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terça-feira, 12 de maio de 2009

SIMPLESMENTE MARIA...




















“...e o nome da virgem era Maria.” (Lc. 1,27c)

E Maria disse: “Minha alma glorifica o Senhor, meu espírito exulta de alegria em Deus meu Salvador, porque olhou para sua pobre serva. Por isso, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem.

Manifestou o poder de seu braço: desconcertou os corações dos soberbos. Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes. Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos. Acolheu a Israel, seu servo, lembrando da sua misericórdia, conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre.” (Lc 1,46-55).

Meu Deus, como é forte esta palavra da Virgem cheia de graça; multiplicam-se suas sentenças em favor daqueles que o mundo despreza, pois o “mundo” não ama a Deus e muito menos os filhos de sua predileção. Não é de admirar que a “sempre Virgem Maria” é exaltada nas sagradas Escrituras, como a Mãe do Filho de Deus e mãe dos humildes de Javé; quem quiser compreender o plano de salvação, precisa antes de tudo mergulhar na graça do Senhor e aceitar na fé esse designo divino a respeito da Virgem de Nazaré, designo esse que leva a todos a proclamarem-na “...bem aventurada” em todas as gerações.

De fato, Maria é simples porque soube abraçar a vontade de Deus sem impor condições, aplicando à sua história salvífica as verdades reveladas nas Escrituras, que lia diariamente conforme o costume hebreu; e também pelo anjo que anunciou o nascimento do Salvador. E, imbuída dessa convicção, fez sua entrega total e apaixonante a Deus, gerando em seu seio o Prometido que iria salvar não só o seu povo, mas também toda humanidade.

Maria é realmente a “predileta do Senhor”, porque foi exaltada por Deus antes da realização de suas promessas eternas, tornando-se, assim, o primeiro Sacrário vivo de Deus no mundo; Já imaginaram o que é ficar grávida de Deus, conduzi-LO consigo e ser Uma com Ele na própria carne? Sabe o que isso significa? A primeira pessoa, na história da salvação, a participar, neste mundo, da natureza divina que é Eterna; da permanência no Deus Todo Poderoso, e tudo isso por vontade divina para que nós participássemos também dessa mesma glória.

Caros irmãos e irmãs, citei propositalmente, o cântico do Magnificat no início deste artigo para tomarmos consciência não só do papel fundamental da Virgem em nossa salvação; mas também do nosso papel nessa ligação filial com ela, uma vez que, nada do que se fez até hoje para acontecer a graça da redenção, deixou de realizar-se primeiramente nela.

Na verdade, “o hino maravilhoso do Magnificat que a Santíssima Virgem entoou louvando a glória do Senhor e agradecendo-lhe as maravilhas que nela havia operado, é como que, a parte do solista que a humanidade encomendou à Virgem e que ela executou em nome de toda a humanidade, que desta forma agradecia a Deus o fato de ter-se feito homem para salvar todos os homens.”

Agora, caríssimos irmãos e irmãs, cabe a nós reconhece as “grandes coisas” que Deus fez na vida de Nossa Senhora e, por meio dela na nossa vida, e como filhos e filhas que somos, lhes prestarmos a devida estima que a própria Palavra de Deus nos ensina: “...e todas as gerações me proclamarão bem-aventurada.”

Salve, ó Virgem Mãe! O teu amor nos consola, cobre-nos com o teu divino manto e faz-nos participantes da salvação que teu Filho realizou em favor de todos nós. Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo! Amém!

Paz e bem!

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FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.

Vemos a possibilidade de uma unidade que não depende da uniformidade

Atualizado em 18 maio 2009.

PEREGRINAÇÃO
DO SANTO PADRE BENTO XVI
À TERRA SANTA
(8-15 DE MAIO DE 2009)

ENCONTRO COM AS ORGANIZAÇÕES
PARA O DIÁLOGO INTER-RELIGIOSO

DISCURSO DO PAPA BENTO XVI

Auditório de Notre Dame no Jerusalem Center
Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

* * *

Amados Irmãos Bispos
Ilustres Chefes religiosos
Estimados amigos

É para mim motivo de grande alegria encontrar-me convosco nesta tarde. Desejo agradecer a Sua Beatitude o Patriarca Fouad Twal1 as suas gentis palavras de boas-vindas, expressas em nome de todos os presentes. Retribuo os calorosos sentimentos manifestados e, cordialmente, saúdo todos vós e os membros dos grupos e das organizações que representais.

"O Senhor disse a Abrão: "Sai da tua terra, do meio dos teus parentes e da casa de teu pai, e vai para a terra que Eu te indicarei"... Então, Abrão partiu... e levou consigo a sua esposa Sarai" (Gn 12, 1-5). A inesperada chamada de Deus, que assinala os primórdios da história das tradições da nossa fé, foi ouvida no meio da comum existência quotidiana do homem. E a história que daqui derivou foi plasmada, não no isolamento, mas através do encontro com as culturas egípcia, hitita, sumera, babilónia, persa e grega.

A fé é sempre vivida dentro de uma cultura. A história da religião demonstra-nos que uma comunidade de crentes procede por graus de fidelidade plena a Deus, haurindo da cultura que encontra e plasmando-a. Esta mesma dinâmica encontra-se nos crentes individuais das três grandes tradições monoteístas: em sintonia com a voz de Deus, como Abraão, respondemos à sua chamada e partimos em busca do cumprimento das suas promessas, esforçando-nos por obedecer à sua vontade, traçando um percurso na nossa cultura particular.

Hoje, cerca de quatro mil anos depois de Abraão, o encontro de religiões com a cultura realiza-se não simplesmente num plano geográfico. Determinados aspectos da globalização e em particular o mundo da internet criaram uma vasta cultura virtual cujo valor é tão diversificado quanto as suas inúmeras manifestações. Indubitavelmente, muito se realizou para criar um sentido de proximidade e de unidade no interior da família humana universal. No entanto, ao mesmo tempo, o uso ilimitado de portais através dos quais as pessoas têm fácil acesso a fontes indiscriminadas de informação pode tornar-se facilmente um instrumento de fragmentação em crescimento: a unidade do conhecimento é fragmentada e as complexas habilidades de crítica, discernimento e discriminação, apreendidas das tradições académicas e éticas, são por vezes eludidas ou até descuidadas.

A pergunta que depois surge naturalmente é, que contribuição a religião oferece às culturas do mundo, que se oponha à recaída de uma globalização tão rápida? Enquanto muitos estão prontos para indicar rapidamente as aparentes diferenças entre as religiões, como crentes ou pessoas religiosas nós somos postos diante do desafio de proclamar com clareza aquilo que temos em comum.

O primeiro passo de Abraão na fé, e os nossos passos rumo à e da sinagoga, igreja, mesquita ou templo percorrem a senda da nossa história humana individual, preparando o caminho, poderíamos dizer, para a Jerusalém eterna (cf. Ap 21, 23). De modo semelhante, cada cultura com a sua capacidade específica de dar e de receber confere expressão à única natureza humana. Todavia, o que é próprio do indivíduo nunca é expresso plenamente através da sua cultura, mas sobretudo transcende-a na busca constante de algo que está mais além. Queridos amigos, a partir desta perspectiva nós vemos a possibilidade de uma unidade que não depende da uniformidade. Enquanto as diferenças que analisamos no diálogo inter-religioso podem, por vezes, parecer barreiras, todavia elas não exigem o ofuscamento do sentido comum de temor reverencial e de respeito pelo universal, pelo absoluto e pela verdade que impele as pessoas religiosas, antes de tudo, a estabelecer relacionamentos umas com as outras. É, ao contrário, a convicção participada que estas realidades transcendentes encontram a sua fonte no Omnipotente e dele têm vestígios aquele Omnipotente que os crentes elevam uns diante dos outros, às nossas organizações, à nossa sociedade e ao nosso mundo. Deste modo, nós não só enriquecemos a cultura, mas também a podemos plasmar: vidas de fidelidade religiosa ressoam a presença impetuosa de Deus e assim formam uma cultura não definida pelos limites do tempo e do lugar, mas fundamentalmente plasmadas pelos princípios e pelas acções que provêm da fé.

A fé religiosa pressupõe a verdade. Quem acredita é aquele que procura a verdade e vive com base nela. Embora o meio através do qual nós compreendemos a descoberta e a comunicação da verdade difira parcialmente de uma religião para outra, não devemos desanimar-nos nos nossos esforços por dar testemunho do poder da verdade. Juntos, podemos proclamar que Deus existe e que pode ser conhecido, que a terra é sua criação, que nós somos suas criaturas e que Ele chama cada homem e cada mulher a um estilo de vida que respeita o seu desígnio para o mundo. Amigos, se julgamos que temos um critério de juízo e de discernimento que é divino na sua origem, e destinado a toda a humanidade, então não podemos cansar-nos de levar tal conhecimento a influenciar a vida civil. A verdade deve ser oferecida a todos; ela é útil para todos os membros da sociedade. Ela lança luz sobre a fundação da moralidade e da ética, enquanto permeia a razão com a força de ir além dos próprios limites para dar expressão às nossas mais profundas aspirações comuns. Longe de ameaçar a tolerância das diferenças ou da pluralidade cultural, a verdade torna possível o consenso e mantém razoável, honesto e verificável o debate público, e abre o caminho para a paz. Com efeito, promovendo a vontade de ser obedientes à verdade, amplia o nosso conceito de razão e o seu âmbito de aplicação, enquanto torna possível o diálogo genuíno das culturas e das religiões, de que hoje há particularmente necessidade.

Contudo cada um de nós aqui presentes sabe que hoje a voz de Deus é ouvida menos claramente, e a própria razão em tão numerosas situações chegou a tornar-se surda ao divino. Porém, aquele "vazio" não é um vazio de silêncio. Pelo contrário, é a confusão de pretensões egoístas, de promessas vazias e de esperanças falsas, que tão frequentemente invadem o próprio espaço em que Deus nos procura. Então, podemos nós criar espaços, oásis de paz e de profunda reflexão, onde a voz de Deus possa ser novamente ouvida, onde a sua verdade possa ser descoberta no interior da universalidade da razão, onde cada indivíduo, sem distinção de morada ou de grupo étnico, ou de cor política, ou de credo religioso, possa ser respeitado como pessoa, como ser humano, como um nosso semelhante? Numa época de acesso imediato à informação e de tendências sociais que geram uma espécie de monocultura, a profunda reflexão que contrasta o afastamento da presença de Deus há-de revigorar a razão, estimulará o génio criativo, facilitará a avaliação crítica dos costumes culturais e sustentará o valor universal do credo religioso.

Prezados amigos, as instituições e os grupos que vós representais comprometem-se no diálogo inter-religioso e na promoção de iniciativas culturais num vasto âmbito de níveis. Das instituições académicas e aqui quero fazer uma menção especial das conquistas extraordinárias da Universidade de Belém aos grupos de pais em dificuldade, das iniciativas através da música e das artes ao exemplo corajoso de mães e pais comuns, dos grupos de diálogo às organizações caritativas, vós diariamente demonstrais a vossa convicção de que o nosso dever diante de Deus não se exprime somente no culto, mas inclusive no amor e na atenção à sociedade, à cultura, ao nosso mundo e a todos aqueles que vivem nesta terra. Alguém gostaria que nós acreditássemos que as nossas diferenças são necessariamente causa de divisão e, portanto, no máximo deveriam ser toleradas. Alguns chegam mesmo a afirmar que as nossas vozes devem simplesmente ser silenciadas. Mas nós sabemos que as nossas diferenças jamais devem ser erroneamente representadas como uma inevitável fonte de atrito ou de tensão, quer entre nós mesmos, quer mais vastamente na sociedade. Pelo contrário, elas oferecem uma maravilhosa oportunidade para pessoas de diferentes religiões de viver juntas em profundo respeito, estima e apreço, encorajando-se reciprocamente nos caminhos de Deus. Impelidos pelo Omnipotente e iluminados pela sua verdade, possais vós continuar a caminhar com coragem, respeitando tudo aquilo que nos diferencia e promovendo tudo quanto nos une como criaturas abençoadas pelo desejo de levar esperança às nossas comunidades e ao mundo. Deus nos oriente ao longo deste caminho!

Extraído de http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2009/may/documents/hf_ben-xvi_spe_20090511_dialogo-interreligioso_po.html acesso em 18 maio 2009.

Ilustração: Bamberg, Dom St. Peter und St. Georg Adamspforte : Papstwappen Benedikts XVI / photo: Andreas Praefcke. Sept. 2008. Disponível em http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Bamberg_Dom_Adamspforte_Papstwappen.jpg acesso em 12 maio 2009.

Nota de Eugenio Hansen, OFS:
1 Patriarca Latino de Jerusalém.



São Leopoldo Mandic : 12 maio

Sacerdote da Primeira Ordem (1866-1942).
Canonizado por João Paulo II a 16 de outubro de 1983.

Nasceu em Castelnuovo de Cattero na Dalmácia em 12 de maio de 1866, de família croata, batizado com o nome de Adeodato, filho de Pedro Mandic e Carla Zarevic. Seus pais, profundamente religiosos o educaram nos mais elevados sentimentos a Deus e aos homens. Aos 16 anos, sentindo o chamado para preparar o regresso dos Orientais a unidade com a Igreja Católica, abandonou sua casa paterna e entrou na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos. A 20 de setembro de 1880 em Veneza foi consagrado sacerdote. Convencido cada vez mais de que o Senhor o chamava para a grande obra, pediu insistentemente a seus superiores que se lhe permitisse partir ao Oriente para dedicar sua vida a reunificação dos cristãos ortodoxos. As precárias condições de sua saúde não o permitiram, e ele inclinou a cabeça a vontade dos superiores e passou por diversos conventos dedicando-se ao ministério da confissão, até que em 1909 foi destinado ao convento de Pádua para atender estavelmente o confessionário. Aí permaneceu até a sua morte.

Uma pequena cela adjacente à igreja se converteu no campo de seu maravilhoso apostolado: A confissão. Este divino ministério se converteu nas mãos de São Leopoldo em uma poderosa arma para a salvação das almas, para seu progresso aos caminhos de Deus. Atendia todo o dia sem hora de repouso, sem férias, apesar do tórrido calor do verão e do intenso frio do inverno; em sua celinha nunca teve calefação.

Logo a desmantelada celinha se convertem em um farol luminoso que atraía a inumeráveis almas necessitadas de paz e de consolo; para todos São Leopoldo tinha palavras de perdão, de consolo, de estímulo ao bem. Só o Senhor sabe quantos penitentes se prostraram ante ele em quarenta anos, quanto bem logrou realizar. E todo em silêncio mais absoluto, em um profundo ocultamento. Nenhum barulho a seu redor. Pedia ao Senhor poder fazer o bem de modo que ninguém o suspeitasse. E foi escutado, porque nem o jornal, nem os meios se ocuparam dele. Deus somente tinha que ser glorificado em sua humilde pessoa. Sofrendo sempre, suportou tudo para a salvação das almas que se acercavam dele, e inclusive impondo-se penitências ocultas. No descansava mais de quatro horas.

Chegou aos setenta e seis anos. Um tumor no esôfago lhe arrebatou a vida na manhã de 30 de julho de 1942, enquanto se preparava para celebrar a Missa. Naquela manhã ele mesmo se tornou vítima no altar do Senhor. Suas últimas palavras foram uma invocação a Virgem, da qual sempre havia sido devoto. Era convicção de todos que havia morrido um santo. Seu corpo foi sepultado em uma capela junto ao confessionário, e foi encontrado incorrupto.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2009

“Unidos na tua mão” (Ez 37,17)
24 a 31 de maio

O tema desta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos inspira-se no capítulo 37 do profeta Ezequiel “unidos na tua mão” (37,17). Este gesto profético de aproximar dois feixes de madeira é a imagem da reunificação dos reinos do Norte e do Sul: “Aproxima os dois feixes de madeira, de modo a que formem uma vara só e fiquem unidos na tua mão” (Ez 37,17). Deus conta com a ação do profeta para construir a unidade.

Como cristãos, entrevemos nesta profecia uma prefiguração da vida nova, que Cristo nos oferece. Unindo os dois pedaços do madeiro da Cruz, Jesus reconcilia-nos com Deus e a Humanidade enche-se de uma nova esperança. Apesar das divisões, Jesus Cristo – com os braços abertos na Cruz – abraça toda a criação e dá-nos a Paz de Deus. Elevado na Cruz, atrai-nos para Si e faz-nos “um”, em Suas mãos. Somos inspirados pelo Espírito Santo a iniciarmos um caminho novo rumo à unidade autêntica. Ela há de construir-se na escuta da Palavra que purifica, ilumina os corações, orienta para Deus e nos abre ao diálogo fraterno com os irmãos.

A Semana de Oração é um convite a rezar juntos pela unidade, um processo de educação das comunidades no caminho da reconciliação, para transformar as nossas relações humanas conforme o Evangelho. Fica o convite para aderir a esta oração nas famílias, nas escolas, nas universidades e no coração de cada um. A simples iniciativa desta semana, todos os anos, é, por si mesma, uma evidência forte da eficiência da oração pela unidade, uma alegria e motivo de gratidão a Deus. Vamos todos celebrar este importante momento de fé, de esperança e de oração na certeza de que estamos “unidos nas mãos do Senhor”. O livreto com as celebrações da semana pode ser adquirido pelo telefone (61) 3321-4034, na Secretaria Geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil – CONIC.

Rev. Luiz Alberto Barbosa
Secretário Geral do CONIC

Extraído de http://www.conic.org.br/index.php?system=news&news_id=829&action=read acesso em 10 maio 2009.

João de la Rochelle

João de la Rochelle (1200-1245), discípulo de Alexandre de Hales, passou a seu regente auxiliar por volta de 1235, sucedendo-o pelos anos de 1238 ou 1239. Faleceu relativamente jovem em 1245, no mesmo ano que seu mestre.

Deixou uma obra expressiva, Summa de anima (editada por Dominichele, Prato, 1882), e ainda De vitiis, De virtutibus, De praeceptis, De articulis fidei.

 

Prosseguiu, João de la Rochelle, como Alexandre de Hales, na tarefa de conciliação do iluminismo agostiniano e da abstração peculiar do aristotelismo.

Deus e os primeiros princípios são alcançados por uma iluminação, de que Deus seria o inteleto agente.

O inteleto agente é admitido para a abstração das formas dos corpos, e é individual em cada alma. O aristotelismo de João de la Rochelle é, pelo que se vê, muito mais adiantado que o do secular Guilherme d’Auvergne, seu contemporâneo (vd 76), e que fora um dos primeiros a condescender com o mestre do Liceu. 
  

Na descrição dos detalhes João de la Rochelle revelou adiantado espirito filosófico.

Descreveu a elaboração dos sensíveis comuns, como a grandeza, o movimento, o repouso, o número. Reúne o sentido comum os dados particulares dos sentidos externos, os conserva e com eles forma os sensíveis comuns.

abstração consiste numa apreciação (aestimatio) dos aspectos inteligíveis sem os sensíveis, que não é senão a ação do inteleto agente dos aristotélicos; a seguir procede-se a predicação à muitos, em que consiste a intelecção exercida pelo inteleto possível.

"A faculdade intelectiva apreende a forma corporal e a despoja do movimento, de todas as circunstâncias da matéria e da mesma singularidade, e a apreende em si mesma, nua, simples e universal.

Com efeito, se não for despojada assim pela consideração do inteleto, ela não poderia ser conhecida como uma forma comum predicável de todos os indivíduos. Deve-se, pois, distinguir estes degraus na ordem da abstração dos corpos: primeiramente, nos sentidos; em segundo, na imaginação; em terceiro na apreciação (aestimatio); em quarto, no inteleto" (citado por É. Gilson).

Abandonou ainda a teoria da matéria espiritual, que seu mestre Alexandre de Hales houvera ainda conservado do agostinianismo. Percebe-se também que estabelecia uma distinção, entre essência e existência, no que verificamos um aproveitamento de Avicena. 


  

Libertação: Encontro com Deus

"Toda verdadeira libertação,
na perspectiva cristã,
arranca de um profundo
encontro com Deus
que nos lança à ação comprometida."


Santo Inácio de Láconi : 11 maio

Religioso da Primeira Ordem (1701-1781). Foi canonizado por Pio XII em 21 de outubro de 1951.

Inácio, segundo dos nove irmãos, foi batizado com o nome de Francisco. Nasceu em Láconi, na Sardenha, em 17 de novembro de 1701. Era filho de Matias Peis Cadello e Ana María Sanna Casu, pobres de bens, porém ricos de fé. Desde menino se distinguiu pela bondade e devoção; já adolescente praticava contínuas mortificações e severos jejuns.

Aos 18 anos ficou gravemente doente e fez voto de entrar como Capuchinhos se ficasse curado. Mais tarde escapou de outro perigo mortal, e por isto manteve seu voto. A 03 de novembro de 1721 foi para Cagliari e se apresentou no convento dos capuchinhos de Bom Caminho, donde, rechaçado a princípio devido sua débil aparência, foi finalmente recebido. Em 10 de novembro de 1721 tomou o hábito religioso dos Frades Menores Capuchinhos no convento de São Benedito. No final do ano de noviciado foi transferido ao convento de Iglesias, onde teve o encargo de cuidar das provisões e ao mesmo tempo se incumbiu de pedir esmolas nos campos de Sulcis. Transcorridos 15 anos de caminhada nos diversos conventos, foi enviado de novo para Cagliari, no convento do Bom Caminho, para confeccionar os hábitos religiosos para depois ser esmoleiro na cidade, ofício de grande importância e responsabilidade.

Cagliari foi durante 40 anos o campo de seu apostolado, desenvolvido com grande amor, entre os pobres e pecadores. Era venerado por todos pelo esplendor de suas virtudes. José Funes, um pastor protestante, que naquele tempo viveu em Cagliari, em uma carta a um amigo dele na Alemanha assim se expressou: "Vemos todos os dias andar pela cidade pedindo esmola um santo vivente, um irmão leigo capuchinho, que é venerado pelos seus compatriotas". Ele tornou-se uma figura típica, quase insubstituível da cidade. Pedia uma parte da oferenda para ajudar os necessitados e por outro lado, retribuía com bons conselhos, exortava na prática das virtudes.

Era conhecido, respeitado e amado por todos. Sempre estava no mesmo lugar, na mesma morada, com a mesma humildade, caridade, simplicidade e bondade.

Havendo ficado cego em 1779, passou os últimos anos de sua vida em profunda oração até o dia de sua gloriosa morte, que teve lugar em Cagliari em 11 de maio de 1781. Tinha 80 anos. Seu corpo se conserva na igreja de Bom Caminho, em Cagliari, onde é muito venerado.

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