHOR


A alma humana, criada “à imagem e semelhança de Deus” (cf. Gn1,26-27), é eterna como o Próprio Deus é. Ora, porque Deus é eterno, tudo criou para a eternidade; essa verdade se aplica perfeitamente à alma humana, porque ela é soberana por seu livre arbítrio, que consiste no poder que lhe foi conferido de escolher permanecer em Deus ou não.

Todos os atributos divinos estão presentes como dons em nossas almas: amor, verdade, liberdade, fidelidade, misericórdia, bondade, justiça, mansidão, etc. Mas, por que então temos uma sociedade tão desumana, corrupta, violenta e injusta? Porque os homens não levam mais em conta a vida em sua essência; mas sim a terrível decadência dos valores existenciais, para cultivarem toda espécie de mal, destruindo com isso, a grandeza de sermos “a imagem e semelhança” de Deus. Ora, só é possível atingirmos a plenitude dos desígnios divinos a nosso respeito, se vivermos em conformidade com os dons que de Deus recebemos; caso contrário, nada teremos de bom, mas somente o mal que cultivarmos. É por isso que temos uma sociedade tão desigual, tão pervertida e infeliz.

A verdadeira alegria da alma nasce da profunda união com Deus e de sua permanência Nele, pois Deus é a Fonte do Amor, do Sumo Bem, da Santidade, da Felicidade e da verdadeira satisfação. “Quem a Deus tem, dizia Santa Tereza D’avila, nada lhe falta”. Assim é a alma imersa em Deus e comandada por Ele em suas inspirações e ações; tudo faz para a glória de Deus (cf. Col 3,17), porque Deus é a causa de sua alegria. Vemos essa experiência, por exemplo, no Cântico do Magnificat: “Maria canta o que Lhe vai na alma (“eu  glorifico, eu exulto”). Mas é um eu em relação, dirigido a Deus, para descrever o que Deus fez nela e faz pelo Seu povo”.

De fato, a verdadeira alegria é compartilhada, porque é transbordante; na verdade, ela é um bem eterno que se expande, porque irradiante de beleza e esplendor, alcança tudo e todos, até mesmo os corações mais distantes de Deus. A alegria verdadeira é fruto do acolhimento da vontade de Deus em nossa vida, pois ela é revelação da presença de Cristo em nossas almas, que pela Eucaristia nos une a Si, para vivermos Nele a unicidade divina recebida no batismo.

Sei que não estamos ainda na posse definitiva da verdadeira alegria, porque ela é atributo divino; por isso, enquanto aqui estivermos, ela é dom da graça de Deus para nós. Todavia, quando a recebemos como revelação permanente, ela é completa, como nos ensinou São João: “O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos olhos, o que temos contemplado e as nossas mãos têm apalpado no tocante ao Verbo da vida - porque a vida se manifestou, e nós a temos visto; damos testemunho e vos anunciamos a vida eterna, que estava no Pai e que se nos manifestou -, o que vimos e ouvimos nós vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo. Escrevemos-vos estas coisas para que a vossa alegria seja completa”. (1Jo 1,1-4).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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sábado, 29 de setembro de 2012

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: PARA TUDO O QUE ACONTECE, HÁ RESPOSTA...



CRÔNICAS DE MINHA ALMA

PARA TUDO O QUE ACONTECE, HÁ RESPOSTA...


Em tudo na vida existe um sentido eterno; sem isto, a vida seria só um exercício para a morte. Porque aqui, naturalmente, tudo tende para um fim e este fim está sempre presente, dada a fragilidade de nossa natureza mortal. Todavia, somos mais do que aparentamos ser, porque, por Deus que nos criou, somos almas viventes, isto é, almas imortais a caminho da eternidade; tanto é assim que, em sã consciência, ninguém quer a morte; a não ser os mártires das causas justas e santas, caso contrário, fugimos da morte por mais que ela naturalmente se faça presente.

Ao criar-nos Deus tomou a iniciativa e nos comunicou todos os dons para permanecermos na vida conforme seus desígnios; por isso, nos comunicou também sua presença permanente e sua vontade para que nada nos faltasse. Qualquer coisa que buscamos fora de Deus, não é de Deus, mas sim loucura... E o que buscamos fora de Deus? Existe algo fora de Deus? Sim, existe o pecado...

Sem dúvida, com a vida recebemos também o livre arbítrio, porém, somente para fazer o bem, nunca para o mal. Ele é o poder que temos aqui de decidir o nosso devir (nosso vir a ser a cada instante e eterno); nele se encontra a manutenção de nossa liberdade ou a perca dela. Jesus nos ensinou que a liberdade é fruto da verdade, pois só é livre quem é verdadeiro em tudo o que pensa, vive e faz conforme a vontade do Senhor (cf. Jo 8,31-36). Ninguém vive por si mesmo e para si mesmo, pois se assim o fosse, seria o cúmulo do egoísmo; ora, no egoísmo não existe felicidade nem futuro promissor, porque toda forma de egoísmo é esterilidade perversa e abismo de solidão.

Ora, pensarmos que podemos algo sem Deus é a mais terrível das ilusões (cf. Gn 3,1-5). Porque pensarmos assim é pensarmos desligados do Senhor, que em seu infinito amor nos criou para sermos Um em comunhão com Ele (cf. At 17,28). A pior insensatez que há é não crer em Deus, é não amá-lo, é não glorifica-lo, é não adorá-lo, é não servi-lo. Pois só existimos porque Deus é infinitamente Bom e nos faz existir, quer obedeçamos a Ele ou não (cf. Mt 5,44-45). Porquanto, não crer em Deus é a maior de todas as injustiças que um ser pode cometer em toda criação.

Com efeito, o Livro de Sabedoria nos ensina: “Amai a justiça, vós que governais a terra, tende para com o Senhor sentimentos perfeitos, e procurai-o na simplicidade do coração, porque ele é encontrado pelos que o não tentam, e se revela aos que não lhe recusam sua confiança; com efeito, os pensamentos tortuosos afastam de Deus, e o seu poder, posto à prova, triunfa dos insensatos. A Sabedoria não entrará na alma perversa, nem habitará no corpo sujeito ao pecado; o Espírito Santo educador (das almas) fugirá da perfídia, afastar-se-á dos pensamentos insensatos, e a iniquidade que sobrevém o repelirá”. (Sab 1,1-5).

Portanto, na vida, o nosso único objetivo é encontrar Deus e permanecer Nele (cf. Is 55,6-11; Mt 6,24-34). Ninguém jamais viu a Deus, a não ser Jesus Cristo, o Seu Filho, ou aquele a quem o Filho o quiser revelar. Assim, quem ama Jesus e permanece nele, não somente ver a Deus, mas também convive intimamente com Ele, porque a união com Jesus pelo Espírito Santo na Eucaristia é perfeita união com Deus, nosso Pai. (cf. Jo 17,21-26; Jo 6,43-47.65).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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sábado, 21 de julho de 2012

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: A ORIGEM DO PECADO...



















CRÔNICAS DE MINHA ALMA: A ORIGEM DO PECADO...

"Deus contemplou toda a sua obra, e viu que tudo era muito bom”. (Gn 1,31a).

Pesquisando na Sagrada Escritura sobre o pecado original percebi que ele não é de ordem natural, mas tem sua origem na desobediência dos anjos decaídos. Pois assim está escrito: Ora, Deus criou o homem para a imortalidade e o fez à imagem de sua própria natureza (ou seja, para ser um só com Ele). É por inveja do demônio que a morte entrou no mundo, e os que pertencem ao demônio prová-la-ão”. (Sab 2,23-24).

De fato, a condição pecaminosa do demônio e seus sequazes é eterna por causa de sua natureza espiritual e não tem como reverter isso, porque é fruto de sua decisão livre e intencional de não amar e não servir a Deus definitivamente, ou seja, o demônio criou seu próprio reino, só que de infelicidade e miséria eterna, porque, com disse Jesus: “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 3,5). Em outras palavras, ele quis ser como Deus por si mesmo (cf. Gen 3,1-3; Is 14,13-15; Ez 28,12b-19), isto é, sendo apenas uma criatura espiritual, não criado “à imagem e semelhança de Deus”, como o homem, se rebelou contra Deus. Ora, o nome desse pecado é desobediência, soberba, porque é impossível a uma criatura ser, por si mesma, como Deus. Assim, conhecemos que o pecado tem sua origem na queda dos anjos, e que passou para o homem também pela desobediência deste em aceitar as sugestões do maligno, todavia, esta falta do homem é passível de perdão e reparação, por causa da inferioridade da natureza humana e pelo o homem não ser culpado pela origem em si do pecado.

Desse modo, compreendemos o porquê da morte, ela é a punição para o pecado da soberba e todos os outros pecados mortais (cf. Rm 6,23). Quanto à morte temporal, ela só existe em função do julgamento que haveremos de ter, pois nenhum homem pode ver a Deus neste mundo e permanecer vivo (cf. Heb 9,27; Ex 33,20); enquanto que o demônio já foi julgado e condenado (cf. Jo 16,5-11). Isto porque fomos criados com uma natureza um pouco inferior à natureza dos anjos, mas dotados de alma imortal, criada “à imagem e semelhança de Deus”. Por outro lado, a morte eterna, significa a separação definitiva de Deus, e esta a experimenta quem, pelo pecado, insiste em não amar e não servir a Deus, como o fizeram os anjos rebeldes com seu chefe, o demônio.

Depois que Jesus veio e nos libertou do pecado (cf.1Jo 3,5-6; Rom 8,1-2), só é possível voltar ao pecado pela decisão consciente de cometê-lo, contrariando assim a liberdade interior que Deus nos dá pelo estado de comunhão com sua vontade. São Tiago em sua carta (cf. Tg 1,12-16) nos ensina que o pecado é concebido na mente humana a partir das concupiscências que são tendências, apegos à aquilo que é transitório, momentâneo, fugaz, etc.; ele não é algo aleatório ou que aparece do nada, ele é o mal cultivado pelo ser humano em suas decisões pré-concebidas. Por isso, o pecado é como um veneno letal que vai destruído aos poucos a vida de quem o pratica, até dar cabo dela. Isto porque o pecado, quando concebido e praticado, é uma espécie de mancha espiritual terrível que gruda na alma e passa a encobrir todas as suas boas aspirações; quem se deixa manchar por ele, vive o desespero que lhe é próprio, isto é, vive com uma espécie de tormento que causa todo tipo de mal estar, até atingir seu nível mais alto de turbulência que é a depressão e todos os distúrbios infernais que sufocam o ser humano.

Assim sendo, podemos afirmar que a expressão máxima do pecado é o ódio a Deus e às suas criaturas. São João, se referindo aos que cultivam este estado mórbido de alma, escreveu: Não vos admireis, irmãos, se o mundo vos odeia. Nós sabemos que fomos trasladados da morte para a vida, porque amamos nossos irmãos. Quem não ama permanece na morte. Quem odeia seu irmão é assassino. E sabeis que a vida eterna não permanece em nenhum assassino”. (1Jo 3,13-15). Jesus ao falar a esse respeito, disse: Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós. Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso o mundo vos odeia”. (Jo 15,18-19). Por isso, São João nos alerta: Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo - a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida - não procede do Pai, mas do mundo. O mundo passa com as suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente”. (1Jo 2,15-17).

Vejamos o que diz ainda o Senhor sobre o mal do pecado, que é a causa da destruição humana e de todas as demais criaturas: “Ora, o que sai do homem, isso é que mancha o homem. Porque é do interior do coração dos homens que procedem: os maus pensamentos, devassidões, roubos, assassinatos, adultérios, cobiças, perversidades, fraudes, desonestidade, inveja, difamação, orgulho e insensatez. Todos estes vícios procedem de dentro e tornam impuro o homem”. (Mc 7,20-23). Por isso, “Não procureis a morte por uma vida desregrada, não sejais o próprio artífice de vossa perda. Deus não é o autor da morte, a perdição dos vivos não lhe dá alegria alguma. Ele criou tudo para a existência, e as criaturas do mundo devem cooperar para a salvação. Nelas nenhum princípio é funesto, e a morte não é a rainha da terra, porque a justiça é imortal”. (Sab 1,12-15).

Por fim, como vimos, o pecado é uma chaga espiritual aberta na alma humana, cujo único remédio é a graça do perdão concedido por Deus através do Sacrifício expiatório do Seu Filho, Jesus Cristo, que por sua obediência amorosa se entregou ao Pai para a nossa salvação. Desse modo, mediante o Sacramento do Batismo, temos de volta o estado de graça, perdido pelo pecado original, pois é no Batismo que se dá o “novo nascimento” na ordem da graça e nossa entrada no Reino de Deus, cuja parte visível é a Igreja. É como escreveu São Paulo: "Fomos, pois, sepultados com Cristo na sua morte pelo batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova". (Rm6,4).

Aqueles, porém, que mesmo depois de batizados, voltarem a cometer pecados mortais, precisam do Sacramento da Penitência para a expiação desses pecados. Para isto, o Senhor exige de tais penitentes, por meio desse Sacramento, o arrependimento sincero, a confissão dos pecados, o perdão sacramental, a penitência e a reparação necessárias, que não somente apaga e extingue todo pecado praticado, como também livra das consequências eternas que estes trariam.

Destarte, oremos com o seráfico pai São Francisco de Assis:

“Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã nossa morte corporal
da qual nenhum homem vivente pode escapar.
Infelizes aqueles que morrem em pecado mortal;
bem-aventurados aqueles
que se encontram em tua santíssima vontade
porque a morte segunda não lhes fará mal.

Louvai e bendizei a meu Senhor
e agradecei e servi-o com grande humildade”.

(São Francisco de Assis).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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sexta-feira, 11 de maio de 2012

CRÔNICAS DE MINHA ALMA: PERMANECEI EM MIM





Aqui neste mundo tudo passa, nossa realidade é transformada a todo instante, e esse dinamismo se dá para o bem ou para o mal, dependendo das decisões que tomamos, porque em se tratando do comportamento humano, tudo é possível dentro de nossas possibilidades. Quanto à realidade natural que nos cerca, esta sofre as consequências de nossas decisões. Assim sendo, trazemos no mais íntimo do ser, aquilo que cultivamos com o nosso viver de cada dia, como resposta ao dom da vida que recebemos de Deus.

Ora, sabemos que somos seres dependentes, e essa dependência é a razão pela qual sobrevivemos nesse nosso habitat natural. Todavia, existe algo em nós que nos faz conspirar contra nós mesmos, é o que chamamos de interesses pessoais. É uma espécie de egoísmo mórbido que leva o ser humano à destruição, pois, as coisas materiais, são postas acima de tudo e de todos; e esse apego exagerado tem levado muitos a cometerem terríveis maldades, capazes de dissipar vidas inocentes sem poupar ninguém.

Desse modo, se criou uma cultura de autodestruição, divulgada amplamente pelos meios de comunicação em massa, em suas programações sectárias, onde difundem comportamentos vãos, desordenados e estranhos; vícios de toda espécie e atitudes totalmente anticristãs, procurando com isso, moldar a sociedade aos mais baixos calões existenciais. O resultado é a violência desenfreada que permeia todas as camadas sociais; é o abuso de poder, pelo mau uso de suas funções; corrupções e injustiças vindas dos mandatários de plantão, que estão à postos nos mais altos escalões das esferas governamentais e não governamentais.

E assim, estamos vendo esse nosso mundo afundando num mar de lama sem fim, e o pior de tudo, não tem volta, não tem conserto, porque os homens perderam o temor de Deus e se afastaram dele, por suas obras funestas, entregando-se ao mal que passou a tomar conta de tudo ou quase tudo. Então, o que fazer em meio a esse proceder infernal que assistimos cada dia? Como nos defender de tudo isso?

“Só em Deus a minha tem repouso, porque dele é que me vem a salvação. Só ele é meu rochedo, minha salvação; minha fortaleza: jamais vacilarei. Só em Deus repousa a minha alma, é dele que me vem o que eu espero. Só em Deus encontrarei glória e salvação. Ele é meu rochedo protetor, meu refúgio está nele. Ó povo, confia nele de uma vez por todas; expandi, em sua presença, os vossos corações. Porque nosso refúgio está em Deus”. (Sl 61).

“Os homens não passam de um sopro, e de uma mentira os filhos dos homens. Eles sobem na concha da balança, pois todos juntos são mais leves que o vento. Não confieis na violência, nem espereis vãmente no roubo; crescendo vossas riquezas, não prendais nelas os vossos corações. Numa só palavra de Deus compreendi duas coisas: a Deus pertence o poder, ao Senhor pertence a bondade. Pois vós dais a cada um segundo suas obras”. (Sl 61). (cf. Sl 2).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

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"Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer”. (Jo 15,4-5)
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