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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O Tempo Mistério no Presépio de Greccio

O ano é de 1223 d.C. Francisco estava cansado. Já havia tido duras experiências no Oriente. A Ordem Franciscana estava dividida e com atitudes de insubordinações.

Neste mesmo ano, junto a Fonte Colombo, Francisco redige a sua 3ª Regra, que é discutida no capítulo geral de junho. A discussão continua em Roma, e em outubro Francisco se dirige ao Papa para pedir a aprovação. Finalmente no dia 29 de novembro, Honório III aprova, com bula papal, a Regra definitiva. É então tempo de celebração.

Talvez desejasse ter passado o Natal em Belém. Não conseguiu.

Mas no dia 24 de dezembro, na noite de Natal, Francisco celebra a Festa do nascimento de JESUS em Greccio. Ali Francisco constrói o primeiro presépio.

Greccio é uma comuna italiana da região do Lácio, província de Rieti, Tem hoje cerca de 1.466 habitantes. Estende-se por uma área de 17 km2, tendo uma densidade populacional de 86 hab/km2. Faz fronteira com Contigliano, Cottanello, Rieti, Stroncone.

Este local foi transformado na Nova Belém. Lugar do mais importante presépio depois de Belém. Lugar onde Francisco reviveu o natal e nos ensinou a reviver a alergia da esperança e a celebração do Cristo que veio.

O que aconteceu nesta noite de Natal?

Tomás de Celano, o mais importante Biógrafo de Francisco (Biografia de São Francisco de Assis - Tomás de Celano, nºs 84 e 86) diz que “Sua maior aspiração, seu mais vivo desejo e mais elevado propósito era observar o Evangelho em tudo o por tudo, imitando com perfeição, atenção, esforço, dedicação e fervor os “passos de Nosso Senhor Jesus Cristo no seguimento de sua doutrina. Estava sempre meditando em suas palavras e recordava seus atos com muita inteligência. Gostava tanto de lembrar a humildade de sua encarnação e o amor de sua paixão, que nem queria pensar em outras coisas,. Precisamos recordar com todo respeito e admiração, o que fez no dia de Natal, no povoado de Gréccio, três anos antes de sua gloriosa morte. Havia nesse lugar um homem chamado João. Uns quinze dias antes do Natal, São Francisco mandou chamá-lo, como costuma fazer, e disse: “Se você quiser que celebremos o Natal em Gréccio, é bom começar a preparar diligentemente e desde já o que eu vou dizer. Quero lembrar o menino que nasceu em Belém, os apertos que passou, como foi posto num presépio, e contemplar com os próprios olhos como ficou em cima da palha, entre o boi e o burro”. Ouvindo isso o homem bom e fiel correu imediatamente e preparou no lugar indicado o que o Santo tinha pedido. E veio o dia da alegria, chegou o tempo da exultação. De muitos lugares foram chamados os Irmãos. Homens e mulheres do lugar, coração em festa, prepararam como puderam tochas e archotes para iluminar a noite que tinha iluminado todos os dias e anos com sua brilhante estrela. Por fim chegou o Santo e, vendo tudo preparado, ficou satisfeito. Fizeram um presépio, trouxeram palha, um boi e um burro. Gréccio tornou-se uma nova Belém, honrando a simplicidade, louvando a pobreza e recomendando a humildade. A noite ficou iluminada como o dia: era um encanto para os homens e para os animais. O povo foi chegando e se alegrou com o mistério renovado em uma alegria toda nova. O bosque ressoava com as vozes que ecoavam nos morros. Os frades cantavam, dando os devidos louvores ao Senhor e a noite inteira se rejubilava. O Santo estava diante do presépio a suspirar, cheio de piedade e de alegria. A Missa foi celebrada ali mesmo no presépio, e o sacerdote sentiu uma consolação jamais experimentada. O Santo vestiu dalmática, porque era diácono, e cantou com voz sonora o Santo Evangelho. De fato, era “uma voz forte, doce, clara e sonora”, convidando a todos às alegrias eternas., Depois pregou ao povo presente, dizendo coisas doces como o mel, sobre o nascimento do Rei pobre e sobre a pequem cidade de Belém. Muitas vezes quando queria nomear Cristo Jesus, chamava-o também com muito amor de “Menino de Belém”.

Segunda as palavras de Celano, percebemos os objetivos de Francisco ao construir o primeiro presépio. Seus objetivos foram:

a) Observar através do Presépio as palavras do Evangelho de Jesus;

b) Lembrar a humildade da encarnação do Senhor JESUS;

c) Reviver a situação pobre vivida por JESUS.

d) Contemplar a palha, o boi e o burro para tentar vivenciar a pobreza e a entrega total de JESUS

e) Reunir pessoas para a Celebração da fé na encarnação de Deus;

f) Transformar Gréccio em uma nova Belém

g) Louvar a pobreza e recomendar a humildade.

h) Realizar uma Missa, um culto a Deus vivendo e sentindo a alegria do momento do nascimento de Cristo.

i) Pregar o Evangelho e falar do grande amor de Deus.

Foram colocadas as palhas e os animais. A manjedoura ficou vazia por momentos. Mas ali Francisco pode contemplar JESUS. O Tempo Cronos deixou lugar para o tempo kairós. Entrou o tempo litúrgico, também chamado de tempo mistério. No tempo mistério não existe nem o hoje, nem o amanhã e nem o ontem. Reina o Mistério. Podemos vivenciar o que ocorreu um dia. Atualizamos os passos de Jesus. Como Isaías que vivenciou o que o messias iria passar no seu sofrimento de cruz, contando como se já estivesse acontecido.

Francisco usou o presépio para reviver, mergulhar no mistério do Natal. Não mergulhou só. Celebrou com o povo. Parecia estar com o menino no colo. Voltou a Belém e se fortaleceu em Deus para enfrentar seus últimos três anos de vida.

A fé se transformou em festa. A pobreza do menino de Belém foi o grande tesouro encontrado por Francisco.

Assim também devemos celebrar o Natal com o espírito franciscano. Vendo no Cristo de Belém o amor do Pai que se aproxima, até mesmo numa manjedoura.

Não há limites para o Deus apaixonado pelo ser humano. Está foi a grande alegria da celebração de Francisco. Esta deve ser também nossa alegria. Feliz mês do Natal.

Rev. Edson Cortasio Sardinha – edsoncortasio@hotmail.com

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A IMACULADA CONCEIÇÃO DA VIRGEM MARIA, MÃE DE DEUS




















A IMACULADA CONCEIÇÃO DA VIRGEM MARIA MÃE DE DEUS

Ser imaculada é ser totalmente consagrada a Deus; é provar a essência de Sua natureza divina ainda nessa nossa naturalidade; é viver, por desígnio do Senhor, a realidade do céu aqui na terra in natura, ternura de um Deus apaixonado que nos quer para Si. Assim o Senhor realizou aos nossos olhos, por meio de Maria Santíssima, sua filha predileta, seu Eterno Plano de Amor para conosco e nos fazer entender que somos mais do que aparentamos ser.

Ser imaculada é também ser conduzida pelo Espírito Santo em todos os sentidos; é tornar-se encanto dos olhos do Altíssimo que ao contemplar, pelo Anjo Gabriel, sua obra prima restaurada em sua originalidade, expressou-se: “Ave gratia plena” (salve aquela que tem a plenitude da graça), ao que a virgem respondeu humildemente: “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a vossa vontade”. E nesse Fiat (faça-se), Deus mesmo se fez Carne pelo Espírito Santo e habitou o seio da Virgem Mãe e quis habitar no meio de nós para nos resgatar definitivamente.

Vejamos ainda mais os desenlaces de tamanha graça: Conta-se nos anais dos ditos franciscanos (século XIII), que os dominicanos não defendiam ainda a verdade referente à Imaculada Concepção de Maria Santíssima tanto quanto nós franciscanos. Então, um belo dia em que o Santo Padre, reuniu a nata dos teólogos da época para um debate no Vaticano sobre essa verdade, pois [desde o cristianismo primitivo diversos Padres da Igreja defenderam a Imaculada Conceição da Virgem Maria, tanto no Oriente como no Ocidente. Os escritos cristãos do século II relatam a doutrina, concebendo Maria como a "Nova Eva", ao lado de Jesus, o "Novo Adão"]. Outro exemplo, no século IV, Efrém da Síria (306-373), diácono, teólogo e compositor de hinos, propunha que só Jesus Cristo e Maria são limpos e puros de toda a mancha do pecado. (*)

Então, um dos teólogos franciscano, chamado Frei João Duns Scotus, firmemente convicto desse dom especial de Deus à Santíssima Virgem Maria, dirigiu-se para a sala onde haveria o referido debate, mas antes, passou diante da imagem da Virgem e fez-lhe uma oração pedindo que Maria intercedesse por seus argumentos diante dos demais teólogos, ao que a imagem deu-lhe um sinal inclinando a cabeça em sua direção, o devoto frade então sentiu nesse sinal a confirmação de que o seu propósito era, de fato, a vontade de Deus e prosseguiu no seu intento.

Postos os argumentos contrários à imaculada conceição; o humilde frade franciscano por sua vez expressou seu argumento favorável por meio de perguntas: Deus pode realizar esse ato? Ao que todos concordaram. E continuou: Deus quis em vista de Seu Filho Jesus realizar tal feito? Certamente quis, responderam. Ao que o humilde frade emendou: Então Deus fez. E assim encerrou o debate, tendo em favor de seu sutil argumento grande mérito. Até os dias de hoje o Beato João Duns Scotus é chamado nos meios acadêmicos franciscanos o “Doutor Sutil”. Em vista deste feito os frades Dominicanos se comprometeram, naquela época, lavarem os pratos dos frades Franciscanos, nos conventos mais próximos, todo dia oito de Dezembro.

De fato, a festa da Imaculada Conceição, comemorada em 8 de dezembro, foi definida como uma festa universal em 1476 pelo Papa franciscano Sisto IV. A Imaculada Conceição foi solenemente definida como dogma pelo Papa Pio IX em sua bula Ineffabilis Deus em 8 de Dezembro de 1854. Assim se expressou o Santo Padre na proclamação do dogma:

“Em honra da santa e indivisa Trindade, para decoro e ornamento da Virgem Mãe de Deus, para exaltação da fé católica, e para incremento da religião cristã, com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e com a nossa, declaramos, pronunciamos e definimos a doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante de sua conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus e, portanto, deve ser sólida e constantemente crida por todos os fiéis”.

LORDES (*)

Em 1858 Bernadete Soubirous, afirmou ter visto uma aparição que se autodenominou de "Imaculada Conceição" na localidade de Lourdes, diocese de Tarbes na França. O caso foi submetido às autoridades civis locais e eclesiásticas, após o que o bispo de Tarbes deu por confirmadas as aparições como sendo da Virgem Maria. As autoridades civis francesas se viram impotentes para impedir a devoção de milhares de peregrinos na época, atualmente Lourdes se transformou num lugar de peregrinação internacional de milhões de católicos devotos da Virgem Maria.

No dia 8 de dezembro de 2007 o papa Bento XVI, após a recitação do Angelus, comentou que nesta festa solene se recorda que "o mistério da graça de Deus envolveu desde o primeiro instante de sua existência à criatura destinada a converter-se na Mãe do Redentor, preservando-a do contágio com o pecado original. Ao contemplá-la, reconhecemos a altura e a beleza do projeto de Deus para cada ser humano: chegar a ser santos e imaculados no amor (Efésios 1, 4), a imagem de nosso Criador."

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

(*)http://pt.wikipedia.org/wiki/Imaculada_Conceição (07/12/2009).

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Nós somos o povo

Foi comovente a celebração do 20° aniversário da queda do muro, realizada em Berlim no dia 9 de Novembro de 2009. Políticos de toda a Europa e de outros países evocaram intensamente a histórica mudança epocal que foi iniciada por este fato. Não só para a Alemanha, nem só para a Europa, mas para o mundo todo. Foi o fim da Guerra Fria, que dividia o mundo em duas partes num equilíbrio de terror: o bloco ocidental e o bloco oriental, cada um representado pelas potências hegemônicas – EEUU e União Soviética. O resto do mundo ficou dividido em esferas de influência, aliados e simpatizantes dos dois blocos. Este mundo desmoronou em 1989, para dar início a outro mundo no qual os valores fundamentais da liberdade, da dignidade e dos direitos humanos deveriam impor-se. Especialmente emocionante foi a simulação “da segunda queda do muro”, na qual 1000 pedras de dominó, artisticamente enfeitadas por 15 000 estudantes de todos os países foram derrubadas. Uma mensagem dirigida à sociedade: desfaçam os seus muros, os muros da pobreza, da discriminação, das raças, da falta de liberdade ...


O que tornou possível este milagre em Berlim foi a coragem de pessoas que já não quiseram silenciar. Elas se levantaram para lutar pelos direitos fundamentais garantidos pela Carta da ONU, e isto durante muitos anos, e em lugares bem diferentes – desde o dia 17 de Junho de 1953, passando pela revolta popular húngara em 1956 e a Primavera de Praga em 1968, até ao movimento do Solidarnosc, na Polônia, em 1980/81. Enquanto estes movimentos ainda foram asfixiados à força, o fim não-violento dos regimes comunistas nos respectivos países parecia a muitos contemporâneos um milagre. As sublevações na Alemanha oriental desenvolveram-se a partir de pequenos núcleos, passando pelas orações que, todas as segundas-feiras, se realizavam em Leipzig e em outros lugares, em favor do movimento poderoso, mas não-violento “Nós somos o povo”, que fazia frente aos dirigentes. Felizmente, houve políticos responsáveis, tanto no oeste como no leste, que reconheceram isso, evitando uma possível catástrofe global, através de decisões corajosas. O muro que dividiu, durante várias décadas, o leste e o oeste foi derrubado – pelo povo.


Um exemplo que deve inspirar coragem. Há, além disso, suficientes outros sectores nos quais, pessoas engajadas conseguiram mudar o mundo para melhor. Sem o movimento global de paz, não teria havido os passos decisivos de desarmamento. Sem os movimentos sociais, não teria havido as redes sociais, sem ATTAK e o Fórum Social Mundial, não teria havido nenhum projeto contra a globalização neoliberal da economia e das finanças. E sem as muitas iniciativas e movimentos ecológicos, a consciência de que, só através de decisões globais e firmes, é possível evitar uma catástrofe climática irreversível, não teria sido tão grande nos setores políticos e econômicos. Portanto, vale a pena participar dos respectivos movimentos. Se o povo estiver unido agindo com coragem, podemos transformar o mundo.


Como pessoas franciscanas, não devemos esquecer que muitos destes movimentos tem Francisco como orientador espiritual. É um sinal que, ainda hoje, indica de maneira fidedigna que podemos mudar o mundo: que não podemos reivindicar nada e possuir nada do que possa prejudicar aos outros; que não somos os donos da Criação, mas sim, seres criados, que só podem estar bem quando todos estiverem bem e, finalmente, que não pode haver senhores e servos numa humanidade de irmãs e irmãos e que, portanto, cargos não são confiados para dominar, mas para servir. Isto, aliás, não só é válido para a sociedade, mas também para a Igreja. Ela é o povo de Deus que deve fazer sentir neste mundo o Deus justo, misericordioso, cheio de compaixão e libertador. Nada mais há para ser dito sobre a nossa missão franciscana hoje.


Andréas Müller OFM

Extráido de http://www.ccfmc.net/wPortugues/cbcmf/cbcmf-news/2009/2009_11_News.shtml acesso em 7 dez. 2009.

Foto: essoas diante do espelho d'água do Congresso na posse de 2007 do presidente Lula / Antônio Cruz/ABr. 2007. Disponível em http://commons.wikimedia.org/wiki/File:EspelhoDAguaCongresso20070101AntonioCruzAgenciaBrasil.jpg acesso em 7 dez. 2009.


quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Pátria minha

Vinicius de Moraes


A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.

Se me perguntarem o que é a minha pátria, direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.

Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias, pátria minha
Tão pobrinha!

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação e o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!

Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.

Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu...

Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda...
Não tardo!

Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.

Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.

Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamen
Que um dia traduzi num exame escrito:
"Liberta que serás também"
E repito!

Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade me vem de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.

Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.

Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
"Pátria minha, saudades de quem te ama…
Vinicius de Moraes."

Texto extraído de http://letras.terra.com.br/vinicius-de-moraes/87292/ acesso em 3 dez. 2009.

UM FELIZ NATAL DIFERENTE

 














UM FELIZ NATAL DIFERENTE

Não obstante os pecados dos homens,
Deus continua presente também nos que morrem de fome,
porque certamente Ele mesmo os espera
na fronteira do tempo com a eternidade...
para dar-lhes o sustento que aqui os homens lhes negaram (cf. Lc 16,19-31)...

Assim fizeram também com o seu Filho Jesus...
que nasceu numa manjedoura...
porque não havia lugar para Ele na hospedaria(cf. Lc 2,7)...
E depois ainda penduraram-no numa cruz...
como se fosse um indigente desprezível...
Ele, porém, os perdoou porque muito amou...

Por isso, não deixarei que os pecados dos homens
impeçam a comemoração do Natal do Senhor,
porque o seu nascimento é fonte inesgotável de amor,
mesmo que os homens,
por causa da cegueira espiritual,
não percebam isso...

FELIZ NATAL...

Paz e Bem!


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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Advento de nós mesmos

Hoje ainda é Advento

Advento significa preparação para a vinda do Messias na carne quente e humana de Jesus Cristo na festa do Natal. Advento simboliza ainda a preparação da humanidade para a chegada do Salvador do Mundo. E Ele já veio. Por isso não deveria em si haver mais o tempo do advento. O tempo da espera e das trevas já passou e andamos à luz do Esperado que já irrompeu.

Porque então festejamos ainda o advento? Não é só um rito litúrgico e um tempo que prepara o Natal? Não. O advento é também o nosso tempo, depois da encarnação de Deus. É verdade que Deus veio de forma definitiva para dentro de nossa pequenez, mas, apesar disso, Ele é sempre aquele que ainda deve vir e continua chegando para cada um e para todo o mundo.

Cada um vive no Antigo Testamento de si mesmo porque vive na imperfeição e no pecado, no desejo da redenção e na ânsia do Libertador. Os tempos messiânicos foram inaugurados com o Messias Jesus, mas não se completaram ainda. Não é ainda verdade aquilo que Isaías sonhou para os tempos ridentes do Messias; o lobo ainda não é hóspede do cordeiro, a pantera não se deita ao pé do cabrito, nem o touro e o leão comem juntos; não é verdade ainda que a vaca e o urso se confraternizam e o leão come palha com o boi; não é ainda verdade que a criança de peito brinca à toca da serpente e o menino crescidinho mete a mão no buraco do escorpião (Is 11, 6-8).

Numa palavra: a reconciliação do homem com o outro homem e com a natureza é ainda um suspiro dolorido. Cremos que fomos libertados por Jesus Cristo, entretanto, nos sentimos tão pecadores como o homem pré-cristão. Não se realizou a profecia de Jeremias para o nosso tempo, de que Deus colocaria no nosso interior a sua lei santa e Ele mesmo a escreveria em nossos corações (Jr 31,33).

Toda esta situação nos convence: hoje é ainda advento. Temos que esperar a vinda de Deus que modificará o estado calamitoso deste mundo realizando os sonhos dos antigos profetas e as nossas próprias esperanças. Cada ser humano carrega dentro de si uma riqueza que não alcança ser mostrada durante nosso percurso terrestre. Não nos realizamos totalmente, por mais que nos esforcemos. Estamos sempre no advento de nós próprios.

Mas um dia, tudo florescerá em nós quando Deus mesmo se revelar a nós próprios; então não haverá mais advento; será Natal eterno; Deus terá nascido e se revelado definitivamente dentro de nosso coração. O advento cristão professa: em alguém, em Jesus, Deus se manifestou totalmente. Nele a espera expirou. Para nós, advento significa então: esperar e preparar-se para aquilo que se revelou em Cristo se revele também em nós. Enquanto isso não acontecer, suplicamos como os primeiros cristãos: Vem, Senhor Jesus! Vem! É o nosso advento cristão.

Leonardo Boff

Extraído de http://www.franciscanos.org.br/v3/vidacrista/especiais/2009/advento/10.php acesso em 1 dez. 2009.
Foto: Adventskranz mit einer brennenden Kerze / THWler 33142. 2008. Disponível em http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Adventskranz_mit_brennender_Kerze_am_30.11.2008.JPG acesso em 1 dez. 2009.

Francisco de Assis e João Wesley

“O mundo é o meu convento” “O mundo é a minha paróquia”.

*Rev. Edson Cortasio Sardinha

Introdução:

Os homens usam métodos. Deus usa homens (e mulheres) (T.L.O).

Francisco e Wesley foram pessoas tremendamente usadas por Deus.

Tiveram muitas coisas em comum apesar de viveram em países diferentes, em épocas diferentes e em culturas cristãs diferentes. (Francisco é da Idade Média. Wesley é do final da Idade Moderna). Mas para muitos, falar da semelhança entre Francisco de Assis e João Wesley é totalmente impossível. Não existe comparações. A não ser o primeiro nome: Giovani (italiano) e John (ingles). Ambos se chamavam João.

Contudo, desejo apresentar alguns pontos que demonstram uma linha de atuação comum entre esses dois homens de Deus: Francisco e Wesley foram homens “levantados por Deus, não para fundar uma nova seita, mas para transformar o mundo, pricipalmente e Igreja”. Foram homens que marcaram suas gerações. Foram instrumentos de Deus em suas situações históricas concretas. Foram homens usados por Deus. Homens que marcaram o nosso mundo e a história da Igreja. É impossível estudar a história eclesiástica sem fazer referência a estes dois homens.

Hoje Deus não tem mais Francisco, nem Wesley.

Quem deseja ser “instrumento da paz” de Cristo nos dias de hoje?

Com a história destes homens poderemos reler nossa própria história e adquirir coragem de Deus para viver, ser discípulos/as, fazer discípulos/as e transformar nosso cotidiano segundo a experiencia com o Senhor de Francisco e de Wesley.

Como protestantes e evangélicos brasileiros, temos preconceitos com o nome São Francisco de Assis. Associamos o nome a idolatria popular brasileira. Creio que precisaremos conhecer um pouco mais sobre esse santo homem de Deus e descobrir a riqueza de sua espiritualidade e exemplo de santidade.

Francisco de Assis nasceu com o nome deGiovanni Battista di Pietro Bernardone, na cidade de Assis, Itália, no Verão ou Outono - junho/dezembro de 1181 ou 1182 , e faleceu no dia 3 de Outubro de 1226. Foi leigo católico romano, fundador do Movimento de santidade e avivamento chamado de "Ordem dos Frades Menores". O movimento ficou conhecido posteriormente como Franciscanismo.

João Wesley nasceu em Epworth, Inglaterra, no dia 17 de junho de 1703Londres, e faleceu no dia 2 de março de 1791. Foi clérigo anglicano e fundador do Movimento de Santidade e Avivamento chamado de movimento metodista. O movimento se transformou posteriormente em Igreja Metodista.

Francisco e os Franciscanos e Wesley e os Metodistas foram homens e movimentos dirigidos por Deus para transformar a Igreja e auxiliá-la a retornar ao seu amor original a Cristo.

Tanto Francisco quanto João Wesley nunca deixaram suas amadas igrejas. Foram críticos, denunciaram o pecado, viveram radicalmente para Cristo, mas não deixaram suas igrejas de origem. Francisco não deixou de ser católico, apesar dos grandes problemas que o catolicismo medieval estava enfrentando. Wesley não deixou de ser anglicano, apesar de todos os problemas internos da igreja anglicana. Ambos foram perseguidos, incompriendidos, mas avançaram na Visão de Deus para suas vidas e marcaram suas gerações.

Conhecendo um pouco Francisco de Assis

Existem algumas lendas (melhor legendas) relacionadas a Francisco. Mas sabemos que esse homem de Deus foi filho de Pietro Bernadone dei Moriconi e da nobre Pica Bourlemont. Nasceu numa família da burguesia emergente da cidade de Assis que, graças as atividades de comercio na França (Provenza), conquistou riqueza e bem estar.

Francisco foi batizado com o nome de Giovanni (em homenagem ao apóstolo João). Opai decidiu mais tarde trocar o seu nome para Francisco, em honra a França, a que ele atribui o sucesso de sua atividade comercial a qual lhe trouxe fortuna e também porque sua esposa era do Sul da França. Alguns acreditam que Francisco teve esse nome como apelido de infância, pois além de falar o italiano, falava também o francês que aprendeu com sua mãe. Francisco significa pequeno francês.

Em 1202 ocorreu a Guerra civil entre Perúsia e Assis. Os soldados de Assis foram vencidos em Collestrada. Francisco, com 20 anos, passou um ano preso em Perúsia. Foi Resgatado pelo pai. Estava muito doente.

Foi na Perúsia que Francisco teve seu primeiro encontro com a Bíblia: Um Novo Testamento traduzido por um “herege”, em sua língua vulgar. Francisco lê e entende. Sua doença durou até 1204. Deus já estava trabalhando em seu coração. Entre 1204 e 1205, Francisco parte novamente para a guerra da Apúlia, no sul. Em Espoleto Francisco recebe uma visão e mensagem de Deus e volta para Assis. Agora começava novamente sua conversão gradual.

Em 1205 Francisco recebe uma mensagem de Deus quando visitava sozinho a Igreja de São Damião, fora dos muros de Assis. JESUS lhe falou:Vai e restaura minha igreja que está em ruínas”.

Francisco deseja agora servir só a Deus e inicia um conflito com seu pai. Começou a pegar os bens da família e lançar aos pobres. Vendeu alguns tecidos para conseguir restaurar a Igreja de São Damião. Seria um refúgio para os pobres.

Em janeiro de 1206 é levado pelo pai perante o bispo Dom Guido II. Ali Francisco renuncia os bens, a herança do pai e o próprio sobrenome. Entrega tudo ao pai e sai nu. Nesse mesmo ano começa seu trabalho de evangelização e cuidado com os leprosos em Gúbio, perto de Assis.

Com roupas de eremita, começa a reparação da capela de São Damião. Conseguiu restaurar três igrejas: São Damião, São Pedro e Santa Maria dos Anjos ou Porciúncula.

No dia 24 de fevereiro de 1208 Francisco escuta o Evangelho da missa de São Matias, na Porciúncula, sobre a missão apostólica. Possivelmente a leitura de Mateus 10. Muda as vestes de eremita e passa a usar as de pregador ambulante e descalço. Inicia seu trabalho de pregação missionária.

Finalmente no dia 16 de Abril de 1209, funda com doze discípulos, a família dos doze irmãos menores, que viria a ser conhecida como a Ordem dos Frades Menores.

Francisco havia escrito breve Regra e vai a Roma com os seus discípulos. Obtém a aprovação do Papa Inocêncio III, só oralmente. Seria esta a primeira Regra que foi perdida. Na volta passam por Orte e se estabelecem em Rivotorto perto de Assis, num rancho abandonado.

O Grupo de Discipulado de Francisco cresceu com o passar dos anos. Em 1219 houve uma grande expansão para a Alemanha, Hungria, Espanha, Marrocos e França. Neste mesmo ano Francisco vai em missão para o Oriente. Durante sua ausência, vigários modificam algumas regras da Ordem e no mesmo ano de 1219, Francisco se demite da direção da Ordem.

Com o crescimento da Ordem, quase 5.000 discípulos em 1221, uma nova regra foi escrita por Francisco em 29 de novembro de 1223 que foi aprovada pelo papa Honório. É a que vigora até hoje.

Os últimos escritos de Francisco são entre 1225 e 1226, dentre eles o Cântico das Criaturas e o Testamento. Nestes mesmos dois anos, Francisco vai a vários lugares da Itália para tratar de suas vistas. Passa por diversas cirurgias e morre aos 03 de outubro de 1226, num sábado, com 45 anos.

A Missão de Francisco nunca foi reformar a Igreja de pedras, mas Reformar a Igreja de Cristo que estava em ruínas espirituais.A forma de condenar a corrupção do clero e o desprezo da sociedade pelos pobres foi, mesmo sendo rico, abandonar tudo e abraçar a pobreza como ideal de vida. Não via virtude na pobreza, mas desejou ser pobre como JESUS e viver uma vida de santidade, discipulado e pregação.

A Experiência de Wesley em sua geração.

522 anos depois de Francisco, nasceu João Wesley.

Wesley viveu na Inglaterra do século XVIII, numa sociedade trasnformada e doente pela Revolução Industrial, onde crescia em muito o número de desempregados. A Inglaterra estava cheia de mendigos itinerantes, políticos corruptos, vícios e violência generalizada. O cristianismo, em todas as suas denominações, estava definhando e necessitava de uma Reforma. A Igreja estava em ruínas semelhante a igreja da época de Francisco.

Ao invés de influenciar o mundo, o cristianismo estava sendo influenciado pela sociedade pagã. João Wesley não se conformava com esse estado paralisante da religião cristã. Foi o décimo terceiro filho do ministro anglicano Samuel e de Susana Wesley. Nasceu a 17 de junho de 1703, em Epworth na Inglaterra.

Como já descrevemos, o pai de Francisco era um rico comerciante, pouco preocupado com a religião, apesar de ser católico praticante. Sua mãe, dona Pica, foi a grande influência na Vida de Francisco.

João Wesley, por sua vez, foi neto e filho de pobres pastores anglicanos. Mas devido às atividades pastorais do seu pai, Reverendo Samuel, Wesley não teve a devida assistência paterna. Susana, sua mãe, assumiu a administração financeira da família e a educação dos filhos e filhas. Disciplinava com rigidez os filhos, mantendo horário para cada atividade e reservando um tempo de encontro com cada filho para conversar, estudar e orar.

Tanto Francisco quanto Wesley tiveram como referência a influência cristã de suas mães. Mas Wesley teve, desde a infância, uma inclinação para a ação de Deus em sua vida.

Ainda na infância, João Wesley foi o último a ser salvo, de forma miraculosa, em um incêndio que destruiu toda sua casa, onde estivera preso no segundo andar. A partir desse dia, Susana, sua mãe, dedicou-lhe atenção especial, pois entendeu que Deus havia poupado sua vida para algo muito especial.

Aos cinco anos de idade, Susana Wesley começou a alfabetizar João, usando o livro dos Salmos como apostila. João estudou com sua mãe até os 11 anos. Entrou, então, para uma escola pública, onde ficou como aluno interno por seis anos. Aos 17 anos, foi para a Universidade de Oxford.

Em Oxford onde começa a se reunir com um grupo de estudantes para meditação bíblica e oração, sendo conhecidos pelos colegas universitários de "Clube Santo",

Wesley não inventou o nome Metodista. Os alunos de Oxford, notando que os membros do grupo tinham horário e método para tudo que faziam, os taxaram como “metodistas.

Neste grupo Wesley e seu irmão Carlos iniciaram um trabalho de visista e evangelismo nos presídios. Wesley passou então a se interessar mais pela questão social de seu país, ou seja, se voltou para a miséria que a Inglaterra vivia na época. Wesley graduou-se em Teologia, e ajudou seu pai na direção da Igreja Anglicana.

Com 32 anos, ouviu a necessidade de missionários na Virgínia, Nova Inglaterra. Foi aos EUA para "evangelizar os índios" sendo praticamente fracassado. Em sua viagem de retorno expressa sua frustração: "fui à América evangelizar os índios, mas quem me converterá?".

Durante uma tempestade na travessia do Oceano Atlântico, Wesley ficou impressionado com a espiritualidade de um grupo de morávios (grupo de cristãos pietistas que buscavam a conversão pessoal mediante o Espírito Santo) a bordo do navio. A fé que tinham diante do risco da morte (o medo de morrer acompanhava Wesley constantemente durante a sua juventude) predispôs Wesley à fé evangélica dos morávios. Retornou à Inglaterra em 1738.

Após 2 anos, volta desiludido com o trabalho realizado na Virgínia. Encontra-se, então, com Pedro Böhler, em Londres. Böhler era pastor moraviano (da Morávia, Alemanha) e com ele João Wesley se convence de que a fé é uma experiência total da vida humana.

Após esse encontro João Wesley procurou libertar-se da religião formalista e fria para viver, na prática, os ensinos de Jesus.

No dia 24 de maio de 1738, na rua Aldersgate, em Londres, numa pequena reunião, ouvindo a leitura de um comentário escrito por Martinho Lutero, sobre a carta aos Romanos, João sente seu coração se aquecer. Experimenta grande confiança em Cristo e recebe a segurança de que Deus havia perdoado seus pecados.

Nos 50 anos seguintes, Wesley pregou uma média de três sermões por dia; a maior parte ao ar livre. Houve uma vez que pregou a cerca de 14.000 pessoas. Milhares saíram da miséria e da imoralidade. João Wesley e seu irmão Carlos deram a religião cristã um novo sentido de alegria e vida.

Francisco também em sua geração fez uma opção de pregar aos leprosos e evangelizar os pobres. Reconstruiu a Igreja de São Damião para acolher os excluídos da igreja de Assis. Wesley, por sua vez, como não havia muitas oportunidades na Igreja Anglicana, passou a pregar aos operários em praças, minas de carvão e salões.

Com relação ao discipulado, Francisco organizou o movimento em grupos pequenos de dois em dois. Sua primeira formação foi de 12 discípulos. Demorou um ano de reunir estes discípulos.

Wesley também, influenciado pelos moravianos, organizarou pequenas sociedades e classes dentro da Igreja da Inglaterra, liderados por leigos, com os objetivos de compartilhar, estudar a Bíblia, orar e pregar. Essas classes cresceram aos milhares.

Apaixonado por Cristo, Wesley andava por toda a parte a cavalo pregando o Evangelho do Senhor Jesus. Calcula-se que, em 50 anos, Wesley tenha percorrido 175 mil quilômetros e pregado 40 mil sermões, com uma média de 800 sermões por ano.

Francisco pregou o Evangelho do Senhor por vários países da Europa e fez missões entre os mulçumanos e cristãos que estavam nas Cruzadas para retomar Jerusalém. Levou a paz de Cristo numa terra sem paz. Saiu decepcionado com os cristãos e foi acolhido pelos mulçumanos. Eles viram nas atitudes e simplicidade deFrancisco, a pessoa de Cristo.

Franciscanos e Wesleyanos:

Movimetos de Santidade

  • Francisco não gostava da nomeclatura “Franciscano”. Preferia o nome “Imãos Menores”. Wesley também não adotou o nome de Wesleyano para o seu movimento. Com relação ao nome metodista chegou a dizer: “Eu ficaria contente se o próprio nome metodista não voltasse a ser mencionado jamais e fosse sepultado em eterno esquecimento”.
  • Francisco renunciou a liderança de sua própria Ordem. Wesley também disse: “Pouca é a minha ambição de ser o cabeça de uma nova seita ou partido”.
  • Francisco viveu a conversão na prática. Lutou para poder viver o Evangelho no cotidiano e praticar literalmente o Evangelho do Senhor Jesus. Wesley também ensinava que a conversão a Jesus é comprovada pela prática, e não pelas emoções do momento.
  • Francisco reuniu 12 discípulos e deu início ao seu movimento de Reforma. Valorizou os pregadores leigos. O movimento franciscano ficou organizado em: 1) Irmãos Menores (Primeira Ordem) que saiam pelo mundo de dois a dois pregando o Evangelho (maioria leigos); 2) Ordem das Clarissas (Segunda Ordem). Liderada por Clara que ficou num convento em São Damião e iniciou um movimento de oração e intercessão pelos Menores e pela Reforma e Santidade da Igreja,e a 3) Ordem Secular (Terceira Ordem) foi formada por irmãos e irmãs que viviam o Evangelho de Jesus no cotidiano secular e sustentava a missão dos Menores pelo mundo. Francisco, como leigo, pregava para multidões e exortava a conversão na prática valorizando o trabalho leigo. Wesley também valorizou os pregadores leigos que participavam lado a lado com os clérigos da Missão de evangelização, assistência e capacitação de outras pessoas.
  • Francisco ressaltava a importãncia da relação pessoal com o Cristo. Questionado sobre o conhecimento teológico, ele disse, perto de sua morte: “Não preciso conhecer mais nada. Já descobrir que meu pobre Jesus Cristo morreu na Cruz”. Wesley também afirmava que o centro da vida cristã está na relação pessoal com Jesus Cristo. “É Jesus quem nos salva, nos perdoa, nos transforma e nos oferece a vida abundante de comunhão com Deus”.
  • Francisco foi convidado a viver como monge. Alguns padres e bispos acharam que a vontade de Deus para Francisco fosse a vida contemplativa isolada do mundo, num mosteiro. Clara só ficou isolada no convento por causa das exigencias sociais e preconceitos da época. Francisco queria viver o Evangelho com o próximo, na vida, nas ruas, junto dos necessecitados e emprobrecidos. Wesley também reconheceu a necessidade de se viver o Evangelho comunitariamente no mundo. João Wesley afirmou com relação a vida contemplativa e isolada que "tornar o Evangelho em religião solitária é, na verdade, destruí-lo".
  • Francisco se preocupou com os leprosos e pobres. Não apenas investia em suas vidas espirituais, mas cuidava dos enfermos e recolhia comida para os pobres. Wesley também se peocupou com o ser humano total. Para Wesley, os seguidores de Cristo devem cuidar do próximo integralmente, principalmente dos necessitados e marginalizados sociais.
  • Francisco foi ao Papa solicitar a autorização para viver o Evangelho e pregar o Evangelho. Não desejava ser rico. Desejava apenas poder comunicar o Evangelho ao próximo, pricipalmente os excluídos da igreja. Wesley também enfatizou a paixão pela evangelização. Dizia: “Desejamos e devemos trabalhar com paixão, perseverança e alegria para que o amor e a misericórdia de Deus alcancem homens e mulheres em todos os lugares e épocas”.
  • Francisco não rompeu com sua igreja. Até porque isso poderia lhe levar a morte como herege. Mas também porque tinha um grande amor pela igreja. Não desejou destruí-la, mas transformá-la. O movimento Franciscano primário foi um movimento de Santidade e renovação dentro da Igreja medieval. Weley também não deixou sua amada igreja Anglina. Morreu anglicano. Não sonhava em fundar uma nova seita (denominação cristã). Seu sonho era transformar a igreja através da vida em santidade.
  • Francisco conhecia, que em Cristo, ele tinha poder de Deus para ser testemunha e instrumento para a transformação dos homens. A experiência com Deus tirava todo o medo. Francisco dizia: “O que você tem a temer? Nada. Quem você precisa temer? Ninguém. Por quê? Porque aqueles que se unem a Deus obtêm três grandes privilégios: onipotência sem poder, embriaguez sem vinho e vida sem morte." Francisco cria que a verdadeira vida Cristã está na mudança de vida e no relacionamento com o próximo. Palavras somente não convenciam Francisco. Ele dizia: "Já foi o tempo em que acreditei em palavras." Wesley também pregava a necessidade de uma experiência pessoal com Deus. Sua experiência pessoal com Deus poderia ser intrumento para atrair novas vidas a Cristo. Ele dizia: "Eu me coloco em chamas, e o povo vem para me ver queimar."
  • Francisco abalou o mundo de sua época e até hoje seu testemunho é uma influência positiva nas vidas dos cristãos. Foi considerado a maior personalidade do segundo milênio, segundo uma pesquisa da Time. Wesley também é considerado por diversas igrejas cristãs, como um ícone que restaurou a necessidade da experiência de santidade e a evangelização intergal. Wesley conhecia o poder de Deus que pode transforamr o mundo através do testemunho. Wesley dizia: "Dai-me cem homens que nada temam senão o pecado, e que nada desejam senão a Deus, e eu abalarei o mundo."
  • Francisco não aceitou ficar preso a um convento. Ele disse: “O mundo é o meu convento”. Wesley também não aceitou ficar preso a uma paróquia. Após ser impedido de pregar na igreja de seu pai, Wesley disse: "o mundo é a minha paróquia".
  • Para Francisco Deus era seu tudo: "Meu Deus é meu tudo." Todoas as pessoas e toda a criação de Deus precisam ser amadas e respeitadas: Francisco dizia: "Todas as coisas da criação são filhos do Pai e irmãos do homem. Deus quer que ajudemos aos animais, se necessitam de ajuda. Toda criatura em desgraça tem o mesmo direito a ser protegida."Na obra de Deus e na relação com o próximo, Francisco dizia: "Comece por fazer o que é necessário, depois o que é possível e, de repente, estará a fazer o impossível." "Devemos aceitar com serenidade as coisas que não podemos modificar, ter coragem para modificar as que podemos e sabedoria para perceber a diferença.” Wesley também via como obrigação espiritual e moral estender a mão para o próximo que sofre e carece do nosso auxílio. Wesley dizia: "Faça todo o bem que puder, de todas as formas, a todas as pessoas, enquanto for possível."

Conclusão:

Tanto Francisco quanto Wesley foram instrumentos de Deus para a sua geração. Desejamos ser instrumentos de Deus para a nossa geração?

Como metodistas, devemos ver e aprender com a caminhada de cristãos e cristãs da história da Igreja. Aprender com Wesley e aprender com outros irmãos e irmãs que viveram e testemunharam a santidade bíblica. O próprio Wesley valorizava a tradição cristã e o testemunho deixado por discípulos e discípulas na história da igreja.

Podemos hoje ler a história da igreja sem preconceitos e sem medo. Não importa se o/a discípulo/a de Deus foi ortodoxo, católico, protestante ou pentecostal. Importa como ele foi aos olhos de Deus. Como dizia Francisco:"Um ser humano vale o que ele é aos olhos de Deus e nada mais."

Com amor. Paz e Bem. Graça e Paz.

Irmão Edson.

Bibliografia usada e recomendada:

  • LEITE, Deodato Ferreira. Francisco Cantor da Paz e da Alegria. São Paulo: paulinas, 1964.
  • LELIÈVRE, Mateo. João Wesley. Sua vida e Obra. São Paulo: Vida, 1997.
  • LARRAÑAGA, Inácio. O Irmão de Assis. São Paulo: paulinas, 2007.
  • HEITZENRATER, Richard P. Wesley e o Povo Chamado Metodista. Rio de Janeiro: Pastoral Bennett, 1996.
  • SILVEIRA, Frei Ildefonso. Org. São Francisco de Assis. Escritos e biografias de São Francisco de Assis, Crônicas e outros Testemunhos do primeiro século franciscano. 9ª Edição. Petrópolis: Vozes, FFB, 2000.
  • BURTNER, Robert, CHILES, Robert. Coletânia da Teologia de João Wesley. Rio de Janeiro: Pastoral Bennett, Igreja Metodista, 1995.
  • ALVES, Mary Emmanuel. São Francisco de Assis. São Paulo: Paulinas, 2008.
  • JENNINGS, Daniel R. The Supernatural Occurrences of John Wesley, Oklahoma City: SEAN Multimedia, 2005.


*Presbítero Metodista – 1ª Região – servindo aos Campos Missionários da Amazônia (REMA). Pedagogo (Universidade Federal de Rondônia –Ji-Paraná – RO), Especialista em Ciência da Religião (I. M.Bennett – Rio de Janeiro - RJ), Pastoral Urbana (UBL – San José - Costa Rica) e Liturgia e Artes Sacras (Instituto Franciscano de Petrópolis – Petrópolis - RJ). Membro da OASF. edsoncortasio@hotmail.com


Extraído de http://www.metodista.org.br/index.jsp?conteudo=9091 acesso em 28 nov. 2009.
Ilustração: John Wesley / by William Hamilton. séc. 18?. London : National Portrait Gallery. Disponível em http://commons.wikimedia.org/wiki/File:John_Wesley_by_William_Hamilton.jpg acesso em 28 nov. 2009.

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