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sábado, 6 de março de 2010

Benção de São Francisco

O Sentido da Benção de São Francisco.

Benedicat tibi Dominus

http://vocacaofranciscana.blogspot.com

Os planos de Pedro Bernadone e os Planos de Deus


Francisco nasceu em 1181 ou 1182, em Assis, Itália. Era filho de Pedro Bernardone, mercador de tecidos, e de Dona Pica. Recebeu, no batismo, ocorrido na catedral de São Rufino, o nome de João. Seu pai, ao regressar da Provença, mudou para Francisco (Francesco, Pequeno francês ou Francês), em homenagem à França, aonde ia abastecer-se de panos.
Seu nome foi uma jogada política e econômica do pai. O Sonho de Pedro Bernardone era grande. Seu filho seria um grande comerciante. O nome Francisco facilitaria o acesso aos franceses. Foi também uma homenagem a esposa, Dona Pica, que era de origem francesa.
Bernadone abastecia sua loja com os melhores panos da França. E seu “pequeno Francês” continuaria a visão empresarial do Pai.
Bernadone foi um pai responsável. Buscou ver sua família encaminhada e com prosperidade. Trabalhava com o zelo e conforto da família. Não desejava ver seus filhos passarem fome. Sua função era dar estabilidade e honra para a sua posteridade. Por isso também pensou em enviar Francisco as Cruzadas para que o mesmo alcançasse o título de cavaleiro. Foi um bom pai. No filme italiano do diretor Fabrizio Costa, Clara e Francisco (lançado no Brasil pela Editora Paulinas em 2008), o papel de Pedro Bernadone é muito bem retratado. Retrata a sua angústia, sua força, seu egoísmo e seu amor em levar um cobertor para Francisco quando este estava morrendo.
Pedro Bernadone tinha planos para seu filho. Ele só não contava com o fato de que Deus tinha outros planos.
O pai da terra queria seu filho rico. O pai do céu por sua vez deseja seu filho rico espiritualmente. Transformou Francisco no homem mais rico da história da Igreja. Considerado pelos leitores da Time como a maior personalidade do segundo milênio. Um homem rico de Deus. Rico do céu. Rico do Evangelho. Rico de santidade. Rico de compromisso com o Senhor Jesus. Rico no exemplo. Rico no despojamento. Rico em sua conversão e fidelidade ao Pai eterno.
Bernadone não sabia que O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do SENHOR – Pv 16.1.
Francisco pega caminhos diferentes dos sonhos do pai. Ele faz uma opção em ser pobre. Totalmente pobre. Pobre como Jesus na cruz. Seu pai não entende, mas Francisco se transforma no homem segundo o coração de Deus.
Quais são os planos que você tem para sua própria vida?
Cuidado! Deus pode ter planos totalmente diferentes. Busque o que está no coração de Deus. Viver segundo Deus é melhor.

Irmão Edson Cortasio Sardinha, oesi – Pastor Metodista – edsoncortasio@hotmail.com

quinta-feira, 4 de março de 2010

Francisco de Assis era cátaro?

O fato de Francisco ser próximo ao catarismo (1), ou simpatizar com os cátaros, ou até que ele mesmo fosse cátaro são temas que a cada tanto ressurgem em uma literatura que – sem sombra de desprezo – não só é especialística (isto é, não tem nenhuma conotação de especialização científica relativa aos temas que aborda), mas que, em geral, parte de uma tese: a do "mistério", da "palavra perdida", ou simplesmente do "engano" colocado em ação pela Igreja para se apropriar de qualquer um ou de qualquer coisa.

Depois, o fato de que essa literatura também possa incluir entre os seus exemplos casos de livros bem escritos, frutos do cansaço e do compromisso de pessoas apaixonadas e dotadas de um bom nível de cultura geral é muito raro: mas pode acontecer. Só que isso não acrescenta nada ao fato de que se tratam de vozes cientificamente irrelevantes.

A análise é de Franco Cardini, publicada no jornal dos bispos italianos, Avvenire, 02-02-2010. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Diante de um livro de história de um personagem do início do século XII, importante sob o perfil religioso, quem se encontra com um novo livro nas mãos deve principalmente controlar se o autor conhece três coisas: as fontes específicas do assunto, a literatura científica relativa, o contexto histórico para colocar o personagem e a história dos quais se fala.

Tais competências não resultam do exame de "L’albero del Bene", recente livro de Giuseppe A. Spadaro, que arrisca no subtítulo até a definição de "São Francisco, teólogo cátaro" (Ed. Arkeios, 292 páginas).

Na realidade, além da impostação esotérica da apresentação do cristianismo, trata-se de um elenco de observações que extrapolam sem ordem algumas das fontes e da biografia franciscana e reordenadas arbitrariamente de modo a permitir que o autor responda afirmativamente à questão se Francisco era cátaro ou se a sua doutrina tinha pontos de contato com a doutrina cátara (o que, manifestamente, não é a mesma coisa). Tudo sob a luz de um conhecimento erudito genérico e esquemático do catarismo e de pouquíssimos dados sobre Francisco, sua personalidade, seu tempo, o contexto histórico no qual ele se moveu.

Hoje sabemos bem – e sobre isso há uma ampla concordância entre os especialistas – que o catarismo foi o complexo resultado do encontro entre movimentos religiosos de caráter evangélico e seitas cristãs de origem balcânica (os "bogomilos"), herdeiros por sua vez de uma tradição que, por meio do paulicianismo anatômico, se religava ao maniqueísmo.

Os pregadores cátaros, que até a metade do século XII tiveram um grande sucesso em uma ampla área entre a Provença, a Renânia, a Lombardia e a Toscana, se apresentavam como bons cristãos que propunham uma reforma moral da Igreja que chegasse a refundar a pura comunidade das origens.

Mas o catarismo correspondia a uma seita iniciática, fundamentalmente baseada em dois níveis: no primeiro, o dos "crentes", ensinava-se a "pura doutrina cristã", principalmente por meio do Evangelho de João. No segundo, o dos "perfeitos", recebia-se uma espécie de rito de iniciação, o "consolamentum" (um "batismo espiritual").

Os hereges "consolados" ou "perfeitos" eram obrigados a se mostrar em público austeramente vestidos de preto, a não consumir alimentos com carne ou derivados do cruzamento animal (ovos, leite etc.) e – quando consideravam oportuno – se suicidavam, deixando-se morrer de fome ("endura"). Dada a dureza da doutrina na sua fase mais alta, a maior parte dos "crentes" recebia o "consolamentum" só a ponto de morrer.

A teologia cátara, que se tornou conhecida por meio de textos recentemente republicados também na Itália pelo filólogo Francesco Zambon, defendia que o universo assiste a uma espécie de luta eterna entre Bem e Mal, que Deus é substância espiritual puríssima da qual emanam Cristo e os anjos, que a matéria é total domínio do Mal e foi criada por um Demiurgo corrompido que pode ser identificado com o satanás dos cristãos. O homem, em que Espírito e Matéria coabitam, deve libertar em si o primeiro da segunda.

Essa doutrina, de evidente origem maniqueia, tem, de fato, relações muito estreitas com o mazdaísmo persiano e com o próprio budismo, mas não tem nada a ver com o cristianismo.

De outro lado, desde o momento em que os cátaros haviam conquistado a Provença, foi necessária para erradicá-los uma verdadeira cruzada (a "cruzada dos albigenses", 1209-44), que foi um episódio de inaudita violência.

Francisco viveu justamente nesse período e foi peregrino em Santiago de Compostela justamente nos anos em que a cruzada estava em curso, atravessando seus locais. Ele não nos diz nada disso. Ele certamente não era um cátaro "perfeito", já que sabemos que ele comia tudo o que lhe era posto na frente, como a sua regra também recita.

Podia ser cátaro "crente", ou simpatizante pelos cátaros? Não, já que sabemos que um traço comum ao catarismo era a aversão ao sacerdócio e à Igreja "corrompida": Francisco, pelo contrário, recomenda o respeito aos padres, mesmo quando se sabe que são pecadores.

Toda a sua pregação é embasada sobre temas que também parecem ser de propaganda anticátara: não que ele fizesse isso expressamente, mas esse era o seu tempo e esses, os interlocutores que devia combater.

O Cântico das Criaturas é um verdadeiro manifesto anticátaro, em que a potência e a misericórdia de Deus se manifestam na criação, e todas as criaturas tendem a Deus: se para Francisco é insensata a acusação de "panteísmo", ainda mais é a suspeita de "catarismo".

De onde resulta o fato de Francisco considerar a criação um mal e ver em Satanás o criador do universo? Igualmente ridículas as outras argumentações. "Desprezo do corpo", chamado de "irmão burro"? Estamos na mais simples tradição místico-ascética cristã, e, enfim, Francisco desprezava tão pouco o seu corpo que o seu último pensamento, a ponto de morrer, foi de comer doces...

Preferência pela oração do Pater? Mas é a oração mais comum de todos os cristãos.

Predileção pela vida eremítica e pela tradição itinerante: estamos na mais absoluta ortodoxia!

Escolha de não se fazer sacerdote? Um ato de humildade, que, de todos os modos, não o impediu de ser diácono, portanto, inserido na hierarquia eclesiástica.

Absoluta rejeição da riqueza? Estamos ainda na tradição ascético-mística cristã, com o fato novo de que Francisco nunca impediu que aqueles que não pertencessem à sua ordem enriquecessem e nunca falou da riqueza como de um mal absoluto.

E assim por diante. Os pontos de contato, se houver, estão entre o catarismo e cristianismo, não entre catarismo e Francisco.

Também para a imagem "seráfica" do Cristo das estigmas, trazida como prova de adesão à doutrina cátara, para quem Cristo era na realidade um anjo, as fontes principalmente apresentam o episódio de várias formas e, em segundo lugar, a relação entre o cristo e as formas angélicas tem uma longa tradição na angeologia cristã.

E quanto ao uso franciscano dos evangelhos apócrifos, como no episódio do presépio de Greccio, a iconografia cristã da Idade Média é largamente inspirada nos apócrifos, enquanto neste caso são os próprios cátaros que usam só o Evangelho de João.

Últimos e decisivos pontos. Primeiro: o autor ignora quase todos os escritos de Francisco, excluindo o Cântico, e particularmente as suas orações e os pequenos tratados que respeitam a mais rigorosa ortodoxia latina.

Segundo, Francisco nunca desobedeceu a Igreja, e esse é o seu traço decisiva e definitivamente anticátaro. Não basta, enfim, conhecem alguns elementos de teologia e de filosofia para enfrentar um tema como o proposto por esse livro, cujo assunto é inadmissível. Trata-se de um trabalho sem fundamento científico e sem valor.

Nota:

O catarismo (do grego καϑαρός [katharós], "puro") foi uma seita cristã politeísta[1], principal motivo pelo qual foi considerada como heresia, surgida no Languedoc e no norte da península Itálica ao final do século XI. As suas ideias constituiam-se num amálgama de conceitos cristãos, gnósticos e maniqueístas. Alguns historiadores indicam a sua formação a partir do século VII quando heréticos daquelas correntes, oriundos do Oriente Médio e do Norte da África, migraram para aquelas regiões da Europa diante da expansão muçulmana; outros, entretanto, afirmam que seriam fruto da expansão das heresias dos bogomilos (Reino dos Búlgaros) e dos paulicianos (Oriente Médio) (Fonte: Wikipédia - Nota da IHU On-Line).

Extraído de http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=30327 acesso em 4 mar. 2010.

Ilustração: Cruz cátara sobre o tau franciscano / Eugenio Hansen, OFS. Imagens originais obtidas em 4 mar. 2010 de http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Te_cross.svg e http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Cathar_cross.svg


"CÁ COM MEUS BOTÕES"



“CÁ COM MEUS BOTÕES”

O acaso?
Quem o inventou?
Fomos nós com o nosso famoso jeitinho...
Digo o mesmo do famigerado destino...
que nada mais é do que...
a velha desculpa esfarrapada...
para os nossos desatinos...
erros ou acertos...
Pouco importando o conceito que lhes damos...

Contudo,
temos certezas que nunca falham...
Certeza da vida...
Certeza da Morte...
Certeza do bem...
Certeza do mal...
E outras tantas certezas...
Como vontade...
Enfermidades...
Desejos...
Prazeres...
E todos os deveres e direitos...
que a realidade se nos impõe...

Aliás,
a realidade é o campo...
onde depositamos as sementes do nosso viver...
Sejam elas boas ou más...
Todavia, não podemos esquecer
que nossa índole é boa...
e que por isso mesmo...
todos os nossos atos deveriam ser bons...
Mas o fato é que nem sempre o são...
Porque muitos preferem ir na contra mão da própria natureza...
e tornam as certezas que temos...
em incertezas e pesadelos...

Ora, Deus quando nos criou...
Nos fez dotados de todos os dons...
A começar pelo dom da vida...
e com a vida o dom da liberdade...
Por isso, não há como negar essa verdade...
Porque mesmo se a negarmos...
essa negação é uma forma de expressão...
da vida e da liberdade...
e dos outros dons que nos foram dados...

Logo, não podemos cair em contradição...
Porque, como sabemos,
todo aquele que se contradiz...
Perde a veracidade de ser...
Torna-se refém do falso viver...
E nada mais.

Talvez rotulem essas minhas palavras...
como sendo apenas uma filosofia qualquer...
ou um achaque idealista de um livre pensador...
Ao que responderei...
“cá com meus botões”...
Tudo isso é vida...
vivida e expressada...
por cada um de nós...
a cada instante de nossas escolhas e decisões...

Então,
não apontem para o destino ou o acaso...
como sendo culpados por tudo o que nos acontece...
Mas, culpem o pecado...
de não amarmos a Deus acima de todas a coisas...
e de não nos deixarmos conduzir...
por seus santos mandamentos...

Porque na vida é assim...
quem planta, colhe...
Quem não planta,
não colhe nada...
e ainda faz de sua estada nesse mundo...
um antro profundo de perdição...

Destarte,
plantemos o bem...
que Deus nos dar a ser e viver...
para que tenhamos Nele...
nosso verdadeiro destino...

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

Creative Commons License
FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.

quarta-feira, 3 de março de 2010

ORDEM TERCEIRA FRANCISCANA [ANGLICANA]

Paz e Bem a todos!



Embora já tenhamos tenhamos quase cem anos de existência em diversos países e dez anos no Brasil, os franciscanos da Comunhão Anglicana, aqui no Brasil membros da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil [IEAB]. Este ano, talvez devido à Campanha da Fraternidade ser de caráter ecumênico, muitas pessoas têm entrado em nosso website ou mesmo nos enviado email procurando saber mais sobre nós, franciscanos anglicanos.


O que nos deixa contentes é saber que partilhamos da mesma herança do nosso Seráfico Pai, mesmo em instituições e Comunhões distintas. Temos ainda um longo caminho a trilhar em busca da Unidade. Cada um com o que é específico de sua parte, porém partilhando do que é comum a ambos.


A pedido do irmão Eugênio Hansen OFS, estou reproduzindo abaixo a matéria publicada so meu blog (http://www.brjames.blogspot.com/), sobre a Ordem Terceira Franciscana (TSSF).


Muito cedo no seu ministério, São Francisco viu a necessidade de incluir, dentro de seu movimento de reforma e renovação, pessoas de todas as categorias da vida. O trabalho de seguir a Cristo em simplicidade, amor e júbilo, o qual é a vocação de todos os Cristãos, não pode ser restringido à vida tradicional dos Frades e Freiras. Isto era assim no século XIII, e é assim hoje.


A Terceira Ordem, uma ordem religiosa dentro da Sociedade de São Francisco, consiste em aqueles homens ou mulheres, casados ou solteiros, clérigos ou leigos – que, embora seguindo as profissões ordinárias da vida, são chamados à dedicação através de voto e disciplina por vida. Como os Frades e Freiras da Primeira Ordem, e as Irmãs da Segunda Ordem (Clarissas), eles se dedicam a Nosso Senhor como instrumentos de sua paz. Os terciários buscam cumprir os propósitos especiais da Terceira Ordem através das Três Formas de Serviço.


OS TRÊS PROPÓSITOS da Terceira Ordem são:


Tornar Nosso Senhor conhecido e amado em toda parte.Por palavra e exemplo, os Terciários testemunham a Cristo em suas vidas diárias. Por meio de oração e sacrifício, ajudam a avançar o trabalho de Deus em qualquer lugar onde Ele os chamar.


Propagar o espírito de amor e unidade dentro da família de Deus.


Trabalhando felizmente com pessoas de diferentes raças, cores, crenças, educação e oportunidade, os Terciários procuram romper as divisões no mundo. Tentam viver no espírito da oração de São Francisco: “Senhor, faze-nos instrumentos de tua paz”.


Viver simplesmente
Reconhecendo que tudo pertence a Deus, procuram usar os dons de Deus sabiamente e exercer a boa mordomia sobre esta terra frágil, nunca destruindo ou desperdiçando o que Deus fez. Providenciam as coisas necessárias para si e suas famílias sem exigir o luxo. Procuram nunca esquecer das necessidades dos outros.


OS TERCIÁRIOS SERVEM A NOSSO SENHOR nestas três formas:


Oração.


Os Terciários são chamados à vida de oração – de abertura a Deus e aos outros. A Eucaristia é o coração da oração.


Estudo


Embora os Terciários dêem preeminência ao estudo das Sagradas Escrituras, também procuram ampliar a compreensão da missão da Igreja, da própria formação franciscana e do mundo de Deus.


Trabalho


Os Terciários buscam descobrir o que Deus quer deles. Em seus trabalhos e vidas diárias, procuram servir a Deus e trabalhar para o bem dos outros. O melhor serviço que podem oferecer é refletir o amor de Cristo, e mostrar seu prazer e sua paz aos outros pelo exemplo.


A REGRA DA TERCEIRA ORDEM [TSSF]


A Sagrada Eucaristia


Já que vêem a Eucaristia como o coração de sua oração, sua regra pessoal os chama à participação freqüente deste Sacramento.


Penitência


É necessário o exame regular de sua obediência a Cristo. Para ser reconciliadores, é preciso ser primeiro profundamente reconciliados com Deus. Praticam o auto-exame diário e fazem uso regular do Sacramento da Reconciliação de um Penitente.


Oração Pessoal


Marcam um tempo definido para a oração cada dia para estar com Deus, para orar pelos outros, para meditar e expressar a sua gratidão.


Negação de Si Mesmo


Esta é a disciplina de dizer “Não” a si mesmo, pondo Deus em primeiro lugar. Também procuram eliminar as maneiras de usar os outros para seus próprios interesses.


Retiro


Retiros em silêncio e “dias quietos”, de reflexão e interiorização oferecem uma oportunidade de relaxar fisicamente e de crescer mentalmente e espiritualmente. Pelo menos uma vez por ano, participam em retiros organizados ou privados.


Estudo


Todos nós precisamos aprender mais sobre Deus e sua vontade para nós. O estudo das escrituras e da espiritualidade franciscana é importante para o crescimento cristão do Terciário. A regra faz explícita a intenção do estudo regular.


Simplicidade de Vida


A simplicidade os chama à dádiva deles mesmos, tanto quanto a das coisas materiais. Nossas vidas estão cheias de bagunça, de preocupações sobre posses e o que os outros pensam de nós, tudo o que podem interferir com nosso relacionamento com Deus e com nossos irmãos e irmãs. Os Terciários são chamados a uma vida de simplicidade, eliminando aqueles aspectos deles e de suas vidas que os distanciam da ampla expressão do amor de Deus.


Trabalho


O serviço sempre foi uma parte importante da vocação franciscana. O trabalho diário é uma maneira em que os Terciários servem a Deus e os outros; são também freqüentemente chamados a servir a Deus e aos irmãos e irmãs em seus ministérios individuais, seja a oração, seja o ativismo social.


Obediência


Todos os Terciários são obedientes às decisões do Capítulo da Terceira Ordem. Fazem os Ofícios Diários, apoiam uns aos outros pela oração, assistência às reuniões de Fraternidade, e uma promessa financeira à Terceira Ordem. Reportam regularmente à Ordem sobre o cumprimento da sua Regra. Alguns tem um Diretor Espiritual com quem se reunem várias vezes ao ano.


A FORMAÇÃO DE UM TERCIÁRIO


O processo de formação consiste em:


· Um postulantado variável, não acima de 6 meses, e
· Um noviciado de 24 meses.


Durante a formação, o postulante ou noviço assiste às reuniões da Fraternidade, compartilhando com seus irmãos e irmãs os problemas e os sucessos no cumprimento da sua Regra.


Ao finalizar o noviciado, o noviço pode pedir eleição à profissão pelo Capítulo da Terceira Ordem.


Na profissão, o Terciário faz um voto simples com intenção de vida, o qual é renovado anualmente.


Todos os Terciários devem estar sob direção espiritual.


FRATERNIDADES


Aonde for possível, todos os terciárias se reúnem para oração, estudo e comunidade. Estas fraternidades são uma fonte importante de suporte mútuo em viver a vida franciscana.

Para maiores informações sobre os Franciscanos da Igreja Anglicana, acesse os sites:

www.ssf.org.br (Primeira Ordem - em português)

www.s-s-f.org (Primeira Ordem - em inglês)

www.tssf.org (Terceira Ordem - em inglês)

Vídeos no Youtube: http://www.youtube.com/watch?v=B-czKTbwsZc e http://www.youtube.com/watch?v=RhfkeAj37fU



terça-feira, 2 de março de 2010

QUEM É DEUS?












QUEM É DEUS?

É bom entender a vida...
porque a bondade está presente em todo ser...
Mesmo naqueles que não podem entender...
Ou ainda naqueles que não querem entender...
Pois, o Criador deixou essa sua marca registrada...
em todas as suas criaturas...

E tem mais...
Ninguém pode dizer que não o conhece
ou que nunca o viu nem o ouviu...
Pois, Deus que nos criou à sua imagem e semelhança...
pôs seu código de amor em nossas entranhas...
escrevendo suas leis em nossas almas...
Tanto as leis naturais quanto às eternas...
Logo é impossível não ouvi-lo nem conhecê-lo...
Desde o mais íntimo de nosso ser...
Ou ainda por meio de Suas obras...

Alguém poderá até negar essa verdade...
mas com isso se contradiz...
Porque é infeliz todo ser que nega a sua origem...
Ora, trazemos em nós os sinais da presença divina...
e isso é inegável...
Pois somos os únicos seres que pensam...
escolhem...
e decidem...
livremente...

Também temos capacidade de gerar a vida ou destruí-la...
Foi-nos dado ainda todo o necessário para sobrevivência...
O ar que respiramos...
A terra onde plantamos...
e construímos nossas casas...
A água que bebemos...
As criaturas com quem interagimos...
e as leis naturais, positivas e eternas que nos regem...

Antão,
não tem como não responder à pergunta enunciada...
É impossível...
Porque só Deus dá a vida...
e somente Nele a vida é eterna....
Logo, precisamos entendê-lo como revelação...
Natural e sobrenatural...
Visto que somos mais que aparência...
Na verdade somos a essência de sua criação...
E precisamos viver em função da verdade que nos criou...
E que se nos deu e dá a conhecer por seu amor...
Com o qual nos sustenta e governa...

Portanto...
Deus É o que É...
Sempre Foi e sempre Será...
Deus é Amor...
Único...
Santo...
Eterno...
E se nos revelou em seu Mistério:
Pai...
Filho...
e Espírito Santo...
Amém...
...

Santa Catarina de Siena ouviu Deus dizer-lhe: Tu pedes-me para Me conhecer e para Me amar, a Mim, a Verdade suprema. Eis a via para quem quer chegar a conhecer-Me plenamente e a apreciar-Me, a Mim, a Verdade eterna: não saias nunca do conhecimento de ti e, abaixada no vale da humildade, em ti mesma Me conhecerás. E a este conhecimento irás buscar tudo o que te falta, tudo o que te é necessário. Diálogos, cap. 4 (a partir da trad. Limiar 1953, p. 37 rev).
...

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

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segunda-feira, 1 de março de 2010

Bloco de ideias sobre São Francisco e a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2010

O autor alemão, H. Wirtz, num texto de ficção para uma obra teatralizada sobre a vida de Francisco de Assis, narra: “Houve ontem de tarde, na praça pública, grande reunião de proletários e tomou a palavra, naquele comício, Francisco, filho de Pietro Bernardone. Ninguém sabe o que ele precisamente queria dizer, mas umas frases ficaram gravadas nas cabeças e estão voando pelas fábricas, tabernas, muros, ruas, palácios e cortiços de Assis. Os pilares da sociedade assisiense, os príncipes livres, miles e monges, os nobres e os capitalistas de então, com seus servos, ouviram a fala loquaz daquele jovem nas escadarias da Prefeitura: “Irmãos, nós pobres e esfarrapados, não temos inveja de toda a vossa vestimenta. Dentro de poucos anos, ou dentro de 50 anos, nós todos estaremos deitados debaixo da mesma terra. E sabeis, então, quem será o mais rico? Aquele que por amor a Deus era o mais Pobre. Nós, proletários, não vos amaldiçoamos, não vos odiamos. Não tendes dianteira nenhuma a não ser que vosso caminho para Deus é mais difícil e mais desafiador que o nosso. Por isso queremos ser a vossa acordada consciência, para que o vosso coração não se endureça e para que não pequeis contra nós, vagabundos. A justiça já era estimada entre os antigos romanos, que eram pagãos, como a virtude do humano abastado. Nós, porém, não queremos apenas justiça, queremos também o Amor. Onde, porém, o dinheiro corrompe a justiça e o amor,lá ecoará o nosso grito: 'Abaixo o dinheiro!' Irmãos, nós proletários, vos saudamos com a saudação fraterna: 'Paz e Bem!'”

Francisco não é cortesão dos ricos nem adulador dos pobres. Ele não considera a situação através do prisma de uma classe social ou de um partido político. Ele pensa, aprecia e julga a partir do Evangelho.

Sabe que a Palavra de Deus está pedindo um valor, uma medida, uma renúncia, uma comunhão de bens.

Não é um revolucionário preso a uma ideologia, mas instaura a verdadeira revolução dos convertidos: uma súbita mudança e transformação. Muda de mentalidade e muda de lugar.
Convida as pessoas de seu século e do nosso século a um rigoroso exame de consciência: que o dinheiro, tão importante para as nossas necessidades efêmeras não bloqueie os nossos desejos de perene felicidade.
O dinheiro, para Francisco, leva às paixões, conquistas, terras, armas, castelos, honra e status. Realiza o sonho do pai, mas não o seu desejo de felicidade. Num primeiro momento de sua vida ele experimenta o dinheiro como sistema de produção, lucro e bens. Isto faz parte da vida em qualquer lugar da terra. Ter o que é próprio, ganhar a vida, repartir ou colocar à disposição, produzir, estar nas mãos de muitos ou de poucos, nas mãos dos senhores feudais, da eclesiologia de então, dos reis e reinos é a paisagem natural dos interesses.
Francisco viu o dinheiro como ostentação, luxo principesco, poder, conforto, ambição, avareza, máquina de guerra, saques, espólio, simonia e tratados. Viu a acumulação de dinheiro nos cofres de seu pai, nos bens dos nobres e da Igreja; sofreu com o poder exorbitante que tal acúmulo proporciona. Assis tinha nobres e mendigos aos montes. O abuso sufoca qualquer possibilidade de amor fraterno. Francisco não tinha dificuldade em ter; o que ele queria era ter em comum. Esvaziar um pouco o cofre de seu pai para encher de alimento as escudelas vazias da ninguenzada. O dinheiro não podia sufocar tal iniciativa! Repartiu, mas apanhou de seu pai que o prendeu num cárcere privativo e familiar.
Francisco percebeu que o dinheiro ajunta e separa. Domina e descrimina. Traz a primazia de interesses privados sobre o bem comum. Valores econômicos nem sempre convivem tranquilamente com valores humanos. O amoralismo do sistema econômico causa desmoralização e desumanização. Claro que Francisco não negou a esmola quando a ofereceram, teve amigos ricos que contribuíram muito para o sustento da sua fraternidade primitiva, assim como o capital sustenta através dos tempos pesquisas, descobertas e prosperidades da população mundial, e até as igrejas.
Francisco não gostava da miséria imerecida, e saiu distribuindo justa e equitativamente os bens, conforme o inspirava sua amada, a Senhora Dona Pobreza. O seu desapego era mais de deixar o que tinha à disposição de todos e conceder a todos os meios suficientes para adquiri-los. Quando a humanidade não divide franciscanamente, experimenta estas crises cíclicas de ter muito e não ter nada. Francisco preferiu viver a serenidade do apenas necessário que nunca termina.
Francisco não amontoou dinheiro para não amontoar poder. É melhor ter uma força igual nas mãos de muitos do que uma força desigual nas mãos de poucos. Ele não quis ser um administrador de bens alheios, mas um mendicante da mesa do Senhor, único dono de todos os bens.
Francisco não fez concorrência, mas realizou convivência. Não foi um senhor do crédito e do lucro, mas um irmão que dividiu o pão e pedaços da própria roupa, incondicionalmente.
Amou toda a riqueza das obras deste mundo doadas pelo Autor da Vida, e não vendeu água, terra, ar e flores. Não vendeu eucaliptos e metros quadrados de seu claustro, que tinha o tamanho do mundo.
O seu modo atraente de viver valorizou as criaturas todas. Amor não tem preço. O Cântico do Sol é pura gratuidade. Dali nasce o vapor, a energia elétrica, a força do átomo, as ondas misteriosas dos sistemas de comunicação. A alegria de Francisco está em não comercializar os bens da natureza como exploração e ganância. Ele não usa, mas convive a agradece. Não entrega a Irmã e Mãe Terra às garras da cobiça e da violência que impõe cercas, limites e militância. Não usaria o Irmão fogo para derreter ouro e prata, forjar armas mortíferas.
Certamente Francisco hoje teria dificuldade para ser um neo convertido, um consumidor religioso de objetos sagrados e excursões piedosas; mais emocional do que real, mais espetáculo litúrgico do que uma experiência real do Altíssimo, Onipotente e Bom Senhor!
Passaria chorando pelas ruas de nossas cidades, assim como chorou nas estradas da Úmbria: “O Amor não é amado”. O Amor é comprado, vendido, trocado e usado para preencher miséria corporal e espiritual. Francisco não é moeda, é ícone de partilha... Francisco não tinha medo do dinheiro, mas do abuso e da escravidão que ele cria. Francisco não tinha medo de produto, de mercadoria, de patrimônio, o que ele temia é que isto tudo vive de altos e baixos, instabilidade, especulação. Ele queria era ter a firmeza de escolher o melhor e o de mais valia. O Bem, o Sumo Bem, o Bem que não termina. Dinheiro não garante nada, fraternidade sustenta tudo.
Francisco é um louco, leve, livre, paradisíaco e matinal que não vive a neurose das preocupações, investimentos, ações, terrenos, prédios, propriedades, máquinas, extratos e planilhas. Ele só tinha um hábito, uma sandália e foi longe. Hoje, temos tanto e não saímos do lugar. A comunidade, o convento, a casa, Província e Ordem não podem andar porque não tem onde colocar tanta coisa, tantos objetos, ou fica muito pesado para carregar, ou diminui o tamanho da estrada. Com muito peso não se vai muito longe. Francisco não tinha nem breviário, por isso não precisou fazer mudança com biblioteca inteira.
A sua Irmã Santa Clara pediu o Privilégio da Pobreza para guardar o Único tesouro necessário. Francisco pediu as núpcias com a Senhora Pobreza para que na sua casa todos tivessem lugar: o poderoso Inocêncio III, o simples Frei Egídio, o Conde Orlando, o Leproso, a Porciúncula, o Imperador Otão IV, o ladrão comovido, a irmã Jacoba, o cavaleiro, o camponês, o teólogo e o verme da estrada. Ele não olhou a desigualdade do bolso e da bolsa, olhou a irmandade que nivela a todos no mesmo Amor. Ele não ajuntou tesouro para si, mas colocou tudo em comum. Reconstruiu a casa, com calos nas mãos, tijolos, uma Cruz que espiava a obra com olhar de aprovação, um punhado de irmãos e irmãs e muita bênção.
Texto de
Vitório Mazzuco Fº,
publicado em 26 fev. 2010,
disponível em http://carismafranciscano.blogspot.com/2010/02/bloco-de-ideias-sobre-sao-francisco-e.html,
acesso em 28 fev. 2010.

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