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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

O Espírito de Assis

Para o dia 27 de outubro, o Papa Bento XVI convidou os líderes de todas as grandes Religiões do mundo, para um encontro em Assis. Este encontro será uma memória do primeiro encontro paradigmático do Papa João Paulo II, de 25 anos atrás. No ano 1986, ele iniciou o diálogo e a colaboração entre as religiões: “e um compromisso novo, porque na verdade nos não nos aproximamos destes objetivos elevados da época, até hoje. Nós vivemos neste tempo tensões dramáticas e conflitos, que têm causas bem diversas: a economia financeira que saiu de controle, o abismo crescente entre pobreza e riqueza, a ameaça de colapso de clima, porque nossas economias e nosso comportamento de consumidor estão longe de um relacionamento de sustentabilidade com os recursos limitados de nossa Mãe Terra. E o fatal é: em quase nenhum lugar do mundo se trata de problemas locais controláveis e sim de questões globais, que levam consigo a todos. Ainda mais a pergunta ansiosa, o que será da “Primavera Árabe”. Então é lógico, que as religiões devem ser alertadas sobre a situação ameaçadora do nosso mundo. Eles são, em sua autodefinição, responsáveis pela vida, uma vida significativa em harmonia e justiça, para uma coexistência pacífica de diferentes raças, culturas e religiões, para a proteção da criação, que nos é confiada para ser valorizada e cultivada. Ninguém de nós tem mais o direito de perseguir apenas próprios interesses e objetivos em meio e estes desafios globais.
Assis, como o ponto de encontro das religiões, é, portanto, modelo e compromisso. Francisco de Assis encarna o "espírito de Assis", no qual é possível que tal encontro tenha sucesso. Sua vida inspirou os cristãos e não cristãos, crentes e não crentes, ricos e pobres. Porque a dominação lhe era algo estranho, porque para ele, não existia o em cima e o embaixo, nada de senhores e escravos, porque somos todos irmãos e irmãs, filhos e filhas do único Pai nos céus; porque ele nada queria possuir para si só, mas tudo é dom e riqueza da criação, e pertence a todos, e porque ele mostrou em seu encontro com o sultão de Damieta em 1219, como um diálogo respeitoso e aberto entre as religiões, com pode ser feito com sucesso.

Francisco, no entanto, também precisou aprender isto. Viveu na época de cruzadas sangrentas, convocadas pelo Papa Inocêncio III e foram organizadas com grande zelo. "Deus está do lado do exército cristão contra os inimigos da Cruz". Esta era a justificativa teológica que mobilizou os homens, mas não conseguiu convencer Francisco. Ele tinha certeza de que a violência e a "missão com a espada" eram incompatíveis com o espírito do Evangelho. Ele se pôs a próprio caminho em 1219, para os cruzados no Egito; não para lutar contra os muçulmanos, mas "viver entre eles no espírito de Jesus" (ER 16). Ele queria fazer a paz. Aqui fica claro como ele entende a sua missão e como ele conseguiu inculcar isto nos seus irmãos. Onde quer que estejam, eles deverão levar a paz, não devem orgulhar-se de si mesmos e de nada se devem apropriar; eles devem pregar a palavra de Deus "mais pelo exemplo do que pelas palavras" e evitar qualquer disputa e controvérsia. Isso só é possível se eles renunciarem ao estilo de senhores, mas "viverem sujeitos à vontade de Deus" (ver RnB 14 e 16). A diferença em relação à ideologia das cruzadas não poderia ser mais significativa.

A partir desta experiência, então Francisco desenvolveu um conceito de missão, que vai muito além da tradição teológica de seu tempo. Onde quer que estejam os irmãos, sempre devem abster-se de estruturas baseadas no poder, autoridade e exploração. Pelo contrário, devem "estar sujeitos", não iniciar uma disputa teológica; mostrar que eles são cristãos e pregar a palavra de Deus, somente quando eles têm um sinal de Deus, que o momento certo chegou. Porque Deus, que cuida sempre e em toda parte da salvação da humanidade já está lá, bem antes da vinda dos missionários. Francisco tem a experiência própria, e descobriu a presença viva de Deus entre os muçulmanos.
Quem incorpora isto, irá encontrar-se com outras religiões sempre num espírito de valorização e respeito mútuo. Evitará todas as atitudes de superioridade. Terá um diálogo humilde e honesto para tentar descobrir o que podemos aprender uns com os outros para enfrentar os principais desafios do nosso tempo em conjunto. Estas são as características do "espírito de Assis", que deverão determinar a reunião de líderes religiosos em Assis. Então - como podemos esperar - será o 27 outubro um bom dia para a paz.

Andreas Müller OFM

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Francisco de Assis e João Wesley

“O mundo é o meu convento” “O mundo é a minha paróquia”.

*Rev. Edson Cortasio Sardinha

Introdução:

Os homens usam métodos. Deus usa homens (e mulheres) (T.L.O).

Francisco e Wesley foram pessoas tremendamente usadas por Deus.

Tiveram muitas coisas em comum apesar de viveram em países diferentes, em épocas diferentes e em culturas cristãs diferentes. (Francisco é da Idade Média. Wesley é do final da Idade Moderna). Mas para muitos, falar da semelhança entre Francisco de Assis e João Wesley é totalmente impossível. Não existe comparações. A não ser o primeiro nome: Giovani (italiano) e John (ingles). Ambos se chamavam João.

Contudo, desejo apresentar alguns pontos que demonstram uma linha de atuação comum entre esses dois homens de Deus: Francisco e Wesley foram homens “levantados por Deus, não para fundar uma nova seita, mas para transformar o mundo, pricipalmente e Igreja”. Foram homens que marcaram suas gerações. Foram instrumentos de Deus em suas situações históricas concretas. Foram homens usados por Deus. Homens que marcaram o nosso mundo e a história da Igreja. É impossível estudar a história eclesiástica sem fazer referência a estes dois homens.

Hoje Deus não tem mais Francisco, nem Wesley.

Quem deseja ser “instrumento da paz” de Cristo nos dias de hoje?

Com a história destes homens poderemos reler nossa própria história e adquirir coragem de Deus para viver, ser discípulos/as, fazer discípulos/as e transformar nosso cotidiano segundo a experiencia com o Senhor de Francisco e de Wesley.

Como protestantes e evangélicos brasileiros, temos preconceitos com o nome São Francisco de Assis. Associamos o nome a idolatria popular brasileira. Creio que precisaremos conhecer um pouco mais sobre esse santo homem de Deus e descobrir a riqueza de sua espiritualidade e exemplo de santidade.

Francisco de Assis nasceu com o nome deGiovanni Battista di Pietro Bernardone, na cidade de Assis, Itália, no Verão ou Outono - junho/dezembro de 1181 ou 1182 , e faleceu no dia 3 de Outubro de 1226. Foi leigo católico romano, fundador do Movimento de santidade e avivamento chamado de "Ordem dos Frades Menores". O movimento ficou conhecido posteriormente como Franciscanismo.

João Wesley nasceu em Epworth, Inglaterra, no dia 17 de junho de 1703Londres, e faleceu no dia 2 de março de 1791. Foi clérigo anglicano e fundador do Movimento de Santidade e Avivamento chamado de movimento metodista. O movimento se transformou posteriormente em Igreja Metodista.

Francisco e os Franciscanos e Wesley e os Metodistas foram homens e movimentos dirigidos por Deus para transformar a Igreja e auxiliá-la a retornar ao seu amor original a Cristo.

Tanto Francisco quanto João Wesley nunca deixaram suas amadas igrejas. Foram críticos, denunciaram o pecado, viveram radicalmente para Cristo, mas não deixaram suas igrejas de origem. Francisco não deixou de ser católico, apesar dos grandes problemas que o catolicismo medieval estava enfrentando. Wesley não deixou de ser anglicano, apesar de todos os problemas internos da igreja anglicana. Ambos foram perseguidos, incompriendidos, mas avançaram na Visão de Deus para suas vidas e marcaram suas gerações.

Conhecendo um pouco Francisco de Assis

Existem algumas lendas (melhor legendas) relacionadas a Francisco. Mas sabemos que esse homem de Deus foi filho de Pietro Bernadone dei Moriconi e da nobre Pica Bourlemont. Nasceu numa família da burguesia emergente da cidade de Assis que, graças as atividades de comercio na França (Provenza), conquistou riqueza e bem estar.

Francisco foi batizado com o nome de Giovanni (em homenagem ao apóstolo João). Opai decidiu mais tarde trocar o seu nome para Francisco, em honra a França, a que ele atribui o sucesso de sua atividade comercial a qual lhe trouxe fortuna e também porque sua esposa era do Sul da França. Alguns acreditam que Francisco teve esse nome como apelido de infância, pois além de falar o italiano, falava também o francês que aprendeu com sua mãe. Francisco significa pequeno francês.

Em 1202 ocorreu a Guerra civil entre Perúsia e Assis. Os soldados de Assis foram vencidos em Collestrada. Francisco, com 20 anos, passou um ano preso em Perúsia. Foi Resgatado pelo pai. Estava muito doente.

Foi na Perúsia que Francisco teve seu primeiro encontro com a Bíblia: Um Novo Testamento traduzido por um “herege”, em sua língua vulgar. Francisco lê e entende. Sua doença durou até 1204. Deus já estava trabalhando em seu coração. Entre 1204 e 1205, Francisco parte novamente para a guerra da Apúlia, no sul. Em Espoleto Francisco recebe uma visão e mensagem de Deus e volta para Assis. Agora começava novamente sua conversão gradual.

Em 1205 Francisco recebe uma mensagem de Deus quando visitava sozinho a Igreja de São Damião, fora dos muros de Assis. JESUS lhe falou:Vai e restaura minha igreja que está em ruínas”.

Francisco deseja agora servir só a Deus e inicia um conflito com seu pai. Começou a pegar os bens da família e lançar aos pobres. Vendeu alguns tecidos para conseguir restaurar a Igreja de São Damião. Seria um refúgio para os pobres.

Em janeiro de 1206 é levado pelo pai perante o bispo Dom Guido II. Ali Francisco renuncia os bens, a herança do pai e o próprio sobrenome. Entrega tudo ao pai e sai nu. Nesse mesmo ano começa seu trabalho de evangelização e cuidado com os leprosos em Gúbio, perto de Assis.

Com roupas de eremita, começa a reparação da capela de São Damião. Conseguiu restaurar três igrejas: São Damião, São Pedro e Santa Maria dos Anjos ou Porciúncula.

No dia 24 de fevereiro de 1208 Francisco escuta o Evangelho da missa de São Matias, na Porciúncula, sobre a missão apostólica. Possivelmente a leitura de Mateus 10. Muda as vestes de eremita e passa a usar as de pregador ambulante e descalço. Inicia seu trabalho de pregação missionária.

Finalmente no dia 16 de Abril de 1209, funda com doze discípulos, a família dos doze irmãos menores, que viria a ser conhecida como a Ordem dos Frades Menores.

Francisco havia escrito breve Regra e vai a Roma com os seus discípulos. Obtém a aprovação do Papa Inocêncio III, só oralmente. Seria esta a primeira Regra que foi perdida. Na volta passam por Orte e se estabelecem em Rivotorto perto de Assis, num rancho abandonado.

O Grupo de Discipulado de Francisco cresceu com o passar dos anos. Em 1219 houve uma grande expansão para a Alemanha, Hungria, Espanha, Marrocos e França. Neste mesmo ano Francisco vai em missão para o Oriente. Durante sua ausência, vigários modificam algumas regras da Ordem e no mesmo ano de 1219, Francisco se demite da direção da Ordem.

Com o crescimento da Ordem, quase 5.000 discípulos em 1221, uma nova regra foi escrita por Francisco em 29 de novembro de 1223 que foi aprovada pelo papa Honório. É a que vigora até hoje.

Os últimos escritos de Francisco são entre 1225 e 1226, dentre eles o Cântico das Criaturas e o Testamento. Nestes mesmos dois anos, Francisco vai a vários lugares da Itália para tratar de suas vistas. Passa por diversas cirurgias e morre aos 03 de outubro de 1226, num sábado, com 45 anos.

A Missão de Francisco nunca foi reformar a Igreja de pedras, mas Reformar a Igreja de Cristo que estava em ruínas espirituais.A forma de condenar a corrupção do clero e o desprezo da sociedade pelos pobres foi, mesmo sendo rico, abandonar tudo e abraçar a pobreza como ideal de vida. Não via virtude na pobreza, mas desejou ser pobre como JESUS e viver uma vida de santidade, discipulado e pregação.

A Experiência de Wesley em sua geração.

522 anos depois de Francisco, nasceu João Wesley.

Wesley viveu na Inglaterra do século XVIII, numa sociedade trasnformada e doente pela Revolução Industrial, onde crescia em muito o número de desempregados. A Inglaterra estava cheia de mendigos itinerantes, políticos corruptos, vícios e violência generalizada. O cristianismo, em todas as suas denominações, estava definhando e necessitava de uma Reforma. A Igreja estava em ruínas semelhante a igreja da época de Francisco.

Ao invés de influenciar o mundo, o cristianismo estava sendo influenciado pela sociedade pagã. João Wesley não se conformava com esse estado paralisante da religião cristã. Foi o décimo terceiro filho do ministro anglicano Samuel e de Susana Wesley. Nasceu a 17 de junho de 1703, em Epworth na Inglaterra.

Como já descrevemos, o pai de Francisco era um rico comerciante, pouco preocupado com a religião, apesar de ser católico praticante. Sua mãe, dona Pica, foi a grande influência na Vida de Francisco.

João Wesley, por sua vez, foi neto e filho de pobres pastores anglicanos. Mas devido às atividades pastorais do seu pai, Reverendo Samuel, Wesley não teve a devida assistência paterna. Susana, sua mãe, assumiu a administração financeira da família e a educação dos filhos e filhas. Disciplinava com rigidez os filhos, mantendo horário para cada atividade e reservando um tempo de encontro com cada filho para conversar, estudar e orar.

Tanto Francisco quanto Wesley tiveram como referência a influência cristã de suas mães. Mas Wesley teve, desde a infância, uma inclinação para a ação de Deus em sua vida.

Ainda na infância, João Wesley foi o último a ser salvo, de forma miraculosa, em um incêndio que destruiu toda sua casa, onde estivera preso no segundo andar. A partir desse dia, Susana, sua mãe, dedicou-lhe atenção especial, pois entendeu que Deus havia poupado sua vida para algo muito especial.

Aos cinco anos de idade, Susana Wesley começou a alfabetizar João, usando o livro dos Salmos como apostila. João estudou com sua mãe até os 11 anos. Entrou, então, para uma escola pública, onde ficou como aluno interno por seis anos. Aos 17 anos, foi para a Universidade de Oxford.

Em Oxford onde começa a se reunir com um grupo de estudantes para meditação bíblica e oração, sendo conhecidos pelos colegas universitários de "Clube Santo",

Wesley não inventou o nome Metodista. Os alunos de Oxford, notando que os membros do grupo tinham horário e método para tudo que faziam, os taxaram como “metodistas.

Neste grupo Wesley e seu irmão Carlos iniciaram um trabalho de visista e evangelismo nos presídios. Wesley passou então a se interessar mais pela questão social de seu país, ou seja, se voltou para a miséria que a Inglaterra vivia na época. Wesley graduou-se em Teologia, e ajudou seu pai na direção da Igreja Anglicana.

Com 32 anos, ouviu a necessidade de missionários na Virgínia, Nova Inglaterra. Foi aos EUA para "evangelizar os índios" sendo praticamente fracassado. Em sua viagem de retorno expressa sua frustração: "fui à América evangelizar os índios, mas quem me converterá?".

Durante uma tempestade na travessia do Oceano Atlântico, Wesley ficou impressionado com a espiritualidade de um grupo de morávios (grupo de cristãos pietistas que buscavam a conversão pessoal mediante o Espírito Santo) a bordo do navio. A fé que tinham diante do risco da morte (o medo de morrer acompanhava Wesley constantemente durante a sua juventude) predispôs Wesley à fé evangélica dos morávios. Retornou à Inglaterra em 1738.

Após 2 anos, volta desiludido com o trabalho realizado na Virgínia. Encontra-se, então, com Pedro Böhler, em Londres. Böhler era pastor moraviano (da Morávia, Alemanha) e com ele João Wesley se convence de que a fé é uma experiência total da vida humana.

Após esse encontro João Wesley procurou libertar-se da religião formalista e fria para viver, na prática, os ensinos de Jesus.

No dia 24 de maio de 1738, na rua Aldersgate, em Londres, numa pequena reunião, ouvindo a leitura de um comentário escrito por Martinho Lutero, sobre a carta aos Romanos, João sente seu coração se aquecer. Experimenta grande confiança em Cristo e recebe a segurança de que Deus havia perdoado seus pecados.

Nos 50 anos seguintes, Wesley pregou uma média de três sermões por dia; a maior parte ao ar livre. Houve uma vez que pregou a cerca de 14.000 pessoas. Milhares saíram da miséria e da imoralidade. João Wesley e seu irmão Carlos deram a religião cristã um novo sentido de alegria e vida.

Francisco também em sua geração fez uma opção de pregar aos leprosos e evangelizar os pobres. Reconstruiu a Igreja de São Damião para acolher os excluídos da igreja de Assis. Wesley, por sua vez, como não havia muitas oportunidades na Igreja Anglicana, passou a pregar aos operários em praças, minas de carvão e salões.

Com relação ao discipulado, Francisco organizou o movimento em grupos pequenos de dois em dois. Sua primeira formação foi de 12 discípulos. Demorou um ano de reunir estes discípulos.

Wesley também, influenciado pelos moravianos, organizarou pequenas sociedades e classes dentro da Igreja da Inglaterra, liderados por leigos, com os objetivos de compartilhar, estudar a Bíblia, orar e pregar. Essas classes cresceram aos milhares.

Apaixonado por Cristo, Wesley andava por toda a parte a cavalo pregando o Evangelho do Senhor Jesus. Calcula-se que, em 50 anos, Wesley tenha percorrido 175 mil quilômetros e pregado 40 mil sermões, com uma média de 800 sermões por ano.

Francisco pregou o Evangelho do Senhor por vários países da Europa e fez missões entre os mulçumanos e cristãos que estavam nas Cruzadas para retomar Jerusalém. Levou a paz de Cristo numa terra sem paz. Saiu decepcionado com os cristãos e foi acolhido pelos mulçumanos. Eles viram nas atitudes e simplicidade deFrancisco, a pessoa de Cristo.

Franciscanos e Wesleyanos:

Movimetos de Santidade

  • Francisco não gostava da nomeclatura “Franciscano”. Preferia o nome “Imãos Menores”. Wesley também não adotou o nome de Wesleyano para o seu movimento. Com relação ao nome metodista chegou a dizer: “Eu ficaria contente se o próprio nome metodista não voltasse a ser mencionado jamais e fosse sepultado em eterno esquecimento”.
  • Francisco renunciou a liderança de sua própria Ordem. Wesley também disse: “Pouca é a minha ambição de ser o cabeça de uma nova seita ou partido”.
  • Francisco viveu a conversão na prática. Lutou para poder viver o Evangelho no cotidiano e praticar literalmente o Evangelho do Senhor Jesus. Wesley também ensinava que a conversão a Jesus é comprovada pela prática, e não pelas emoções do momento.
  • Francisco reuniu 12 discípulos e deu início ao seu movimento de Reforma. Valorizou os pregadores leigos. O movimento franciscano ficou organizado em: 1) Irmãos Menores (Primeira Ordem) que saiam pelo mundo de dois a dois pregando o Evangelho (maioria leigos); 2) Ordem das Clarissas (Segunda Ordem). Liderada por Clara que ficou num convento em São Damião e iniciou um movimento de oração e intercessão pelos Menores e pela Reforma e Santidade da Igreja,e a 3) Ordem Secular (Terceira Ordem) foi formada por irmãos e irmãs que viviam o Evangelho de Jesus no cotidiano secular e sustentava a missão dos Menores pelo mundo. Francisco, como leigo, pregava para multidões e exortava a conversão na prática valorizando o trabalho leigo. Wesley também valorizou os pregadores leigos que participavam lado a lado com os clérigos da Missão de evangelização, assistência e capacitação de outras pessoas.
  • Francisco ressaltava a importãncia da relação pessoal com o Cristo. Questionado sobre o conhecimento teológico, ele disse, perto de sua morte: “Não preciso conhecer mais nada. Já descobrir que meu pobre Jesus Cristo morreu na Cruz”. Wesley também afirmava que o centro da vida cristã está na relação pessoal com Jesus Cristo. “É Jesus quem nos salva, nos perdoa, nos transforma e nos oferece a vida abundante de comunhão com Deus”.
  • Francisco foi convidado a viver como monge. Alguns padres e bispos acharam que a vontade de Deus para Francisco fosse a vida contemplativa isolada do mundo, num mosteiro. Clara só ficou isolada no convento por causa das exigencias sociais e preconceitos da época. Francisco queria viver o Evangelho com o próximo, na vida, nas ruas, junto dos necessecitados e emprobrecidos. Wesley também reconheceu a necessidade de se viver o Evangelho comunitariamente no mundo. João Wesley afirmou com relação a vida contemplativa e isolada que "tornar o Evangelho em religião solitária é, na verdade, destruí-lo".
  • Francisco se preocupou com os leprosos e pobres. Não apenas investia em suas vidas espirituais, mas cuidava dos enfermos e recolhia comida para os pobres. Wesley também se peocupou com o ser humano total. Para Wesley, os seguidores de Cristo devem cuidar do próximo integralmente, principalmente dos necessitados e marginalizados sociais.
  • Francisco foi ao Papa solicitar a autorização para viver o Evangelho e pregar o Evangelho. Não desejava ser rico. Desejava apenas poder comunicar o Evangelho ao próximo, pricipalmente os excluídos da igreja. Wesley também enfatizou a paixão pela evangelização. Dizia: “Desejamos e devemos trabalhar com paixão, perseverança e alegria para que o amor e a misericórdia de Deus alcancem homens e mulheres em todos os lugares e épocas”.
  • Francisco não rompeu com sua igreja. Até porque isso poderia lhe levar a morte como herege. Mas também porque tinha um grande amor pela igreja. Não desejou destruí-la, mas transformá-la. O movimento Franciscano primário foi um movimento de Santidade e renovação dentro da Igreja medieval. Weley também não deixou sua amada igreja Anglina. Morreu anglicano. Não sonhava em fundar uma nova seita (denominação cristã). Seu sonho era transformar a igreja através da vida em santidade.
  • Francisco conhecia, que em Cristo, ele tinha poder de Deus para ser testemunha e instrumento para a transformação dos homens. A experiência com Deus tirava todo o medo. Francisco dizia: “O que você tem a temer? Nada. Quem você precisa temer? Ninguém. Por quê? Porque aqueles que se unem a Deus obtêm três grandes privilégios: onipotência sem poder, embriaguez sem vinho e vida sem morte." Francisco cria que a verdadeira vida Cristã está na mudança de vida e no relacionamento com o próximo. Palavras somente não convenciam Francisco. Ele dizia: "Já foi o tempo em que acreditei em palavras." Wesley também pregava a necessidade de uma experiência pessoal com Deus. Sua experiência pessoal com Deus poderia ser intrumento para atrair novas vidas a Cristo. Ele dizia: "Eu me coloco em chamas, e o povo vem para me ver queimar."
  • Francisco abalou o mundo de sua época e até hoje seu testemunho é uma influência positiva nas vidas dos cristãos. Foi considerado a maior personalidade do segundo milênio, segundo uma pesquisa da Time. Wesley também é considerado por diversas igrejas cristãs, como um ícone que restaurou a necessidade da experiência de santidade e a evangelização intergal. Wesley conhecia o poder de Deus que pode transforamr o mundo através do testemunho. Wesley dizia: "Dai-me cem homens que nada temam senão o pecado, e que nada desejam senão a Deus, e eu abalarei o mundo."
  • Francisco não aceitou ficar preso a um convento. Ele disse: “O mundo é o meu convento”. Wesley também não aceitou ficar preso a uma paróquia. Após ser impedido de pregar na igreja de seu pai, Wesley disse: "o mundo é a minha paróquia".
  • Para Francisco Deus era seu tudo: "Meu Deus é meu tudo." Todoas as pessoas e toda a criação de Deus precisam ser amadas e respeitadas: Francisco dizia: "Todas as coisas da criação são filhos do Pai e irmãos do homem. Deus quer que ajudemos aos animais, se necessitam de ajuda. Toda criatura em desgraça tem o mesmo direito a ser protegida."Na obra de Deus e na relação com o próximo, Francisco dizia: "Comece por fazer o que é necessário, depois o que é possível e, de repente, estará a fazer o impossível." "Devemos aceitar com serenidade as coisas que não podemos modificar, ter coragem para modificar as que podemos e sabedoria para perceber a diferença.” Wesley também via como obrigação espiritual e moral estender a mão para o próximo que sofre e carece do nosso auxílio. Wesley dizia: "Faça todo o bem que puder, de todas as formas, a todas as pessoas, enquanto for possível."

Conclusão:

Tanto Francisco quanto Wesley foram instrumentos de Deus para a sua geração. Desejamos ser instrumentos de Deus para a nossa geração?

Como metodistas, devemos ver e aprender com a caminhada de cristãos e cristãs da história da Igreja. Aprender com Wesley e aprender com outros irmãos e irmãs que viveram e testemunharam a santidade bíblica. O próprio Wesley valorizava a tradição cristã e o testemunho deixado por discípulos e discípulas na história da igreja.

Podemos hoje ler a história da igreja sem preconceitos e sem medo. Não importa se o/a discípulo/a de Deus foi ortodoxo, católico, protestante ou pentecostal. Importa como ele foi aos olhos de Deus. Como dizia Francisco:"Um ser humano vale o que ele é aos olhos de Deus e nada mais."

Com amor. Paz e Bem. Graça e Paz.

Irmão Edson.

Bibliografia usada e recomendada:

  • LEITE, Deodato Ferreira. Francisco Cantor da Paz e da Alegria. São Paulo: paulinas, 1964.
  • LELIÈVRE, Mateo. João Wesley. Sua vida e Obra. São Paulo: Vida, 1997.
  • LARRAÑAGA, Inácio. O Irmão de Assis. São Paulo: paulinas, 2007.
  • HEITZENRATER, Richard P. Wesley e o Povo Chamado Metodista. Rio de Janeiro: Pastoral Bennett, 1996.
  • SILVEIRA, Frei Ildefonso. Org. São Francisco de Assis. Escritos e biografias de São Francisco de Assis, Crônicas e outros Testemunhos do primeiro século franciscano. 9ª Edição. Petrópolis: Vozes, FFB, 2000.
  • BURTNER, Robert, CHILES, Robert. Coletânia da Teologia de João Wesley. Rio de Janeiro: Pastoral Bennett, Igreja Metodista, 1995.
  • ALVES, Mary Emmanuel. São Francisco de Assis. São Paulo: Paulinas, 2008.
  • JENNINGS, Daniel R. The Supernatural Occurrences of John Wesley, Oklahoma City: SEAN Multimedia, 2005.


*Presbítero Metodista – 1ª Região – servindo aos Campos Missionários da Amazônia (REMA). Pedagogo (Universidade Federal de Rondônia –Ji-Paraná – RO), Especialista em Ciência da Religião (I. M.Bennett – Rio de Janeiro - RJ), Pastoral Urbana (UBL – San José - Costa Rica) e Liturgia e Artes Sacras (Instituto Franciscano de Petrópolis – Petrópolis - RJ). Membro da OASF. edsoncortasio@hotmail.com


Extraído de http://www.metodista.org.br/index.jsp?conteudo=9091 acesso em 28 nov. 2009.
Ilustração: John Wesley / by William Hamilton. séc. 18?. London : National Portrait Gallery. Disponível em http://commons.wikimedia.org/wiki/File:John_Wesley_by_William_Hamilton.jpg acesso em 28 nov. 2009.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2009 : Porto Alegre

Paz e bem!

Esta é a programação da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2009 para Porto Alegre:

24/05 - Domingo - 10h
Cat.da Santíssima Trindade - IEAB
Rua dos Andradas, 880 (Centro)
Coord.: Rev. Marines Bassoto
F.: 3228 1169

25/05 - Segunda Feira - 19h
Paróquia da Ressurreição - IEAB
R. Fer. Abott, 168 (Cristo Redentor)
Coord.: Rev. Jessé Castro Ramos
F.: 3361 5875 / 3279 4179

26/05 - Terça Feira - 16h
Igreja Metodista Central
Rua Duque de Caxias,1676 -Centro
Coord.: Revda. Mara Aparecida de Freitas
F.: 3312 8029 / 3224 5754

26/05 - Terça Feira - 19h 30min
Cat. Metr. Mãe de Deus - ICAR
R. Duque de Caxias, 1047 (Centro)
Coord.: Dom Remidio Bohn / Pe Carlos Steffen
F.: 3228 6199

27/05 - Quarta Feira - 19h
Paróquia Nsa Sra da Paz - ICAR
R.Cristiano Fischer 149 (Alto Petrópolis)
Coord.: Pe Pedro Kunrath
F.: 3334 5809

28/05 - Quinta Feira - 19h30min
Igr. Nsa Sra do Monte Claro ICAR
Av.Pres. Roosevelt, 920 (São Geraldo)
Coord.: Pe Natal Bóssio Clístenes
F.: 3342 2944 / 8118 5247

29/05 - Sexta Feira - 20h
Paróquia São Lucas - IECLB
R.Luis Voelker,285 (Três Figueiras)
Coord.: Pastor Carlos F Dreher
F.: 3334 9009

30/05 - Sábado - 15h
Igreja Metodista da Glória
Av Niterói, 383 (Medianeira)
Coord.: Pr. Lair Villagran
F.: 3219 9549 / 3336 8412

30/05 - Sábado - 15h
Tarde de Espirit. Ecumênica
Mov. dos Focolares
Local:Centro Mariápolis Arnold (São Leopoldo)
Av Theodomiro P. da Fonseca, 3555
(lado portão F da Unisinos)
Coord.: Iolanda
F.: 8162 0246
Humberto
F.: 3334 2579 / 9193 2763

31/05 - Domingo - 19h
Igreja Metodista Central
R. Duque de Caxias, 1676 (Centro)
Coord.: Rev. Mara Aparecida de Freitas
F.: 3224 5754 / 3312 8029

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2009

“Unidos na tua mão” (Ez 37,17)
24 a 31 de maio

O tema desta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos inspira-se no capítulo 37 do profeta Ezequiel “unidos na tua mão” (37,17). Este gesto profético de aproximar dois feixes de madeira é a imagem da reunificação dos reinos do Norte e do Sul: “Aproxima os dois feixes de madeira, de modo a que formem uma vara só e fiquem unidos na tua mão” (Ez 37,17). Deus conta com a ação do profeta para construir a unidade.

Como cristãos, entrevemos nesta profecia uma prefiguração da vida nova, que Cristo nos oferece. Unindo os dois pedaços do madeiro da Cruz, Jesus reconcilia-nos com Deus e a Humanidade enche-se de uma nova esperança. Apesar das divisões, Jesus Cristo – com os braços abertos na Cruz – abraça toda a criação e dá-nos a Paz de Deus. Elevado na Cruz, atrai-nos para Si e faz-nos “um”, em Suas mãos. Somos inspirados pelo Espírito Santo a iniciarmos um caminho novo rumo à unidade autêntica. Ela há de construir-se na escuta da Palavra que purifica, ilumina os corações, orienta para Deus e nos abre ao diálogo fraterno com os irmãos.

A Semana de Oração é um convite a rezar juntos pela unidade, um processo de educação das comunidades no caminho da reconciliação, para transformar as nossas relações humanas conforme o Evangelho. Fica o convite para aderir a esta oração nas famílias, nas escolas, nas universidades e no coração de cada um. A simples iniciativa desta semana, todos os anos, é, por si mesma, uma evidência forte da eficiência da oração pela unidade, uma alegria e motivo de gratidão a Deus. Vamos todos celebrar este importante momento de fé, de esperança e de oração na certeza de que estamos “unidos nas mãos do Senhor”. O livreto com as celebrações da semana pode ser adquirido pelo telefone (61) 3321-4034, na Secretaria Geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil – CONIC.

Rev. Luiz Alberto Barbosa
Secretário Geral do CONIC

Extraído de http://www.conic.org.br/index.php?system=news&news_id=829&action=read acesso em 10 maio 2009.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

POR UM FRANCISCO ECUMÊNICO

Ciao fratelli, ciao sorelle!!!

Há quanto tempo não vos escrevo! Desculpem-me...

Na verdade, desde a Jornada Ecumênica Sul, tenho o desejo de vos falar sobre Francisco, o Francisco que conheci em Joinville-SC, nos dias 07 a 09 de novembro de 2008. Um Francisco ecumênico por excelência.

Não sei por que não percebi isso antes. É de se pensar o quanto o sentimento de posse nos fecha, a nós católicos, em nosso mundinho. Francisco é só dos católicos... Pior: só dos franciscanos. Gente... Francisco, se pertenceu a alguém, foi enamorado do mundo.

O estopim dessa “revelação” foi uma peça de teatro que assistimos na Jornada: A História de Francisco e Clara. Era uma peça extremamente católica (em determinado momento, o prefeito beijou o anel do bispo), uma falta de sintonia muito grande com o evento... Mas quero ressaltar o início da apresentação, o momento da minha “intuição”.

O show começa com o episódio da conversão de Francisco. Ele encontra um leproso, todo esfarrapado, à margem da estrada. Os amigos caçoam do “poverello”, mas Francisco sente algo diferente. Cria uma identidade com o mendigo. Chega ao ponto de se despir completamente para viver as mesmas condições de tantos miseráveis que ele finalmente consegue enxergar pelo caminho.

Pessoas... Querem algo mais ecumênico do que isso??? Francisco não perguntou pela religião do leproso. Francisco não esperava que o leproso se convertesse para poder ajudá-lo. Diante da Cruz de São Damião, não sente vontade de ajudar na Liturgia, ou na Pastoral disso ou daquilo, ou no Ministério “x” ou “y”... Ele sente é vontade de sair correndo, anunciando aos quatro ventos o Amor de Cristo, um amor que arde sem se consumir e que nos impulsiona a amar o próximo, de maneira especial os menos amados, os escanteados e escanteadas da sociedade.

Grande Francisco!!! Entendeste a oykoúmene muito melhor do que todos nós. Querem uma casa mais comum do que a Irmã Terra? Nela predadores (entendidos como poderosos políticos, latifundiários, grandes empresários, ou como leões mesmo, serpentes, lobos etc.) não perguntam pela fé de suas vítimas. Por outro lado, felizmente, o sol também não faz acepção de pessoas (Gl 2,6), nem de coisas, brilhando sobre tudo com a mesma intensidade.

Pai Francisco, que adotaste até mesmo a Morte por Irmã! Ensina quem tem mais a partilhar com os poverelli! Ensina quem tem menos a denunciar os sistemas que, como teu próprio pai, só aceitam quem se enquadra em sua vã filosofia! Ensina a este pobre escritor, longe de tua humildade e de tua pequenez (que te fez um dos maiores no Reinado do Abba, Pai!), o teu amor incondicional, o perdão que transforma, o desprendimento que liberta...

Ensina, por fim, que a Ecologia não é suficiente para desfazer nossa ruptura com o cosmo. Mais do que isso, precisamos urgente de uma ECOFILIA (amor à casa, à grande casa que é a Mãe Terra). Tu, ecófilo por excelência, faça ressoar em todos os cantos do Universo teu Hino ao Amor. Amém!!!

José Luiz Possato Jr.
São Leopoldo-RS

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Jornada Ecumênica

"Aqui você tem lugar, você tem! Aqui você tem lugar..."

Semana passada estive na 1ª Jornada Ecumênica da Região Sul do Brasil.

Tivemos a presença de participantes dos 3 Estados (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e também de cariocas, paulistas, baiano(a)s, mineiro(a)s, goianienses (pessoal da CAJU -- Casa da Juventude --, inclusive), além de "hermanos" argentinos, chilenos, bolivianos, uruguaios, paraguaio(a)s e alemã(e)s, entre outro(a)s.

Embora ecumênico, o encontro foi aberto também a participantes do diálogo inter-religioso, como um africanista, umbadistas, espíritas, muçulmanos e budistas.

Foram 3 dias de reflexões sobre Diversidade e Convivência, com enfoques sociológico, bíblico e teológico, além de oficinas super produtivas.

Este ano a Jornada foi aberta a todos os públicos, mas no ano que vem será exclusiva da Juventude. Em virtude deste grande desafio -- e também porque a Juventude sempre tem sede de mais --, criamos (ou melhor: o[a]s jovens presentes à Jornada criaram) a REJU-SUL, uma Rede Ecumênica das Juventudes do Sul do país.

O objetivo da REJU Sul será promover e divulgar eventos e atividades que possam ser realizados em comum pelas diversas denominações cristãs e inter-religiosas e compartilhar em REDE as ações de igrejas, organizações ecumênicas e instituções, voltadas à promoção dos direitos juvenis. Um deles será a Jornada Ecumênica Sul em 2009. Mas espera-se promover também uma transformação social, graças à união dos grupos de diversas crenças.

A idéia é simples!!! No bairro onde moramos, na escola que freqüentamos, em nosso trabalho, nos parques, nas associações e sindicatos, há pessoas de diversas religiões, credos e raças! Essas pessoas sempre estão reunidas em torno de um objetivo comum! Então cabe aos jovens a evangelização, não mais através do convencimento, mas de ações concretas, que levem a mensagem do Evangelho em forma de valores a serem vivenciados, muito mais do que siglas ou nomes a serem seguidos!

Aos mais conservadores... É claro que para nós, cristãos, Jesus Cristo é o Nome acima de todos os nomes! Não se trata de negá-lo, ou igualá-lo a outros! Mas já diz aquela música penitencial: "Hoje, se a vida é tão ferida, deve-se à culpa, indiferença dos cristãos!" Portanto, para facilitar a Convivência e respeitar a Diversidade, deixemos que os sinais -- muito mais do que nossa boca -- falem de Deus, pois se o nome de Jesus cria barreiras hoje deve-se aos nossos atos, muitas vezes incoerentes com a nossa Fé!

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

FRANCISCANISMO SEM FRONTEIRAS

Ouço muitos dos meus confrades dizerem e eu mesmo já me deparei com situação semelhante quando visitamos igrejas e paróquias e as pessoas perguntam se somos frades franciscanos da Igreja Católica Romana ou da Igreja Anglicana. Na verdade o franciscanismo ultrapassa essas fronteiras de denominações. Em alguns países, como nos EUA, por exemplo, existe uma ordem de franciscanos ecumênicos. Pessoas de várias igrejas com desejo de viver sob a Regra de São Francisco e se unem pelos laços dos votos religiosos. Acredito que, algum dia, os cristãos, respeitando as diferenças, poderão partilhar de suas tradições com os demais.

Nós, frades franciscanos anglicanos, estamos abertos ao diálogo ecumênico como uma forma de responder aos apelos de Jesus Cristo quando dizia “que todos sejam um”. Unidade não significa uniformidade. Mesmo os irmãos gêmeos tem sua maneira de ser e agir diferente um do outro.

Que Deus possa nos guiar no caminho da verdade e da justiça, de acordo com os exemplos de vida de São Francisco e Santa Clara.

Paz e Bem a todos!

Frei James SSF
www.ssf.org.br

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