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sábado, 4 de outubro de 2008

Vida de São Francisco

Deu no Instituto Teológico Franciscano:

Nascido no coração da Itália, nos últimos vinte anos do século XII (fim de 1181 ou início de 1182), filho do rico proprietário e comerciante de tecidos Pedro de Bernardone e de Joana, chamada Pica, seu nome batismal - João - foi logo mudado para Francisco ("francês", nome já em uso, mas não muito difundido na Itália) pelo pai, ao voltar dos seus negócios na França. A mãe, muito piedosa, cuidou de sua primeira formação religiosa.

O Santo aprendeu a ler e escrever na escola paroquial de São Jorge, em Assis, e completou sua modesta cultura com elementos de cálculo, de poesia e música, adquirindo também uma escassa noção da língua francesa (provençal) bem como de contos e lendas de cavalaria. De gênio perspicaz e muito boa memória, Francisco adquirirá, mais tarde, uma discreta cultura religiosa, lendo e meditando. Filho de rica família burguesa, com um pai ambicioso, que pretendia alargar no exterior a área do seu comércio, o ambiente familiar de Francisco foi aquele típico da classe média da sociedade italiana da época, em escalada civil e política, ávida de bem-estar e liberdade, até a conquista de um título de nobreza para equiparar-se aos "maiores", que pairavam acima da massa dos pobres e "menores".

Francisco, largamente dotado de inteligência, ambicioso e ativo, no primeiro período de vinte e cinco anos de vida "no século" (1182-1250), tentou pessoalmente todas estas vias de subida e de glória mundana.

Associado, por volta dos 14 anos, ao trabalho paterno nas artes dos mercadores (1196), exerceu com competência aquela arte, atento aos lucros, embora não fosse bom administrador destes. Com efeito, filho primogênito (com um só irmão menor, Ângelo), aclamado rei das festas e da juventude assisiense, gastava profusamente as riquezas paternas, vestindo roupas curiosas e vistosas, entretendo-se em noites de gala entre músicas e cantos. Tolerado com indulgência pelos pais naquelas despesas "principescas", era admirado especialmente pela mãe e pelos amigos por suas boas qualidades naturais e morais, nobreza de palavras e de trato, generosidade com os pobres e singular integridade dos costumes (2Cel,3).

Vivaz observador, bem como participante da conquista da liberdade cívica na luta contra o feudatário imperial de Spoleto (1198), tomou parte ativa, aos vinte anos, na guerra comunal de Assis contra Perúgia (1202) e caiu prisioneiro dos peruginos. Libertado após um ano de prisão e provado por longa doença, o mundo começou a parecer-lhe diferente e estranho. Mas depois de certo tempo, restabelecido da doença e atraído por novos sonhos de glória, decidiu ir até as Apúlias para a conquista do título de cavaleiro (1205). A viagem de Francisco foi, contudo, interrompida em Spoleto, a sua "estrada de Damasco", onde o Senhor o convidava, em sonho, a entrar na companhia de um senhor mais nobre (2Cel,5-6).

Voltando a Assis, com o presságio de "tornar-se um grande príncipe" (2Cel,6), afasta-se logo da companhia dos amigos, entretendo-se longamente em oração e lágrimas numa gruta solitária; depois de vencer sua extrema repugnância pela lepra, com um beijo num leproso, é atingido pela "iluminação" do Senhor na primeira aparição do Crucificado que lhe imprime no coração o amor e o pranto pela paixão (LM, I,5). Francisco aplica-se assiduamente ao serviço dos leprosos, multiplicando as esmolas aos pobres, aos sacerdotes e às igrejas pobres. Pouco depois, em oração na igrejinha de São Damião, a voz do Crucificado, convida-o a "reparar a sua Igreja, que está em ruínas" (LM,II,1).

Revestido de uma pobre túnica, assinalada por uma cruz, e proclamando-se o "arauto do grande rei", ele passa um biênio de vida penitente e eremítica, entregue à oração e a serviços humildes, por breve tempo também, num mosteiro beneditino. Depois, interpretando literalmente o convite do Crucificado, empenha-se na restauração material de três igrejas de Assis: São Damião, São Pedro della Spina e Santa Maria dos Anjos, chamada Porciúncula.

À espera de nova iluminação divina, que veio logo depois da última restauração, quando escutou o Evangelho do envio e da pobreza dos Apóstolos, na igreja da Porciúncula (cerca de 24 de fevereiro de 1208), Francisco pediu explicação ao sacerdote a respeito do referido Evangelho e, nele reconheceu com alegria a própria vocação e missão (Mt 10;Lc 9,10). Executando à letra aquelas disposições, vestiu-se de hábito minorítico: uma túnica em forma de cruz, um cordão branco, pés descalços e, certamente, com permissão do bispo, começou a pregar sobre paz e penitência, com grande fervor de espírito, na igreja de São Jorge (1 Cel, 23). Seguiram-no o rico Bernardo de Quintavalle e o doutor em Direito, Pedro Cattani, aos quais se juntaram o jovem Egídio e mais oito companheiros (1208). Um ano depois, o grupo foi aprovado em seu modo de vida comunitária e apostólica pelo Papa Inocêncio (1209). Era a Primeira Ordem, a "Ordem dos Menores". Instituiu também a Segunda (Damas Pobres de São Damião ou Clarissas) e a Terceira Ordem.

Já doente, o próprio Santo, após o retorno do Oriente, providenciou para a Ordem a direção ativa de um vigário, na pessoa de frei Elias de Assis (1221-1227), e a Regra definitiva (1223). Encaminhava-se ao último período da sua vida, num crescendo de ascensões místicas e no desejo de mais íntima participação e conformidade com o Crucificado.

No verão de 1224, retirou-se para o monte Alverne, onde, entre prolongadas orações, meditações e jejuns, apareceu-lhe o próprio Cristo Crucificado, na figura de um Serafim alado e flamejante, que lhe imprimiu na carne os estigmas vivos da paixão: feridas abertas e sangrentas, com pregos de longas pontas dobradas (constituídas pela própria carne) nas mãos e nos pés, além da chaga no peito.

Descendo do monte Alverne, Francisco transcorreu seu último biênio de vida numa contínua paixão de doenças e dores, afligido por uma grave oftalmia contraída no Oriente. Entre o fim de 1224 e os primeiros dias de 1225, "certificado" pelo Senhor de sua morte próxima e do prêmio eterno, num ímpeto de exaltação mística pela obra da criação, ditou aos companheiros o "Cântico do irmão Sol e de todas as criaturas" (LP, 43-45).

Na Porciúncula, meditando a narração joanina da Paixão e celebrando com seus religiosos a lembrança da última ceia do Senhor, invocando a "irmã morte" e cantando o Salmo "Em voz alta ao Senhor eu imploro...Muitos justos virão rodear-me pelo bem que fizeste por mim" expirou na tarde de Sábado de 3 de outubro de 1226, com a idade de 44 anos.

Sobre a terra nua, apresentando seus estigmas, vistos então por centenas de frades e leigos, "parecia um verdadeiro crucificado deposto na cruz" (Frei Leão em Salimbene, 195; cf. 1Cel,112).

No dia seguinte, Domingo, pela manhã, com solene procissão do clero e povo, seu corpo foi levado à igrejinha de São Jorge, dentro dos muros da cidade, ficando aí guardado por cerca de quatro anos, onde também o Santo foi canonizado, em 16 de Julho de 1228.

O corpo foi transladado depois (25.05.1230) para a nova Basílica de São Francisco, erguida por vontade de Gregório IX e por mérito de frei Elias, sobre a colina do Paraíso.

Extraído de http://www.itf.org.br/index.php?pg=vidasaofrancisco acesso em 04 out. 2008.
Foto de jimcintosh disponível em http://www.flickr.com/photos/jimcintosh/489351419/

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

São Francisco de Assis, uma alternativa humanística e cristã

Leonardo Boff
O contato com Francisco produz uma crise muito profunda e salutar. Sua figura envolve os leitores dentro de um círculo luminoso no qual descobrimos nossa mediocridade e lentidão face aos apelos que vêm da verdade mais profunda do coração e do evangelho. Ele conduziu sua vida sempre a partir da utopia e a manteve viva como uma brasa contra todas as cinzas do dia-a-dia e a razoabilidade da história. Incorporou o arquétipo da integração dos elos mais distantes, historizou o mito da reconciliação do céu e da terra, dos abismos e das montanhas. Daí o fascínio que se irradia dele e a catársis humana e religiosa que ele opera.

Diante de Francisco descobrimo-nos imperfeitos e velhos. Ele aparece como o novo e o futuro por todos buscado, embora tenha vivido há 800 anos. Mas este sentimento é sem amargura, pois sua mensagem encerra tanta doçura que o medíocre se sente convidado a ser bom, o bom a ser perfeito e o perfeito a ser santo. Ninguém fica imune à sua convocação vigorosa e ao mesmo tempo terna.

Francisco em sua gesta nos coloca imediatamente diante do evangelho e do sermão da montanha. Tomou absolutamente a sério a mensagem de Jesus como se lhe fora dirigida pessoalmente a ele. Assumiu tudo ad litteram et sine glosa e procurou viver com coração generoso e alegre. Não queria saber de interpretações. Bem sabia que quase sempre as interpretações emasculam a força do evangelho. E o evangelho lhe era simplesmente a formula vitae.

Se procurou orientar-se sempre a partir do evangelho e não da sensatez da razoabilidade, não era, entretanto, um fanático. Por isso se abraça a vida evangélica mostra também o sentido de uma regra; se vive do carisma compreende igualmente a instituição; se se entrega às duras penitências, sabe também alegrar-se e ser com todos cortês; se assume uma pobreza radical, postula outrossim uma fraternidade extremamente sensível à satisfação das necessidades uns dos outros; se é rigoroso para consigo mesmo, mostra-se ao mesmo tempo compassivo para com o confrade que grita na noite: morior fame!

Sempre segurou firme os dois pólos, mas começando todas as vezes pelo pólo do evangelho. Quebrou sem receios as barreiras instituídas para assegurar a vida livre do evangelho. Por isso é que nele coexistem admiravelmente ternura e vigor, que resultam da tensão sustentada permanentemente entre o evangelho e a regra, entre o sermão da montanha e a ordem. Se houvesse apenas vigor, emergiria então a figura de um santo duro, inflexível e sem coração. Se houvesse somente ternura, projetaria a imagem de um santo sentimental, adulçorado e sem perfil. Ternura e vigor compaginando-se na mesma pessoa criam o sol de Assis, como diria Dante, sol que gera ao mesmo tempo luz e calor, sol cantado pelo Poverello como “belo e radiante e com grande esplendor”, mas também criam a lua com sua luminosidade amena e amaciadora de todas as pontas que ferem e fazem sangrar. Francisco aflora assim como um homem solar e lunar, integração feliz dos opostos.

Francisco faz ainda um apelo de inaudita importância para a nossa situação atual. Vivemos num mundo de objetos; tudo é feito objeto de troca, de interesse, de negociação, de falsificação, de mascaramento e de fetichização. As coisas mais e mais perderam seu uso humano direto e simples como satisfação de necessidades objetivas que devem ser atendidas coletivamente. Com sua pobreza radical Francisco postula uma radical expropriação, especialmente do dinheiro cuja natureza se resume em ser puro objeto de troca sem nenhum uso a não ser a troca. Inaugura, no exato momento de formação do espírito capitalista, assentado na troca, uma existência humana que se baseia unicamente no valor do uso: duas túnicas, um capuz, calçados para os que precisam, os instrumentos de oração e de trabalho. A ausência de qualquer excedente visa, limpar o caminho de todos os obstáculos para o encontro dos homens entre si em sua transparência de irmãos, servindo-se mutuamente como convém entre membros de uma mesma família. Este projeto pode parecer utópico e, de fato, o é. Mas a utopia pertence à realidade porque esta não se resume naquilo que é e pode ser medido, mas muito mais naquilo que nela é possível e pode ser no futuro. A utopia expressa as possibilidades todas da realidade concretizadas. Porque ainda não foram concretizadas, ela convoca para novas realizações, a superar o já feito e ensaiado na direção de formas mais plenas e humanizadoras.

A utopia de Francisco de uma fraternidade sem plus-valia e, por isso, não exploradora, anima as buscas modernas por caminhos de satisfação das necessidades coletivas com o menor custo social e pessoal possível.

A seriedade evangélica de Francisco vem cercada de leveza e de encanto porque é imbuída profundamente de alegria, finura, cortesia e humor. Há nele uma inarredável confiança no homem e na bondade misericordiosa do Pai. Em conseqüência exorcizou todos os medos e ameaças. Sua fé não o alienou do mundo nem fez dele um mero vale de lágrimas. Pelo contrário, transformou-o pela ternura e pelo cuidado em pátria e lar do encontro fraterno, onde os homens não aparecem “como filhos da necessidade, mas como filhos da alegria” (G. Bachelard). Podemos dançar no mundo porque ele constitui o teatro da glória de Deus e de seus filhos.

Francisco de Assis mais que um ideal é um espírito e um modo de ser. E o espírito e o modo de ser só se mostram numa prática, não numa fórmula, idéia ou ideal. Tudo em Francisco convida para a prática: exire de saeculo, sair do sistema imperante, numa ação alternativa que concretize mais devoção para com os outros, mais ternura para com os pobres e mais respeito para com a natureza.

Texto do livro de Leonardo Boff, “São Francisco de Assis, Ternura e Vigor”, Editora Vozes, 1981.

Extraído de http://www.franciscanos.org.br/v3/vidacrista/especiais/2008/saofrancisco_011008/sf_humanistica.php
acesso em 02 out. 2008.

Oto IV de Brunswick, Imperador

Oto IV de Brunswick (1175 ou 1176 – 19 de Maio, 1218) foi um de dois reis rivais do Sacro Império Romano-Germânico de 1198 em diante, rei único de 1208 em diante, e imperador a partir de 1209. O único rei da dinastia Guelfo, ele foi deposto em 1215.

Otto nasceu na Normandia, filho de Henrique, o Leão, Duque da Baviera e da Saxônia, e de Matilda Plantageneta.

Ele cresceu na Inglaterra sob os cuidados de seu avô Rei Henrique II. Otto tonrou-se amigo de Ricardo I da Inglaterra, que tentou fazê-lo Conde de York, e, através de casamento, rei da Escócia. Ambos falharam, e então em 1196, ele foi feito conde de Poitou. Ele participou na guerra contra a França no lado de Ricardo.

Após a morte do Imperador Henrique VI, alguns dos príncipes do Império elegeram seu irmão, Filipe da Suábia, rei em março de 1198. O papado, sob Inocêncio III, aproveitou a oportunidade para estender suas influência e aproveitar a vulnerabilidade do império e usou seu poder para eleger Oto, cuja família era opostao à casa de Hohenstaufen. Oto também parecia disposto a conceder quaisquer reivindicações que Inocêncio fizesse. Esses príncipes de oposição à dinastia Staufen também decidiram, por iniciativa de Ricardo da Inglaterra, eleger um membro da Dinastia dos Guelfos.

O irmão mais velho de Oto, Henrique, estava em uma cruzada na época, e por isso a escolha caiu sob Oto. O favorito papal, logo reconhecido ao longo de todo o império, foi eleito rei pelos príncipes do norte da Alemanha, em Colônia em 9 de junho de 1198. Oto assumiu o controle de Aachen, o lugar da coroação, e foi coroada pelo Arcebispo de Colônia, em 12 de julho de 1198. A coroação foi feita com a falsa coroa, porque os poderes reais estavam nas mãos do Staufen.

Obtido em http://pt.wikipedia.org/wiki/Oto_IV acesso em 02 out. 2008

São Francisco, como o vejo

Dom Aloísio Lorscheider, OFM
À medida que passam os anos, São Francisco merece maior atenção. Em nossos dias, sobretudo, com a redescoberta do lugar social do pobre na Igreja e no mundo, o interesse pelos ideais de São Francisco faz-se mais vivo.

O meu contato com São Francisco

Muito deve a Igreja no Rio Grande do Sul aos filhos de Santo Inácio. Comecei a conhecer São Francisco, quando, em 1934, entrei no Colégio Seráfico de São Francisco, em Taquari (RS). Passei no Seminário Menor oito anos. Foi neste período que foi aumentando em mim o conhecimento, a admiração e o amor pelo Poverello. Tínhamos no Seminário a Ordem Terceira Franciscana, hoje denominada Ordem Franciscana Secular. As reuniões mensais e o espírito que os nossos formadores, por seu exemplo e palavra, imprimiam à nossa orientação, ajudou muito. O exemplo e o ideal vividos com muito entusiasmo pelos meus formadores, padres e irmãos franciscanos holandeses, foram benéficos. Eles concretizaram para nós o Serafim de Assis. Mais tarde, o noviciado, os anos de preparação para a profissão solene, a graça de, na Itália, visitar os lugares mais queridos ao coração de São Francisco, concorreram para formar em mim uma imagem do Santo da Dama Pobreza e da Perfeita Alegria.

Características de São Francisco

1. A imagem de Deus

Sempre fiquei muito impressionado e atraído pelo amor quente e apaixonado que São Francisco dedica a Deus. Parece que no beijo do leproso ele entendeu, como Saulo no caminho de Damasco, a doação total de Deus a nós em seu Filho Jesus Cristo. Custou a Francisco não só descer do cavalo fogoso que no momento montava, mas muito mais do cavalo do orgulho e da vaidade com que ele queria conquistar o título de grande e nobre. Foi no caminho que a luz de Deus entrou mais forte em seu íntimo. Foi o beijo ao doente rejeitado, nada grande e nada nobre aos olhos dos homens, que fez a Francisco descobrir o enorme amor de Deus que nos dá todo o seu Filho: “Tanto Deus amou o mundo que lhe deu o seu Filho único... “(Jo 3, 16). É aí que aparece o “meu Deus e meu Tudo”. “Quem sou eu, quem sois Vós? Uma noite toda foi insuficiente para saborear esta realidade tão grande. Francisco embeveceu-se no amor divino. A transcendência cantou o coração de Francisco. Mais e mais ele se extasiava diante do Bom Senhor, do Altíssimo, do Sumo Bem, do Único Bem, de todo o Bem. E o que sentia ia-se tornando oração. Convém ler e meditar as orações que brotaram, espontâneas, desta alma toda repleta da imensa misericórdia do seu Senhor.

São Francisco ajuda-nos a redescobrir a verdadeira imagem de Deus e “a graça salvadora de Deus que se manifestou a todos os homens”(Tt 2,11). É nesta imagem bíblica de Deus, assimilada por São Francisco, que se deve procurar a sua devoção à Encarnação do Verbo (presépio), ao Santíssimo Sacramento, à Palavra de Deus, aos Sacerdotes e à Cruz do Senhor.

2. A sua Dama

Francisco viveu numa época conturbada. Fermentos de renovação dentro da Igreja; fermentos novos no mundo dos negócios e da política, onde a riqueza estava sendo vista como o grande valor da vida humana. Na Igreja é o tempo do Papa Inocêncio III. Tempo de muito poder e de muito fausto. Faziam-se sentir diversos movimentos de renovação a partir da pobreza. Infelizmente, tais movimentos queriam conseguir o seu objetivo colocando-se à margem daquele que por Cristo fora posto como Pedra, Pastor, Garantia de Fé.

No mundo dos negócios e da política, as lutas entre os grandes partidos de então, guelfos e de gibelinos, entre as comunas, desejando uma superar a outra em importância e força, entre as classes sociais, buscando os do comércio conquistar os privilégios da classe nobre. É o tempo fogoso da Cavalaria.

Francisco, por influência do próprio pai, estava metido nestas lutas de promoção. O “status” o atraía. Liderança não lhe faltava. Mas, na análise de sua pessoa, percebe-se que, no íntimo, outras forças o estavam trabalhando. Além da graça divina, que tinha os seus desígnios, uma sensibilidade muito forte em relação à realidade social e eclesiástica também jogava o seu papel. E foi assim que Francisco entendeu que o verdadeiro soberano era o seu Deus, que se revelara em Jesus Cristo pobre, pequeno, humildade. O importante não era ser “maior”, como ele com tantos do seu tempo pensavam, mas sim ser “menor”. Sem dúvida alguma a passagem bíblica: “Quem entre vocês quiser ser o maior faça-se o menor”(cf. Lc 22,26), mais tarde repetida aos seus frades, deve já antes ter ressoado no coração do Santo de Assis. Seja como for, Francisco se enamora tanto por ela, porque vê o próprio Jesus Cristo nos enriquecer com sua pobreza” (2Cor 8,9). A formação paulina, num contexto de comunhão de bens (esmolas) entre as Igrejas, torna-se ela luz para uma inteligência mais profunda do mistério de Deus que se comunica ao mundo por seu Filho Jesus, o Filho do seu amor (Cl 1,13). E Francisco nele se inspira.

Começa, na Igreja, uma redescoberta do pobre, precisamente num período em que a Igreja parece ter atingido a culminância do seu poder e de sua influência no mundo. Poder espiritual e poder temporal estavam firmemente enfeixados nas mãos de um Papa que se soubera impor a príncipes e reis, dando ao Sacro Império Romano esplendores nunca dantes vistos e vividos. E foi no coração deste grande monarca que Francisco coloca; o seu modo de vida evangélica. Ele nada mais quer do que observar o Santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, Evangelho que tem a sua conotação específica na vivência da pobreza. Pobreza não à margem da Igreja Romana, mas pobreza no coração da Igreja Romana, em obediência total ao Papa e seus sucessores. Quando Francisco prescreve isto a seus frades, já era o Papa Honório, mas quando Francisco começou era Inocêncio que dominava.

Esta atitude de São Francisco foi obra do Espírito Santo. Foi autêntica intuição evangélica de alguém que era todo poesia. As almas dos poetas são as que, sensíveis, enxergam mais longe.
Em nossos dias revivemos esta redescoberta evangélica do pobre. Partimos de uma realidade diferente daquela do século 12, porque, hoje, nos angustia a injustiça institucionalizada, a injustiça que na sociedade, se tornou estrutura, ao passo que então a riqueza dentro da Igreja e os anseios de grandeza temporal dominavam os homens. Então, como hoje, as resistências dentro e fora da Igreja não são poucas. Entretanto, a profética opção preferencial e solidária pelos pobres corresponde inteiramente ao ideal de São Francisco, porque responde completamente ao Evangelho. E Francisco outra coisa não queria do que o Evangelho em sua mais completa pureza, sem glosa, sem glosa, sem glosa...

O estilo de vida simples, sóbrio e austero que Puebla preconiza para todos os cristãos de nossos dias em identificação sempre mais perfeita com Cristo pobre e os pobres, exprime, sem ambigüidade, o que Francisco, já no século 12, sonhava e via como verdadeira renovação evangélica. Se hoje, partimos de outra realidade para a vivência a pobreza evangélica, o fundamento continua sempre o mesmo: Cristo que, sendo rico, se fez pobre; que sabendo não ser um roubo para Ele o ser igual a Deus, esvaziou-se, fez-se servo, fez-se em tudo solidário com os homens, obediente até a morte e morte de cruz (cf Fl 2,5-9)

3. A perfeita alegria

São Francisco é conhecido como sendo o São Francisco das Chagas, além de ser o São Francisco de Assis. As chagas do Senhor Jesus mostram outra faceta da rica personalidade de Francisco: um apaixonado pela paixão de Jesus Cristo, um apaixonado pela Cruz do Senhor. Tão grande a sua paixão que mereceu experimentar ao vivo na própria carne a paixão sobre a qual tanto meditara e chorara a ponto de ter ficado quase cego. O amor de Deus na Encarnação torna-se, para nós, o mais concreto possível na doação total que a cruz simboliza: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos” (Jô 15,13).

Penso que na mística franciscana da Paixão do Senhor se deva procurar o sentido mais profundo da perfeita alegria que os “Fioretti” nos retratam com forma tão viva e poética. Ser rejeitado pelos próprios irmãos, ser afastado do convívio deles como elemento perigoso, como perturbador da paz e do silêncio de nossa casa, e saber aceitá-lo sem querer mal a quem desconfia de nós, nos machuca, nos revolve na condição mais miserável, - é identificar-se com Jesus rejeitado, escarnecido, esbofeteado, carregado com a cruz, crucificado. A perfeita alegria, está, pois, na mais perfeita identificação com Cristo, o Servo Sofredor de Jahvé.

Parece que o mundo de hoje nos oferece inúmeras oportunidades para vivermos este capítulo da perfeita alegria. Numa época de renovação, exige-se muito espírito de sacrifício, muita renúncia, muita assimilação com a paixão e morte de Jesus Cristo, com a oração sincera: “Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem”(Lc 23,34)

4. Homem livre

Este tríplice olhar evangélico de Francisco – imagem de Deus, Dama Pobreza, perfeita Alegria – fez de Francisco um homem livre, amarrado a ninguém, levando-o a redescobrir a pureza original das criaturas. Indubitavelmente, o Cântico das Criaturas expressa esta liberdade interior e exterior conseguida pelo Santo de Assis. Só uma vida inteiramente aberta a Deus e ao Irmão é capaz de dar à criatura humana o gozo da libertação, que conduz à liberdade pura e santa com que Deus nos criou.

Conclusão

O próprio São Francisco escreveu a conclusão. Dando aos seus seguidores o nome de FRADES MENORES, ele disse tudo. O ser “frade”, o ser “irmão”e o ser “menor”, o ser “pequeno”, o ser “humilde”, o ser “servo”de todos, exprime todo o ideal franciscano, com o seu fundamento em Deus, o único Absoluto, sem ídolos, em total doação. Se os filhos e filhas de São Francisco, nas várias Ordens, Congregações, Institutos, vivessem, ao máximo, este ideal, novo sopro evangélico renovador purificaria o ar da Igreja e do Mundo.

Texto publicado na Revista “Grande Sinal”, 1982. Extraído de http://www.franciscanos.org.br/v3/vidacrista/especiais/2008/saofrancisco_011008/sf_vejo.php acesso em 02 out. 2008.

domingo, 28 de setembro de 2008

Site das Franciscanas da Penitência e Caridade Cristã

Nossa missão é anunciar Jesus Cristo através da educação, serviço social, saúde, inserção em meios populares, catequese e missão além fronteira.

http://www.irmasfranciscanas.com

Site das Franciscanas de Nossa Senhora Aparecida


O Carisma recebido por Madre Clara Maria, a Fundadora, e suas primeiras Companheiras, de viver o Evangelho de Jesus Cristo ao modo de São Francisco e Santa Clara de Assis e a missão de “viverem e atuarem no meio do povo, servindo aos mais abandonados, nos porões da humanidade, onde ninguém se acotovela” vem recebendo crescente cuidado em toda a formação, tanto inicial como permanente. As Irmãs seguem buscando na vida e prática diária a experiência de Betânia, “sendo Martas pela ação sem deixar de ser Marias pelo recolhimento e união com Deus”, na vivência da Caridade, recomendações fundamentais de Madre Clara e Frei Pacífico.

http://www.cifa.org.br

Site das Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora


A Congregação das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora é uma congregação de Irmãs consagradas a Deus, que vivem em fraternidade, partilham a vida, testemunham o amor misericordioso de Deus Uno e Trino, como operárias do Reino, na prática das obras de misericórdia, atentas às necessidades dos irmãos e irmãs a exemplo de São Francisco de Assis e da fundadora, a Bem-aventurada Maria Bernarda Bütler (que será canonisada em 12 out. próximo).

http://www.assecfranciscanas.org.br

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