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sexta-feira, 11 de abril de 2008

“Pai nosso que estais no céu"

“Porquanto não recebeste um espírito de escravidão, para viverdes ainda no temor, mas recebestes o espírito de adoção pelo qual clamamos: Aba! Pai! (Rm 8,15)”.

Jesus Cristo o Filho de Deus vivo nos ensinou que o nosso Deus não é um Deus desconhecido, mas um Pai extremamente Bom do qual podemos nos aproximar sem medo. Ele nos ensina também que somos pertença desse Pai e por isso ousamos com toda segurança chamá-lo como tal. Essa assertiva do Senhor levou São Pedro Crisólogo afirmar: “A consciência que temos de nossa situação de escravos nos faria desaparecer debaixo da terra, nossa condição terrestre se reduziria a pó, se a autoridade de nosso Pai e o Espírito de seu Filho não nos levasse a clamar: “Abba, Pai!” Quando ousaria a fraqueza humana de um mortal chamar a Deus seu Pai, senão apenas quando o íntimo do homem é animado pela força do alto?”

“Esta força do Espírito que nos introduz na Oração do Senhor traduz-se nas liturgias do Oriente e do Ocidente pela bela expressão tipicamente cristã: “parrhesia” , simplicidade sem rodeios, confiança filial, jovial segurança, audácia humilde, certeza de ser amado”. (CIC). No momento que abro meu coração, minha vida e todo o meu ser para chamar a Deus de Pai como Jesus nos revelou, o faço com a convicção de que não só estou sendo ouvido, mas também atendido em minha ousadia filial e ainda mais participo da comunhão dos eleitos, da família Sagrada do Autor de toda criação. Com isso também experimento no mais íntimo do meu ser que não estou só, que nasci para a glória, para a verdadeira felicidade e que minha estadia neste mundo é apenas um ato temporal provido do testemunho desta comunhão com o meu Pai que me fez para o eterno.

Quando digo: “Pai nosso”, sinto que tenho uma multidão de irmãos e isso me faz ver que pertenço a Família de Deus, terrena e celeste, onde Deus é nosso Pai, Maria nossa mãe, Jesus o Primogênito e o Espírito Santo é o amor que nos torna UM, com os anjos e santos e com todos os homens e mulheres redimidos.

Quando digo: “Que estás no céu”, não me refiro a um lugar no espaço, “mas a majestade de Deus e sua presença no coração dos justos”. Santa Tereza dizia: “Onde Deus está ai está o céu”. Logo, o Céu é a eternidade dos filhos e filhas de Deus em Deus. É a Casa do Pai, verdadeira pátria dos eleitos e eleitas do Senhor. Como disse Jesus: “O Reino de Deus já está no meio de vós”. Alegremo-nos e exultemos irmãos e irmãs, a eternidade já foi inaugurada por Jesus em nossa vida, por isso, tudo o que fizermos o façamos para a maior glória de Deus que nos faz participantes do seu eterno Amor. Quais filhos pródigos deixemo-nos abraçar e beijar pela ternura do Pai de nossa salvação a fim de que vivamos na herança eterna que está reservada para todos aqueles que perseverarem no caminho da justiça e do seguimento de Nosso Senhor e Salvador, Jesus de Nazaré.

Rezar o “Pai e nosso que estás no céu” é permanecer em sintonia com a vontade de Deus, é assimilar seu plano para a nossa vida, é depositarmos Nele tudo o que somos e vivemos, é deixarmos que o seu Espírito nos conduza pelo Caminho que é Cristo Jesus, anunciando a Verdade libertadora de Sua redenção, acolhendo a Vida eterna prometida. Assim seja! Vem, Senhor Jesus!

Paz e Bem!

Frei Fernando, OFMConv.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

As Admoestações de São Francisco de Assis - 2

2. Admoestação: Do mau da própria vontade (Eu).

“Disse o Senhor a Adão: ‘Podes comer (apropriar-se) do fruto de todas as árvores (existência) do jardim; mas não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal’ (Gn 2,16-17). Podia, pois, Adão comer de toda árvore do paraíso e, enquanto nada fazia contra a obediência, não pecava. Come, porém, da árvore da ciência do bem aquele que se apropria de sua vontade como propriedade sua e se exalta dos bens que o Senhor diz e opera nele. Assim, atendendo às sugestões do diabo e transgredindo o mandamento, foi-lhe dado o fruto da ciência do mal. Donde é necessário suportar a pena”. (E. de S. Francisco).

Caros irmãos e irmãs, o Mistério da Iniqüidade está presente em todo e qualquer lugar do nosso tempo; é preciso que pela fé entendamos também esse Mistério para sabermos combate-lo com o poder que Deus dispõe a nosso favor afim de que vençamos a nós mesmos e a todo o mal que se apresenta das mais diversas formas. Escrevendo sobre o mistério da iniqüidade assim se expressa São Paulo: “Ninguém de modo algum vos engane. Porque primeiro deve vir a apostasia, e deve manifestar-se o homem da iniqüidade, o filho da perdição, o adversário, aquele que se levanta contra tudo o que é divino e sagrado, a ponto de tomar lugar no templo de Deus, e apresentar-se como se fosse Deus.

Agora, sabeis perfeitamente que algo o detém, de modo que ele só se manifestará a seu tempo. Porque o mistério da iniqüidade já está em ação, apenas esperando o desaparecimento daquele que o detém. Então o tal ímpio se manifestará. Mas o Senhor Jesus o destruirá com o sopro de sua boca e o aniquilará com o resplendor da sua vinda. A manifestação do ímpio será acompanhada, graças ao poder de Satanás, de toda a sorte de portentos, sinais e prodígios enganadores. Ele usará de todas as seduções do mal com aqueles que se perdem, por não terem cultivado o amor à verdade que os teria podido salvar.

Por isso, Deus lhes enviará um poder que os enganará e os induzirá a acreditar no erro. Desse modo, serão julgados e condenados todos os que não deram crédito à verdade, mas consentiram no mal. Nós, porém, sentimo-nos na obrigação de incessantemente dar graças a Deus a respeito de vós, irmãos queridos de Deus, porque desde o princípio vos escolheu Deus para vos dar a salvação, pela santificação do Espírito e pela fé na verdade. Assim, pois, irmãos, ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes.

Nosso Senhor Jesus Cristo e Deus, nosso Pai, que nos amou e nos deu consolação eterna e boa esperança pela sua graça, consolem os vossos corações e os confirmem para toda boa obra e palavra!” (2Ts 2).

Filhos e filhas de Deus muito amado, que cultivemos a graça que recebemos do Senhor no batismo vivendo neste mundo como testemunhas fiéis do Seu Reino de amor e de justiça; como dizia São João Batista: “Convém que o Senhor cresça e que eu diminua”. Bem aventurado é todo aquele que consente que se realize em sua vida a vontade de Deus expressa nos Mandamentos e, como filhos da luz, possamos viver como São Paulo nos ensinou: “Fazei todas as coisas sem murmurações nem críticas, a fim de serdes irrepreensíveis e inocentes, filhos de Deus íntegros no meio de uma sociedade depravada e maliciosa, onde brilhais como luzeiros no mundo, a ostentar a palavra da vida”. (Fl. 2,14s).

A graça e a paz de Deus nosso Pai esteja com todos nós! Amém!

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Ecologia, a arte da reconciliação

Nossos antepassados viveram nas florestas e, certamente, sentiam medo da sua complexidade. As florestas representavam perigo aos seres humanos, como a todos os animais. Para fugir das florestas, as comunidades humanas foram se agl

omerando, primeiro com trabalho agrícola, depois veio a indústria, até chegarmos ao mais moderno e complexo mundo urbano que hoje conhecemos. E as cidades são tão complexas quanto as floretas. Assim como as florestas causavam medo e perplexidade, hoje são as cidades que amedrontam constantemente. Ninguém estaria seguro numa floresta, como também não se pode dizer que alguém esteja plenamente seguro numa cidade. Podemos dizer que, ao fugir da floresta, o ser humano criou a cidade à imagem e semelhança da sua primeira habitação.

O medo de ser agredido levou o ser humano a criar técnicas de proteção. E sempre impulsionado pelo medo, chegou ao ponto de desenvolver uma altamente moderna e eficaz indústria de guerra. Com medo da fome, e tendo que migrar para locais afastados dos recursos naturais, a espécie humana se esforçou em implementar técnicas e estratégicas capazes de garantir a subsistência. Mas, o medo da morte virou violência e o medo da fome virou ganância. Violentos e gananciosos por causa do medo, os seres humanos agridem, não apenas as outras espécies, mas constantemente vivem ferindo e explorando uns aos outros. É assim que vemos a humanidade, com muitos sinais de amor e fraternidade, mas profundamente marcada pela ganância, violência, pelo ódio e o egoísmo. E, infelizmente, ainda somos uma civilização do medo e da incerteza, sentindo impotência diante dos problemas que nós mesmos criamos.

A ecologia que é o estudo da casa onde habitamos, é também a arte da reconciliação, é a ciência que nos faz pensar e mudar a forma de como nos relacionamos com tudo o que existe. Hoje, a ecologia nos convida à reconciliação. No início, os seres humanos quiseram fugir das florestas e ainda hoje fugimos das nossas cidades que construímos para viver. Fugimos do caos, da degradação, da poluição e fugimos uns dos outros. Mas agora, a ecologia nos interpela: se fugir, que seja do medo, da ganância, do ódio e da maldade, para então, nos re-encontramos na convivialidade fraterna, na solidariedade, no amor, na bondade. Temos que nos re-encontrarmos como humanidade, nos reconciliarmos com nossa condição humana, com os seres humanos, com outros seres e as outras formas de vida e com Deus criador da vida. Precisamos reatar nossa amizade com a natureza, que é fonte de vida e não simplesmente um perigo ou ameaça. A nossa sobrevivência e a continuidade real de vida no planeta depende da nossa reconciliação com a natureza.

Frei Pilato Pereira

As Admoestações de São Francisco de Assis - 1

“Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Estas são as palavras de santa exortação de nosso reverendo pai São Francisco a todos os irmãos.” (Escritos de S. Francisco).

“As exortações ocupam um lugar de destaque entre os escritos de São Francisco, pois representam, no verdadeiro sentido da palavra, um espelho de perfeição para todo aquele que se sentir chamado para a forma franciscana de vida cristã, pois nelas Francisco retraça muitos aspectos particulares do conceito que forma o cristão ideal. Suas frases são simples, mas cheias de profunda sabedoria da vida, representam marcos inconfundíveis para uma doutrina franciscana sobre a virtude ou para uma ascética no espírito de São Francisco, além de fornecer-nos sempre novas facetas, de surpreendente profundeza, de vida espiritual deste homem de Deus.” (Escritos de S. Francisco).

I Admoestação: Do Corpo do Senhor.

“Deus Pai habita numa luz inacessível” (1Tm 6.16), e: “Deus é espírito” (Jo 4,24) e “ninguém jamais viu a Deus” (Jo 1,18). Ora, se Deus é espírito, só em espírito pode ser visto e adorado (Cf. Jo 4,23); pois, “o espírito é que dá vida, a carne de nada serve” (Jo 6,63). Também o Filho, sendo igual ao Pai, não pode ser visto por alguém de modo diferente que o Pai e o Espírito Santo. Por isso sofrem danos todos aqueles que viram o Senhor Jesus Cristo em sua humanidade sem enxergá-lo segundo o espírito e a divindade e sem crer que Ele é o verdadeiro Filho de Deus.

De igual modo sofrem danos todos aqueles que - embora vendo o sacramento do corpo de Cristo que, pelas palavras do Senhor, se torna santamente presente sobre o altar, sob as espécies de pão e vinho, nas mãos do sacerdote – não olham segundo o espírito e a divindade, nem crêem que se trata verdadeiramente do corpo e do sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Atesta-o pessoalmente o Altíssimo quando diz: “Este é o meu corpo e o sangue da nova Aliança” (Cf. Mc 14,22); e: “Quem comer a minha carne e beber o meu sangue terá a vida eterna”.

Por isso é o Espírito do Senhor, que habita nos seus fiéis, quem recebe o santíssimo corpo e sangue do Senhor (Cf. Jo 6,62). Todos aqueles que não participam desse espírito e no entanto ousam comungar, “comem e bebem a sua condenação” (1Cor 11,29). Portanto, “ó filhos dos homens, até quando tereis o coração duro?” (Sl 4,3). Por que não reconheceis a verdade “nem credes no Filho de Deus” (Jo 9,35)? Eis que Ele se humilha todos os dias (Fl 2,8); tal como na hora em que, “descendo do seu trono real” (Sb 18,5) para o seio da Virgem, vem diariamente a nós sob aparência humilde; todos os dias desce do seio do Pai sobre o altar, nas mãos do sacerdote. E como apareceu aos santos apóstolos em verdadeira carne, também a nós se nos mostra hoje no pão sagrado.

E do mesmo modo que eles, enxergando sua carne, não viam senão sua carne, contemplando-o contudo com seus olhos espirituais creram nele como no seu Senhor e Deus (Cf. Jo 20, 28), assim também nós, vendo o pão e o vinho com os nossos olhos corporais, olhemos e creiamos firmemente que está presente o santíssimo corpo e sangue vivo e verdadeiro. E desse modo o Senhor está sempre com os seus fiéis, conforme Ele mesmo diz: “Eis que estou convosco até a consumação dos séculos”. (Mt 28,20). (Escritos de S. Francisco de Assis).

Caríssimos irmãos e irmãs, crer no Corpo e Sangue do Senhor Jesus é participar do maior milagre de amor que se pode ter neste mundo, porque crer é pertencer, é amar Àquele que nos amou primeiro e que nos ama por toda a eternidade. Amém. Assim seja!

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

domingo, 6 de abril de 2008

A Páscoa

A Páscoa do Senhor é a mais feliz passagem que um ser humano pôde fazer nessa nossa história natural. Em todas as outras ninguém teve, por si mesmo, uma esperança mais segura, a não ser a esperança das promessas, porque somente Cristo é a resposta para todos os porquês de nossa contingência.

A Ressurreição é a realidade eterna onde apoiamos nossa vida temporal na certeza de que mesmo condenados nesse vale de lágrimas, alimentamos a convicção de que em Cristo Jesus, somos eternos; mergulhamos neste Mistério de Amor para sempre, experimentando a delícia de sermos resgatados pelo próprio Filho de Deus.

Então, temos milhões de motivos para darmos glória a Deus pelo seu beneplácito amor para conosco; somos verdadeiramente prediletos porque amados até a última gota do Sangue de Jesus, Seu Filho amado; é verdade que ainda somos imaturos na fé, fragilizados por nossas inclinações para as fraquezas de nossa vontade própria, contudo, jamais prevalecerá o pecado porque a misericórdia do Senhor ultrapassa em tudo a finitude de nossa miséria.

Paz e Bem!

sábado, 5 de abril de 2008

Quando os homens não entendem

QUANDO OS HOMENS NÃO ENTENDEM

(Evangelho de São João 6,52-59).

Somos contingentes, isto é, limitados vivendo num mundo que para nós tem limites, mas não atingimos a essência das coisas em si mesmas e por nós mesmos; e quando isso acontece ou procuramos uma resposta mágica ou descartamos o que não cabe no nosso entendimento. Com isso, muitas vezes nos tornamos céticos e menosprezamos o essencial objeto da fé.

Dessa forma quando Cristo diz com o pão sagrado: “Isto é o meu corpo”, não depende do nosso crer para ser sua presença eucarística; só dependo do nosso crer os efeitos desse alimento eterno que nos faz permanecer em Cristo para que tenhamos a vida.

Só entendemos a Deus quando falamos a sua linguagem expressa no cumprimento dos seus mandamentos. Viver o eterno no tempo é gozar da intimidade de Jesus que é o Pão da Vida que alimenta os que caminham para o seu reino de glória e salvação, os quais permanecem nele pela fé, com escreve São João: “Quem diz que crê em Cristo deve viver como ele viveu” (1Jo. 2,6).

Portanto, “... o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus: pois para ele são loucuras (‘Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna...’). Nem as pode compreender, porque é pelo Espírito que se devem ponderar (ajuizar)”. Creio sim Senhor, que eu seja sempre teu!!!

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Existem católicos e católicos

Deu no Correio da Cidadania:
Escrito por Gabriel Perissé
01-Abr-2008
Divulgou-se recentemente o atual número de católicos no mundo: algo em torno de 1,13 bilhão, o que corresponde a cerca de 17% da população mundial. Sabemos, contudo, que há católicos e católicos. Arrisco a classificação de pelo menos quatro tipos.

Primeiramente, o famoso católico não-praticante. Milhões de pessoas batizadas, sem grande contato com a religião. Não têm vida sacramental estável, não são contra nem a favor das regras do jogo, porque as desconhecem. Católicos para quem as epístolas foram as irmãs dos apóstolos... Não-praticante do catolicismo, este católico pratica um pouco de tudo, e vai levando. Sua vulnerabilidade espiritual pode levá-lo a aderir a qualquer coisa, até mesmo a movimentos católicos...

Temos o não-católico praticante. Aquele que pratica a caridade sem saber que é virtude teologal. Que acredita em Deus sem saber que no Deus Uno e Trino acredita. Atira onde não vê e acerta onde não espera: tem na esperança outra virtude oculta. O não-católico pode seguir outras religiões, pode considerar-se adversário do catolicismo. Talvez seja até melhor, para ele, não saber que é canonizável. Está a salvo da vaidade de querer ser santo. A prática longe da instituição, longe da Igreja, mas perto de Deus.

O praticante não-católico é uma aberração interessante. Missa diária, terço diário, confissão semanal, mortificação, Bíblia, conhecimentos teológicos, apologética, liturgia, proselitismo, mas esquecimento do essencial. É capaz de humilhar o irmão, achando que recebeu do Pai autorização para tanto. Beija a mão do papa... e depois abraça o demônio. Despreza o não-praticante, o agnóstico, e fica imaginando como pode Deus ser tão descuidado, deixando hereges e ateus soltos por aí.

E há o católico por um triz, desconfiado de sua própria catolicidade. Pratica o que manda a consciência, mantendo um olho no padre e outro na missa. Procura ser menos papa do que o Papa. Basta um. Quer separar o joio do trigo, mesmo que digam ser tudo trigo. Quer descobrir o trigo no meio do joio, mesmo que digam ser tudo joio. Os sacramentos o alimentam, mas está sempre com fome. Reza sabendo que Deus sabe mais.

Não sei como o Vaticano vai lidar com esses e outros tipos de católicos. Os números escondem a realidade. Cristo disse: "Sou o caminho". Mas não se tratava de uma rodovia. O caminho no meio do deserto não tem muretas nem semáforos.
Gabriel Perissé é doutor em Educação pela USP e escritor Web Site: http://www.perisse.com.br
Extraído de
http://www.correiocidadania.com.br/content/view/1626/53/ acesso em 01 abr. 2008.

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