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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

A ecologia exterior e a ecologia interior. Francisco, uma síntese feliz

"São Francisco fundou um novo humanismo, uma síntese feliz entre a ecologia exterior (cuidado para com todos os seres) e a ecologia interior (ternura, amor, compaixão e veneração). Ele que é novo, nós somos velhos, mesmo tendo vivido mais de 800 anos antes de nós", afirma o teólogo Leonardo Boff, em entrevista por e-mail à IHU On-Line.

Renomado teólogo brasileiro, Leonardo Boff foi um dos criadores da Teologia da Libertação. Ele é professor de Ética, Filosofia da Religião e Ecologia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ. É autor de mais de 60 livros nas áreas de teologia, espiritualidade, filosofia, antropologia e mística, entre os quais citamos Ecologia: grito da terra, grito dos pobres (São Paulo: Ática, 1990); São Francisco de Assis. Ternura e vigor (8. ed. Petrópolis: Vozes, 2000); Ética da vida (Rio de Janeiro: Sextante, 2006); e Virtudes para outro mundo possível II: convivência, respeito e tolerância (Petrópolis: Vozes, 2006). Boff escreveu um depoimento sobre as razões que ainda lhe motivam a ser cristão, publicado na edição especial de Natal da IHU On-Line, número 209, de 18 de dezembro de 2006, e concedeu uma entrevista sobre a Teologia da Libertação na IHU On-Line número 214, de 2 de abril de 2007.


Entrevista com Leonardo Boff:
A ecologia exterior e a ecologia interior.
Francisco, uma síntese feliz


IHU On-Line - Como São Francisco pode ser entendido nos dias atuais? Qual é a sua maior contribuição para a humanidade em crise, depredada pelo domínio da razão e do individualismo?
Leonardo Boff - São Francisco tem muitas facetas. Ele redescobriu a humanidade pobre de Jesus encarnada nos mais pobres dos pobres que eram os hansenianos (leprosos) com quem foi viver. Inventou o presépio. Fundou uma ordem religiosa itinerante, pois os frades iam pelos caminhos evangelizando na língua vernácula do local e não em latim. Foi o primeiro a ganhar licença de celebrar a missa fora, no campo e nas praças, desde que houvesse a pedra d’ara (um pedaço de pedra contendo uma relíquia de santo). Mas, fundamentalmente, ficou memorável por seu amor cósmico. Depois de séculos em que o Cristianismo se encerrara nos conventos e se concentrara nas palavras sagradas, Francisco descobre Deus na natureza. Ela não é mais paganizada, cheia de divindades, nas fontes, nas montanhas e nas árvores. Ela é o grande sacramento de Deus. Até Francisco, o cristianismo vivia a dimensão vertical: todos são filhos e filhas de Deus. Com ele, começou a se viver a dimensão horizontal: se todos são filhos e filhas, então todos são irmãos e irmãs. Não apenas os humanos, mas cada ser da criação. Com enternecimento chamava com o doce nome de irmão ou irmã a estrela mais distante, o passarinho na rama, o sol, a lua e a lesma do caminho. Esta atitude é, hoje, considerada da maior relevância, pois encerra uma dimensão perdida em nossa cultura que se coloca por em cima da natureza, dominando-a e esquece que todos estamos juntos, ao pé um do outro e formamos a grande comunidade de vida. São Francisco fundou um novo humanismo, uma síntese feliz entre a ecologia exterior (cuidado para com todos os seres) e a ecologia interior (ternura, amor, compaixão e veneração).

IHU On-Line - A Oração da Paz é atribuída a São Francisco, mesmo tendo sido provado que ela não é de autoria do santo. O que ela diz à nossa sociedade atual?
Leonardo Boff - A Oração da Paz é urdida com pedaços de frases dos escritos de São Francisco e totalmente dentro de seu espírito. Ela encerra o segredo da paz possível. Há que ser realista, pois a condição humana, pessoal e social, é feita pelo simbólico e pelo diabólico. Em nosso mundo, há luz e há trevas, há amor e há ódio, há desunião e união. Esta situação é permanente e é sempre dada. Por isso, de certa forma é insuperável. Nem por isso a paz é impossível. Ela pode ser construída. Qual é a estratégia de São Francisco? É enfatizar a dimensão de luz mais que a dimensão de trevas, dar hegemonia ao amor sobre o ódio, faz prevalecer a união à desavença e confiar na vitória da vida sobre a morte. Ao fazer isso, não recalca a dimensão sombria, mas impede que ela ganhe corpo e domine nossa vida. O efeito final é a paz possível. Esta se torna mais segura se for buscada à luz da paz que só Deus pode dar. Cada um pode ser instrumento desta paz divina que fortalece nossas buscas pela paz humana.

IHU On-Line - Quais são as características mais marcantes de Francisco e Clara? Em um de seus livros sobre o santo, o senhor destaca seu vigor e ternura. Como isso aparece na personalidade de São Francisco e como essa personalidade era encarada na Igreja de sua época?
Leonardo Boff - São Francisco representa um dos arquétipos da plena realização humana. Esta é construída a partir de duas forças que constroem nossa identidade que é a dimensão de anima e a dimensão de animus. Com estes termos introduzidos por C. G. Jung , queremos expressar que cada pessoa, homem ou mulher, possui a dimensão de racionalidade, objetividade, de projeto, de determinação na superação de obstáculos, de vontade de ser e de poder (animus). Ao mesmo tempo, tanto no homem quanto na mulher há a dimensão do afeto, da subjetividade, do cuidado, da intuição e da espiritualidade (anima). Eu traduzo estas dimensões como a convivência e integração do vigor com a ternura. Francisco viveu esta integração em sua relação de grande amor com Clara de Assis, exemplo raro na história do cristianismo de como dois seres puros e evangélicos podiam se amar de verdade, sem perder o sentido maior de sua consagração a Deus. Se olharmos a história humana, percebemos que emergem figuras que, de forma exemplar, viveram a ternura e o vigor como Jesus, como Francisco de Assis, Gandhi , Dom Hélder Câmara , João XXIII e, de certa forma, também o Papa João Paulo II . Pelo fato de Francisco realizar estas dimensões de forma seminal, tornou-se uma pessoa livre, podia conviver dentro de uma Igreja de poder sob o Papa Inocêncio III , o Papa mais poderoso de toda a história da Igreja, e simultaneamente andar pelos caminhos de braços dados com um leproso, anunciando a alegria de Deus que é Pai e amoroso e que fazia de cada coisa o sacramento de sua aparição. Esta síntese, assim tão terna e fraterna, nunca mais foi vivida no cristianismo. Mas ele permanece como referência de um cristianismo despojado, alegre, reconciliado com as sombras e confraternizado com todos os seres.

IHU On-Line - Como entender a atualidade de São Francisco? Por que sua eterna busca pela bondade cativa tantos homens e mulheres?
Leonardo Boff - Em São Francisco, tudo é simples e direto. Não há nenhuma sofisticação nem segundas intenções. Nele, aparece o ser humano em sua inocência original, perdida na história por mil interesses individualistas e pela fome de poder, pela busca de cargos e status social e de acumulação de riqueza. Ele mostrou que ser pobre voluntariamente é muito mais que não ter nada, mas a continuada vontade de dar, de mais uma vez dar e de se despojar de todo interesse para poder comungar diretamente com as coisas e as pessoas, sem mediações que se interponham a essa vontade de estar junto e de sentir o coração do outro. No fundo, o ser humano sonha com um mundo no qual reine tal inocência, onde todos possam se sentir filhos e filhas da alegria e não seres condenados a viver no vale de lágrimas.

IHU On-Line - O Papa Bento XVI destaca a importância de São Francisco como homem da Igreja. Como o senhor vê o santo e qual sua opinião sobre a definição do Papa?
Leonardo Boff - O Papa é um saudosista e possui uma concepção de Igreja da tradição medieval, superada pela própria Igreja posterior. Ele vê a Igreja como um fim em si mesma e como condição necessária para a salvação da humanidade. Esquece que o Salvador não é a Igreja, mas Jesus que veio para todos, que ilumina cada pessoa que vem a este mundo e que, no fundo, é o Cristo cósmico da teologia de S. Paulo, quer dizer, aquele que redime não apenas a humanidade, mas toda a criação. Se há uma coisa que não define São Francisco é exatamente entendê-lo como homem de Igreja. Ele foi um homem do evangelho vivido “sine glossa”, quer dizer, sem as interpretações dos teólogos que praticamente sempre o emasculam ou o mediocrizam. Por isso, sua regra começa: “A regra e a vida dos frades menores é esta: seguir o santo evangelho de Nosso Senhor Jesus em obediência, pobreza e castidade”. Sabe-se, pela pesquisa histórica, que Roma condicionou a aprovação da regra com o acréscimo “sob a obediência ao Papa Honório e seus sucessores”. Mas Francisco queria que o Espírito Santo fosse o Geral da Ordem e não alguém nomeado pelos frades e aprovado pelos Papas. O que o Papa Ratzinger afirma vai contra todo o espírito de São Francisco. E mais: se enquadra dentro do eclesiocentrismo de sua teologia que no fundo é uma espécie de fundamentalismo, uma patologia religiosa.

IHU On-Line - Em que sentido São Francisco transformava as sombras de sua vida em luz? O senhor teria exemplos concretos da vida do santo que podem elucidar esse ponto?
Leonardo Boff - São Francisco assumia tudo como vindo das mãos de Deus, pois se sentia na palma da mão de Deus. Chamava a tudo de irmão e de irmã. Não apenas as coisas ridentes, mas também as sombrias e dolorosas. Chama as doenças de irmãs doenças. A própria morte é chamada de irmã morte. O curioso nele é que fazia das próprias fragilidades humanas e dos pecados caminhos para chegar a Deus pela via da humildade, da compaixão e da total entrega à misericórdia divina. Sentia-se “miserável vermezinho, pútrido, fétido, mesquinho, miserável e vil”. Seguramente era fétido, pois andava com o mesmo burel todo esburacado e sujo pelos poeirentos caminhos do vale de Rieti e da Umbria. Mas assumia a dimensão de sombras de forma jovial, pois nada, nem o pecado nem a morte, o afastava da íntima comunhão com Deus. Esse tipo de piedade é importante para um cristianismo libertador, pois ajuda os fiéis a superarem o moralismo e o farisaísmo. Assim como somos, pecadores e maus, seremos acolhidos e perdoados por Deus. Pois é essa a novidade do evangelho. Se fossemos tão bons e santos, não precisaríamos do Redentor, nem de seu sangue nem de sua morte. Mas Deus é o Deus da ovelha tresmalhada, do filho pródigo e da moeda perdida. Confiar que apesar destas sombras não saímos da esfera de Deus é libertar a vida para a jovialidade dos filhos e filhas de Deus, é ter descoberto o evangelho como expressão do amor incondicional e do rosto misericordioso de Deus. São Francisco viveu este tipo de experiência religiosa de forma intuitiva, sem reflexão teológica, como algo evidente para quem se orienta pela mensagem do Jesus histórico.

CÂNTICO DAS CRIATURAS

Altíssimo,
Onipotente,
Bom Senhor!
Teus são o louvor, a glória, a honra e toda a bênção.
Louvado sejas, meu Senhor,
com todas as tuas criaturas,
especialmente o senhor irmão Sol, que clareia o dia
e que com sua luz nos ilumina.
Ele é belo e radiante, com grande esplendor
de ti, Altíssimo, é a imagem.
Louvado sejas, meu Senhor,
pela irmã Lua e pelas estrelas,
que no céu formaste, claras, preciosas e belas.
Louvado sejas, meu Senhor,
pelo irmão vento, pelo ar e pelas nuvens,
pelo sereno e todo tempo
com que dás sustento às tuas criaturas.
Louvado sejas, meu Senhor,
pela irmã água, útil e humilde, preciosa e casta.
Louvado sejas, meu Senhor,
pelo irmão fogo, pelo qual iluminas a noite.
Ele é belo e alegre, vigoroso e forte.
Louvado sejas, meu Senhor,
por nossa irmã, a mãe terra,
que nos sustenta e governa,
produz frutos diversos, flores e ervas.
Louvado sejas, meu Senhor,
pelos que perdoam, pelo teu amor,
e suportam as enfermidades e as tribulações.
Louvado sejas, meu Senhor,
por nossa irmã, a morte corporal,
de quem homem algum pode escapar.
Louvai todos e bendizei ao meu Senhor,
dai-lhe graças e servi-o com grande humildade.
Extraído de Revista IHU On-Line. São Leopoldo, n. 238, 01 out. 2007. Disponível em http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_tema_capa&Itemid=23&task=detalhe&id=724 acesso em 15 ago. 2009.
Foto: Palestra do Leonardo Boff / Wanderley Costa. 21 maio 2009. Disponível em http://picasaweb.google.com/lh/photo/ih8lohTq75tLVCVkzQHlzQ acesso em 15 ago. 2009.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Escritos de São Francisco

Paz e bem!

A Editorial Franciscana de Braga, Portugal,
disponibilizou para download o livro
Escritos de São Francisco de Assis
edição de 2001.

Para fazer o download:

Porto Alegre : Grupo de Estudos das Fontes Franciscanas

Em Porto Alegre (RS) há um
Grupo de Estudos das Fontes Franciscanas,
sob a assessoria do Frei Dorvalino Fassini, OFM,
que reune-se uma vez por mês
das 09h às 11h30min
na Igreja São Francisco de Assis
-- Rua São Luís, esquina com
Rua Domingos Crescêncio --.

Os próximos encontros serão:

  • 30 ago., domingo
  • 04 out., domingo
  • 08 nov., domingo

Os encontros são abertos à todos os interessados,
apareçam!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A BELEZA DA ORLA DO GUAÍBA NÃO COMPORTA “ESPIGÕES”

Que a partir de 23 de agosto seja possível continuar a repetir o gesto de Jerônimo de Ornellas, o primeiro habitante do morro Santana, que frequentemente subia o alto do morro e, contemplando lá de cima a paisagem do Delta do Jacuí, dizia: “Eu VI-A-MÃO de Deus”.

A mão de Deus que está representada pelos cinco rios: Jacuí, Caí, Sinos, Gravataí e Taquari. Os cinco rios representam os cinco dedos da mão de Deus.


Leia a seguir o belo texto do Irmão Antônio Cechin, fundador da Pastoral da Ecologia.


A BELEZA DA ORLA DO GUAÍBA NÃO COMPORTA “ESPIGÕES”


Volta e meia ouvimos alguém falar assim: “As praias do Rio Grande do Sul começam em Santa Catarina”. Ou então outros mais sarcásticos - um deles é um notável articulista de jornal - todos os anos, por ocasião da enxurrada dos “hermanos” argentinos rumo ao norte do Mampituba, saem com essa: “As praias de Santa Catarina dão de goleada nas praias do Rio Grande do Sul”. Ledo engano!... A realidade é que nosso Rio Grande tem dois mares, o de dentro, também apelidado de Costa Doce, e o de fora. Santa Catarina só tem um, o de fora.


Um pescador de Tramandaí, provocado pelo estranhamento de um banhista pela linha reta sem reentrância de espécie alguma, em nosso litoral, começando a norte, no Mampituba, limite com Santa Catarina, e se estendendo até o Chuí, na fronteira-sul com o Uruguai, retruca assim


“Famílias da roça, quando realizam o sonho da casa própria, costumam convidar amigos e vizinhos para a “festa da cumieira”. A colocação do telhado significa que a façanha está chegando ao “gran finale”. Aliás o provérbio dos antigos também confirma esse comportamento quando diz: “o coroamento da obra acontece no fim!”. Em bom latim: “finis coronat opus!”


Quem por primeiro assim procedeu, foi o próprio Deus, o supremo arquiteto do universo. Ele fez o mundo em sete dias. O último contorno de praias que criou foi no litoral brasileiro. Um grande mutirão: Deus com os seus anjos.


Na manhã do sexto dia começaram na costa norte da Terra de Santa Cruz, hoje Brasil, com a Amazônia. Vieram descendo rumo ao sul, num capricho só: praias cheias de recortes com enseadas, penínsulas, cabos, golfos, promontórios, baías, montanhas, estuários, etc. etc. Parecia mesmo um artesanato de mulher rendeira à beira d’água. Pelas 12 horas desse último dia de trabalho, tinham chegado à foz do Mampituba, divisa com o nosso Estado.


Deus Pai Criador se voltou então para os anjos e falou: “Vou me recolher ao seio da Trindade a fim de decidir como e quem vamos colocar para habitar a casa que está ficando pronta”. Deixou um “trabalho de casa” para ocupar os anjos: fazer as praias do Rio Grande do Sul que ainda faltavam.


A confabulação entre Pai, Filho e Espírito Santo concluiu que as criaturas humanas – homem e mulher – seriam feitos à “imagem e semelhança” das três divinas pessoas que, de tanto se amarem formam a melhor Comunidade.


Nesse meio tempo, os anjos arregaçaram as mangas e fizeram esse “retão” de praia a contrastar com tudo que haviam feito antes em companhia do Criador do mundo.


Pelo meio da tarde Deus-Pai, depois de ter resolvido com as duas outras divinas pessoas, o jeito que teriam os moradores da Casa Terra, veio para junto de seus anjos para ver o serviço. Quando deparou com a imensa linha reta da costa, o Criador levou um susto.


- “Então toda uma semana em que trabalhamos juntos não foi suficiente para vocês aprenderem?!”


Os anjos ficaram tristes e até um deles ensaiou uma lágrima, mas Deus que é Amor, imediatamente atalhou: “Nada, nada grave! Agora, retomando nosso mutirão, vamos mostrar as maravilhas que somos capazes de fazer no interior do continente. Vamos fazer o mar de dentro.” Falou e imediatamente espalmou a mão sobre o “continente que é o Rio Grande”. A palma da mão divina é o Guaíba. Cada um dos cinco dedos são os cinco rios: Jacuí, Caí, Sinos, Gravataí e Taquari. Isso tudo, naturalmente ao lado de inúmeros arroios, cascatas, lagos, lagunas, a Lagoa dos índios Patos que é a maior da América, etc. etc.


Dizem até que Jerônimo de Ornellas, o primeiro habitante, do alto do morro Santana em que morava, contemplava, lá de cima o Delta do Jacuí e repetia sempre: Eu VI-A-MÃO de Deus. Expressão que depois passou a ser o nome do município lindeiro de Porto Alegre.


Estava terminada a obra da Criação e a marca de Deus, - sua assinatura – é o Guaíba com os cinco dedos da mão se espraiando Rio Grande acima, em cujas margens vivem os dois terços de toda a população da nossa Terra querida, “defendida por Sepé”.


Será que saberemos preservar, a 23 de agosto, com o primeiro plebiscito de caráter ecológico de nossa história, as maravilhas da natureza com que Deus nos presenteou?...


Por Irmão Antônio Cechin

Contribuições da espiritualidade franciscana no cuidado com a vida humana e o Planeta

Para o Frei Ildo Perondi, São Francisco de Assis foi pobre e optou pela pobreza para se colocar entre “menores” e, com isso, denunciar a pobreza, que é sempre um pecado, sobretudo a que é fruto das injustiças

“Nós podemos construir um mundo mais simples, sem pobres, e não este mundo rico, opulento e excludente. É o que hoje dizemos quando afirmamos que ‘outro mundo é possível’.” A afirmação é do frei capuchicho Ildo Perondi, em entrevista concedida por e-mail à revista IHU On-Line, a respeito das contribuições da espiritualidade franciscana no cuidado com a vida humana e o planeta. A discussão sobre o assunto integra a programação do evento Espiritualidade cristã na pós-modernidade: desafios e perspectivas, realizado pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Na visão de Frei Ildo, a fé cristã é profundamente prática. No entanto, “não basta professar a fé por palavras, é necessário vivê-la”. Ao analisar a caminhada de São Francisco de Assis, na opção pelos pobres, ele foi enfático: “Francisco nos ensina ainda que viver a pobreza é, também, assumir um modo de viver diferente desta proposta consumista apresentada pelo atual modelo econômico, sem nenhum respeito para com a preservação da natureza e sem se preocupar com as gerações futuras.”

Ildo Perondi é frei capuchinho, graduado em Teologia no Instituto Paulo VI de Londrina e Bacharelado na PUCPR (Curitiba-PR) e mestre em Teologia Bíblica, pela Universidade Urbaniana de Roma. Atualmente, é Guardião do Convento Santa Clara, dos Freis Capuchinhos, em Londrina (PR). Também é professor de Sagradas Escrituras e Ecumenismo na PUCPR (Câmpus Londrina) e no Instituto Teológico Divino Mestre em Jacarezinho (PR), além de assessor Arquidiocesano para o Ecumenismo em Londrina–PR, membro do MEL (Movimento Ecumênico de Londrina) e assessor bíblico da CRB, CEBI e Escolas Bíblicas para leigos."
Ildo Perondi

IHU On-Line - Quais são as características mais fortes da espiritualidade cristã contemporânea?

Ildo Perondi – Vivemos um tempo em que podemos constatar uma grande sede de Deus. Por mais que estejamos num mundo moderno, há uma forte busca pelo sagrado, pelo transcendente. Porém, esta busca é também diversificada, assim como é a sociedade atual. Por isso, é necessária uma abertura ao Espírito, que “sopra onde quer” (Jo 3,8). O cristianismo nasceu pelo sopro do Espírito que conduziu os Apóstolos para fora das estruturas, para os lugares novos, em busca de outras fronteiras. Hoje, vivemos numa sociedade fragmentada, em crise e em mudanças constantes. Então, creio que a espiritualidade cristã deve ter duas características importantes. Primeiro, uma fundamentação na história da nossa espiritualidade, sobretudo estudo e escuta da Palavra de Deus (com uma necessária e atualizada hermenêutica), ver como foram superadas as crises e caos que o povo de Deus enfrentou na sua caminhada histórica, e com isso sustentar-se em algo seguro. Segundo, é preciso arriscar-se, ir em frente, dar respostas, adaptar-se aos novos tempos, responder às angústias do ser humano de hoje, facilitar o relacionamento com Deus, alimentar sonhos e esperanças neste momento de travessia.

IHU On-Line - Que valores os cristãos devem cultivar nos dias de hoje, em um contexto de pluralismo cultural e religioso?

Ildo Perondi – A fé cristã é profundamente prática. Ser cristão no mundo de hoje é dar testemunho. Não basta professar a fé por palavras, é necessário vivê-la. Quem possui fé deve cultivar a relação amorosa com Deus; contemplar e admirar-se dos feitos de Deus na história; deve viver a ética e ser coerente; empenhar-se na construção do Reino; deve praticar a tolerância diante do diferente, seja ele religioso, racial, de gênero etc.; deve ser pessoa aberta ao diálogo com os outros, ser ecumênico com as outras religiões; viver a radicalidade da fé, sobretudo, quando é necessário o profetismo da denúncia e do anúncio; praticar a solidariedade e o acolhimento dos mais necessitados, das pessoas que sofrem – sejam os pobres e excluídos, como quem sofre das doenças modernas como o stress, a depressão, o vazio, a solidão; a fé deve ser ecológica com compromisso e cuidado com toda a Criação; os cristãos devem viver o mandamento novo ensinado por Jesus “amai-vos uns aos outros”, porque vivemos um tempo de interesses egoístas e o amor é que vai nos salvar. Enfim, creio que os cristãos devem viver este ser humano novo, relacional, criativo que aponte para um futuro com esperança.

IHU On-Line - Qual é a importância da figura de São Francisco de Assis e de sua proposta de vida de pobreza para os dias de hoje?

Ildo Perondi – Francisco foi pobre e optou pela pobreza para se colocar entre “menores” e, com isso, denunciar a pobreza, que é sempre um pecado, sobretudo a pobreza fruto das injustiças. Por isso, ele vai até o leproso e o abraça e se torna solidário com ele. Francisco quis mostrar que era irmão dos pobres e não uma ameaça para eles. É uma mudança de lugar social. Outro motivo é que Francisco abraça a pobreza para viver a simplicidade da vida, para viver da gratuidade, da graça de Deus, porque Jesus também nasceu pobre e fez opção pelos pobres. A pobreza é também uma forma de desprendimento e de viver a liberdade. Nunca houve ninguém que fosse pobre como Francisco de Assis e, ao mesmo tempo, tão gentil e cortês. Ele usava um hábito remendado, mas sabia ser elegante, aberto ao diálogo, foi instrumento de paz e reconciliação, capaz de ter palavras e gestos fraternos. Francisco nos ensina ainda que viver a pobreza é, também, assumir um modo de viver diferente desta proposta consumista apresentada pelo atual modelo econômico, sem nenhum respeito para com a preservação da natureza e sem se preocupar com as gerações futuras. Nós podemos construir um mundo mais simples, sem pobres, e não este mundo rico, opulento e excludente. É o que hoje dizemos quando afirmamos que “outro mundo é possível”.

IHU On-Line - Como a espiritualidade franciscana lida com a tensão entre fraternidade e autonomia pessoal?

Ildo Perondi – A fraternidade é necessária no franciscanismo, porque somos uma Ordem de irmãos, dados por Deus. A fraternidade é composta de irmãos de raças, culturas, aptidões diferentes. É esta multiformidade que embeleza e a complementa. É a resposta de Francisco ao mundo individualista e egoísta. Porém, cada irmão é um dom de Deus, possui a sua individualidade, seu jeito, seu carisma. O diferente é belo e completa o que falta em mim. É interessante analisar a individualidade dos primeiros companheiros de Francisco. Havia pessoas sábias e outras ignorantes; frades que eram clérigos e outros que não eram; exerciam as mais diversas atividades; alguns santos e outros tão singulares, como Frei Junípero. Portanto, a diversidade não elimina a fraternidade, antes a completa. Isso também deve ser verificado na questão econômica. Na fraternidade, todos colocam em comum o que possuem e o fruto do seu trabalho, mas também todos se beneficiam na mesa e da bolsa comum.
Extraído de http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_eventos&Itemid=26&task=evento&id=209&id_edicao=297 acesso em 14 ago. 2009.

Foto: Tancredo Neves neighborhood in Salvador, Bahia, Brazil / AlmostBrazilian. 2007. Disponível em http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Tancredo_Neves_through_Fence.jpg acesso em 14 ago. 2009.

POGGIO BUSTONE















POGGIO BUSTONE

Bom dia, boa gente...
Esta é uma linda saudação...
Ela é exaltação da bondade divina...
De Francisco pobrezinho...
Aos seus filhos, suas filhas...

Poggio Bustone
Lugar simples da acolhida dos que foram rejeitados...
E por isso a boa gente por Francisco é chamada...
Para a glória de Deus pelo bem realizado...

Poggio Bustone
Este é o lugar místico da oração contemplativa...
É o lugar da certeza do perdão de São Francisco...
Do envio missionário e da volta tranqüila...

Poggio Bustone
É o lugar da visão do tamanho crescimento da Ordem...
Da vinda dos irmãos de toda parte do mundo...
Para o pobre rebanho da seara do Senhor...

Ó Francisco ainda hoje és ali reconhecido...
E por isso a boa gente se saúda como então...
“Buon giorno, buona gente”
Com a tua saudação...

Paz e Bem!


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FREI FERNANDO, VIDA, FÉ E POESIA by Frei Fernando,OFMConv. is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Compartilhamento pela mesma Licença 2.5 Brasil License.

Carta a Francisco de Assis

Por ocasião dos 800 anos do aniversário da fundação da ordem franciscana, Francisco J. Castro Miramontes, escreve uma carta a São Francisco de Assis, relatando suas preocupações, decepções, alegrias e esperanças.

Francisco J. Castro Miramontes é sacerdote franciscano, Licenciado em Direito Civil e Canônico e Diplomado em Sagrada Escritura. Miramontes é o delegado de Justicia y Paz da ordem franciscana e responsável pelo Lar de Espiritualidade São Francisco de Assis, que acolhe peregrinos, em Santiago de Compostela. É também autor de, entre outros livros, Alter Christus. Francisco de Asís, signo del amor. Madrid: Editorial San Pablo, 2009.

Eis a Carta a Francisco de Assis, escrita por Francisco Castro Miramontes e publicada no sítio espanhol Religión Digital, 16-04-2009. A tradução é do Cepat.

Irmão Francisco: paz e bem. Já se passaram quase oito séculos e ainda continuamos a recordar teu nome, mesmo quando certamente terias preferido passar de maneira discreta pela história, porque na realidade eras, de coração, um cidadão do céu. Quase oitocentos anos ao longo dos quais a Humanidade continuou seu curso e voltamos a cair nos graves erros da tua época. De fato, continuamos a ver em ti, homem do teu tempo, curtido na lida cotidiana em um meio cultural, político, religioso e econômico determinado, alguém que tem muito a dizer-nos hoje. Nesse sentido, está claro que não perdeste nem um pouquinho de atualidade, de novidade e de originalidade.

Mas, ao mesmo tempo em que constato isto, nem por isso deixo de sentir uma espécie de saudade, e ao mesmo tempo de tristeza. Me explico. Sentimos saudades de alguém, de algo, de algum lugar, que identificamos como único, belo, essencial em nossas vidas. E o fazemos precisamente porque tememos tê-lo perdido, ou que já não volta mais, ou que nada volta a ser o mesmo. Minha saudade de ti consiste talvez em que sinto que a tua história de amor ficou empacada, estancada, perdida, como se tratasse de uma ilha, no oceano imenso da história, como se o que tu viveste já não pudesse ser vivido hoje, ao menos não da mesma maneira e com a mesma intensidade. E me refiro não à tua vida concreta que, ao fim e ao cabo, é única e irrepetível, mas à tua experiência de amor solidário e generoso, teu compromisso desde e pela paz, que hoje tanto necessitamos.

A saudade é positiva se nos faz renascer para o que há de melhor em nós mesmos, mesmo que seja a força de idealizar e sonhar com o belo. A tristeza me brota – te confesso – porque comprovo que o ser humano de hoje, na realidade, não evoluiu. É verdade que a tecnologia é deslumbrante. Certamente, te sobressaltava comprovar como se avançou no aspecto da técnica ou da medicina, mas de um modo injusto, já que convertemos o mundo num gigantesco leprosário no qual marginalizamos centenas de milhões de pessoas que necessitam sobreviver (e às vezes nem sequer isso) em meio aos açoites insultantes da miséria. Sim, sem dúvida, tu, hoje, novamente estarias aí, junto destes novos “leprosos”.

O grande avanço, o progresso do qual os políticos tanto falam, na realidade é um pouco fictício. Para algumas pessoas a vida é um pouco mais cômoda, têm (temos) muitos meios materiais, mas o coração continua sendo o mesmo, aquele que tu conheceste em teu tempo. As diferenças, aqui, são de mero matiz. No teu tempo vestias de um jeito, viajavas a cavalo, não tinhas televisão nem internet, mas o coração humano podia chegar a ser imensamente mesquinho, como hoje. A verdadeira revolução, a do coração, iniciada por teu Jesus e continuada por ti, ainda está inconclusa. É um grande fracasso, mas ao mesmo tempo também um estímulo para continuar construindo sonhos e esperanças, porque, como podes comprovar, ainda está quase tudo por fazer. É certo que houve belos acontecimentos, que o bem continua abrindo espaço no meio da história, que há pessoas maravilhosas que se parecem muito contigo, mas o mal segue sendo contumaz e resiste em abandonar o coração humano, em cuja terra brotam todas as sementes de confronto e violência. Das guerras de nosso tempo não quero nem te falar, de tantas formas de guerra muito mais cruentas que as de teu tempo, porque hoje é muito fácil matar: que horror!

Tua família religiosa – ainda que não quiseste fundar nada por não se sentir digno – foi e continua sendo, muito próspera, mesmo que tenha sido uma história de luzes e sombras, de luta para conquistar um belo ideal ao mesmo tempo que a realidade concreta se nos impõe uma realidade cheia de contradições e infidelidades. Hoje existem não sei quantos movimentos religiosos e culturais que seguem o teu caminho. A Igreja beatificou e canonizou várias centenas de seguidores teus (perdoa; seguidores do Evangelho). Também teus filhos e filhas ofereceram seu sangue em martírio, sem olhar para trás, sentindo-se herdeiros do Reino dos Céus, com essa liberdade da qual tu falavas com frequência, aquela que nos leva a fazer só aquilo que é contrário “à nossa alma”. E no meio do mar do mundo continuamos a nos referir à tua “perfeita alegria”, aquela que expressaste ao Irmão Leone a caminho de Santa Maria, quando o tempo piorava e confabulavam com o cansaço e a fome. Chegar à porta da tua casa e não ser recebido devia ser acatado com paciência, a ciência da paz, vencendo-se a si mesmo. É aí, na adversidade, onde vence a humildade da pessoa pacífica e enamorada da vida. Viver comprometidos com o amor é uma aposta na verdade caritativa que tu aprendeste na escola de Jesus de Nazaré.

A Igreja atual continua sendo, em parte, a Igreja do teu tempo, porque é formada por homens e mulheres frágeis. Ela está sendo muito criticada, ma não se quer ver mais do que aquilo que interessa ver. Graças a Deus – a quem tu tantas vezes davas graças por tudo e apesar de tudo – seguem se produzindo no seio da Igreja muitos gestos de entrega generosa pela causa do Evangelho, nem sempre compreendidos por algumas pessoas, e pelos poderes deste mundo, que não desejam ter próximos testemunhas da verdade, por medo de que descubram muitas mentiras sobre as quais se apóia este mundo.

Continua-se a falar de ti – e já sei que isso não lhe agrada muito –, vencedor de vaidades e prepotências, como um homem de coração nobre e espírito humilde, como um grande amante da criação, como testemunha e portador da paz. Anualmente, acodem a Assis, e a outros lugares que guardam a tua memória, muitíssimas pessoas provenientes do mundo inteiro. Por que será? Te lembro aqui as palavras daquele irmão teu que te perguntava por que todos iam ao teu encontro, se na realidade tu eras o contrário do paradigma de herói do teu tempo. A tua resposta foi simples e realista: porque Deus conhecia teu pecado e quis manifestar-se, como sempre, através de um homem frágil e consciente de suas limitações. “O homem é o que são os olhos de Deus, e isso basta”, costumavas dizer. Estavas muito consciente da tua indigência, mas também do grande amor de Deus para com as criaturas.

Te confesso também que em certo modo hoje voltamos a te decepcionar, posto que nos tornamos muito acomodados e pouco comprometidos. Inclusive te “sequestramos”, porque falamos muito de ti, em homenagem a ti erguemos monumentos e majestosos prédios, teu nome está em ruas e até há cidades que tem o teu nome. Plasmarei aqui, por escrito, o que tu dizias: “Os santos fazem as obras, e nós, ao narrá-las queremos receber honra e glória”. Talvez seja assim. É mais fácil falar dos outros do que fazer da própria vida um caminho de encontro com Deus e a bondade. (...).

Dizem que um dos personagens mais conhecidos da história do século XX chegou a dizer – depois de liderar uma revolução – que na realidade ele teria necessitado de uma dúzia de “Franciscos de Assis” para que se tivesse realizado o sonho. Afinal, o lobo que mora em nós sai feito bicho selvagem à procura de quem devorar. Tu foste um rebelde, um revolucionário do coração, e hoje te lembramos por isso, e eu, pessoalmente, te agradeço por isso. Sabes que em minha vida tu és muito importante. Cada vez que dirijo meus passos, caminhando pela rua que leva teu nome, para o convento de São Francisco de Santiago de Compostela, e contemplo a tua efígie de braços abertos no “monumento”, reconheço que me dá a impressão de que a pedra me sorri, de que tu estás presente, na pedra moldada, na água da chuva, nos pássaros que cantam, nos viandantes... na vida, no amor, na paz e na esperança.

Quero concluir esta improvisada carta de amigo, de irmão, com uma oração, para que a recitemos juntos. Trata-se da “oração da paz”, composta muito tempo depois de ti, mas que sem dúvida reflete perfeitamente o teu espírito e estilo de vida. Ficamos combinados para um novo encontro, quando Deus quiser. Já tenho vontade de estar contigo. Até sempre, Francisco, “boamente”:

“Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor,
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão,
Onde houver discórdia, que eu leve a união,
Onde houver dúvida, que eu leve a fé,
Onde houver erro, que eu leve a verdade,
Onde houver desespero, que eu leve a esperança,
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria,
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, fazei que eu procure mais
consolar que ser consolado;
compreender que ser compreendido,
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe
é perdoando que se é perdoado
e é morrendo que se nasce para a vida eterna”.

Extraído de http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=21580 acesso em 15 ago. 2009.
Foto: Envelope padronizado alemão / Fotógrafo: Frank C. Müller. 2005. Disponível em http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Briefumschlag_fcm.jpg
acesso em 15 ago. 2009.

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