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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

SÉRIE MEDITAÇÕES: O QUE QUERO EU DA VIDA?



SÉRIE MEDITAÇÕES

O QUE QUERO EU DA VIDA?

Pensando bem, da vida eu quero somente o que a vida me convém ela mesma, em conformidade com a vontade de Deus. “Pois de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier perder sua vida? Ou que dará o homem em troca da sua vida?” (Mc 8,35-36). Sim, é isso mesmo o que quero, pois aprendi do Senhor que nada tenho, porque tudo o que tenho são dádivas do Senhor que em seu infinito amor nos concedeu para que tenhamos vida e bem estar no mundo.

Fora disso, tudo o mais é perca de tempo, do bom convívio e medo de perder tudo, até mesmo a vida; isto porque os maus associam os bens materiais à ela e tentam tira-la a todo custo para obterem os dividendos que buscam, só que inutilmente, pois ao perderem também a vida, nada poderão levar consigo para o dia do julgamento (cf. Heb 9,27), a não ser todo o mal que causaram aos seus semelhantes, e isto como prova de sua condenação.

De fato, “Aqueles que ambicionam tornar-se ricos caem nas armadilhas do demônio e em muitos desejos insensatos e nocivos, que precipitam os homens no abismo da ruína e da perdição. Porque a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro. Acossados pela cobiça, alguns se desviaram da fé e se enredaram em muitas aflições”. (1Tim 6,9-10).

Portanto, vivamos a vida como ela é, simplesmente acolhendo-a como dádiva do nosso Criador e Pai de nossas almas, crendo firmemente, que em seu Filho, Jesus Cristo, ela é eterna para além de tudo o que somos ou temos neste mundo, pois Jesus nos ensinou: “Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, e eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar. Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e tomar-vos-ei comigo, para que, onde eu estou, também vós estejais”. (Jo 14,1-3).

Senhor, confiamos ardentemente nessa verdade que revelaste, e abraçamos com amor o que dissestes: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim”. Eis-nos aqui Senhor, realiza o teu querer e executar em nosso viver, pois te amamos e te adoramos como o único Senhor, que nos deu a vida e com ela a salvação eterna. Amém!

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.


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Retiro Franciscano Secular: 1º dez. 2012

Natal princípio de um homem novo

e de uma nova criação

Data: 1º de Dezembro, Sábado
Horário: 8h até 18h
Local: Igreja São Francisco de Assis
           R. Domingos Crescência esq. Rua São Luís
           Porto Alegre - RS
Informações: (51) 3223-3244
Orientação: Frei Dorvalino Fassini, OFM


Promoção: Fraternidade Franciscana Secular N. Sª dos Anjos da Porciúncula

Livro: Santa Clara e as Clarissas em Portugal

Livro para download:

Santa Clara e as Clarissas em Portugal :
VIII centenário do nascimento de Santa Clara (1193-1194 - 1993-1994)
Autores: Portugal. Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro
Imprenta: Lisboa : Inst. da Biblioteca Nacional e do Livro, 1994
Descrição física: [2], 124, [1] p. : il.
ISBN: 9725651499

Baixem de:










quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Refletindo sobre a pobreza

por Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM
Vivemos no mundo do dinheiro, da força, do poder, do euro, do dólar, dos bancos nacionais, dos bancos internacionais, do aumento ou da diminuição do PIB, das subidas e descidas das Bolsas de Valores, do lucro. Vamos refletir sobre a pobreza desse certo Francisco de Assis. Temos diante dos olhos um texto feito pelo frade franciscano francês Pierre Brunette.  Servimo-nos dele  para fazer uma pequena meditação sobre a pobreza em Francisco sem pretensão de exaurir o tema. 
Francisco nunca  fala ou se refere a uma pobreza em si. Ele a personifica. Antes designá-la de irmã ou de senhora, encontra-a  na pessoa de Cristo e de sua mãe.  Jesus é o pobre que ele anuncia, o perfeito itinerante, “nascido para nós em caminho”;  na espiritualidade de Francisco, Jesus  pede esmola como um indigente e um andarilho, sofrendo as provações da vida como a fome, a sede, as humilhações, a fraqueza e  a perseguição. Francisco vê Jesus  rezar na cruz na condição de um mendigo, de alguém que foi abandonado, mas que confia.

Casamento de São Francisco com a Pobreza / Giotto
Francisco apreciava uma expressão:  “Seguir as pegadas  de Nosso Senhor Jesus Cristo”.  Frei Leão recebeu este aviso carinhoso no bilhete que Francisco  lhe deu.  A atitude de pobreza está vinculada com a da humildade.  Pobreza  e humildade são as primeiras virtudes cantadas em seu Louvores às Virtudes.  Pierre Brunette diz literalmente: “São os traços de Cristo que Francisco discerne no rosto de todo pobre que é encontrado. Assim, a pobreza é lugar de encontro, ao mesmo tempo que opção social”

Ser pobre para  Francisco é:  um modo de se comportar fraternalmente, de se vestir de trajes rudes, de se alimentar frugalmente, de trabalhar com as próprias mãos, de prestar serviço nas terras de outros, de recusar dinheiro e privilégios, de recorrer à mendicância em caso de necessidade, de nada reivindicar.

A pobreza é uma herança: “Esta é aquela sublimidade da altíssima pobreza  que vos constituiu, meus irmãos caríssimos, herdeiros e reis do reino dos céus, vos fez pobres de coisas, vos elevou em virtudes. Seja esta a vossa porção que vos conduz à terra dos vivos. Aderindo totalmente a ela, irmãos diletíssimos, nenhuma outra coisa jamais queirais de baixo do céu em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo”  (Regra Bulada 6).

Para Francisco, a primeira coisa pedida aos irmãos que chegam é que vendam seus bens,  deem seus bens aos pobres para poderem viver evangelicamente.  A pobreza exterior é decorrência de uma atitude interior. O espírito de pobreza é espírito de desapropriação do ser e dos bens, sobretudo da vontade própria. A ideia de restituir a Deus o que é de Deus  nos escritos de Francisco é ressaltada em nossos dias. “E restituamos todos os bens ao Senhor Deus altíssimo e sumo e  reconheçamos que todos os bens são dele e por tudo demos graças a ele, de quem procedem todos os bens. E o mesmo altíssimo e sumo, único Deus verdadeiro, os tenha, e lhe sejam restituídos, e ele receba todas as honras e reverências, todos os louvores e bênçãos, todas as graças e glória, ele de quem é  todo o bem, o único que é bom” (Regra não bulada  17, 17-18)

A pobreza franciscana é um lugar social de solidariedade.  Francisco pedirá a seus irmãos não somente que visitem os pobres, mas vivam entre eles, servi-los como pobres servem a pobres,  submissos a todos. Os frade deveriam se assemelhar a eles por seu modo de vida e por sua mentalidade de desapropriação. Francisco não separa a pobreza material da pobreza em espírito tanto para os frades quanto para os leigos casados que queriam viver à maneira do Poverello.

  • Obs.: Inspirado em  Pierre Brunette,  François d’Assise et ses conversions, Ed. Franciscaines de Paris, p. 139ss.
  • Extraído de http://www.franciscanos.org.br/?p=26656 acesso em08 nov. 2012.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

As reformas no interior da Ordem de Santa Clara Séculos XV e XVI

Introdução

O século XIV assinala para as Clarissas, assim como para os franciscanos, um período de queda no fervor e na observância inicial. Crescendo o número de Irmãs, cresceram também as posses e vendas acumuladas pelas doações de generosos benfeitores e pelos dotes. Passaram a existir condescendências fáceis para o luxo, recorrendo-se mesmo às dispensas pontifícias da vivência da pobreza.
 
Facilmente eram admitidas nos mosteiros damas nobres, que por motivos interesseiros, não eram modelos de virtudes, mas até mesmo pedra de escândalo para as Irmãs simples. Essas damas da nobreza procuravam conseguir rodear-se de pompas e de criadagem dentro dos claustros, obtendo privilégios papais, contrariando assim expressamente o que dispunha Santa Clara na sua Regra. Com o cisma do Ocidente, em que três papas dirigiam a Igreja ao mesmo tempo, e a confusão reinara, a situação piorou seriamente. A Clausura, que por bula de Bonifácio VIII, em 1298, (“Periculoso”) havia se convertido em lei universal para todos os mosteiros femininos, mas que por motivos diversos deixava-se de observar com freqüência, deu ocasião a numerosas intervenções dos visitadores e alguma vez da própria Santa Sé.

Visão da Beata Clara de Rimini 
Os Estatutos de Benedito XII, em 1336, trataram de por fim aos abusos, com uma reorganização da vida religiosa, segundo formas mais acentuadamente monacais. Porém, a decadência era visível e aumentava. Naquilo que toca a Ordem de Santa Clara, com a independência dos mosteiros entre si, não se pode falar de uma decadência simultânea nem universal. Não faltaram exemplos de santidade, ainda que raros no século XIV: a Bem-aventurada Matia de Matélica (1253-1319)). a Bem-aventurada Clara de Rímini (+1326) e a Bem-aventurada Petronila de Troyes (+1355) comprovam isto. Além disso, a aspiração de Santa Clara de ver suas filhas sendo orientadas e ajudadas pelos frades Menores ia aos poucos se realizando. Os Provinciais foram aos poucos assumindo o cuidado das Clarissas em diversas regiões. Além do recurso ordinário às visitas canônicas houve, sobretudo a partir da segunda metade do século XIV visitadores apostólicos extraordinários, alguns encarregados de reformar mosteiros em algumas regiões. Esse foi o caso dos mosteiros de Clarissas no reino de Castela, por exemplo, entre os anos de 1373-1376. Quatro franciscanos foram encarregados de visitá-los e reformá-los.

Também a excessiva duração dos cargos tornou-se prejudicial nesta época de decadência do espírito primitivo da Ordem. Clara não limita o tempo de governo da abadessa, mas dispôs que quando j  não fosse idônea para o serviço e atividade das Irmãs, estas a depusessem e elegessem outra. Esse recurso jurídico não era de fácil aplicação. Em 1405, o Papa Inocêncio VII declarou que as abadessa não fossem vitalícias, mas eleitas a cada dez anos. Mais tarde o tempo foi reduzido a três anos. Entretanto, continuaram a existir mosteiros onde a abadessa continuava a ser vitalícia.

As reformas e os remédios não poderiam vir de fora. A verdadeira reforma vem sempre de dentro, do contato com o verdadeiro espírito que move a vivência evangélica. Senão, quando muito podem sustentar a observância exata das prescrições e evitar abusos, mas são vazios de idealismo.

A Ordem de Santa Clara, que desde o princípio representou um novo princípio de vida evangélica, sofreu com as estruturas impostas de fora. Mas os ideais da Regra própria de Santa Clara serviram  sempre como fermento renovador. Numerosas clarissas fizeram a experiência de amar e de atualizar em sua época o seu ideal. Essas reformas nasceram de dentro. Outras surgiram a partir de fora, da parte da Igreja ou dos Frades, mas foram acolhidas como bênção e realização de esperanças.

Estudaremos as grandes reformas da Ordem surgidas nos séculos XV e XVI. Ao renovar-se o ideal, abriu-se o caminho para a restauração da regularidade, da vida comum, da clausura, da oração, da sororidade e da dimensão penitencial, com um novo espírito, radicado em Clara - a fundadora - mas que recebeu característica peculiares, segundo a época e os lugares, das diversas reformadoras ou reformadores.

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