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domingo, 4 de março de 2012
Programação 2012 da FFB-RS
Programação da Família Franciscana do Brasil/Rio Grande do Sul para 2012
1 Retiros mensais
Objetivo:
Possibilitar momentos de oração e reflexão sobre a Vida Franciscana como um jeito de ser.
Local:
Centro de Espiritualidade Franciscana – Convento São Lourenço de Brindisi
Rua Paulino Chaves, 291
Bairro Santo Antônio – Porto Alegre – RS
Horário: 8h às 12h.
1.1 Retiro Santa Clara e a Vida Consagrada
Data: 25 mar. 2012, Domingo
Assessora: Irmã Mônica de Azevedo, PCC
1.2 Retiro Santa Clara e sua Missão na Igreja
Data: 20 maio 2012, Domingo
Assessora: Irmã Zioldé Caldas, FB
1.3 Retiro Santa Clara de Assis e a Missão
Data: 19 ago. 2012, Domingo
Assessoria: OFS
1.4 Retiro Santa Clara de Assis seguidora de Francisco de Assis
Data: 30 set. 2012, Domingo
Assessora: Frei Cesar Machado, OFM
Responsavel: Frei Eduardo Pazinatto, OFMcap
1.5 Retiro Santa Clara e a Encarnação
Data: 02 dez. 2012, Domingo
Assessora: Irmã Lourdes Mantovani, CIFA
2 Retiro Anual da FFB-RS
Tema: Santa Clara de Assis – Oração e Contemplação
Data: 14 a 19 maio 2012
Assessora: Irmã Mônica de Azevedo, PCC
Local: Monte Alverne
3 Educação Franciscana – Encontro de Educadores
Data: 23 jun. 2012, Sábado
Local; Escola Nossa Senhora do Brasil
Assessoria: Irmã Mônica Azevedo, PCC (?)
Destinatários: Educadores Franciscan(o)as
4 Junifran
Data: 03 a 05 ago. 2012
Local: Santa Maria – Convento das Irmãs PCC
Assessor- Frei Arno Frelich, OFM
5 Congresso [Nacional] 800 Anos do Carisma de Clara de Assis
Data: 9 a 11 ago. 2012
Local: Canindé, CE – Santuário de São Francisco
6 Novifran
Data: 3 a 6 set. 2012
Local: Viamão – Casa São Bernardino
Assessor: Frei Aldir Crócoli, OFMcap
7 Assembleia Anual da FFB-RS
Data: 10 set. 2012, Segundafeira
Local:
Centro de Espiritualidade Franciscana – Convento São Lourenço de Brindisi
Rua Paulino Chaves, 291
Bairro Santo Antônio – Porto Alegre – RS
8 Congresso Clariano do Rio Grande do Sul
Data: 20 a 22 set. 2012
Local:
9 Sementes do Amanhã
Data: 4 out. 2012, Quintafeira
Local: Porto Alegre – Escola Nossa Senhora do Brasil
Destinatários: Adolescentes 7ª e 8ª séries
sábado, 3 de março de 2012
OS ANJOS
OS ANJOS
No "primeiro dia", Deus criou os anjos,
"criou o céu e a terra", isto é o mundo espiritual e o corporal. Os
anjos são espíritos, dotados de inteligência e vontade. Os anjos são servidores
de Deus, colocados entre Deus e os homens. A Bíblia se refere com frequência aos
anjos e apresenta-os sobre a forma humana, as vezes acrescentando-lhe asas
(nossos recursos são pobres, para descrever a presença majestosa de um anjo).
Na epístola aos Colossenses (cf. Cl, 1, 16) São
Paulo fala numa hierarquia entre os anjos. Com a variedade de dons e encargos
conferidos por Deus, os anjos são divididos em três hierarquias e, cada uma
delas, em três coros. A primeira hierarquia é a dos que contemplam a Deus:
Serafins, Querubins e Tronos. A Segunda ocupa-se do governo do mundo:
Dominações, Virtudes e Potestades. A terceira é encarregada de executar as
ordens divinas: Principados, Arcanjos e Anjos. Indistintamente, porém, todos
são designados como anjos.
Sendo mais semelhantes a Deus, como puros
espíritos, os anjos são superiores ao homem. Pela inteligência, eles conhecem a
Deus, os outros anjos e os homens, de modo intuitivo, isto é, conhecem sem
precisar de raciocínio. Conhecem os futuros necessários, por exemplo, um
eclipse do Sol (que está subordinado às leis da natureza), porém não conhecem
os futuros livres, isto é, os condicionados à vontade humana, como por exemplo,
o que cada um de nós fará durante o eclipse.
Os anjos são maiores do que nós por sua força e
poder. Um anjo, porém, não está em todo lugar, como Deus está. Mas, dentro da
esfera de seu poder, assim como o homem, pode tocar ao mesmo tempo vários
objetos ao seu alcance, ele pode agir ao mesmo tempo em diversos lugares. Assim
como o homem vê, ouve, percebe, toma conhecimento de várias coisas ao seu
redor, um anjo vê, isto é, conhece intuitivamente ao mesmo tempo, muitas coisas
e muito melhor do que o homem. Toda esta superioridade angélica existe também nos
demônios (anjos maus).
A Igreja sugere que Lúcifer, o anjo orgulhoso,
sentiu-se ferido em seu amor-próprio ao pressentir que algum dia teria que se
prostrar diante de um homem (Jesus, que é Deus, mas também homem). Anjos fiéis,
chefiados por São Miguel, lutaram contra lúcifer e seus companheiros,
vencendo-os. Foram, então, os anjos maus (ou demônios) precipitados no inferno,
para eles criado. O inferno foi criado após o pecado dos anjos – anjos que,
embora decaídos, conservam a sua hierarquia (cf. Ef 6, 12).
Deus é a Luz, a Verdade, o Amor. No céu, a
felicidade está em contemplá-lo. O demônio, "príncipe das trevas",
"pai da mentira", semeador de ódio e discórdia, voluntariamente
afasta-se do Sumo Bem. Então se precipita no vácuo do desamor; eis, pois, o
inferno, a ausência do amor. Os demônios, os espíritos sem amor, os mentirosos,
apresentando ao homem o mal como se fosse um bem, procuram arrastá-lo para o
seu inferno, isso através da tentação.
A Tentação não é pecado, antes, é oportunidade de combate.
O combate nos torna mais fortes e mais dignos. Mas é importante saber lutar,
porque cada um conhece a sua própria fraqueza. Nuns é a sensualidade, noutros a
cobiça, etc... Sejamos prudentes, pois é preciso reconhecer humildemente que,
muitas vezes, a vitória consiste em retirar-se diante da tentação. É
necessário, sobretudo, considerar o julgamento de Deus, em vez de preocupar-se
demais com as volúveis opiniões dos homens.
"Um cão acorrentado, só morde os que dele se
aproximam". O demônio é este prisioneiro, porque Deus o acorrentou (cf. Ap
20,1-3). Ele pode influir sobre a nossa memória e imaginação, mas não tem poder
direto sobre nossa inteligência e vontade. "O demônio, pode prejudicar-nos
por meios persuasivos, jamais pela violência. Ele é incapaz de nos forçar ao
consentimento", pois este depende de nossa vontade.
Os maus pensamentos devem ser logo afastados para
que não se transformem em ações. O melhor meio de afastá-los é o desprezo, sem
perturbação ou tristeza. Em vez de viver afastando, maus pensamentos, povoemos
nossa mente com ideias elevadas e apuremos nossa sensibilidade para coisas
boas, como a oração (indispensável), boa música, bons filmes, bons
documentários, esporte, arte, etc...
A tentação é permitida por Deus. "O justo
deve ser provado", (cf. Eclo 2,5), mas "ninguém é tentado acima de
suas forças" (cf. 1Cor 10,13). Além do mais, os anjos bons nos protegem
(cf. Sl 33,8). Cada pessoa tem seu protetor particular, seu Anjo da Guarda, que
a acompanha sempre e em toda parte.
Paz e Bem!
sexta-feira, 2 de março de 2012
EXISTE ALGUMA PERGUNTA SEM RESPOSTA?
EXISTE ALGUMA PERGUNTA SEM RESPOSTA?
Nós somos um misto formado de matéria e espírito...
Somos seres que vivemos na fronteira entre:
O humano e o divino...
Entre o finito e o infinito...
Dotados de instinto carnal e alma imortal...
Da vida natural e sobrenatural...
Que um dia naturalmente terá “fim”...
Todavia, também dotados da alegria...
e da esperança na vida eterna...
Por isso, aqui estamos, mas não por muito tempo...
Porque Deus, que nos criou, em seu Filho Jesus Cristo,
nos ama e destina à vida infinda...
Onde, sem as agruras deste mundo,
gozaremos no mais profundo de nosso ser a sua paz divina...
Porque se não fosse assim,
o que seria de nós, pobres mortais?
Nada, absolutamente nada...
Uma vez que nenhuma criatura,
seja no tempo ou na eternidade,
existe em si e por si mesmo...
De fato...
Todos nós temos vontade própria, mas limitada...
Todos nós temos desejos múltiplos, mas não plenamente saciados...
Todos nós temos sonhos, mas muitas vezes frustrados...
Todos nós temos planos, mas nem sempre realizados...
E por quê?
Creio que seja porque não vivemos ainda a nossa filiação divina...
Visto ser esta a nossa vocação, o nosso chamado...
Pois, qual seria mesmo a finalidade da vida,
se ela não se destinasse ao céu?
Por acaso, existe nas criaturas alguma resposta convincente que nos mantenha aqui permanentemente?
Só se não existisse o pecado e nem o mistério da iniquidade...
Logo, tudo o que somos e temos,
somos e temos, porque recebemos...
Mas não em definitivo ainda...
Isto, porque haveremos de passar pelo crivo da morte...
E só podemos vencê-la por Cristo Jesus,
que por sua morte cruz,
nos deu a vitória sobre o pecado e todo o mal...
Portanto, lutemos por uma sociedade justa e honesta...
Onde não haja nenhum tipo de pecado...
Onde não haja nenhum tipo de vício...
Nenhum tipo de maldade...
Onde todos nos amemos de verdade e vivamos em paz...
Mas, saibamos, desde já, que isto é impossível...
sem o reinado de Jesus Cristo, o Filho de Deus...
Único Senhor e Salvador de toda a humanidade...
Destarte, precisamos conhecê-lo, amá-lo e servi-lo...
De todo o Coração...
De toda a nossa alma...
Com toda a nossa força...
De todo o nosso ser...
Obedientes e fiéis ao seu querer...
Aqui e por toda a eternidade...
Amém!
Paz e Bem!
Frei Fernando,OFMConv.
***
“Em seguida, Jesus disse a seus discípulos: Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por minha causa, recobrá-la-á”.
“Que servirá a um homem ganhar o mundo inteiro, se vem a prejudicar a sua vida? Ou que dará um homem em troca de sua vida?... Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai com seus anjos, e então recompensará a cada um segundo suas obras”. (Mt 16,24-27).
***
FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.
Franciscanos no Grão-Pará e Maranhão: 1622-1750
Uma tese que poderá interessar quem estuda Historia do Franciscanismo no Brasil:
Título: A missionação franciscana no estado do Grão-Pará e Maranhão (1622-1750) : agentes, estruturas e dinâmicas
Autora: Amorim, Maria Adelina, 1958-
Resumo: Esta Tese pretende analisar, partindo do conhecimento da sua estrutura interna, o modo como a Ordem Franciscana se implantou no antigo Estado do Grão-Pará e Maranhão, e aí exerceu o seu munus durante três séculos. Sistematiza-se, à luz de abundante documentação inédita, a orgânica desta Ordem Mendicante, os seus principais agentes, com destaque para Frei Cristóvão de Lisboa, e o seu percurso histórico na Amazónia colonial portuguesa. Explicam-se os mecanismos e dinâmicas de que os Menores, sobretudo os da Província de Santo António, responsável primeira desse processo, se serviram no decurso do seu apostolado, relacionando-a com outras instituições e agentes, tanto no terreno, desde os moradores, índios ou brancos, aos membros de governação local e às outras ordens regulares e clero secular, como no Reino, desde a Coroa às instâncias que regulavam a vida eclesiástica e a missionação. Parte-se, assim, do entendimento do sentido de Missão da Ordem Franciscana nas suas bases arcanas, e a orgânica das estrutura daí decorrentes, tomando como pressuposto que, se não houvesse essa matriz fundadora – o desiderato de evangelizar, propagar a fé cristã, divulgar a mensagem, pregar o Evangelho –, a própria existência desta organização no antigo Estado colonial do Norte brasileiro estaria comprometida. Seguindo a exportação de práticas evangelizadoras e de modelos pedagógicos, a acção dos Franciscanos antoninos no espaço amazónico nos séculos XVII e XVIII foi uma história marcada por duas vertentes distintas e complementares: a fidelidade a valores de identidade e a um lugar de pertença, ou seja, uma instituição com Regra, estatutos e jurisdição próprios, e a aplicação desta, tantas vezes de forma contraditória e conflitual. Tal explica o papel identitário dos antoninos, e também os conflitos com as estruturas da governação colonial, os vários grupos laicos e religiosos e, até, os que existiram no seio da família franciscana entre os três ramos, com a chegada de frades da Piedade (1693) e a cisão com os da Conceição (1706). Tem que se entender o historial desta instituição, não só a partir da actuação no espaço colonial onde estavam integrados, mas também dentro da dinâmica da Ordem Seráfica, que foi sempre um factor determinante, fazendo valer privilégios, prerrogativas e jurisdições em qualquer lugar do antigo Império português. Importa perceber de que modo os Franciscanos actuaram, quais os processos que utilizaram, e o que tinham de diverso em relação a outras instituições afins; que marca 14 identitária lhes permitiu distinguirem-se dos outros agentes no terreno. Que diferença? Há diferença? E se a História precisa de interpretar os vestígios memoriais subjacentes, o presente estudo vem demonstrar que os Franciscanos não escreveram a sua História na areia, e que é r possível reavaliar este capítulo da historiografia luso-brasileira. É deste legado histórico, cultural, ideológico, e patrimonial, edificado pelos Franciscanos desde a formação do Estado pará-maranhense, a partir de 1621, que trata a presente dissertação.
Nota: Tese de doutoramento, História (História e Cultura do Brasil), Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras, 2012
Versão online: http://hdl.handle.net/10451/5393
Título: A missionação franciscana no estado do Grão-Pará e Maranhão (1622-1750) : agentes, estruturas e dinâmicas
Autora: Amorim, Maria Adelina, 1958-
Resumo: Esta Tese pretende analisar, partindo do conhecimento da sua estrutura interna, o modo como a Ordem Franciscana se implantou no antigo Estado do Grão-Pará e Maranhão, e aí exerceu o seu munus durante três séculos. Sistematiza-se, à luz de abundante documentação inédita, a orgânica desta Ordem Mendicante, os seus principais agentes, com destaque para Frei Cristóvão de Lisboa, e o seu percurso histórico na Amazónia colonial portuguesa. Explicam-se os mecanismos e dinâmicas de que os Menores, sobretudo os da Província de Santo António, responsável primeira desse processo, se serviram no decurso do seu apostolado, relacionando-a com outras instituições e agentes, tanto no terreno, desde os moradores, índios ou brancos, aos membros de governação local e às outras ordens regulares e clero secular, como no Reino, desde a Coroa às instâncias que regulavam a vida eclesiástica e a missionação. Parte-se, assim, do entendimento do sentido de Missão da Ordem Franciscana nas suas bases arcanas, e a orgânica das estrutura daí decorrentes, tomando como pressuposto que, se não houvesse essa matriz fundadora – o desiderato de evangelizar, propagar a fé cristã, divulgar a mensagem, pregar o Evangelho –, a própria existência desta organização no antigo Estado colonial do Norte brasileiro estaria comprometida. Seguindo a exportação de práticas evangelizadoras e de modelos pedagógicos, a acção dos Franciscanos antoninos no espaço amazónico nos séculos XVII e XVIII foi uma história marcada por duas vertentes distintas e complementares: a fidelidade a valores de identidade e a um lugar de pertença, ou seja, uma instituição com Regra, estatutos e jurisdição próprios, e a aplicação desta, tantas vezes de forma contraditória e conflitual. Tal explica o papel identitário dos antoninos, e também os conflitos com as estruturas da governação colonial, os vários grupos laicos e religiosos e, até, os que existiram no seio da família franciscana entre os três ramos, com a chegada de frades da Piedade (1693) e a cisão com os da Conceição (1706). Tem que se entender o historial desta instituição, não só a partir da actuação no espaço colonial onde estavam integrados, mas também dentro da dinâmica da Ordem Seráfica, que foi sempre um factor determinante, fazendo valer privilégios, prerrogativas e jurisdições em qualquer lugar do antigo Império português. Importa perceber de que modo os Franciscanos actuaram, quais os processos que utilizaram, e o que tinham de diverso em relação a outras instituições afins; que marca 14 identitária lhes permitiu distinguirem-se dos outros agentes no terreno. Que diferença? Há diferença? E se a História precisa de interpretar os vestígios memoriais subjacentes, o presente estudo vem demonstrar que os Franciscanos não escreveram a sua História na areia, e que é r possível reavaliar este capítulo da historiografia luso-brasileira. É deste legado histórico, cultural, ideológico, e patrimonial, edificado pelos Franciscanos desde a formação do Estado pará-maranhense, a partir de 1621, que trata a presente dissertação.
Nota: Tese de doutoramento, História (História e Cultura do Brasil), Universidade de Lisboa, Faculdade de Letras, 2012
Versão online: http://hdl.handle.net/10451/5393
quinta-feira, 1 de março de 2012
O desejo do martírio em Santa Clara de Assis
- Extraído de http://www.clarissas.com.br/NOVO/index2.php?pag=mostra&&id=251 acesso em 1º mar. 2012.
- Ilustração: The Christian Martyrs' Last Prayer / Jean-Léon Gérôme. 1883. Disponível em http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c4/The_Christian_Martyrs_Last_Prayer.jpg acesso em 1º mar. 2012.
Supremo amor por Cristo e em Cristo
No processo
de canonização de Santa Clara também é mencionado seu desejo de
martírio: “Irmã Cecília, Filha de Messer Gualtieri Cacciaguerra de
Spello, uma irmã do Mosteiro de São Damião, fazendo juramento disse: que
tinha ouvido de dona Clara, de santa memória, antiga abadessa do
predito mosteiro, que devia ter uns quarenta e três anos que ela estava
no governo das Irmãs; A testemunha entrou na Ordem uns três anos depois
que a senhora tinha entrado na Religião pela pregação de São Francisco. A
testemunha entrou pelas exortações de dona Clara e de Frei Filipe, de
boa memória. Desde esse tempo, quarenta anos, esteve sob o santo governo
de dona Clara, mas não se achava competente para falar como se deve
sobre sua vida, louvável e maravilhosa, e sobre seu comportamento.
Também disse que dona Clara tinha tanto fervor de espírito, que gostaria
de enfrentar o martírio por amor do Senhor. Demonstrou isso quando
ouviu contar que alguns frades tinham sido martirizados em Marrocos e
disse que queria ir para lá. A testemunha até chorou. Mas foi antes que
ela ficasse doente. Interrogada sobre quem tinha assistido a isso,
respondeu que as Irmãs então presentes já tinham morrido”.
Outra
testemunha afirma «Irmã Balbina de Messer Martinho da Cocorano, monja do
Mosteiro de São Damião, declarou sob juramento: que estivera no
mosteiro por mais de trinta e seis anos, quando era abadessa dona Clara,
de santa memória, cuja vida e comportamento foram adornados pelo Senhor
com muitos dons e virtudes, que de modo algum daria para contar. E a
senhora foi virgem desde o seu nascimento. Era a mais humilde entre
todas as Irmãs e tinha tanto fervor de espírito que, por amor de Deus,
teria suportado de boa vontade o martírio pela defesa da fé e de sua
Ordem. Antes de ficar doente, queria ir para Marrocos, onde se dizia que
os frades tinham sofrido o martírio.
Interrogada
sobre como sabia dessas coisas, respondeu que esteve com ela durante
todo esse tempo, vendo e ouvindo o amor que a senhora tinha pela fé e
pela Ordem”.
Ficamos profundamente emocionados por este testemunho sobre Clara, que nos narra com expressões muito vivas, o seu desejo de ir para onde os frades protomártires franciscanos haviam dado suas vidas, ao morrer por Cristo. Este testemunho nos revela o fato que Clara, permanecendo inflamada no seu íntimo, pela notícia do martírio dos frades, gera em seu corpo e em sua mente o desejo de se unir a eles. Clara é atraída pelo testemunho dos protomártires francisacanos até ao ponto de sentir dentro de si o ardente desejo de ir até à terra onde eles derramaram o seu sangue, para que assim, também ela possa dar a vida para testemunhar e defender a fé.
Este desejo
de Clara, testemunhado no processo, é reflexo do desejo de Francisco,
segundo as palavras de São Boaventura: aqui também se fala de um desejo
vivo, um fervor de caridade poderosíssimo e do mesmo desejo de martírio
de São Francisco, como se afirma no capítulo IX da Vida do Bem-aventurado Francisco (Legenda Maior):
«No fervoroso incêndio de sua caridade, emulava o triunfo dos santos
mártires, nos quais não se extinguiu a chama do amor nem fraquejou a
fortaleza. Por isso ele também desejava, inflamado naquela caridade
perfeita, que joga fora o temor, oferecer-se como uma hóstia viva ao
Senhor pela chama do martírio, para corresponder assim ao amor de
Cristo, morto por nós na cruz, e para provocar os outros para o amor
divino. Então, no sexto ano de sua conversão, ardendo de desejo do
martírio, resolveu embarcar para a Síria para pregar a fé cristã e a
penitência aos sarracenos e aos outros infiéis».
Sugiro, neste momento, comparar o que consideramos até agora, com o texto da Regra não Bulada, capítulo
XVI. São Francisco de Assis descreve como deve ser a atitude dos frades
que forem à terra daqueles que não têm a fé cristã: “os frades que vão,
podem com-portar-se espiritualmente entre eles de dois modos. Um modo é
que não façam nem litígios nem contendas, mas estejam submetidos a toda criatura humana por Deus e
confessem que são cristãos. Outro modo é que, quando virem que agrada
ao Senhor, anunciem a palavra de Deus, para que creiam em Deus
onipotente, Pai e Filho e Espírito Santo, criador de tudo, no Filho
redentor e salvador, e que sejam batizados e se tornem cristãos, porque
quem não renascer da água e do Espírito Santo não pode entrar no reino
de Deus”.
Partindo deste texto, podemos observar que nas duas modalidades indicadas por Francisco não há uma visão “anônima” do testemunho; também o exemplo de vida - sem o anúncio explícito da Palavra - é sempre acompanhada pela confissão da fé. Posteriormente, por inspiração do Senhor, pode-se chegar ao anúncio explícito da Palavra, a fim de suscitar a fé na Santíssima Trindade.
Considerando o caráter confessante do testemunho desejado por Francisco para os seus frades, pode-se compreender porque os mais recentes estudos sobre o desejo do martírio, presente no início da família franciscana, faz desaparecer a clássica contradição sentida entre o capítulo XVI e as histórias hagiográficas sobre este ponto: de fato, o horizonte interpretativo não é aquele de um heroísmo provocado nos confrontos com uma fé diferente, mas uma expressão do amor por Cristo, a paixão de comunicar o encontro com Ele e de ser introduzido na fileira de sua imitação.
Neste sentido, as hagiografias franciscanas, particularmente dos protomártires, evidenciam que, nestes e em outros mártires franciscanos, representa-se o que aconteceu nos mártires dos primeiros séculos, ou seja, repete-se o que aconteceu nos mártires dos primeiros séculos, ou seja, a disposição de dar a vida pelo Evangelho até à morte.
Na realidade, aqui não é resultado do antagonismo religioso, que poderia parecer, hoje, uma atitude inconveniente no âmbito de uma relação pacífica com outras religiões, mas do desejo, da paixão arrebatadora pela pessoa de Cristo; é o desejo de assemelhar-se a Ele e de poder, em qualquer situação, dar testemunho d’Ele, que deu a vida por nós; desejo de martírio é, portanto, desejo por Cristo, desejo de corresponder de um modo total, ao dom que Cristo fez por nós.
Von Balthasar diz em seu famoso Cordula: “enquanto vou colocando totalmente em risco a minha vida, atesto haver compreendido a verdade cristã, como a revelação mais elevada possível do amor eterno”. O desejo do martírio - provocado ou buscado diretamente - surge como expressão radical de amor por Cristo e neste mesmo amor de Cristo por cada homem, por quem Ele deu a vida.
O mártir cristão - seguindo os passos do próprio Cristo - expõe-se a si mesmo, por amor de Cristo e da liberdade dos irmãos; doa-se por aquilo que lhe é mais caro ao coração: o dom eucarístico, que Cristo fez de si, com o sacrifício de si mesmo, por amor da própria vida.
A palavra “martírio” indica exatamente “ser testemunhas”. Queria, nesta circunstância, lembrar duas expressões muito fortes, de Bento XVI, na exortação apostólica Sacramentum Caritatis, em relação ao testemunho e ao martírio.
Primeiramente um texto que explica a natureza do testemunho, - testemunho é uma palavra que por sua natureza preserva a auteridade: “Tornamo-nos testemunhas quando, através de nossas ações, palavras e modo de ser, um Outro se faz presente e se comunica. Pode-se dizer que o testemunho é o meio pelo qual a verdade do amor de Deus atinge o homem na história, convidando-o a acolher livremente esta novidade radical. No testemunho, Deus se expõe, podemos dizer, ao risco da liberdade do homem”.
No mesmo
documento se fala do testemunho e do martírio com relação à Eucaristia,
mostrando que os primeiros mártires cristãos entendiam o sacrifício de
suas vidas, como o ápice da experiência espiritual, como logiké latreia,
culto espiritual, ou como deveríamos dizer: culto conveniente ao humano
(R. Penna): “o próprio Jesus é a testemunha fiel e verdadeira (cfr Ap
1,5; 3,14); e veio para dar testemunho da verdade (cfr Jo 18,37)... o
testemunho do dom de si ao martírio, sempre foi considerado na história
da Igreja o ápice do novo culto espiritual: “Oferecei os vossos corpos”
(Rm 12,1). Consideremos, por exemplo, a história do martírio de São
Policarpo de Esmirna, discípulo de São João: todo o drama é descrito
como liturgia, como se o próprio mártir se tornasse Eucaristia. Pensemos
também na consciência eucarística que Inácio de Antioquia exprime em
vista de seu martírio: ele se considera “trigo de Deus” e deseja
tornar-se, pelo martírio, “pão puro de Cristo”. O cristão que oferta a
sua vida no martírio, entra em plena comunhão com a Páscoa de Jesus
Cristo e assim, torna-se, com Ele, Eucaristia. Ainda hoje não faltam à
Igreja, mártires, em quem se manifesta de modo supremo o amor de Deus.
Temos aqui
uma significativa confirmação do caráter eucarístico do martírio
cristão, presente no cristianismo desde suas origens.
Aprendemos que o verdadeiro sentido da existência é dar a vida pelos irmãos, porque, como diz Jesus, não há maior amor do que dar a vida pelos amigos. Todos somos chamados a descobrir o valor determinante do testemunho da nossa fé que pode chegar até ao martírio; um testemunho que na relação com o outro, seja quem for, expõe-se a si mesmo, oferecendo-lhe aquilo que tem de mais precioso, Jesus Cristo e a verdade de seu amor; deste modo, o testemunha se oferece ao risco da liberdade do outro.
Como afirmou recentemente, o neo arcebispo de Milão, Cardeal Angelo Scola: “O martírio, graça que Deus concede aos desarmados e ao qual ninguém pode pretender, é um gesto insuperável de unidade e de misericórdia. O martírio é a derrota de qualquer eclipse de Deus, é a sua volta em plenitude, através da oferta da vida por parte dos Seus filhos. Uma entrega de si, que vence os males, mesmo aqueles “injustificáveis”, porque reconstrói a unidade, mesmo com aquele que mata. Como Jesus tomou sobre Si os nossos males, perdoando-nos com antecedência, assim, o mártir, abraça com antecipação, o seu carrasco, em nome do dom de amor do próprio Deus, reconhecido por todos, como absoluto transcendente (verdade)”.
Por este motivo não podemos deixar de ser gratos a Clara e a Francisco, por seu desejo de martírio, como expressão de supremo amor por Cristo e em Cristo, a cada homem, aos protomártires franciscanos, a todos os confessores e mártires, a Christian de Chergé, a Shahbaz Bhatti e a Padovese: eles nos mostraram o Deus que nunca nos abandona; o rosto terno e forte do Deus da verdade, do amor e da paz.
Prof. Paolo Martinelli, OFMCap
Preside Istituto Francescano di SpiritualitàPontificia Università Antonianum – Roma
Relatório realizado por ocasião da apresentação do livro de Giovanna Casagrande, Intorno a Chiara. Il tempo della svolta. Le compagne, i monasteri, la devozione. (Viator, 13), Edições Porciúncula, Assis, 2011 - promovido pelo Protomosteiro S. Clara - Instituto Teológico de Assis - Escola Superior de estudos Franciscanos e Medievais da Pontifícia Universidade Antonianum (Assis, Basílica de Santa Clara - sexta-feira, 15 de abril, 2011).Pubblicato in: L'Osservatore Romano , giovedì 11 agosto 2011, p. Publicado em: L'Osservatore Romano, quinta-feira, agosto 11, 2011, p. 4. 4.Il martire cristiano – e prima di lui Cristo stesso – non dà la morte a nessuno con la sua morte ma espone se stesso per amore di Cristo e della libertà dell'altro a causa di ciò che gli sta più a cuore: il dono eucaristico che Cristo ha fatto di sé con il sacrificio per amore della propria vita.
Tradução: Irmã Luzinete Ana Maria, OSCMosteiro Santa ClaraAnápolis - GO
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