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quinta-feira, 14 de abril de 2022

HOMILIA DA QUINTA-FEIRA SANTA...


 Quinta-feira Santa - Missa da Ceia do Senhor (Jo 13,1-15)(14/04/22)

Caríssimos, olhando este mundo desmoronando como se tudo fosse acabar de repente refletimos, como tudo poderia ser diferente se a humanidade tivesse deixado o pecado para acolher o Senhor Jesus como o Messias, o ungido de Deus Pai; todavia, ainda há tempo para se voltar para Ele de todo coração e acolhe-lo por meio da Sua Santa Igreja, no Sacramento da Eucaristia que é a Sua Presença Real como Fonte inesgotável da nossa salvação.

Comentando a instituição desse Sacramento, disse o Papa Emérito Bento XVI: "Sacramento da Caridade, a Santíssima Eucaristia é a doação que Jesus Cristo faz de Si mesmo, revelando-nos o amor infinito de Deus por cada homem. Neste sacramento admirável, manifesta-se o amor «maior»: o amor que leva a dar «a vida pelos amigos» (Jo 15,13). De fato, Jesus «amou-os até ao fim» (Jo 13,1).

De certo, todo o homem traz dentro de si o desejo insuprimível da verdade última e definitiva. Por isso, o Senhor Jesus, «caminho, verdade e vida» (Jo 14,6), dirige-Se ao coração anelante do homem que se sente peregrino e sedento, ao coração que suspira pela Fonte da vida, ao coração mendigo da Verdade. Com efeito, Jesus Cristo é a Verdade feita Pessoa, que atrai a Si o mundo.

No sacramento da Eucaristia, Jesus mostra-nos de modo especial a verdade do amor, que é a própria essência de Deus. Esta é a verdade evangélica que interessa a todo o homem e ao homem todo. Por isso, a Igreja, que encontra na Eucaristia o seu centro vital, esforça-se constantemente por anunciar a todos, em tempo propício e fora dele (cf 2Tim 4,2), que Deus é amor. Exatamente porque Cristo Se fez alimento de Verdade para nós, a Igreja dirige-se ao homem convidando-o a acolher livremente o dom de Deus." (Santa Missa na Ceia do Senhor, 20/3/08). 

Portanto, caríssimos, receber o Senhor Jesus na Eucaristia e pernacer Nele fazendo a sua vontade é anuncia-lo a todos com a própria vida dizendo como são Paulo disse: "Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim." (Gl 2,20). 

Destarte, anunciar o Senhor Jesus é conviver com Ele interiormente e exteriormente, e anunciar o fruto dessa convivência espiritual, ou seja, transparece-lo para todos; e é exatamente isso o que a Eucaristia que nos proporciona.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

terça-feira, 12 de abril de 2022

DEUS NOS CONFIOU A VIDA COMO UM BEM ETERNO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 13,21-33.36-38)(12/04/22)

Caríssimos, humanamente o mal é insuportável, é repugnante; divinamente o mal é derrotado, porque nada pode contra Deus e seus filhos e filhas, é nisso que consiste a fé obediente e perseverante até o fim no bem recebido, cultivado e partilhado com todos como sinal da presença de Deus em nossas almas nos conduzindo desta terra de exílio para o Reino dos céus; como o povo de Israel que deixou a escravidão do Egito conduzido por Deus rumo à terra prometida.

Na primeira leitura ouvimos o que Deus disse ao seu servo, o Messias enviado para ser a Fonte de unidade e salvação do seu povo eleito e de todos os seus filhos e filhas dispersos no mundo inteiro. Disse o Senhor: “Não basta seres meu Servo para restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os remanescentes de Israel: eu te farei luz das nações, para que minha salvação chegue até aos confins da terra”. Ou seja, Deus ama, perdoa e salva a todos sem distinção, para isso enviou-nos o Seu Filho.

No Evangelho de hoje em pleno Banquete Eucarístico em que o Senhor Jesus instituiu o Sacramento da Eucaristia como sacrifício perpétuo e sinal visível da Sua Presença e da Nova Aliança, faz uma dolorosa revelação: “Em verdade, em verdade vos digo, um de vós me entregará”. Ou seja, num momento de sublime alegria foram sacudidos por essa dolorosa revelação.

Por isso, "Desconcertados, os discípulos olhavam uns para os outros, pois não sabiam de quem Jesus estava falando." De fato, esse episódio nos ensina a vivermos a nossa comunhão com o Senhor Jesus em todos os sentidos de nossa vida, pois, Judas tinha sido escolhido pessoalmente como os outros Apóstolos, no entanto, por falta de amor e fidelidade, deixou satanás entrar em sua alma e tornou-se traidor. Ou seja, esse episódio nos ensina a acolher a misericórdia do Senhor e sermos perseverantes até o fim. 

Portanto, caríssimos, a perseverança na oração, a humildade em reconhecer os próprios pecados, se arrepender e confessa-los, a reparação e o firme propósito de não mais comete-los; é isso o que nos mantém em estado de graça, pois, Deus é misericórdia infinita e está sempre pronto a nos perdoar e nos conceder todas as graças e bênçãos para a nossa salvação.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

segunda-feira, 11 de abril de 2022

COMO NOS APRESENTAMOS DIANTE DO SENHOR JESUS?


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 12,1-11)(11/04/22)

Caríssimos, a história da nossa salvação é repleta de bons e maus exemplos, são relatos de como as pessoas se apresentam diante do Senhor Jesus; seja para acolhe-lo, ama-lo e segui-lo dando testemunho da sua presença pela obediência aos santos mandamentos; ou então, para nega-lo, odia-lo e tira-lo de suas vidas por conta dos pecados praticados contra Deus, contra o próximo e contra si mesmas.

No Evangelho de hoje são João narra o jantar oferecido por Lázaro e suas irmãs após a sua ressurreição; e nessa narrativa nos apresenta alguns exemplos de relacionamentos com o Senhor Jesus. No primeiro apresenta a belíssima amizade que Lázaro e suas irmãs nutriam pelo Senhor, e Maria o demonstra "tomando quase meio litro de perfume de nardo puro e muito caro, ungiu os seus pés e enxugou-os com seus cabelos. A casa inteira ficou cheia do perfume do bálsamo."

No segundo narra a reação de Judas: "Então, falou Judas Iscariotes, um dos seus discípulos, aquele que o havia de entregar: “Por que não se vendeu este perfume por trezentas moedas de prata, para dá-las aos pobres?” Judas falou assim, não porque se preocupasse com os pobres, mas porque era ladrão; ele tomava conta da bolsa comum e roubava o que se depositava nela."

E por último narra a reação dos judeus que acreditaram no Senhor e dos sumos sacerdotes: "Muitos judeus, tendo sabido que Jesus estava em Betânia, foram para lá, não só por causa de Jesus, mas também para verem Lázaro, que Jesus ressuscitara dos mortos. Então, os sumos sacerdotes decidiram matar também Lázaro, porque por causa dele, muitos deixavam os judeus e acreditavam em Jesus."

Portanto, caríssimos, diante do Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, é impossível não se ter alguma reação seja de amor, de fé inabalável, de seguimento a toda prova como demonstraram Lázaro e suas irmãs; ou de críticas injustas tentando tirar proveito dele, é o caso de Judas; ou ainda de inveja, ódio, ameaça de morte e outros impropérios como vimos por parte dos sumos sacerdotes.

Destarte, esses exemplos nos são mostrados para que fiquemos atentos e não cometamos os mesmos erros dos não acolheram o Senhor Jesus por não ama-lo e por isso os expulsaram de suas vidas se deixando dominar pelo pecado.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

Homilia do Dom de Ramos...


 Homilia do Dom de Ramos (Lucas 23,1-49)(10/04/22)

Caríssimos, meditando sobre o terrível sofrimento do Senhor Jesus: calúnias, humilhações, falta de respeito, rejeição, ódio, tortura, violência e por fim a morte cuenta sem o mínimo de compaixão, percebemos que é assim que tratamos Deus cada vez que ofendemos os nossos semelhantes com os nossos pecados. 

De certo, o Senhor Jesus sofreu tudo isso em sua carne que é a nossa carne sem se queixar, sem expressar nenhum desejo de vingança por padecer tamanho tormento. Ao contrário, olhando para os seus algozes teve compaixão e intercedeu por eles: “Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!” (Lc 23,54). Essa grandissima atitude libertadora do Senhor nos mostra que o perdão é o poder que cancela toda maldade praticada contra nós e nos livra de todo o mal.

Desse modo, entendemos que o mal sempre será mal, porque já foi julgado e condenando (cf. Jo 16,11); no entanto, perdoar o mal praticado significa o triunfo do bem sobre o mal, significa a nossa libertação definitiva, ou seja, quem perdoa sempre ama sempre e nunca carrega o mal em sua alma, é livre, totalmente livre. É isso que consiste sermos verdadeiros discípulos de Cristo. Porque perdoar é amar, é fazer a vontade de Deus, e quem faz a vontade de Deus é feliz aqui e eternamente no seu Reino.

Com efeito, pela sua paixão e morte de cruz o Senhor Jesus aos olhos do mundo perdeu tudo e se mostrou como se fosse é um derrotado; enquanto que o mal se mostrou vitorioso como se fosse superior ao bem; no entanto, tal aparência é puro engano, pois, na verdade, é como disse o Senhor a Paulo: "Basta-te minha graça, porque é na fraqueza que se revela totalmente a minha força." (2Cor 12,9a). Ou seja, o mal nunca triunfa mesmo quando parece que sim, pois tudo o que é mal termina mal e se destrói a si mesmo, por isso, jamais pode cantar vitória.

 Portanto, caríssimos, digamos com são Paulo: "Prefiro gloriar-me das minhas fraquezas, para que habite em mim a força de Cristo. Eis por que sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor de Cristo. Porque quando me sinto fraco, então é que sou forte." (2Cor 12,9b-10).

Destarte, peçamos ao Senhor Jesus a graça da perseverança final que resiste e vence o mal, e permanece no bem recebido de Deus dando frutos de salvação aqui e por toda eternidade.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

quarta-feira, 6 de abril de 2022

TODO AQUELE QUE PECA É ESCRAVO DO PECADO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 8,31-42)(06/04/22)

Caríssimos, o fato de respirar, pensar, falar e fazer o que quiser não significa ser livres, podemos até afirmar que sim, mas, não passa de uma grande ilusão. Pois, somente o Filho de Deus nos liberta totalmente (cf. Jo 8,36). Por isso, tudo o que vivemos se não revela a presença de Cristo ou não se destina a Ele, perde o sentido de ser e gera um terrível vazio existencial que leva a perca da esperança e à desilusão ou ao apego exagerado a nós mesmos ou a ídolos que tira-nos a liberdade gerando vícios e dependências.

De fato, a nossa vida tem em Deus a sua origem e somente Nele se mantém livre; fora Dele não se firma por muito tempo. No Evangelho de hoje na contenda com os judeus, disse o Senhor: "Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." (Jo 8,31-32). Ora, Ele afirma isso por conta do pecado de presunção dos judeus que se achavam livres pelo fato de serem da descendência de Abraão. 

Com efeito, tendo como fundamento essa afirmação do Senhor Jesus, compreendemos que para sermos seus verdadeiros discípulos é preciso: a livre e cordial adesão à verdade; a permanência no estado de graça; e a libertação das seduções do maligno. Como Ele o confirma por estas palavras: "Em verdade, em verdade vos digo, todo aquele que comete pecado é escravo do pecado." (Jo 8,34).

Discorrendo sobre essa contenda com os judeus, o Missal Cotidiano tece o seguinte comentário: "O debate processa-se em três momentos: no primeiro (vv. 33-38) eles dizem que não precisam ser libertados, pois são filhos de Abraão; o Senhor replica-os dizendo que são escravos do pecado por querer mata-lo, porque Sua Palavra não reside neles. 

No segundo (vv. 39-40), Jesus nega que eles sejam filhos de Abraão porque não fazem as obras de Abraão, ou seja, não creem, mas querem mata-lo por lhes dizer a verdade. No terceiro (vv. 41-42) eles afirmam que são filhos de Deus; Jesus, porém, ainda replica, se fossem filhos de Deus o amariam, pois veio de Deus e volta para Deus."

Portanto, caríssimos, "a liberdade de que nos fala o Senhor Jesus é a que nos permite permanecer habitualmente na casa do Pai. É a mesma pela qual Ele saiu do Pai e volta para o Pai, é uma só vontade com o Pai, a mesma com que enfrenta o seu sacrifício, fiel a Deus e à própria missão até o extremo." (Missal Cotidiano ps. 301-302).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

domingo, 3 de abril de 2022

Homilia do 5°Dom da Quaresma...


 Homilia do 5°Dom da Quaresma (Jo 8,1-11)(03/04/22)

Caríssimos, estamos em pleno êxodo rumo ao Reino dos céus; e este mundo é um deserto inóspito cheio de perigos, todavia, como nos dois primeiros êxodos do povo eleito (do Egito e Babilônia), o Senhor Jesus vai pessoalmente à nossa frente nos orientando, nos protegendo e nos capacitando para atravessarmos esse deserto com êxito até chegarmos na terra prometida da nossa salvação. Cabe a nós a fidelidade e a perseverança no seu seguimento.

Na segunda leitura são Paulo nos mostra, com o seu exemplo, como deve ser o seguimento de Cristo: "Na verdade, considero tudo como perda diante da vantagem suprema que consiste em conhecer a Cristo Jesus, meu Senhor. Por causa dele eu perdi tudo. Considero tudo como lixo, para ganhar Cristo e ser encontrado unido a ele, não com minha justiça provindo da Lei, mas com a justiça por meio da fé em Cristo, a justiça que vem de Deus, na base da fé."

No Evangelho de hoje mais uma vez os fariseus tentam acusar o Senhor Jesus de algum delito contra a Lei para assim condena-lo, por isso, lhe apresentam uma mulher pega em fragrante adultério cuja sentença, segundo a Lei, era o apedrejamento. No entanto, conhecendo-os por dentro disse-lhes: "Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra."

Portanto, caríssimos, esse episódio nos mostra que nenhum de nós pode julgar quem quer que seja, porque todos somos pecadores, o que equivaleria a nos condenar a nós mesmos. Pois, o Senhor, que é Deus e Justo Juiz, veio para nos perdoar e nos dar a graça da salvação, para que recebendo a sua misericórdia sejamos misericordiosos uns com os outros. 

Destarte, isso não significa sermos coniventes com os pecados de quem quer que seja, mas sim, extirpa-los da nossa vida pela prática das virtudes eternas dentre elas a misericórdia e o perdão, como nos ensinou o Senhor: "Sede misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso. Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados." (Lc 6,36-37).

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

UM DIÁLOGO SANTO...


 PEQUENO SERMÃO DE CADA DIA (Jo 5,31-47)(31/03/22)

Caríssimos, somos cristãos, discípulos de Cristo, seus seguidores fiéis em constante diálogo com Ele pela oração e pela prática da Sua Palavra, o Evangelho da nossa salvação; e se o nosso testemunho for autêntico, pelos seus frutos nos tornamos Evangelho vivo para ser lido por todos que o Senhor nos dá a graça de encontrar neste mundo.

Mas, infelizmente, este mundo está se tornando um antro de corrupção, engodo, mentiras e perdição por falta de testemunhas autênticas do Santo Evangelho; muitos até o conhecem de côr e salteado, o teem na ponta da língua, mas não o vivem como deveriam, por isso, caem em costante contradição. De fato, muitos usam o nome do Senhor Jesus e do Seu Evangelho, não para santificar-se, por isso, servem de deboche aos que não creem, por falta de coerência no testemunho que dão.

São João se referindo a isso, disse: "Eis como sabemos que o conhecemos: se guardamos os seus mandamentos. Aquele que diz conhecê-lo e não guarda os seus mandamentos é mentiroso e a verdade não está nele. Aquele, porém, que guarda a Sua Palavra, nele o amor de Deus é verdadeiramente perfeito. É assim que conhecemos se estamos nele: aquele que afirma permanecer nele deve também viver como ele viveu." (1Jo 2,3-6). Ou seja, fazendo em tudo a vontade do Pai.

Portanto, caríssimos, é a nossa convivência com Cristo que nos torna seus verdadeiros discípulos. Então, como é a nossa convivência com o Senhor? O encontramos realmente na Santa Eucaristia face a face e o adoramos? E o nosso diálogo com Ele, como é? É diálogo mesmo ou somente nós falamos? Existe silêncio, escuta, ou estamos tão cheios do barulho deste mundo que não damos mais espaço para Ele em nossas almas?

Destarte, essas perguntas serão realmente respondidas somente se renunciamos ao mundo com o seu barulho, a nós mesmos, aos maus costumes e às tendências pecaminosas, deixando tudo isso fora do nosso interior, para darmos lugar ao Senhor e com Ele interagir; caso contrário, não o conheceremos nem conviveremos com Ele devidamente, isto é, na tranquilidade e na paz de quem o encontra e Nele permanece.

Paz e Bem!

Frei Fernando Maria OFMConv.

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