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sexta-feira, 17 de abril de 2009

VOLTA AO NOSSO EU ORIGINAL...

Deus quando nos criou, nos fez potencialmente felizes, plenos de seus dons e frutos, para o louvor de sua glória e realização de nosso ser. Mas, após a queda (o pecado), sofremos as conseqüências de nossos atos, que, na maioria das vezes, são práticas onde buscamos apenas satisfações meramente instintivas. Porém, em sua bondade infinita, o Senhor nos perdoa e nos dá a sua paz na medida de nosso arrependimento e desprendimento do pecado.

Vivemos num mundo hedonista e consumista onde a medida do ter, do poder e do prazer nunca enche; mas, ao que parece, quanto mais se consome e se busca o ter e o prazer indiscriminadamente, mais aumenta o vazio existencial deixando um rastro de doenças psicossomáticas, tais como: insônia, depressão, fobias, manias, tédios, ansiedades, inseguranças etc. E qual a solução pra tudo isso? A fé.

Crer significa aderir, pertencer, viver intensamente de acordo com a vontade de Deus. Quem vive a fé e da fé, experimenta “as coisas do alto”, isto é, os frutos do Espírito Santo que nos tornam pessoas realizadas, verdadeiros filhos e filhas de Deus; é a volta ao nosso “eu” original, à interação-comunhão com o amor do Senhor expresso em toda a criação.

Paz e Bem!

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Luta ecológica e o fracasso de Deus na história (II)

Jung Mo Sung*
Adital -

Na primeira parte deste artigo, vimos que a luta por um mundo ecologicamente sustentável só tem sentido na medida em que nós nos preocupamos com o futuro como futuro, isto é, aberto, que não está pré-determinado a ir bem ou mal. Quem se preocupa somente com o presente ou crê que o futuro está já garantido por uma lei da história ou por um Deus que conduz a história para a sua plenitude não leva realmente a sério o futuro. E quem não se preocupa seriamente com a sorte do futuro, não há porque modificar os seus sonhos e estilo de vida e lutar por um mundo mais justo e humano, social e ambientalmente sustentável. Por isso, "Assumir a ambigüidade da história e do ser humano, a possibilidade de que a história possa terminar em caos e que Deus possa "falhar" no seu plano de salvação da história, é uma condição para que a luta ecológica tenha sentido e eficácia."

Para a maioria das pessoas que crêem em Deus, soa muito estranha, para não dizer herética, a afirmação de que Deus pode ‘falhar’ no seu plano de salvação da história. Como Deus pode falhar? Isso significaria que ele não é todo-poderoso? Mais ainda, isso significaria que a vitória das nossas lutas e as dos povos oprimidos não está garantida pela promessa de Deus?

Eu penso que estamos diante de um nó fundamental nas nossas reflexões teológicas e existenciais que fazemos a partir e sobre as nossas esperanças e lutas. Se levarmos a sério o problema de sustentabilidade sócio-ambiental, precisamos abdicar da noção de Deus que, de um jeito ou outro, conduzirá as nossas lutas à vitória e a história humana à plenitude de harmonia e vida. Se reafirmamos a crença de que Deus "é o Senhor da história" e que, por isso, os "justos vencerão", a denúncia deque o nosso estilo de vida e o sistema de produção e consumo de bens representam um grande perigo para o futuro da humanidade não tem muito sentido.

Quando uma afirmação teológica ou filosófica de caráter "metafísico" (como a de que história caminha necessariamente para a sua plenitude) entra em contradição com as situações concretas da vida e com as lutas sociais importantes, precisamos repensar essas teorias. As imagens de Deus que a tradição bíblica nos apresenta na sua história desembocam, não na de um Deus todo-poderoso que dirige a história, mas de um Deus-Amor que chama a humanidade para a liberdade/libertação. Amor só é amor quando proposto e vivido na liberdade. Como disse Paulo, "foi para a liberdade que Cristo nos libertou". E na história humana, a liberdade só é liberdade quando há possibilidade de erro e do fracasso. Isto é, em linguagem religiosa, podemos dizer que Deus da liberdade assumiu o risco de que a história pudesse terminar em fracasso, que o seu "plano" pudesse fracassar, para que a humanidade pudesse conhecer a Deus como Amor-Liberdade.

Se for assim, qual é então o "papel" de Deus ou da fé em Deus Amor-Liberdade na luta ecológica? Eu quero propor uma pista a partir de um pedido da Irmã Dorothy Stang, feito por telefone ao seu amigo e companheiro de luta Felício, no dia em que foi assassinada: "Felício, nunca desista, está me ouvindo? Você precisa continuar a luta. Você não deve desistir e você não deve abandonar nosso povo, compreende? Você precisa continuar lutando porque Deus está com você’."

Qual é a imagem ou noção de Deus que está por trás dessa afirmação-pedido? Com certeza, não é a imagem de um Deus que garante a libertação dos pobres e o encaminhamento da história à sua plenitude. Muito menos, a imagem de um Deus que está por detrás da ordem natural e social, como o seu fundamento. Deus que é invocado ou evocado aqui é um que chama, interpela para a luta para modificar a realidade. Mas, que não garante a vitória dos pobres e nem o cumprimento das promessas de um mundo justo.

Deus que aparece no apelo da Irmã Dorothy é um Deus que fundamenta o apelo dela ao seu amigo para que não desista de lutar pelos mais pobres. Nada mais do que isso! Ele precisa lutar porque Deus está com ele! Apesar de todas as dificuldades e frustrações, a Irmã Dorothy, que parece pressentir a sua morte após muitas ameaças e tentativas de assassinato, apela ao seu amigo que não desista, porque Deus está com ele. Deus aparece aqui como um fundamento sem fundo firme, que justifica e interpela para o compromisso com os pobres e injustiçados, e com a defesa da criação. Um fundamento que se sustenta na medida em que responde à interpelação dos mais sofridos e injustiçados, na imaginação utópica de um mundo diferente, social e ambientalmente justo e sustentável. Uma imaginação nascida do desejo de um mundo mais humano e nutrida na recordação dos povos bíblicos ou não que também deram suas vidas por ela.
Leiam: Luta ecológica e o fracasso de Deus na história (I)
* Professor de pós-graduação em Ciências da Religião, autor de Cristianismo de Libertação: espiritualidade e luta social.

Extraído de http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=38222

Ilustração: This Love for you !!! / de Guilhermo Martines Junior ; adaptado por Eugenio Hansen. Original disponível em http://www.flickr.com/photos/guilhermojunior/3441920325/ acesso em 17 abr. 2009.


quarta-feira, 15 de abril de 2009

Os estágios da Lectio Divina

Lectio - Leitura
Meditatio - Meditação
Oratio - Oração
Contemplatio – Contemplação

LECTIO - LEITURA

Leitura do Texto Sagrado como ele é...
Ou seja, no seu contexto...
Sem subjetivismo...
Sem Literalismo...
Ou exegese estranha...

MEDITATIO – MEDITAÇÃO

Quando as palavras se tornam reais...
porque não são apenas palavras...
Deixe a Palavra Divina te penetrar o coração...
Igualmente penetre em suas entranhas...
Numa harmoniosa interação...

ORATIO - ORAÇÃO

Não o que eu quero Senhor,
Mas o que tu queres...
“...é necessário orar sempre...
sem jamais deixar de fazê-lo”. (Cf. Lc 18,1).
Então, ore ardentemente...
com a Palavra que penetrou em seu coração...

CONTEMPLATIO – CONTEMPLAÇÃO

Agora...
Imagine...
Isto é, traga as imagens da Leitura à sua realidade...
Se insira na Realidade dessas imagens...
E viva o Mistério do Amor de Deus contido nelas...
Pronto...
Eis a verdadeira Contemplação

PS: Lectio divina é um método de oração com a Palavra de Deus que pode levar à mais alta contemplação, muito praticado na Igreja desde os seus primórdios, particularmente nos mosteiros beneditinos.

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Chorar debaixo das macieiras: os desafios da Igreja hoje

Deu no Instituto Humanitas-Unisinos:

Pietro de Paoli, escritor e autor de"La Confession de Castel Gandolfo" (Editora Plon, 2008), em artigo para o jornal La Croix, 12-04-2009, relata um grave momento da vida do teólogo Yves Congar, fundamental para se compreender o Concílio Vaticano II. "Nestes tempos de aflição, volto-me ao padre Congar e relembro que o tempo das lágrimas também deve ser o tempo da semeadura", afirma De Paoli. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o artigo.

Muitos como eu, nestas últimas semanas, foram tomados por um profundo sentido de tristeza e de cansaço. Esse estado de ânimo e de coração me levou a reencontrar um trecho que me havia tocado muito durante a primeira leitura do "Journal d'un théologien", de Yves Congar. Ali, o autor relata como, no início do outono de 1956, depois de ter passado os anos anteriores tentando conservar o direito de publicar e de ensinar, se encontrou "exilado" em Cambridge. Lá, fez a experiência de um total abandono e desencorajamento. Foi pressionado por um imenso sentimento de solidão, de impotência, de inutilidade, até chegar a pensar que a sua vida era um fracasso total.

Assim, um dia, durante uma caminhada sob o céu cinza e baixo daquele terrível "fine english weather", como dizem os nossos amigos britânicos, deixou-se cair debaixo de uma árvore e, na chuva sutil e incessante, "encontrou-se a chorar amargamente (...) 'Dominus autem assumpsit me': estas lágrimas, Deus não as sentirá?". Esse homem tem 52 anos, é um dos teólogos mais brilhantes do seu tempo, resistiu à prova da prisão na Alemanha e agora se reduzia às lágrimas e à sensação do fracasso. Sim, a Igreja pode fazer sofrer, pode fazer sofrer cruelmente os melhores dos seus filhos e das suas filhas.

Se me detenho sobre esse episódio da vida de Yves Congar, é porque o período da vida da Igreja em que ele se situa talvez tenha semelhanças com o nosso – ou pelo menos é essa a esperança que eu alimento.

O ano de 1956 é o fim do pontificado de Pio XII, um período em que parece, então, segundo todos os observadores, que a Igreja católica esteja em pleno "enrijecimento" doutrinal e disciplinar. Há quase dez anos, as condenações chovem sobre os pesquisadores, sobre os teólogos, sobre iniciativas como a dos padres operários na França. É novamente uma espécie de grande crise antimodernista que percorre a Igreja, absolutamente distanciada do impulso de liberdade e de energia que conquistou os povos com o fim da guerra.

Por que lembrar o futuro cardeal Congar em lágrimas debaixo da macieira? Porque, justamente, ele não sabe – e ninguém sabe – que ele será chamado a desempenhar um papel de primeiríssimo lugar no Concílio Vaticano II, ao qual ninguém ainda sabe que ele será convocado. Esse homem acredita que sua vida está acabada, enquanto, ao invés, está por começar. Esse homem acredita que o seu trabalho intelectual esteja perdido, e, pelo contrário, está só sepultado, como o grão de trigo semeado na terra, e ninguém suspeita a colheita que ele ainda dará.

Nestes tempos de aflição, volto-me ao padre Congar e relembro que o tempo das lágrimas também deve ser o tempo da semeadura.

Não é um erro chorar pelo espetáculo da nossa Igreja que parece enrijecer-se, pelo menos nos posicionamentos de alguns dos que pertencem à hierarquia. Seria um erro abandonar, deixar que tudo se perdesse. A Igreja católica não pertence a Roma, pertence a Cristo, que é a sua cabeça, pertence a nós que formamos o seu corpo.

Nessa perspectiva, os problemas suscitados pelo padre Congar – lugar dos leigos, colegialidade, diálogo ecumênico... – ainda são atuais, porque são o meio de tornar o grande corpo da Igreja vivo e em comunicação. Em comunicação com o mundo para lhe anunciar o Evangelho, para fazer ressoar o tambor da Boa Nova. Mas há novos desafios; mundialização, divisão dos recursos da terra, defesa do ambiente. É preciso levantar os olhos. Nem as perguntas nem as respostas se encontram nos missais. E nem nos dogmas. Talvez estejam no trabalho da inteligência e do amor, se aceitarmos fazê-lo.

Eu não proclamo um otimismo beato, nem uma Esperança relegada ao fim dos tempos. Hoje, nesta mensagem, cultivo uma esperança razoável: a de que a crise em que nos encontramos é o prelúdio de um grande sopro de renovação, talvez o segundo sopro daquele Concílio tão denegrido, quase condenado por alguns, enquanto a sua atuação apenas começou, enquanto apenas nos demos conta do tesouro que os padres conciliares nos deixaram.

Por isso, será preciso conseguir despedaçar a grande loucura egotista que nos atravessa para nos tornarmos de novo verdadeiramente católicos. Porque é isso que está verdadeiramente em jogo, voltar à fonte da nossa catolicidade, isto é, à vocação universal. "Ide a todas as nações, até os confins da terra...", eis a nossa identidade. Nós, católicos, não nos situamos na lógica de um pequeno resto de puros e poucos que deveriam resistir heroicamente a um mundo hostil. Somos mestiços, cidadãos do céu e da terra.

Sim, até choramos, mas depois enxugamos as lágrimas e nos ocupamos do que nos compete: isto é, a tarefa que Deus nos confia, a preocupação e o cuidado da humanidade inteira.

Extraído de http://www.unisinos.br/ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=21386 acesso em 15 abr. 2009.

Francesco, com Mickey Rourke

Seminário Franciscano de Ituporanga

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